{"id":46050,"date":"2017-08-01T10:37:32","date_gmt":"2017-08-01T13:37:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cebb.org.br\/?p=46050"},"modified":"2017-08-01T10:37:32","modified_gmt":"2017-08-01T13:37:32","slug":"como-lidar-com-a-culpa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cebb.org.br\/en\/como-lidar-com-a-culpa\/","title":{"rendered":"Como lidar com a culpa?"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><em><strong>Pergunta: Como lidar com a culpa de n\u00e3o estar praticando tanto quanto eu gostaria e de estar sendo levado pelos impulsos?<\/strong><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Lama Samten: Na tradi\u00e7\u00e3o budista, a culpa n\u00e3o se apresenta. \u00c0s vezes aquilo se recoloca, \u201cmas eu tenho culpa\u201d. Eu ouvi do Chagdud Rinpoche: \u201co \u00fanico m\u00e9rito da culpa \u00e9 a gente decidir n\u00e3o fazer daquele modo\u201d, ou seja, refor\u00e7ar nossa inten\u00e7\u00e3o de n\u00e3o fazer algo e fazer alguma coisa melhor. S\u00f3 isso! Eu vejo a culpa como um problema, realmente. Porque ela significa o qu\u00ea? A culpa \u00e9 uma forma de indexa\u00e7\u00e3o pessoal: tu reconstr\u00f3i uma identidade a partir da culpa. \u00c9 melhor dizer: \u201cn\u00e3o, aquilo que aconteceu foi um lapso, aquilo foi o produto de uma bolha que surgiu e produziu a sensa\u00e7\u00e3o de realidade e aquilo foi feito. Eu n\u00e3o tenho garantia que eu n\u00e3o v\u00e1 entrar nessa bolha de novo e fazer a mesma coisa, n\u00e3o tenho. Mas aquilo foi uma bolha, n\u00e3o fui eu. Eu nego. Se os outros quiserem me condenar por isso, n\u00e3o tem problema nenhum, podem me condenar. Mas o carma deles vai pesar, porque n\u00e3o fui eu\u201d. (Risos). E n\u00e3o \u00e9 que pesa mesmo? Por exemplo, o olhar que condena o outro porque o outro fez isso ou aquilo pesa sobre n\u00f3s! Por qu\u00ea? Por que quando n\u00f3s fizermos alguma coisa negativa, a gente n\u00e3o vai conseguir escapar, porque n\u00f3s geramos uma mente culpadora dos outros. Depois essa mente se vira com o mesmo valor sobre n\u00f3s e n\u00f3s sentimos culpa. Mesmo que a pessoa diga: \u201cn\u00e3o, n\u00e3o fui eu, n\u00e3o foi nada\u201d, a pessoa se sente mal, carmicamente ela se sente mal, ela est\u00e1 presa \u00e0 identidade dela. Quando ela fixa o outro na identidade do outro, ela se prende \u00e0 sua pr\u00f3pria identidade. Isso significa que ela vai para os infernos. Ent\u00e3o, culpar o outro \u00e9 uma coisa muito perigosa para n\u00f3s! Se n\u00e3o trabalhamos com a culpa, fazemos o qu\u00ea? A gente refaz o voto. A gente n\u00e3o est\u00e1 indo muito bem, mas a gente refaz os votos e tenta fazer melhor. <strong><\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">A gente precisa entender que n\u00f3s estamos dentro do samsara, enquanto n\u00f3s estamos dentro do samsara n\u00f3s vamos fazendo coisas erradas. \u00c9 assim! N\u00f3s vamos caminhando no terreno das coisas equivocadas, mas n\u00f3s vamos andando numa dire\u00e7\u00e3o positiva! \u00c9 como aquele caminho que sai do centro da Roda da Vida em dire\u00e7\u00e3o a Amitaba fora da Roda da Vida. Por\u00e9m, ele est\u00e1 por dentro da Roda da Vida! Ele vai andando por dentro da Roda da Vida. Ent\u00e3o, vamos supor, se a pessoa est\u00e1 dentro do Reino dos Deuses, ela vai caminhar por dentro do Reino dos Deuses. S\u00e3o essas contradi\u00e7\u00f5es do caminho. Vamos supor: algu\u00e9m do