{"id":135,"date":"2009-08-09T00:21:37","date_gmt":"2009-08-09T00:21:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cebb.org.br\/novo\/?p=135"},"modified":"2009-08-09T00:21:37","modified_gmt":"2009-08-09T00:21:37","slug":"a-visao-budista-da-questao-cognitiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/a-visao-budista-da-questao-cognitiva\/","title":{"rendered":"A vis\u00e3o budista da quest\u00e3o cognitiva"},"content":{"rendered":"<p>O objetivo do presente texto \u00e9 chegar a uma descri\u00e7\u00e3o clara e abrangente da forma budista de abordar a quest\u00e3o cognitiva. <!--more-->A palavra cogni\u00e7\u00e3o refere-se aqui ao processo pelo qual se desenvolve a convic\u00e7\u00e3o de que algo \u00e9 &#8220;verdadeiro&#8221;. O exame da cogni\u00e7\u00e3o budista pode, por sua vez, ser encarado como uma forma de buscar maior liberdade e distanciamento frente aos pr\u00f3prios pensamentos, opini\u00f5es e tend\u00eancias.<\/p>\n<h3>A &#8220;Nobre Verdade&#8221; budista<\/h3>\n<p>A abordagem budista da cogni\u00e7\u00e3o resulta, dentro da linguagem e forma de opera\u00e7\u00e3o mental humana, em uma atitude denominada nos textos sagrados budistas de &#8220;a Nobre Verdade&#8221;. \u00c9 de grande import\u00e2ncia este tema, uma vez que a doutrina do vazio, ponto essencial da vis\u00e3o budista, elemento central da compreens\u00e3o budista unanimemente aceito em todas as linhagens, encontra na &#8220;Nobre Verdade&#8221; seu ponto de contato com a realidade contingente de todos os seres, objetos, prop\u00f3sitos, fatos materiais, fatos abstratos, psicol\u00f3gicos, biol\u00f3gicos, f\u00edsicos, astron\u00f4micos, etc. Ou seja, \u00e9 sob a express\u00e3o &#8220;Nobre Verdade&#8221; que vamos encontrar a harmoniza\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o budista de vazio com a &#8220;realidade que nos rodeia&#8221;.<\/p>\n<h3>As palavras nunca ter\u00e3o um significado maior do que o das experi\u00eancias que as geraram<\/h3>\n<p>A doutrina budista do &#8220;vazio&#8221; que, em um certo sentido, confunde-se em muitos pontos com a &#8220;Nobre Verdade&#8221;, n\u00e3o \u00e9 a doutrina de que nada existe, como incorretamente poder\u00edamos ser levados a pensar. A no\u00e7\u00e3o de &#8220;vazio&#8221; refere-se a que a realidade \u00faltima de cada ser ou objeto \u00e9 destitu\u00edda de caracter\u00edsticas pr\u00f3prias individuais e definidas. Os objetos existem apenas enquanto realidades convencionais, limitadas, espa\u00e7o-temporais, condicionadas e contextuais; n\u00e3o existem separadamente e independentemente do observador. A &#8220;Nobre Verdade&#8221;, por seu turno, poderia ser resumida como a atitude que resulta da compreens\u00e3o de que tudo o que \u00e9 visto, \u00e9 visto pela mente, e que tudo o que \u00e9 visto pela mente \u00e9, na verdade, a mente vendo a si pr\u00f3pria, vendo as imagens e objetos por ela mesma geradas. \u00c9 como est\u00e1 expresso no <strong>Lankavatara Sutra<\/strong>, quando se diz que &#8220;a pintura n\u00e3o est\u00e1 na tela nem nas cores ou nas tintas&#8221;, ou &#8220;os ignorantes n\u00e3o compreendem que o que v\u00eaem \u00e9 a mente vendo a si mesma&#8221;.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o significa dizer, por exemplo, que o mundo externo efetivamente n\u00e3o existe, que as coisas n\u00e3o existem, mas procura-se entender com clareza o que significa dizer que um certo objeto existe ou o que significa a afirma\u00e7\u00e3o geral de que o mundo externo existe. Neste contexto, entender o significado dessas afirma\u00e7\u00f5es \u00e9conhecer seus limites de validade.