{"id":142,"date":"2009-09-22T00:24:48","date_gmt":"2009-09-22T00:24:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cebb.org.br\/novo\/?p=142"},"modified":"2009-09-22T00:24:48","modified_gmt":"2009-09-22T00:24:48","slug":"budismo-e-cultura-de-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cebb.org.br\/en\/budismo-e-cultura-de-paz\/","title":{"rendered":"Budismo e Cultura de Paz"},"content":{"rendered":"<p class=\"translation-block\">Sua Santidade o Dalai Lama costuma resumir a filosofia budista em uma frase: \u201cFa\u00e7a o bem sempre que poss\u00edvel; se n\u00e3o puder fazer o bem, tente n\u00e3o fazer o mal\u201d. <span id=\"more-142\"><\/span>Uma das especialidades do budismo \u00e9 a no\u00e7\u00e3o de que o mundo que nos circunda \u00e9 insepar\u00e1vel de n\u00f3s mesmos. Assim, se fazemos o bem para os demais seres e para o ambiente, estamos cuidando de nosso pr\u00f3prio bem. Se causamos mal aos outros e ao ambiente, estamos causando mal a n\u00f3s mesmos. Todos est\u00e3o ligados uns aos outros, todos dependem uns dos outros.<br>\r\nO conceito de interdepend\u00eancia budista tamb\u00e9m sustenta que n\u00f3s \u2013 e tudo o que nos circunda \u2013 n\u00e3o temos a solidez que julgamos possuir. Atribu\u00edmos identidades e qualidades a tudo e a todos (inclusive a n\u00f3s mesmos) a partir de uma vis\u00e3o limitada por um padr\u00e3o bin\u00e1rio de gostar e n\u00e3o gostar, querer e n\u00e3o querer.<br>\r\n<strong>A palavra para os mundos que surgem insepar\u00e1veis das nossas mentes \u00e9 \u201cmandala\u201d. <\/strong>Mandala n\u00e3o se refere apenas a um mundo material, mas \u00e0 experi\u00eancia desse mundo, ao observador, aos limites cognitivos, \u00e0s energias de a\u00e7\u00e3o, \u00e0s emo\u00e7\u00f5es e ao corpo.<br>\r\nCada mandala surge insepar\u00e1vel de um tipo correspondente de intelig\u00eancia viva e ativa. Essas intelig\u00eancias s\u00e3o transcendentes, n\u00e3o pessoais, n\u00e3o corrupt\u00edveis e livres do tempo. Incessantemente dispon\u00edveis, podem ser reconhecidas e acessadas sem esfor\u00e7o ou luta a qualquer momento. A meta budista \u00e9 sair das mandalas limitadas e chegar \u00e0s mandalas de sabedoria, isentas do padr\u00e3o bin\u00e1rio de gostar e n\u00e3o gostar.<br>\r\nTodos os seres aspiram felicidade e prote\u00e7\u00e3o frente ao sofrimento. Nossos pais nos ensinam habilidades para nos aproximarmos da felicidade e nos protegermos. Nossos pais, professores e mestres nos ensinam tamb\u00e9m a disciplina, e com isso ampliamos nossa capacidade de atingir metas dif\u00edceis, atravessar ambientes perturbadores e exigentes e suportar as adversidades moment\u00e2neas na busca de realiza\u00e7\u00f5es maiores.<br>\r\nO budismo nos ensina a capacidade de reconhecer mundos puros e intelig\u00eancias puras, de tal modo que, instalados na experi\u00eancia desses ambientes puros, as a\u00e7\u00f5es positivas sejam naturalmente realizadas sem esfor\u00e7o e sem contradi\u00e7\u00e3o. Esses mundos puros s\u00e3o as mandalas de sabedoria.<br>\r\nQuando nos inserimos em uma mandala de sabedoria, adquirimos condi\u00e7\u00f5es de realmente fazer o que \u00e9 melhor para n\u00f3s, para os outros, para a humanidade e o ambiente. Somos capazes de viver o amor e a compaix\u00e3o com alegria e equanimidade, sem nos deixarmos abater pelas dificuldades que apare\u00e7am. O mundo ao nosso redor continua o mesmo, mas n\u00f3s mudamos nosso olhar, e isso muda tudo. Quanto mais pura e mais ampla a mandala, maior a nossa liberdade e capacidade de gerar o bem. Al\u00e9m da inser\u00e7\u00e3o pessoal em mandalas de sabedoria, n\u00f3s, como agentes da cultura de paz, vamos trabalhar para que os outros tamb\u00e9m possam fazer o mesmo, possam migrar para mandalas mais amplas.<\/p>\n<h3>Sintonia entre vis\u00e3o e a\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>A no\u00e7\u00e3o de mandala vem da compreens\u00e3o de que constru\u00edmos as realidades que nos circundam e que, quando constru\u00edmos as realidades, nos constru\u00edmos junto. Vemos que se trata de um processo insepar\u00e1vel, coemergente.