{"id":50328,"date":"2017-12-13T16:56:41","date_gmt":"2017-12-13T18:56:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cebb.org.br\/?p=50328"},"modified":"2017-12-13T16:56:41","modified_gmt":"2017-12-13T18:56:41","slug":"por-que-e-dificil-atingir-o-resultado-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cebb.org.br\/en\/por-que-e-dificil-atingir-o-resultado-final\/","title":{"rendered":"Por que \u00e9 dif\u00edcil atingir o resultado final?"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<h4 dir=\"ltr\">Caminho da Perfei\u00e7\u00e3o versus Resultado Final<\/h4>\n<p dir=\"ltr\">Por que \u00e9 dif\u00edcil atingir o resultado final? Em parte, \u00e9 porque n\u00e3o h\u00e1 um resultado final, ainda que haja. \u00c9 assim: n\u00e3o h\u00e1 um resultado final de onde a gente imagina que vem um resultado final. Esse \u00e9 que \u00e9 o ponto. Ent\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 um resultado final. A\u00a0gente n\u00e3o vai encontrar, porque a gente vai buscando numa dire\u00e7\u00e3o. Por exemplo, o resultado final, na abordagem da perfei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem. Tem quando a pessoa vai indo pelo caminho da perfei\u00e7\u00e3o e ela muda, a\u00ed tem resultado final. Esse \u00e9 o ponto. Na abordagem do caminho da perfei\u00e7\u00e3o n\u00f3s estamos buscando um estado final que \u00e9 mais ou menos o que acontece quando a pessoa come\u00e7a a fazer pr\u00e1tica e acha aquilo maravilhoso e por vezes a pessoa come\u00e7a a ritualizar o cotidiano. Ritualizar o cotidiano significa o qu\u00ea? A pessoa come\u00e7a a estruturar o cotidiano al\u00e9m do gostar e n\u00e3o gostar. A pessoa arruma o dia e cada dia fica cada vez mais ajustado, em cada dia ela estuda e medita, estuda e medita e vai indo\u2026 A energia aparece, a pessoa foca aquilo e vai buscando os estados mais elevados. Isso \u00e9 o caminho da perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">S\u00f3 que enquanto ela segue pelo caminho da perfei\u00e7\u00e3o, o estado mais elevado segue fugidio. Ela entra e depois escapa, ela entra e depois escapa. Ela entra e descobre que aquilo n\u00e3o \u00e9 ainda o estado mais elevado, ainda tem alguma coisa. A\u00ed ela busca o estado mais elevado. A\u00ed quando a pessoa encontra um estado elevado, ela descobre estruturas c\u00e1rmicas que ficaram para tr\u00e1s, ela n\u00e3o sabe como e a pessoa se surpreende com isso.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Por vezes surgem algumas coisas mais perturbadoras, por exemplo, a pessoa est\u00e1 acessando alguma coisa muito elevada, mas daqui a pouco a pessoa tem sonhos, acordada ou dormindo, em regi\u00f5es que ela n\u00e3o imaginava que entraria de novo, como vis\u00f5es dos infernos ou de diferentes lugares. A pessoa at\u00e9 pensa: mas eu j\u00e1 purifiquei esse carma, eu n\u00e3o tenho nada contra isso, por que me aparece esse tipo de vis\u00e3o? A pessoa v\u00ea que s\u00e3o vis\u00f5es. Ela n\u00e3o diz: \u201cEU estou vendo tal coisa&#8230;\u201d Como a pessoa est\u00e1 praticando constantemente a estabiliza\u00e7\u00e3o mental, ela n\u00e3o embarca no que aparece, mas a pessoa se pergunta: como \u00e9 que aparece isso? Da onde? De que buraco escuro e escondido vem esse tipo de estrutura?<\/p>\n<p dir=\"ltr\">No meio desse processo, a pessoa descobre que essas regi\u00f5es j\u00e1 nem s\u00e3o dela. Ela come\u00e7a a ultrapassar a no\u00e7\u00e3o de individualidade do carma, de individualidade da exist\u00eancia. Ela come\u00e7a a atravessar esse bordo da sensa\u00e7\u00e3o de carma individual. Voc\u00eas v\u00e3o encontrar esses relatos n\u00e3o s\u00f3 no budismo tibetano, mas no budismo zen tamb\u00e9m. Eu acho isso comovente. Eu vi o relato da vida de alguns mestres zen. Como eles praticam muito zazen, seguindo a linha do Soto Zen, eles t\u00eam lucidez. Eles diziam: minha mente subia e descia, eu via tudo, aquilo cruzava por todo o lado, aquilo era um estado totalmente perturbado que eu n\u00e3o sabia a origem, ainda assim, eu me mantinha e aquilo tudo seguia girando. A\u00ed eles descreviam como que eles lidavam com aquilo para ultrapassar.