movimento ecol\u00f3gico vivendo na sociedade hoje. A pessoa critica o movimento ecol\u00f3gico e vai ao supermercado comprar coisas contaminadas, botar lixo pra rua&#8230; N\u00e3o tem como fazer de outro jeito! Ela est\u00e1 dentro do samsara. N\u00e3o tem como evitar isso. Ou ent\u00e3o, a pessoa considera que todos os seres s\u00e3o iguais, etcetera, mas, enfim, ela est\u00e1 dentro de um ambiente que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil considerar essa igualdade. Ent\u00e3o, ela protege os seus filhos em detrimento das outras crian\u00e7as, ela tem uma s\u00e9rie de comportamentos desse tipo. \u00c9 isso. Mas n\u00f3s vamos caminhando ali por dentro, apesar de haver essa contradi\u00e7\u00e3o entre as nossas coisas, ela n\u00e3o impede que a gente v\u00e1 avan\u00e7ando. A gente refaz os votos e vai melhorando o que a gente vai fazendo. Mas se a gente pretender ser uma coisa exata, n\u00f3s vamos para os infernos. N\u00f3s vamos passar mal. Se a gente pretende cobrar do outro uma perfei\u00e7\u00e3o, a gente vai para os infernos. Quando eu digo vai para os infernos, n\u00e3o \u00e9 assim: agora vem um dem\u00f4nio e me pega e me arrasta e eu \u201cn\u00e3o! N\u00e3o!\u201d N\u00e3o \u00e9 isso. Ir para os infernos \u00e9 assim: eu fico suscet\u00edvel ao sofrimento correspondente \u00e0quela estrutura c\u00e1rmica. <\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"color: #000000;\">Se eu julgo o outro, eu crio internamente o julgador e os seus padr\u00f5es. Esse julgador e seus padr\u00f5es \u00e9 o que vai me torturar mais adiante, essa estrutura interna minha vai me torturar.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Na vis\u00e3o budista n\u00e3o tem os infernos enquanto um lugar, nem um regente, n\u00e3o tem nada disso. Vacuidade \u00e9 a vis\u00e3o maior, mas isso n\u00e3o quer dizer que eu n\u00e3o tenha sofrimentos ilus\u00f3rios. Como \u00e9 que os sofrimentos ilus\u00f3rios s\u00e3o montados? Por estruturas fixas! Como \u00e9 que essas estruturas fixas aparecem? Elas aparecem de muitos modos, um dos modos \u00e9 a gente julgar e condenar os outros. Isso produz uma estrutura fixa em n\u00f3s. Ent\u00e3o, \u00e9 super importante manter essa capacidade de reconhecer que o outro tem uma natureza livre, ele est\u00e1 se manifestando daquele modo, dentro daquela bolha, aquilo n\u00e3o \u00e9 interessante; n\u00f3s podemos interagir dentro daquela bolha, mas n\u00f3s n\u00e3o prendemos o outro dentro da bolha nem colocamos o outro dentro da bolha. Aquilo \u00e9 constru\u00eddo. N\u00f3s temos uma base ampla. Isso \u00e9 um aspecto que pode parecer benigno. E \u00e9! Mas n\u00e3o \u00e9 um benigno dentro da bolha, \u00e9 uma outra coisa. Isso n\u00e3o \u00e9, por exemplo, piedade. Isso \u00e9 compaix\u00e3o. Compaix\u00e3o inclui a libera\u00e7\u00e3o do outro. A vis\u00e3o do outro livre.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><strong>Coment\u00e1rio do aluno: Parece que \u00e9 um pouco paradoxal: seguir uma estrutura certinha e ao mesmo tempo ir deixando as coisas mais soltas. Parece que se a gente soltar muito a gente pode perder um pouco o prop\u00f3sito.