<br \/>\nAo construirmos mundos favor\u00e1veis e manifesta\u00e7\u00f5es de sabedoria, <strong>nossa a\u00e7\u00e3o positiva se torna natural, desobstru\u00edda, compassiva e amorosa.<\/strong> A partir disso, o caminho espiritual com foco no controle das a\u00e7\u00f5es de corpo, fala e mente \u00e9 substitu\u00eddo pela compreens\u00e3o de que devemos observar e dirigir a forma pela qual nos constru\u00edmos junto com os mundos. Construindo o mundo a partir da lucidez, teremos o corpo, a fala e a mente l\u00facidos.<br \/>\nSe construirmos o mundo a partir da ignor\u00e2ncia, os impulsos de corpo, fala e mente surgir\u00e3o dessa vis\u00e3o de mundo equivocada que desenvolvemos. Podemos ouvir as palavras de mestres espirituais e tentar seguir seus conselhos de como utilizar o corpo, a fala e a mente, mas tudo vai parecer muito artificial. Isso porque a sabedoria natural que estaremos usando vai brotar da compreens\u00e3o que temos do mundo. Da compreens\u00e3o equivocada de mundo n\u00e3o brota nada al\u00e9m de impulsos equivocados.<br \/>\nMesmo cientes de que os mestres est\u00e3o corretos, se n\u00e3o desenvolvermos a vis\u00e3o dos mestres, a nossa a\u00e7\u00e3o ser\u00e1 contradit\u00f3ria e n\u00e3o veremos solu\u00e7\u00e3o, nunca teremos descanso, estaremos sempre em conflito interno, nunca teremos um comportamento n\u00e3o-repressivo. Estaremos sempre fazendo esfor\u00e7os para seguir os conselhos dos mestres.<br \/>\nO aspecto do esfor\u00e7o \u00e9 dram\u00e1tico. De tanto nos esfor\u00e7armos, um dia cansamos; quando chegamos nesse ponto, a queda \u00e9 r\u00e1pida, e dizemos: &#8220;Desisto. Se a espiritualidade fosse natural, eu andaria de forma naturalmente l\u00facida e v\u00e1lida. No entanto, tudo isso me parece artificial&#8221;. Parece artificial porque precisamos de esfor\u00e7o constante, nunca encontramos um ponto de equil\u00edbrio, precisamos constantemente relembrar o que ouvimos. De tanto esfor\u00e7o, terminamos desistindo.<br \/>\nEquivocadamente, podemos acreditar que a realidade convencional \u00e9 muito poderosa, muito abrangente. Podemos pensar que, mesmo construindo uma realidade mais elevada, o que existe mesmo \u00e9 a realidade convencional de dificuldades e sofrimento. Acabamos por desistir de tentar melhorar a n\u00f3s mesmos e o mundo.<br \/>\nO caminho de tentar alterar o comportamento pode ser muito penoso, muito lento e, principalmente, de resultados incertos. Se a pessoa alterar o comportamento sem alterar a vis\u00e3o, \u00e9 certo que mais adiante cair\u00e1 novamente. O aspecto c\u00edclico \u00e9 um processo natural da vida, passamos por altos e baixos. Apenas a partir das mandalas de sabedoria teremos efetivamente a vis\u00e3o que permite a a\u00e7\u00e3o sem esfor\u00e7o. A vis\u00e3o surge sem esfor\u00e7o porque dentro de uma mandala de sabedoria n\u00e3o lutamos contra n\u00f3s mesmos, mas vemos e agimos naturalmente. O caminho espiritual se manifesta sem conflitos internos.<br \/>\nAo se come\u00e7ar pelo treinamento e pelo enquadramento a regras, compromissos e a\u00e7\u00f5es, surgem a repress\u00e3o interna e a disciplina externa. O conflito torna-se inevit\u00e1vel, e o esfor\u00e7o ser\u00e1 incessante, desgastante. Temos a\u00e7\u00f5es coerentes com nossa vis\u00e3o. Se formos treinados para a\u00e7\u00f5es que n\u00e3o est\u00e3o harmonizadas com nossa vis\u00e3o de mundo, essas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o ter\u00e3o for\u00e7a.<br \/>\nEu pude observar meninos que aprendem a tocar violino em institui\u00e7\u00f5es para menores infratores. Aprender m\u00fasica \u00e9 maravilhoso. Mas, quando os meninos saem da institui\u00e7\u00e3o, o violino torna-se in\u00fatil para eles. Muito frequentemente eles retornam \u00e0 vis\u00e3o que os levou a praticar as a\u00e7\u00f5es que os conduziram \u00e0 institui\u00e7\u00e3o. Mesmo tocando violino, as vis\u00f5es que eles t\u00eam do mundo, da fam\u00edlia e do bairro n\u00e3o mudaram. Dentro da sua realidade, dentro de sua forma de olhar o mundo, dentro de sua mandala limitada, vender drogas naturalmente faz muito mais sentido do que tocar violino.