<\/p>\n<h4 dir=\"ltr\"><\/h4>\n<h4 dir=\"ltr\">N\u00e3o h\u00e1 algu\u00e9m no resultado final<\/h4>\n<p dir=\"ltr\">Eu acho muito comovente o fato de que todos n\u00f3s temos uma conex\u00e3o com o caminho da perfei\u00e7\u00e3o. N\u00f3s n\u00e3o estar\u00edamos aqui se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos. Ent\u00e3o, n\u00f3s temos esse n\u00edvel de busca. Por exemplo, \u00e9 comum, mesmo que a gente esteja avan\u00e7ando, n\u00f3s nos perguntarmos: em que ponto eu estou? Quanto falta? O que falta? Isso que eu atingi \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 alguma coisa? Ent\u00e3o, a gente tem essas d\u00favidas, porque o caminho da perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 esse. \u00c9 o caminho da perfei\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m, tem algu\u00e9m ali. \u00c9 esse algu\u00e9m que se pergunta: cheguei ou n\u00e3o cheguei? Esse algu\u00e9m n\u00e3o vai chegar, pessoal! N\u00f3s estamos com um pequeno problema. Essa perspectiva n\u00e3o vai acontecer.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">N\u00f3s vamos precisar descobrir que aquilo que a gente busca no caminho da perfei\u00e7\u00e3o tem o equ\u00edvoco do aspecto de identidade: a gente \u00e9 uma identidade se aperfei\u00e7oando e buscando chegar em algum lugar. Quando a gente chegar em algum lugar n\u00f3s olhamos em volta e nada em volta tem o que a gente atingiu. Essa perspectiva voc\u00eas podem esquecer. A perspectiva \u00e9 assim: aquilo que a gente vai atingir a gente j\u00e1 tem. N\u00e3o s\u00f3 a gente j\u00e1 tem como tudo em volta tem. Ent\u00e3o, n\u00f3s n\u00e3o temos essa car\u00eancia. N\u00f3s perdemos a vis\u00e3o, a capacidade de reconhecer isso, mas mesmo a incapacidade de reconhecer n\u00e3o nos impede de ter o que n\u00f3s temos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A quest\u00e3o \u00e9 a pessoa incluir por base, por funda\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o da mente, no cont\u00ednuo mental que ela manifesta, isso que a pessoa j\u00e1 tem. Ent\u00e3o, o que acontece \u00e9 que, ainda que os seres tenham aquilo e aquilo esteja operando constantemente, ou seja, ainda que a base primordial da mente esteja operando incessantemente, n\u00f3s n\u00e3o inclu\u00edmos essa base primordial como um elemento atuante dentro da bolha de realidade em que a gente est\u00e1 atuando, por isso n\u00f3s atuamos dentro de bolhas. Bolha \u00e9 isso. \u00c9 alguma coisa que n\u00e3o inclui o aspecto primordial. Quando n\u00f3s inclu\u00edmos o aspecto primordial n\u00f3s estamos na mandala. S\u00f3 que mesmo que a gente esteja na bolha, a bolha se d\u00e1, de fato, dentro da mandala, ent\u00e3o, n\u00f3s nunca perdemos a mandala. Nunca. N\u00e3o h\u00e1 a possibilidade de perder a mandala. Isso \u00e9 chamado \u201corgulho vajra\u201d. N\u00e3o h\u00e1 a possibilidade de perder a condi\u00e7\u00e3o \u00faltima. N\u00e3o h\u00e1. Eu posso surgir como uma identidade fantasmag\u00f3rica em meio a um mundo on\u00edrico, de sonho, a\u00ed a gente tem a sensa\u00e7\u00e3o, como num sonho \u00e0 noite onde n\u00e3o est\u00e1 faltando nada, que n\u00f3s somos algu\u00e9m, que existe um ambiente e que a gente se move ali dentro, porque a base da nossa mente n\u00e3o inclui o aspecto primordial.<\/p>\n<h4 dir=\"ltr\"><\/h4>\n<h4 dir=\"ltr\"><span style=\"color: #000000;\">Estados particulares e presen\u00e7a<\/span><\/h4>\n<p>No caminho da perfei\u00e7\u00e3o, n\u00f3s buscamos alguma coisa que seja final, a gente tenta atingir um estado do qual a gente n\u00e3o saia. E a gente sai, porque, na verdade, a base primordial n\u00e3o \u00e9 aprision\u00e1vel, eu n\u00e3o consigo abandonar a base primordial para ficar preso num estado, eu n\u00e3o consigo. Eu fico por um tempo e depois eu saio.