<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Mas esse paradoxo, na verdade, n\u00e3o existe. O que acontece \u00e9 o seguinte: quando a gente est\u00e1 dentro da bolha, tem a l\u00f3gica e a causalidade correspondente \u00e0 bolha. Mas tu n\u00e3o pode tomar isso como se fosse o aspecto \u00faltimo! Mas tu n\u00e3o pode rejeitar tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, dentro da bolha \u00e9 que os carmas se estruturam. Se tu sai da bolha os carmas desaparecem. Por exemplo, a pessoa \u00e9 um colorado. Ela tem um sofrimento inerente, especialmente nesse tempo de agora (risos). Mas o sofrimento diz respeito \u00e0 bolha! A pessoa faz outras coisas e ela n\u00e3o sofre por ser colorada. Ela s\u00f3 sofre por ser colorada porque vai pra dentro daquela bolha, a\u00ed ela tem o sofrimento. Por exemplo, quando a pessoa vai para a s\u00e9rie A e torce pelo Gr\u00eamio, o sofrimento cessa. Ent\u00e3o, \u00e9 interessante isso, porque a estrutura c\u00e1rmica n\u00e3o \u00e9 de algu\u00e9m, \u00e9 do personagem dentro da bolha!<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Quando n\u00f3s somos fixados dentro das bolhas e dos personagens, a gente vai dizer: \u201cbom, esse \u00e9 o meu carma!\u201d Porque n\u00f3s estamos num momento em que a gente n\u00e3o entende isso, n\u00e3o entende as bolhas, nem as identidades brotando dentro das bolhas. <strong>As estruturas c\u00e1rmicas n\u00e3o s\u00e3o de algu\u00e9m, elas s\u00e3o estruturas que eu posso adotar e come\u00e7ar a operar a partir delas.<\/strong> \u00c9 como, por exemplo, chegar num lugar e n\u00e3o ter aquele carma. Tu chega naquela bolha e tu opta. A pessoa, por exemplo, chega em S\u00e3o Paulo\u00a0 ou Rio e pensa \u201cdeixa eu ver para que time eu vou torcer\u201d? Ent\u00e3o, se a pessoa n\u00e3o est\u00e1 naquela bolha, que sofrimento ela tem? \u00c9 muito interessante.<\/span><\/p>\n<h4><span style=\"color: #000000;\"><strong>Tatatha: dupla realidade<\/strong><\/span><\/h4>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Esse \u00e9 um ponto: como \u00e9 que tu podes chegar num ambiente como esse do futebol, tu n\u00e3o est\u00e1s na bolha, mas tu conversa sobre a bolha, mas tu n\u00e3o pertence \u00e0quela bolha! Esse ponto \u00e9 super importante, n\u00f3s precisamos disso, isso \u00e9 chamado de Tathata, dupla realidade, existe a realidade convencional e existe a realidade absoluta. \u00c9 assim, tu trabalhas nas duas. Mas uma n\u00e3o ofusca a outra. Se tu estiveres dentro da realidade convencional dizendo \u201cah, isso \u00e9 vacuidade, vacuidade, vacuidade\u201d, tu n\u00e3o consegues entender a outra pessoa! Por outro lado, se tu estiveres ali dentro tu ficas dizendo \u201cbah que horr\u00edvel! Uau, sem solu\u00e7\u00e3o! Estamos perdidos!\u201d A\u00ed tamb\u00e9m n\u00e3o adianta, entendem? <strong>Tathata \u00e9 isso: tu reconheces a realidade comum e ao mesmo tempo tu v\u00eas a libera\u00e7\u00e3o dela, ao mesmo tempo!<\/strong> Por qu\u00ea? Porque existe uma coisa mais ampla, tu raciocinas desde uma base ampla. Est\u00e1 certo que s\u00f3 o Buda raciocina desde uma base primordial. Mas se a gente raciocinar dentro de uma base mais ampla, aquele sofrimento da bolha j\u00e1 meio que desaparece! Ent\u00e3o, isso \u00e9 que \u00e9 necess\u00e1rio, trabalharmos com esses dois n\u00edveis. N\u00e3o tem uma contradi\u00e7\u00e3o entre esses n\u00edveis.