<br \/>\nAssim, \u00e9 essencial gerarmos uma vis\u00e3o de mundo para que as a\u00e7\u00f5es surjam de forma natural, sem esfor\u00e7o e sem contradi\u00e7\u00f5es. As vis\u00f5es de mundo, que podem ser geradas individual e socialmente, potencializam as a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3>Todo mundo na mesma mandala<\/h3>\n<p>Somos insepar\u00e1veis das mandalas em que vivemos. Podemos at\u00e9 n\u00e3o saber em que mandala vivemos, mas todos n\u00f3s vivemos dentro de uma mandala. <strong>Apesar de estarmos todos no mesmo lugar, de certa forma n\u00e3o estamos. <\/strong>Cada um v\u00ea a sua experi\u00eancia de um certo jeito. No budismo, classifica-se a experi\u00eancia da realidade em seis reinos \u2013 dos deuses, semideuses, humanos, animais, seres famintos e seres dos infernos. Todos coabitam as mesmas regi\u00f5es enquanto apar\u00eancia. No aspecto sutil, por\u00e9m, cada um vive em um lugar.<br \/>\nE onde vivem os budas que andam pelo mundo? Vivem no tatagatagarba, a mandala dos tatagatas. Tatagatas s\u00e3o os budas que andam no mundo. O tatagata caminha pelos mesmos lugares que os seres dos seis reinos, mas v\u00ea o que os demais n\u00e3o conseguem: a natural perfei\u00e7\u00e3o de tudo. Os tatagatas t\u00eam uma vis\u00e3o pura do mundo. Essa \u00e9 a experi\u00eancia do tatagatagarba. E essa \u00e9 a diferen\u00e7a entre qualquer ser dos seis reinos e um buda. O buda vive no tatagatagarba, e os demais seres vivem nos seus \u00e2mbitos particulares.<br \/>\nOs budas s\u00e3o aqueles que entram na mandala da lucidez. E, na Mandala da Perfei\u00e7\u00e3o da Sabedoria, da lucidez, os budas v\u00eaem todos os seres com a natureza de buda, com a natureza livre. Quando os budas v\u00eaem dessa forma, \u00e9 como se todos os seres estivessem no mundo de perfei\u00e7\u00e3o, manifestando as qualidades da natureza \u00faltima \u2013 e est\u00e3o! Essa \u00e9 a vis\u00e3o dos budas, e \u00e9 por isso que s\u00e3o budas.<br \/>\nQuando os budas entram no tatagartabada, n\u00e3o entram individualmente; eles e todos os seres entram no mesmo instante. Para entrar no tatagatagarba, os budas precisam reconhecer que todos os seres t\u00eam a natureza de buda. Essa \u00e9 uma experi\u00eancia maravilhosa, extraordin\u00e1ria. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entrar sozinho, ningu\u00e9m atinge a ilumina\u00e7\u00e3o sozinho!<br \/>\nQuando um buda atinge a ilumina\u00e7\u00e3o, ele desenvolve a vis\u00e3o pura que permite que todos os seres sejam vistos como budas ao mesmo tempo. Se algu\u00e9m afirmar que atingiu a ilumina\u00e7\u00e3o, mas deixou seres do lado de fora porque n\u00e3o podiam ou n\u00e3o mereciam entrar, alguma coisa est\u00e1 errada. Os budas olham tudo a partir da Mandala da Perfei\u00e7\u00e3o da Sabedoria, de onde reconhecem todos os seres vivendo al\u00e9m da vida e da morte. \u00c9 um espa\u00e7o al\u00e9m do espa\u00e7o e do tempo.<br \/>\nQuando n\u00e3o temos a vis\u00e3o ampla, quando nossa vis\u00e3o \u00e9 parcial, acreditamos que apenas alguns t\u00eam a natureza de buda, que apenas alguns s\u00e3o budas. Isso \u00e9 uma falha da nossa vis\u00e3o, uma limita\u00e7\u00e3o. Se a vis\u00e3o se ampliar mais um pouco, veremos que outros seres ser\u00e3o inclu\u00eddos na lista. Quanto mais ampla for a nossa vis\u00e3o, maior ser\u00e1 a nossa lista. A inclus\u00e3o \u00e9, portanto, o referencial que baliza nosso progresso. No momento em que inclu\u00edmos o outro, ele est\u00e1 conosco dentro da mandala. Do mesmo modo, no momento em que o exclu\u00edmos, sem perceber tamb\u00e9m sa\u00edmos da mandala.<br \/>\nSe algu\u00e9m estiver fora, \u00e9 porque n\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o entramos ainda. Assim, vemos que a impossibilidade do outro estar na mandala \u00e9, na pr\u00e1tica, nossa pr\u00f3pria exclus\u00e3o. Nossa exclus\u00e3o e a exclus\u00e3o do outro s\u00e3o a mesma coisa. Ao achar que certas pessoas est\u00e3o dentro da mandala e outras n\u00e3o, estamos dando prefer\u00eancia a algu\u00e9m. Dar prefer\u00eancia \u00e9 excluir. Exclus\u00e3o e prefer\u00eancia s\u00e3o a mesma coisa. <strong>A impossibilidade de ver a natureza de buda no outro \u00e9 a impossibilidade de manifestar as qualidades de um buda. <\/strong>Isso \u00e9 a compreens\u00e3o da unidade, a inseparatividade da mandala.