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">J\u00e1 \u201cpresen\u00e7a\u201d \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o da ilumina\u00e7\u00e3o, desde sempre insepar\u00e1vel da mandala primordial, de Darmata, de Samantabadra. A pessoa entra nisso e n\u00e3o sai mais, porque ela sempre esteve ali, n\u00e3o tem entrar ou sair. Mas, por exemplo, se a pessoa chama isso de estado de samadi, ela entra e depois sai, assim como em outros estados. Todos os samadis tu entra e sai. Samadi \u00e9 uma descri\u00e7\u00e3o do caminho da perfei\u00e7\u00e3o, a pessoa est\u00e1 buscando um samadi, uma condi\u00e7\u00e3o \u00faltima. Essa condi\u00e7\u00e3o \u00faltima n\u00e3o vai chegar. N\u00f3s podemos transitar por muitos diferentes estados particulares. Sempre tem um estado e depois surge um outro. Todo o estado \u00e9 desequilibrado. Por exemplo, surgem os estados sem forma. Todo mundo que entra em medita\u00e7\u00e3o pode ter vivido isso. Depois existem os estados com forma.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Nos estados sem forma, voc\u00ea abandona totalmente qualquer conex\u00e3o com qualquer coisa que pode aparecer do lado de fora. A energia est\u00e1 est\u00e1vel, a pessoa est\u00e1 isenta. Sempre vai aparecer algu\u00e9m e dizer: voc\u00ea se isolou, voc\u00ea se separou, voc\u00ea criou uma artificialidade, por que voc\u00ea n\u00e3o volta para a vida? Como aconteceu com o pr\u00f3prio Buda: as filhas de Mara apareceram e falaram: \u201cestamos na primavera, olhe as flores, sinta o perfume, os p\u00e1ssaros, os seres todos namorando, felizes por todo o lado, por que voc\u00ea n\u00e3o olha pra n\u00f3s, voc\u00ea n\u00e3o sente nada?\u201d<\/p>\n<p>De modo geral, os praticantes s\u00e3o derrubados por esse tipo de presen\u00e7a e retornam ao reino da forma. E as pessoas dizem: \u201cisso \u00e9 a express\u00e3o divina! Olhe, est\u00e1 por todos os lados. A ilumina\u00e7\u00e3o vem por a\u00ed, n\u00e3o pelo isolamento\u201d. A pessoa pensa: \u201cbom, nesse caso\u2026\u201d e ela vai. Depois de vaguear por dois eons pelo reino da forma a pessoa pensa: \u201cbom, acho que por a\u00ed n\u00e3o adiantou muito\u201d. Ent\u00e3o, ela vai oscilando. Isso \u00e9 a oscila\u00e7\u00e3o dentro do samsara, a pessoa est\u00e1 buscando um estado final e a pessoa pensa que est\u00e1 no caminho. Ent\u00e3o, <strong>o maior problema n\u00e3o \u00e9 que falta alguma coisa pra n\u00f3s, o maior problema \u00e9 que a gente procura no lugar errado.<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Como que a gente j\u00e1 tem a condi\u00e7\u00e3o \u00faltima e n\u00e3o v\u00ea? Como que, uma vez tendo a sensa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem, a gente busca, pensa que encontra e n\u00e3o encontra? Essa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 nesse processo que est\u00e1 a dificuldade. Mas por que isso? Eu acho muito interessante a gente contemplar esses aspectos. Eu acho muito comovente que a gente encontra coisas elevadas e perde. Enquanto a gente n\u00e3o ultrapassar o caminho da perfei\u00e7\u00e3o a gente n\u00e3o vai resolver isso. Mas o caminho da perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 o que nos move, \u00e9 o que nos faz andar. Mas tem um momento que a gente vai ter que entender esse aspecto. Se a gente entende esse aspecto e toma uma outra dire\u00e7\u00e3o, isso continua sendo o caminho da perfei\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, seria mais uma quest\u00e3o de dissolver o caminho da perfei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma reformula\u00e7\u00e3o do caminho da perfei\u00e7\u00e3o para uma outra dire\u00e7\u00e3o. Isso seria a continua\u00e7\u00e3o do mesmo processo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 dir=\"ltr\">Sabedoria Primordial<\/h4>\n<p dir=\"ltr\">Os mestres v\u00e3o dando algumas instru\u00e7\u00f5es