<\/p>\n<h3>A filosofia budista \u00e9 apenas uma forma passageira de sistematizar conhecimentos<\/h3>\n<p>A forma de trabalhar os elementos de convic\u00e7\u00e3o que v\u00eam a explicitar e permitir a transmiss\u00e3o do sentido correto da express\u00e3o &#8220;Nobre Verdade&#8221; \u00e9 sempre a forma experimental, ou seja, busca-se atrav\u00e9s de experi\u00eancias vividas concretamente ou de experi\u00eancias vividas em processos de imagina\u00e7\u00e3o, a viv\u00eancia direta de cada um dos aspectos da &#8220;Nobre Verdade&#8221;. Aqui citamos este m\u00e9todo did\u00e1tico como uma caracter\u00edstica do processo de transmiss\u00e3o da &#8220;Nobre Verdade&#8221;, mas, de fato, este \u00e9 o m\u00e9todo geral de se abordar todas as quest\u00f5es no budismo, e o sentido real de todas as conclus\u00f5es a que se venha a chegar \u00e9 sempre remetido \u00e0 experi\u00eancia mental ou concreta que o gerou; sua abrang\u00eancia n\u00e3o \u00e9 maior nem menor. As palavras, assim como toda e qualquer forma de comunica\u00e7\u00e3o, nunca ter\u00e3o um valor e um significado maior do que o valor e significado das experi\u00eancias que as geraram.<\/p>\n<p>A Nobre Verdade \u00e9 um elemento essencial na doutrina budista porque permite a transi\u00e7\u00e3o existencial individual de uma busca externa, de um caminhar externo no &#8220;mundo&#8221;, para uma busca interna. Ao compreender-se a ess\u00eancia da Nobre Verdade, compreendesse que o que \u00e9 visto externamente \u00e9 sempre a proje\u00e7\u00e3o mental de um ac\u00famulo de tend\u00eancias e experi\u00eancias pr\u00e9vias, o que, no budismo, \u00e9 genericamente entendido como o &#8220;karma&#8221;. \u00c9 justamente este conjunto de tend\u00eancias que ir\u00e1 dar sentido \u00e0s experi\u00eancias e ir\u00e1 mesmo conformar a realidade que, de modo inteiramente autom\u00e1tico, \u00e9 vista de forma n\u00edtida, palp\u00e1vel, v\u00edvida.<\/p>\n<h3>A pr\u00e1tica budista visa a depura\u00e7\u00e3o de todo o condicionamento inconsciente<\/h3>\n<p>A experi\u00eancia de vivenciar a &#8220;realidade externa&#8221;, quando \u00e9 desse modo encarada, torna-se a manifesta\u00e7\u00e3o de todo um &#8220;mundo interno inconsciente&#8221;, que \u00e9, por sua vez, reconhecido como o resultado de experi\u00eancias mentais concretas ou abstratas anteriores (na vis\u00e3o budista n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7as entre estas duas op\u00e7\u00f5es, pois toda experi\u00eancia concreta \u00e9 sempre mediada pela mente, sendo, em suma, uma experi\u00eancia mental abstrata tamb\u00e9m). Este enfoque permite que se passe a descortinar um vasto campo de estudo e trabalho onde o surgimento de cada discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 mente \u00e9 visto como um resultado da opera\u00e7\u00e3o mental inconsciente. Neste contexto a palavra &#8220;inconsciente&#8221; n\u00e3o tem qualquer sentido eternalista, ou seja, a palavra inconsciente n\u00e3o se refere a algo que, imagina-se, exista de modo efetivo e permanente, mas, neste contexto, esta palavra significa apenas a atividade mental que n\u00e3o \u00e9 vista em seu processo, mas \u00e9 reconhecida exclusivamente por seus resultados.<\/p>\n<p>Examinando-se a &#8220;realidade externa&#8221; dessa forma, nenhuma diferen\u00e7a se encontrar\u00e1, enfim, entre esta &#8220;realidade externa&#8221; e a &#8220;realidade interna&#8221;; ambas fundem-se, tornando-se indistingu\u00edveis.