<br \/>\nAo contemplarmos nossas dificuldades, \u00e9 importante termos paci\u00eancia. N\u00e3o podemos cobrar de n\u00f3s mais do que podemos oferecer \u2013 esse \u00e9 um lembrete que devemos guardar com muito cuidado. Temos dificuldades. Enquanto n\u00e3o conseguirmos olhar para as nossas dificuldades e liber\u00e1-las, seguiremos com elas.<br \/>\nLiberamos as fixa\u00e7\u00f5es quando ultrapassamos a mandala particular pela experi\u00eancia da liberdade mais ampla de construir outras mandalas. Ao entrarmos em uma mandala mais ampla, olhamos as mandalas particulares e a realidade convencional como constru\u00e7\u00f5es menores que n\u00e3o mais nos sentimos obrigados a habitar.<br \/>\nVamos tomar como exemplo uma pessoa que torce por um time de futebol. Mesmo que n\u00e3o reconhe\u00e7a, ela n\u00e3o est\u00e1 presa ao time. Por mais que esteja envolvida no processo, tem a liberdade de torcer por outro time, ou por todos ao mesmo tempo. Isso \u00e9 liberdade em meio \u00e0 forma.<br \/>\nN\u00e3o nos liberamos porque nos viramos contra o que faz\u00edamos, mas porque olhamos de uma posi\u00e7\u00e3o mais ampla e reconhecemos que temos liberdade de a\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o ponto: <strong>nos liberamos porque nossa mandala se amplia<\/strong>; nossa vis\u00e3o fica mais ampla.<br \/>\nSe pudermos olhar nossas dificuldades com lucidez, tamb\u00e9m poderemos faz\u00ea-lo com as dificuldades dos outros seres. O olhar l\u00facido para as dificuldades dos outros seres \u00e9 o olhar de Chenrezig, o Buda da Compaix\u00e3o. Com o olhar de Chenrezig, perdoamos al\u00e9m do perd\u00e3o e do n\u00e3o-perd\u00e3o. Trata-se de um perd\u00e3o que cura todas as manifesta\u00e7\u00f5es de amargor e ressentimento. N\u00e3o h\u00e1 mais a vis\u00e3o de oposi\u00e7\u00e3o, culpa ou penalidade em rela\u00e7\u00e3o ao outro.<br \/>\nPela perspectiva da mandala, n\u00e3o nos empenhamos em mudar nosso comportamento, n\u00e3o \u00e9 esse o m\u00e9todo de avan\u00e7ar. A ideia \u00e9 mudar a mandala, porque, quando mudamos a mandala, como decorr\u00eancia mudamos o comportamento, mas sem esfor\u00e7o. Se fizermos o caminho oposto, se tentarmos mudar o comportamento sem mudar a mandala, o resultado parecer\u00e1 torto, desajeitado, artificial.<br \/>\nAo avan\u00e7armos para mandalas mais amplas, morremos a cada avan\u00e7o. Morremos nas limita\u00e7\u00f5es e renascemos de forma mais ampla. Em termos pr\u00e1ticos, vamos perceber ou at\u00e9 mesmo treinar essa amplia\u00e7\u00e3o de nossa forma de exist\u00eancia no mundo em etapas. N\u00e3o conseguimos fazer de um salto.<br \/>\nComo treinamento, podemos come\u00e7ar, por exemplo, com as quatro qualidades incomensur\u00e1veis \u2013 compaix\u00e3o, amor,alegria e equanimidade. Treinamos uma vis\u00e3o na qual as quatro qualidades incomensur\u00e1veis sejam algo natural. Contemplamos ent\u00e3o a mandala comum, ou seja, a vis\u00e3o convencional do mundo, na qual a compaix\u00e3o, o amor, a alegria e a equanimidade n\u00e3o parecem poss\u00edveis. Trocamos de mandala e passamos a olhar as mesmas coisas sem mudar nada, sem tirar nada do lugar. Mudamos os olhos e a mandala, \u00e9 assim que come\u00e7amos a treinar. Perguntamos: &#8220;\u00c9 poss\u00edvel compaix\u00e3o, amor, alegria e equanimidade?&#8221;. E vemos que \u00e9 poss\u00edvel \u2013 tornou-se poss\u00edvel.<br \/>\nTemos tend\u00eancia a acreditar que s\u00e3o nossos esfor\u00e7os que fazem as transforma\u00e7\u00f5es, mas na abordagem da mandala o esfor\u00e7o se d\u00e1 apenas no sentido da troca de mandala, e n\u00e3o propriamente da troca de a\u00e7\u00e3o. Esfor\u00e7os para trocar de a\u00e7\u00e3o nunca resultam em algo verdadeiramente est\u00e1vel. A grande mandala permite a manifesta\u00e7\u00e3o natural, f\u00edsica, de todas as qualidades positivas e d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o a elas sem esfor\u00e7o.