que nos ajudam, de fato. Eu considero que uma das instru\u00e7\u00f5es essenciais \u00e9 o aspecto da Sabedoria Primordial, que dialoga bem com a descri\u00e7\u00e3o do Prajnaparamita. Por exemplo, n\u00f3s olhamos uma realidade e a gente se coloca como um observador fora daquela bolha, olhando para aquilo. Essa vis\u00e3o j\u00e1 \u00e9 muito mais ampla do que a vis\u00e3o de quando a gente estava dentro da bolha. \u00c9 mais ou menos assim: aqui \u00e9 um templo, mas a gente se coloca do lado de fora e pensa \u201cas pessoas aqui dentro veem isso como templo, isso foi constru\u00eddo assim, todos est\u00e3o operando segundo essa magia do retiro, mas essa \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o particular, at\u00e9 mesmo porque as pessoas daqui a pouco v\u00e3o embora.\u201d A\u00ed n\u00f3s sorrimos: a gente est\u00e1 olhando de forma mais ampla do que quando a gente estava dentro da bolha dominados pelo processo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ent\u00e3o, o Prajnaparamita vai recuando, recuando&#8230;Ele v\u00ea que a forma do templo \u00e9 vazia, que ela surge do vazio, do vazio surge a forma do templo. Do vazio ela \u00e9 estabelecida e come\u00e7a a operar como tal. A\u00ed olhamos a sensa\u00e7\u00e3o que eu tenho, a percep\u00e7\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o mental e a consci\u00eancia que opera magnetizada por esse processo, isso \u00e9 uma bolha. \u00c9 assim que funciona. Enquanto a gente diz isso \u00e9 porque a gente est\u00e1 do lado de fora. Agora estamos do lado de fora do processo de estar do lado de fora, ou seja, eu estou analisando o processo de fazer isso.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Esse \u00e9 o processo do Prajnaparamita. Ent\u00e3o, eu recuo para outra base que tamb\u00e9m \u00e9 contaminada, eu penso que n\u00e3o \u00e9 mas ela \u00e9. Depois de um certo tempo, eu consigo me colocar fora dela tamb\u00e9m. E eu vou indo. O Prajnaparamita \u00e9 o caminho atrav\u00e9s do qual eu atravesso o rio da confus\u00e3o e chego na margem da libera\u00e7\u00e3o. <strong>A margem da libera\u00e7\u00e3o \u00e9 o lugar n\u00e3o contaminado a partir do qual n\u00f3s podemos olhar.<\/strong> Ent\u00e3o, esse lugar n\u00e3o contaminado produz a Sabedoria Primordial, a vis\u00e3o da Sabedoria Primordial, que \u00e9 a vis\u00e3o de Guru Rinpoche, do Buda, dos grandes mestres, das deidades. \u00c9 nesse sentido que D\u00fcdjom Lingpa vai dizer que ele recebe a transmiss\u00e3o direta de Guru Rinpoche, porque ele acessa esse lugar n\u00e3o contaminado e a partir disso brota a Sabedoria Primordial.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">No entanto, ainda tem algumas coisas, por exemplo, a pessoa est\u00e1 vendo a Sabedoria Primordial, a energia primordial, as cinco sabedorias brotando, mas pode ser que haja na mente da pessoa ainda a sensa\u00e7\u00e3o de uma pessoa ali. Nesse caso, ainda h\u00e1 um obst\u00e1culo. Ent\u00e3o, a pessoa mais adiante tamb\u00e9m recua e percebe o aspecto n\u00e3o-dual da realidade. Ela percebe que enquanto tem uma sabedoria que olha o ambiente sendo olhado \u00a0tem uma dualidade, ent\u00e3o, a pessoa vai perceber o aspecto n\u00e3o-dual incessantemente presente como manifesta\u00e7\u00e3o do aspecto \u00faltimo. <strong>Essa realiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-dual \u00e9 o ponto final, mas ali dentro n\u00e3o tem algu\u00e9m. \u00c9 a realiza\u00e7\u00e3o do lugar e n\u00e3o de algu\u00e9m.