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Na vis\u00e3o budista a gente diz: \u201cenquanto eu sou isto, eu tamb\u00e9m sou uma outra coisa totalmente livre. Enquanto eu manifesto isso, eu tenho esses sofrimentos, eu tenho essa contradi\u00e7\u00e3o inerente da minha a\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 perfeita e eu causo sofrimento aos outros seres e os prejudico; enquanto isso acontece, tem uma natureza livre que \u00e9 a minha base! Ela \u00e9 que vai permitir eu me manifestar de outro modo. Ent\u00e3o, no budismo a gente acredita especialmente nisto. Justo porque n\u00f3s vamos mudando, n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s das vidas sucessivas, mas na mesma vida n\u00f3s vamos trocando de posi\u00e7\u00f5es, a gente v\u00ea que existe essa natureza. Aquele ser culp\u00e1vel \u00e9 o ser que est\u00e1 dentro daquela bolha de realidade, daquele mundo espec\u00edfico surgindo daquele modo. Mas se ele est\u00e1 num outro contexto com outra bolha de realidade ele j\u00e1 n\u00e3o opera com aquela identidade e tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o tem culpas. Ele tem uma outra forma, ele n\u00e3o tem aquele sofrimento.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">As culpas servem para que a gente possa sempre purificar. Quando a gente tem a sensa\u00e7\u00e3o de culpa, o que a gente vai pegar daquilo? De novo a gente vai pensar: \u201ceu tenho uma natureza livre, eu posso fazer diferente. O que eu fiz para tr\u00e1s eu n\u00e3o tenho mais como arrumar. Mas eu n\u00e3o preciso reproduzir o que eu vinha fazendo, eu posso fazer melhor\u201d. Ainda assim, a gente pensa que pode fazer melhor, mas tem um limite dentro disso. A gente n\u00e3o consegue fazer qualquer coisa, porque tem as estruturas da nossa pr\u00f3pria identidade na bolha onde a gente estiver andando, assim, aquilo tem um limite.Todos t\u00eam contradi\u00e7\u00f5es dentro de suas bolhas e problemas. Ent\u00e3o, a gente perdoa as pessoas e a gente perdoa a n\u00f3s mesmos.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">O filme do Ariano Suassuna, O Alto da Compadecida, trabalha a quest\u00e3o da culpa na perspectiva crist\u00e3. Tem um dem\u00f4nio pegando a pessoa e aparece a Compadecida que vai resolver aquilo. Ela \u00e9 advogada de libertar o ser da culpa. E o ser \u00e9 um malandro dos piores. Ele enrola o dem\u00f4nio com o apoio da Compadecida. Mas essencialmente o argumento \u00e9 esse: \u201ceu sou uma criatura! Olhe para mim, veja se eu tenho poder de criar at\u00e9 mesmo os aspectos negativos dentro de mim, eu n\u00e3o sou nada!\u201d A Compadecida vai argumentar assim. E o dem\u00f4nio diz: \u201cmas vai esvaziar o inferno desse jeito! Eu vou ficar in\u00fatil?\u201d E ele fica in\u00fatil. Esse \u00e9 um ponto bem interessante.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"> Na vis\u00e3o budista, o Ananda, que \u00e9 um monge e grande disc\u00edpulo do Buda, aprontou: ele gerou um tipo de sentimento e olhar perturbado e subiu ao quarto de uma menina. Quando ele volta diante do Buda, ele usa um argumento parecido com o da Compadecida. Ele diz: \u201caben\u00e7oado, eu que ouvi seus ensinamentos, segui com muita f\u00e9 tudo, o que nos seus ensinamentos n\u00e3o deu certo que houve esse problema?\u201d Ent\u00e3o, esse \u00e9 um ponto super \u00fatil. Ele diz: \u201ceu n\u00e3o sou nada! O Buda \u00e9 tudo! Mas o que faltou a\u00ed do senhor que n\u00e3o deu certo?