<br \/>\nNa realidade convencional, nossa energia move-se a partir do gostar e do n\u00e3o gostar, aproximando-nos do que gostamos e afastando-nos do que n\u00e3o gostamos. Nossa intelig\u00eancia, nossa vis\u00e3o, \u00e9 bin\u00e1ria. Sentimos atra\u00e7\u00e3o ou repulsa pelas experi\u00eancias. Dentro da vis\u00e3o bin\u00e1ria, existe o hedonismo: &#8220;Eu quero o que \u00e9 bom e pronto. \u00c9 muito simples; eu j\u00e1 sei o que eu quero da vida: o que \u00e9 bom!&#8221;.<br \/>\n<strong>O hedonismo n\u00e3o produz nenhum resultado est\u00e1vel. <\/strong>Ao buscar simplesmente o que achamos positivo, estamos perdendo tempo. T\u00e3o logo encontramos coisas positivas, elas come\u00e7am a mudar. O que de in\u00edcio ach\u00e1vamos positivo com o passar do tempo torna-se negativo.<br \/>\nPor exemplo: uma pessoa come\u00e7a a torcer por um time de futebol que est\u00e1 indo muito bem, vencendo campeonatos. Isso naturalmente a deixa muito feliz, mas logo aquilo gira, e o time perde. A pessoa passa a sofrer pela mesma raz\u00e3o que antes lhe trazia alegria: torcer por aquele time. O mesmo acontece com as rela\u00e7\u00f5es, empregos e todas as escolhas que fazemos na vida.<br \/>\nDe modo geral, fazemos uma op\u00e7\u00e3o hedonista, o que n\u00e3o significa que obtemos uma felicidade hedonista ou pecaminosa que seja. Achamos que tudo o que \u00e9 proibido e pecaminoso deve esconder um sabor realmente fant\u00e1stico. Assim, atiramo-nos naquela dire\u00e7\u00e3o, como se f\u00f4ssemos encontrar alguma coisa extraordin\u00e1ria ali. Mas n\u00e3o h\u00e1 nada, n\u00e3o encontramos a felicidade.<br \/>\nO hedonismo \u00e9 um engano. Ainda assim, n\u00e3o precisamos nos colocar contra o hedonismo. O que precisamos \u00e9 apenas olhar tudo de forma mais ampla. Quando conseguimos avistar a mandala e ver esses referenciais que utilizamos de forma n\u00e3o-l\u00facida, percebemos que n\u00e3o estamos indo a lugar algum. Nosso objetivo \u00e9 a felicidade, mas o hedonismo n\u00e3o \u00e9 um bom caminho. A partir dessa compreens\u00e3o, tentamos um caminho gradual que nos conduza \u00e0 mandala. Esse caminho \u00e9 uma vis\u00e3o mais elevada. Vamos ampliando nossa vis\u00e3o, e por isso avan\u00e7amos. Olhando da perspectiva da mandala, nosso objetivo \u00e9 ter um nascimento dentro das vis\u00f5es mais elevadas, assim como dar nascimento aos outros dentro dessas mesmas vis\u00f5es. Essa \u00e9 a mandala.<\/p>\n<h3>Mandala da Cultura de Paz<\/h3>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"caption\" src=\"http:\/\/cebb.org.br\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/mandala.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" align=\"right\" border=\"0\" \/>Em nossa a\u00e7\u00e3o no mundo, nosso objetivo maior n\u00e3o ser\u00e1 o indiv\u00edduo, mas a sociedade. Em vez de nascimentos individuais dentro da Mandala da Cultura de Paz, vamos trabalhar para dar o nascimento de grupos na mandala. O processo social \u00e9 mais importante do que o individual. Quando a cultura de paz se estabelece socialmente, ou seja, um n\u00famero significativo de pessoas se relaciona, estabelece uma linguagem e cria uma vis\u00e3o, essa vis\u00e3o \u00e9 a geradora natural de v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es positivas. Surgem as iniciativas pr\u00e1ticas, projetos, constru\u00e7\u00f5es, treinamentos etc. A energia positiva est\u00e1 presente e d\u00e1 vida a tudo.<br \/>\nA partir da mandala, o trabalho social deixa de ser uma forma de treinamento em aptid\u00f5es pr\u00e1ticas. Torna-se um processo no qual o eixo, o fio, o referencial b\u00e1sico \u00e9 que o outro nas\u00e7a para vis\u00f5es mais elevadas, e naturalmente, em algum momento, para as vis\u00f5es da perfei\u00e7\u00e3o da sabedoria. O objetivo \u00e9 que as diversas etapas sejam um trajeto nessa dire\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO treinamento para criar habilidades de gera\u00e7\u00e3o de renda \u00e9 importante, mas a motiva\u00e7\u00e3o deveria ser elevada, e n\u00e3o apenas a de acessar mais intensamente um processo hedonista. Se as pessoas gerarem renda dentro de um processo de lucidez, perfeito. A renda pode ser muito \u00fatil. Mas tomarmos a gera\u00e7\u00e3o de renda como um objetivo em si \u00e9 um engano. Apenas mant\u00e9m o processo hedonista atual que nos coloca na depend\u00eancia das situa\u00e7\u00f5es externas, que nos limita a percebermos o mundo atrav\u00e9s das sensa\u00e7\u00f5es do gostar e n\u00e3o gostar, \u00e0 merc\u00ea das configura\u00e7\u00f5es flutuantes, incertas e frustrantes do mundo.