<\/p>\n<h3>Ainda que um livro seja um livro, para a tra\u00e7a ele \u00e9 um manjar<\/h3>\n<p>\u00c9 justamente este vasto campo de estudo e trabalho que oferece a melhor oportunidade de contato entre o pensamento religioso budista e a filosofia e psicologia de todas as cores, matizes e origens. \u00c9 tamb\u00e9m a\u00ed o ponto de florescimento da filosofia budista, ainda que a filosofia budista n\u00e3o possa ser considerada uma forma de busca \u00e0 verdade eternalista \u00faltima das coisas, mas t\u00e3o somente uma forma relativa, condicionada e passageira de sistematizar conhecimentos do mundo e do processo de cogni\u00e7\u00e3o, de modo que, na exist\u00eancia das atuais formas de opera\u00e7\u00e3o mental condicionada, seja poss\u00edvel o reconhecimento desses condicionamentos e seja ent\u00e3o poss\u00edvel reconhecer a natureza da liberta\u00e7\u00e3o. Reconhecer a condi\u00e7\u00e3o humana, a contamina\u00e7\u00e3o inerente a todo o processo cognitivo e a natureza da liberta\u00e7\u00e3o, \u00e9 tudo que a filosofia budista pretende enquanto Filosofia. \u00c9 o seu limite. <\/p>\n<p>Neste ponto inicia-se a pr\u00e1tica budista propriamente dita, que visa a depura\u00e7\u00e3o de todo o condicionamento inconsciente, de forma que a opera\u00e7\u00e3o mental possa vir a manifestar a completa aus\u00eancia de jogos cegos e de condicionamentos enquanto tal.<\/p>\n<h3>As tr\u00eas contamina\u00e7\u00f5es inerentes \u00e0 no\u00e7\u00e3o de &#8216;objeto&#8217;<\/h3>\n<p>Vamos aqui utilizar a express\u00e3o &#8220;contamina\u00e7\u00e3o&#8221; no sentido de &#8220;perturba\u00e7\u00e3o involunt\u00e1ria e autom\u00e1tica do processo de compreens\u00e3o pelo surgimento de id\u00e9ias e imagens mentais provenientes de experi\u00eancias anteriores e que atribuem sentidos cognitivos previamente condicionados \u00e0s experi\u00eancias sensoriais e abstratas da mente humana&#8221;.<\/p>\n<h3>A primeira contamina\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Seguramos um livro em nossa m\u00e3o. Um livro \u00e9 inequivocamente um livro. Podemos apalp\u00e1-lo, abrir suas folhas, examinar o texto. Verificamos facilmente que h\u00e1 uma posi\u00e7\u00e3o correta para que ele possa ser lido. Podemos identificar em que l\u00edngua foi escrito. Podemos sentir claramente a completa concretitude do livro. \u00c9 inequ\u00edvoco. O que mais seria um livro que n\u00e3o um &#8220;livro&#8221; mesmo? Esta \u00e9 a primeira contamina\u00e7\u00e3o mental da vis\u00e3o, a que surge no trato com os objetos &#8220;concretos&#8221;, a que d\u00e1 uma realidade \u00fanica e inequ\u00edvoca aos objetos &#8220;concretos&#8221; com que lidamos. Por que seria isso uma contamina\u00e7\u00e3o mental? Em que sentido h\u00e1 algum equ\u00edvoco nesta compreens\u00e3o t\u00e3o evidente e clara?H\u00e1 um c\u00e9lebre di\u00e1logo entre dois grandes homens, dois grandes pensadores, Albert Einstein e Rabindranath<br \/>\n Tagore, que ilustra bem esta quest\u00e3o. Este di\u00e1logo ocorreu em Berlim, quando Einstein, j\u00e1 um Pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica, recebeu em sua casa o poeta e fil\u00f3sofo Tagore, Pr\u00eamio Nobel de Literatura. Conversavam os dois sobre a quest\u00e3o da realidade do mundo concreto que vemos, e Tagore utilizou o exemplo de um livro para mostrar que, ainda que o livro seja efetivamente um livro, para