<\/strong> Quando isso \u00e9 visto, em qualquer dire\u00e7\u00e3o que a pessoa olhar ela reconhece essa opera\u00e7\u00e3o se manifestando desde sempre. Ela v\u00ea o aspecto n\u00e3o-dual desde sempre presente. Aquilo n\u00e3o parece muito complicado, n\u00e3o \u00e9 uma elabora\u00e7\u00e3o mental, n\u00e3o tem nada filos\u00f3fico, nada de condu\u00e7\u00e3o daqui pra l\u00e1, de l\u00e1 pra c\u00e1, nada para estabilizar, mas aquilo est\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Como n\u00e3o tem nada para estabilizar, n\u00e3o tem nada para fazer, n\u00e3o tem algo que possa ser perdido, o caminho da perfei\u00e7\u00e3o, que \u00e9 feito com esfor\u00e7o e com controle, se esgota. Ele se esgota n\u00e3o porque a pessoa chegou em algum lugar e se fixa, mas porque aquele que estava caminhando se dissolve na n\u00e3o-dualidade junto com as apar\u00eancias e isso se torna a express\u00e3o de Darmata. Se a gente chamar isso de pr\u00e1tica da presen\u00e7a, eu estou convertendo isso em um estado em que eu posso entrar e sair. Mas n\u00e3o \u00e9 um estado, aquilo est\u00e1 incessantemente operando, n\u00e3o tem como devolver. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 um estado, n\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica artificial, n\u00e3o tem nada sendo constru\u00eddo artificialmente. Aquilo est\u00e1 l\u00e1. Ent\u00e3o, esse \u00e9 o ponto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 dir=\"ltr\">A frustrante busca por estados particulares<\/h4>\n<p dir=\"ltr\">Mas a gente n\u00e3o procura nessa dire\u00e7\u00e3o. A gente procura, a gente identifica, a gente observa condi\u00e7\u00f5es internas e busca estabilizar condi\u00e7\u00f5es internas. E essa busca \u00e9 sempre frustrante. Essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual a gente n\u00e3o atinge a realiza\u00e7\u00e3o final: n\u00f3s estamos sempre buscando dentro de uma perspectiva que n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Vamos supor que voc\u00ea est\u00e1 fazendo uma viagem para chegar em algum lugar. De repente, quando voc\u00ea olha voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 no lugar. Ent\u00e3o, eu acho melhor a descri\u00e7\u00e3o disso sempre a partir da no\u00e7\u00e3o de mandala, por mais misterioso que possa parecer. Essa \u00e9 a linguagem do vajrayana. A linguagem da mandala \u00e9 uma boa forma de descrever, porque a descri\u00e7\u00e3o como um estado interno n\u00e3o \u00e9 uma boa ideia. Mas o lugar que \u00e9 a mandala \u00faltima n\u00e3o \u00e9 um lugar que a gente entra, \u00e9 um lugar onde a gente sempre esteve.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Quando a pessoa compreende isso, na verdade, n\u00e3o \u00e9 que ela esteja compreendendo, ela est\u00e1 dissolvendo a busca por alguma coisa particular. Mas tudo bem, n\u00f3s estamos numa etapa em que a gente tem at\u00e9 dificuldade de seguir com a mente enquanto isso est\u00e1 sendo descrito, porque a nossa mente salta de um lado para o outro, temos dificuldade de ficar parados no mesmo lugar porque surgem coisas que a gente tem que fazer aqui e ali, ent\u00e3o, n\u00f3s estamos numa etapa boa para fazer shamata. E shamata \u00e9 muito bom e a gente avan\u00e7a. A gente preserva a vida humana preciosa e segue. \u00a0Ent\u00e3o, as coisas voltam a ter sentido comum e a gente segue.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><em>Ensinamento de Lama Padma Samten durante o retiro da Ilumina\u00e7\u00e3o do Buda de 2017, em Viam\u00e3o\/RS (\u00e1udio da manh\u00e3 do dia 6\/12\/2017)<\/em><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><em>Transcri\u00e7\u00e3o: Stela Santin<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":119,"featured_media":50332,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[417],"tags":[],"class_list":["post-50328","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ensinamentos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Por que \u00e9 dif\u00edcil atingir o resultado final? - Centro de Estudos Budistas Bodisatva<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/cebb.org.br\/en\/por-que-e-dificil-atingir-o-resultado-final\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_GB\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Por que \u00e9 dif\u00edcil atingir o resultado final? 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