<br \/>\n\u00c9 natural que, a partir da vis\u00e3o hedonista, busquemos poder; entre estes o poder econ\u00f4mico. A formula\u00e7\u00e3o te\u00f3rica do hedonismo converge para a vis\u00e3o econ\u00f4mica da realidade. Tudo se resume a economia. Com recursos econ\u00f4micos, podemos dispor de muitas pessoas para atender nossos desejos; contratamos pessoas para que manipulem as apar\u00eancias por n\u00f3s.<br \/>\nMesmo algumas abordagens da cultura de paz podem ficar limitadas a projetos de gera\u00e7\u00e3o de renda, meios econ\u00f4micos de manipular a realidade externa. As pessoas imaginam que, tendo dinheiro, v\u00e3o obter paz e felicidade. Isso \u00e9 um equ\u00edvoco.<br \/>\nPara produzir paz, \u00e9 necess\u00e1rio ampliar a vis\u00e3o, alcan\u00e7ar a mandala, abandonar as vis\u00f5es menores. Precisamos olhar as pessoas e dizer: &#8220;Sim, ela pode estar dentro da mandala!&#8221;. Olhar para os nossos filhos e dizer: &#8220;Ele est\u00e1 dentro da mandala!&#8221;. Mas isso n\u00e3o \u00e9 muito f\u00e1cil. Quando olhamos para os nossos filhos, na cultura em que estamos, pensamos: &#8220;Ele precisa ser um engenheiro, um profissional competente em alguma \u00e1rea, para ganhar dinheiro. S\u00f3 assim ele ser\u00e1 feliz&#8221;. Mesmo com nossos filhos n\u00e3o conseguimos ter uma vis\u00e3o de mandala; tampouco conosco mesmos.<br \/>\nMuitas vezes, nossa pr\u00e1tica espiritual est\u00e1 atrelada \u00e0 vis\u00e3o econ\u00f4mica: &#8220;Para ter sucesso econ\u00f4mico, preciso estar est\u00e1vel. Assim terei condi\u00e7\u00f5es de competir melhor, galgar posi\u00e7\u00f5es e ganhar mais dinheiro&#8221;. Com essa motiva\u00e7\u00e3o n\u00e3o meditamos para atingir a libera\u00e7\u00e3o, mas para ficar mais l\u00facidos, mais saud\u00e1veis, para obter os resultados comuns do mundo. Essa \u00e9 a perda da vis\u00e3o da mandala. N\u00e3o chegaremos a lugar algum com isso.<br \/>\nA vis\u00e3o da mandala \u00e9 essencial. Sem a vis\u00e3o correta, a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de cultura de paz perde o sentido e deixa de ser uma solu\u00e7\u00e3o. A partir da no\u00e7\u00e3o de mandala temos uma linguagem para trabalhar de uma forma integrada, sem precisarmos nos isolar do mundo. Surge um caminho gradual, um fio que se constitui no referencial profundo para as a\u00e7\u00f5es aparentemente externas no mundo.<\/p>\n<h3>Nova intelig\u00eancia na gest\u00e3o e a\u00e7\u00e3o no mundo<\/h3>\n<p>Vis\u00e3o \u00e9 essencial \u00e0 gest\u00e3o, por isso precisamos de uma nova intelig\u00eancia. As dificuldades que enfrentamos hoje v\u00eam do fato de que a forma\u00e7\u00e3o dos gestores leva-os a uma vis\u00e3o impr\u00f3pria da realidade. Leva-os a uma circunst\u00e2ncia onde os obst\u00e1culos e sinais n\u00e3o auspiciosos se multiplicam em todas as \u00e1reas.<br \/>\nA economia e a gest\u00e3o evidentemente atuam dentro de um ambiente sutil vol\u00e1til e n\u00e3o em um mundo fixo e matem\u00e1tico. \u00c9 um mundo onde sentimentos, emo\u00e7\u00f5es, impulsos, sonhos e medos t\u00eam o poder de criar realidades e definir as a\u00e7\u00f5es a serem tomadas. Hoje percebe-se a import\u00e2ncia de trazer aos gestores uma abordagem mais ampla onde se possa compreender melhor os fatores imponder\u00e1veis que teimam em flutuar diante dos olhos, afetando planejamentos e sonhos aparentemente t\u00e3o bem estruturados.<br \/>\nNiels Bohr, Pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica, formulador da abordagem filos\u00f3fica da f\u00edsica qu\u00e2ntica, a <strong>teoria da complementaridade<\/strong>, enfrentou dificuldades semelhantes na f\u00edsica do mundo microsc\u00f3pico, onde o comportamento da mat\u00e9ria parecia demasiado estranho e imprevis\u00edvel. Devemos a ele especialmente a reintrodu\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia do papel do observador na constitui\u00e7\u00e3o da realidade, que parece algo externo ao observador. Niels Bohr evidenciou de modo acad\u00eamico que a n\u00e3o inclus\u00e3o da influ\u00eancia do observador no que parece ser um mundo externo desconsiderava uma vari\u00e1vel do problema, e isso produzia ambiguidades na compreens\u00e3o dos universos de estudo considerados.