uma tra\u00e7a \u00e9, de modo igualmente concreto, um manjar. Estaria a tra\u00e7a equivocada? Haveria algum erro de avalia\u00e7\u00e3o ou de percep\u00e7\u00e3o no comportamento da tra\u00e7a? Seria apenas a situa\u00e7\u00e3o de uma insensibilidade brutal da tra\u00e7a frente a sutileza da mente humana que \u00e9 capaz de apreciar os livros e extrair deles deleite, conhecimento e emo\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Evidentemente n\u00e3o. Uma tra\u00e7a comporta-se de forma inteiramente correta quando se alimenta de um livro, e da mesma forma n\u00f3s, quando vemos e utilizamos um livro, tamb\u00e9m n\u00e3o estamos cometendo nenhum erro. As interpreta\u00e7\u00f5es n\u00e3o se contrap\u00f5em, se complementam. Um livro \u00e9 alimento de tra\u00e7a e alimento mental para os homens que conseguem l\u00ea-lo.<\/p>\n<h3>A vis\u00e3o convencional atribui realidade concreta \u00fanica ao que surge \u00e0 mente pelos sentidos<\/h3>\n<p>Neste ponto podemos entender melhor o que significa esta primeira forma de contamina\u00e7\u00e3o mental, a que ocorre quando interpretamos de forma autom\u00e1tica e condicionada os est\u00edmulos sensoriais que nos atingem. Esta primeira forma de contamina\u00e7\u00e3o \u00e9 admitir que os objetos concretos que nos surgem aos sentidos e da\u00ed \u00e0 mente, sejam um tipo de realidade concreta pr\u00e9-existente com a qual ent\u00e3o estamos nos relacionando.Este primeiro n\u00edvel tem tamb\u00e9m duas subdivis\u00f5es: Em primeiro lugar podemos admitir que a vis\u00e3o que temos se refere a um mundo que existe de forma concreta e inequ\u00edvoca, e portanto todas as outras vis\u00f5es s\u00e3o incorretas. A segunda possibilidade \u00e9 admitir que estamos lidando com a maneira correta de ver as coisas, mas outras possibilidades mais limitadas e imperfeitas existem, e outros seres e pessoas podem, por operarem de uma forma limitada e imperfeita, chegar a outras conclus\u00f5es e at\u00e9 mesmo usar, com sucesso, estas interpreta\u00e7\u00f5es em seus prop\u00f3sitos, limitados. Estas conclus\u00f5es e formas de interpretar podem at\u00e9 se revelar \u00fateis e interessantes, mas s\u00e3o de uma qualidade inferior, pois a realidade \u00e9 pr\u00e9-existente e tem apenas uma face.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, resumindo, a primeira forma de contamina\u00e7\u00e3o mental que surge no processo de vis\u00e3o convencional \u00e9 atribuir uma realidade concreta \u00fanica ao que nos surge \u00e0 mente a partir dos est\u00edmulos sensoriais. Este processo \u00e9 autom\u00e1tico e inconsciente, e as conclus\u00f5es s\u00e3o inteiramente convincentes, n\u00e3o nos permitindo qualquer distanciamento ou &#8220;defesa&#8221; mental poss\u00edvel, pois se apresentam de forma inteiramente clara, sem qualquer sombra e sem que qualquer esfor\u00e7o seja necess\u00e1rio.<\/p>\n<h3>A segunda contamina\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Os alunos entram em aula e v\u00eaem no quadro negro um desenho feito pelo professor, um cubo. Fitam todos um cubo desenhado, suas doze arestas e oito v\u00e9rtices, e o v\u00eaem como um cubo. Esta \u00e9 a segunda forma de contamina\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o: aquela que atribui uma realidade imediata, autom\u00e1tica e concreta a objetos abstratos. Quem n\u00e3o concordaria de que se trata efetivamente de um cubo? Quem n\u00e3o concordaria com sua realidade, com a exist\u00eancia de seus seis