\u201d (Risos) Eu acho isso uma preciosidade, porque a culpa tamb\u00e9m est\u00e1 na sensa\u00e7\u00e3o de dizer \u201ceu posso\u201d! Nesse caso, \u00e9 melhor a pessoa dizer \u201ceu n\u00e3o posso, eu n\u00e3o sei de onde que veio a estrutura c\u00e1rmica, isso caiu como uma trag\u00e9dia por cima de mim. Mas se tu quiser me culpar, me culpa, mas eu mesmo n\u00e3o me culpo, porque eu nem sei de onde \u00e9 que veio isso! Eu n\u00e3o tenho esse poder. Se eu tivesse o poder de optar eu n\u00e3o faria, mas eu n\u00e3o tenho, eu sou enrolado! Ent\u00e3o, voc\u00eas guardem isso que pode ser super \u00fatil em v\u00e1rios contextos! Voc\u00eas confessem \u201ceu fiz tudo errado, mas n\u00e3o sei de onde que veio isso. Eu n\u00e3o sou isso! Mas na hora, aquilo foi assim!\u201d<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"> Esse \u00e9 um ponto interessante, a pessoa n\u00e3o \u00e9 aquilo, se manifesta como se fosse, ela n\u00e3o \u00e9 propriamente culp\u00e1vel, mas ela pode passar pelas estruturas c\u00e1rmicas. Por exemplo, um cachorro que mordeu as crian\u00e7as aqui. Ele n\u00e3o \u00e9 isso, ele \u00e9 um ser elevado, ele \u00e9 insepar\u00e1vel de todos os Budas, ele tem a natureza livre, ele n\u00e3o est\u00e1 mordendo o tempo todo&#8230; Mas ele mordeu! E mordeu de novo e de novo, ent\u00e3o \u00e9 melhor entender que ele morde. Ent\u00e3o, dentro da estrutura c\u00e1rmica, \u00e9 melhor bot\u00e1-lo num canil. N\u00e3o que a gente diga: \u201cvoc\u00ea \u00e9 um monstro!\u201d Ele n\u00e3o \u00e9 um monstro! Ele \u00e9 um cachorro, ele tem uma estrutura c\u00e1rmica passageira, transit\u00f3ria, mas \u00e9 melhor cuidar. Ent\u00e3o, a gente pode fazer isso, mas a gente n\u00e3o est\u00e1 culpando, n\u00e3o est\u00e1 prendendo o outro \u00e0quilo, num sentido c\u00e1rmico. E tamb\u00e9m ele n\u00e3o manifesta aquilo o tempo todo. Por exemplo, os povos que vivem dentro da natureza, eles convivem com animais muito agressivos, convivem com seres dos mais variados, mas aqueles seres n\u00e3o est\u00e3o sempre picando, se mordendo, matando. Eles n\u00e3o est\u00e3o. Ent\u00e3o, \u00e9 importante entender a bolha onde o outro est\u00e1 operando.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">As pessoas tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o monstros o tempo todo. \u00c9 isso. E n\u00f3s tamb\u00e9m. N\u00f3s n\u00e3o somos nem santos o tempo todo nem monstros o tempo todo. N\u00f3s surgimos como identidades c\u00e1rmicas nos v\u00e1rios lugares. Ent\u00e3o, \u00e9 melhor a gente guardar isso na mente. N\u00f3s n\u00e3o somos aquilo. O ponto central n\u00e3o \u00e9 a rigidez do carma, \u00e9 como eu produzo. Mas o aspecto de que o carma produz frutos, produz resultados, \u00e9 vis\u00edvel.<\/span><span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"><em>Ensinamento oferecido por Lama Padma Samten no Retiro de Inverno de 2017, em Viam\u00e3o\/RS (6\u00ba dia, manh\u00e3)\u00a0<\/em><\/span><\/p>\n<div><span style=\"color: #000000;\"><em><br \/>\n<\/em><\/span><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":119,"featured_media":46051,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[352],"tags":[],"class_list":["post-46050","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-perguntas-respostas"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Como lidar com a culpa? - Centro de Estudos Budistas Bodisatva<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/cebb.org.br\/en\/como-lidar-com-a-culpa\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_GB\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Como lidar com a culpa? 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