<br \/>\nNuma linguagem budista, as coisas s\u00e3o sempre definidas em n\u00edvel sutil, constru\u00edmos mundos que parecem externos e ficamos presos a eles. Sua Santidade o Dalai Lama, Pr\u00eamio Nobel da Paz de 1989, diz que a mente \u00e9 livre e luminosa, pode sonhar coisas positivas e negativas. Quando cria o que \u00e9 positivo, isso resulta em felicidade e equil\u00edbrio; quando cria negatividades, isso resulta em sofrimentos e dificuldades.<br \/>\nWilliam James, assim como Ludwig Wittgenstein, desde o final do s\u00e9culo XIX j\u00e1 apontava de modo minucioso a import\u00e2ncia da compreens\u00e3o do papel do observador no tratamento da realidade. Essencialmente, nossa vis\u00e3o fica limitada ao espa\u00e7o abstrato das possibilidades que sonhamos. A realidade como a sonhamos \u2013 trata-se de um sonho que vemos mesmo quando despertos \u2013 delimita as possibilidades do que pode ser visto e do que n\u00e3o ser\u00e1 visto.<br \/>\nEstamos presos aos mundos, referenciais, op\u00e7\u00f5es e sonhos que constru\u00edmos. Compreendendo o poder decisivo desse elemento, n\u00e3o somos mais v\u00edtimas de realidades externas, mas entendemos que temos o recurso de sonhar mundos mais positivos. Quando entendemos isso, novas palavras ganham sentido: inseparatividade, coemerg\u00eancia, imperman\u00eancia, sofrimento, sustentabilidade, complexidade, complementaridade, mandala.<br \/>\nEssa complexidade permite a\u00e7\u00f5es eficientes, que consideram as vari\u00e1veis verdadeiramente presentes. <strong>A solidez da realidade vem de dentro dos sonhos, dessa regi\u00e3o sutil surge o referencial das nossas a\u00e7\u00f5es e n\u00e3o de uma aparente realidade r\u00edgida e externa. <\/strong>Somos desafiados a sonhar na dire\u00e7\u00e3o correta. \u00c9 o exerc\u00edcio de uma liberdade para a qual talvez nunca tenhamos sido treinados pelo sistema de ensino, n\u00e3o importa por quantos anos o tenhamos percorrido.<br \/>\nDe Sua Santidade o Dalai Lama vem o conselho do bom senso: nossas a\u00e7\u00f5es deveriam ter por objetivo causar felicidade e n\u00e3o causar sofrimento. \u00c9 simples na forma, profundamente desafiador na a\u00e7\u00e3o. E essencial como motiva\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, como eixo para todas as nossas a\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u00c9 evidente que a a\u00e7\u00e3o dos cientistas deveria resultar em felicidade e n\u00e3o em sofrimento, assim como as a\u00e7\u00f5es dos administradores, economistas, engenheiros, m\u00e9dicos, pol\u00edticos, produtores rurais, professores, pais e m\u00e3es. Isso \u00e9 apenas bom senso. Na vis\u00e3o budista, nossa exist\u00eancia no mundo se d\u00e1 atrav\u00e9s de processos de rela\u00e7\u00e3o; portanto, nossas a\u00e7\u00f5es deveriam ter como meta produzir melhores rela\u00e7\u00f5es de n\u00f3s conosco mesmo, com as outras pessoas, com as autoridades locais e com a natureza. \u00c9 evidente que rela\u00e7\u00f5es negativas conosco mesmo, com os outros, com as autoridades e com a natureza v\u00e3o causar problemas.<br \/>\nNesse ponto h\u00e1 um componente adicional m\u00e1gico da realidade: observamos que, ao agir segundo esses referenciais, surge em n\u00f3s a experi\u00eancia de uma energia natural e positiva, e tamb\u00e9m de felicidade. Observamos que, se esse referencial n\u00e3o est\u00e1 presente, mesmo que estejamos brilhando em meio a vit\u00f3rias e desafios, n\u00e3o h\u00e1 felicidade e nossa energia flui com esfor\u00e7o. Na aus\u00eancia de uma motiva\u00e7\u00e3o positiva, nossa vida parece carecer de sentido e eventualmente d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de um fardo pesado.<br \/>\nA falta de referenciais positivos est\u00e1 na raiz dos desequil\u00edbrios sociais e individuais que t\u00eam se manifestado como uma epidemia. Vivemos um novo <em>gulag<\/em>. Uma cultura imp\u00f5e sobre n\u00f3s sentidos e significados aparentemente fixos, externos, reais, mas as consequ\u00eancias negativas na forma de desequil\u00edbrios s\u00e3o diagnosticadas como fragilidades individuais. Assim, as v\u00edtimas dos referenciais dessa cultura s\u00e3o punidas por seu comportamento e, quando esgotadas, s\u00e3o tratadas individualmente como doentes f\u00edsicos e mentais. Quest\u00f5es amplas s\u00e3o reduzidas a quest\u00f5es individuais. Como resultado n\u00e3o h\u00e1 progresso na repress\u00e3o \u00e0s agress\u00f5es a n\u00f3s, aos outros, \u00e0s lideran\u00e7as locais e \u00e0 natureza, e tampouco no que diz respeito ao equil\u00edbrio interno e \u00e0 felicidade.<br \/>\nNa perspectiva budista, precisamos avan\u00e7ar para uma vis\u00e3o que abarque todos os componentes da realidade. Ao assumir os recursos da vis\u00e3o mais ampla, nossas a\u00e7\u00f5es se tornam naturalmente positivas, sem a necessidade de regras e repress\u00e3o. Al\u00e9m disso, surge progressiva tranquilidade e felicidade, e reconhecemos a preciosidade da vida humana que temos. Surge a experi\u00eancia da mandala da lucidez.<br \/>\nA mandala \u00e9 do que precisamos desde sempre, individual e coletivamente. Nossa necessidade pode ser resumida em uma palavra:<strong> lucidez<\/strong>. Nesse ponto a gest\u00e3o da vis\u00e3o, da a\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e da a\u00e7\u00e3o no mundo se tornam naturalmente positivas e sem esfor\u00e7o, e compreendemos o sentido da express\u00e3o <em>nova intelig\u00eancia<\/em>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"caption\" src=\"http:\/\/www.cebb.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2009\/03\/lama_samten_luz_face_200x200.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Sua Santidade o Dalai Lama costuma resumir a filosofia budista em uma frase: &#8220;Fa\u00e7a o bem sempre que poss\u00edvel; se n\u00e3o puder fazer o bem, tente n\u00e3o fazer o mal&#8221;. Uma das especialidades do budismo \u00e9 a no\u00e7\u00e3o de que o mundo que nos circunda \u00e9 insepar\u00e1vel de n\u00f3s mesmos. Assim, se fazemos o bem para os demais seres e para o ambiente, estamos cuidando de nosso pr\u00f3prio bem. Se causamos mal aos outros e ao ambiente, estamos causando mal a n\u00f3s mesmos. Todos est\u00e3o ligados uns aos outros, todos dependem uns dos outros.<\/p>\n<p>O conceito de interdepend\u00eancia budista tamb\u00e9m sustenta que n\u00f3s \u2013 e tudo o que nos circunda \u2013 n\u00e3o temos a solidez que julgamos possuir. Atribu\u00edmos identidades e qualidades a tudo e a todos (inclusive a n\u00f3s mesmos) a partir de uma vis\u00e3o limitada por um padr\u00e3o bin\u00e1rio de gostar e n\u00e3o gostar, querer e n\u00e3o querer.<\/p>","protected":false},"author":114,"featured_media":3225,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[417],"tags":[],"class_list":["post-142","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ensinamentos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Budismo e Cultura de Paz - Centro de Estudos Budistas Bodisatva<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/cebb.org.br\/en\/budismo-e-cultura-de-paz\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_GB\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Budismo e Cultura de Paz - Centro de Estudos Budistas Bodisatva\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Sua Santidade o Dalai Lama costuma resumir a filosofia budista em uma frase: &quot;Fa\u00e7a o bem sempre que poss\u00edvel; se n\u00e3o puder fazer o bem, tente n\u00e3o fazer o mal&quot;. 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Uma das especialidades do budismo \u00e9 a no\u00e7\u00e3o de que o mundo que nos circunda \u00e9 insepar\u00e1vel de n\u00f3s mesmos. Assim, se fazemos o bem para os demais seres e para o ambiente, estamos cuidando de nosso pr\u00f3prio bem. Se causamos mal aos outros e ao ambiente, estamos causando mal a n\u00f3s mesmos. Todos est\u00e3o ligados uns aos outros, todos dependem uns dos outros.O conceito de interdepend\u00eancia budista tamb\u00e9m sustenta que n\u00f3s \u2013 e tudo o que nos circunda \u2013 n\u00e3o temos a solidez que julgamos possuir. 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