lados, doze arestas e oito v\u00e9rtices? Qualquer pessoa que visse um n\u00famero diferente de lados, arestas ou v\u00e9rtices certamente estaria equivocada.A imagem de um cubo penetra nossa mente sem deixar sinais, parece inteiramente natural, completamente correta, somos completamente indefesos frente a isso.O cubo, no entanto, como evidenciado por L.Wittgenstein no &#8220;Tractatus&#8221;, permite que se evidencie com clareza ainda maior este processo de contamina\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Quando fitamos v\u00e9rtices diferentes [experimente fitar o v\u00e9rtice &#8220;A&#8221; do cubo, e ap\u00f3s fiteo v\u00e9rtice &#8220;B&#8221;], vemos(!) clara e nitidamente, cubos diferentes! Como \u00e9 isso poss\u00edvel, se o cubo desenhado n\u00e3o foi alterado, \u00e9 o mesmo que sempre foi? Como \u00e9 poss\u00edvel que urna mesma realidade concreta (o desenho) seja capaz de oferecer diferentes vis\u00f5es ao mesmo observador, bastando apenas que este desloque o ponto focal de sua vis\u00e3o de uma posi\u00e7\u00e3o para outra no mesmo desenho?Se a imagem de cubo que surge em nossa mente \u00e9 perfeitamente normal e natural, por que, do mesmo modo natural e normal, surge uma outra imagem com a mesma apar\u00eancia de realidade para o mesmo objeto? A concretitude com que estes objetos aparecem \u00e9 a segunda forma de contamina\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o: aquela que atribui uma realidade imediata, autom\u00e1tica e concreta a objetos abstratos.<\/p>\n<p>Nesse ponto podemos entender o significado de &#8220;contamina\u00e7\u00e3o&#8221; na experi\u00eancia com objetos abstratos, ou seja, podemos compreender o sentido da express\u00e3o &#8220;Perturba\u00e7\u00e3oinvolunt\u00e1ria e autom\u00e1tica do processo de compreens\u00e3o pelo surgimento de id\u00e9ias e imagensmentais em experi\u00eancias cognitivas com objetos abstratos&#8221;.<\/p>\n<h3>A terceira contamina\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>At\u00e9 o momento examinamos as duas primeiras contamina\u00e7\u00f5es que ocorrem no processo cognitivo: as que surgem no contato com objetos &#8220;concretos&#8221; e as que surgem no contato com objetos &#8220;abstratos&#8221;. Vamos ver agora a terceira contamina\u00e7\u00e3o, a mais sutil, a mais delicada de todas, a mais insinuante, a contamina\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sempre presente no processo cognitivo e na linguagem cotidiana. Tocamos em um objeto com a mente atrav\u00e9s das teorias e n\u00e3o temos defesa frente a isso. Esta \u00e9 a terceira forma de contamina\u00e7\u00e3o mental, a mais sutil delas.<\/p>\n<h3>Um objeto destitu\u00eddo de caracter\u00edsticas \u00e9 o que chamamos de objeto inexistente<\/h3>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o Zen, existe o &#8220;koan&#8221;, que \u00e9 uma pergunta que n\u00e3o tem resposta l\u00f3gica poss\u00edvel, e serve para quebrar a rigidez da compreens\u00e3o do disc\u00edpulo; a resposta n\u00e3o importa, o relevante \u00e9 trabalhar-se com a pergunta mesmo. Neste ponto \u00e9 interessante lembrar o Koan das m\u00e3os que se batem. O mestre bate uma m\u00e3o espalmada contra a outra, bate palmas, e pergunta ao monge-disc\u00edpulo: &#8220;qual \u00e9 o som que vem de apenas uma das m\u00e3os? N\u00e3o h\u00e1 resposta poss\u00edvel. Como compreender esta pergunta e o que ela pode trazer como compreens\u00e3o? Este koan exemplifica a no\u00e7\u00e3o de objeto e suas limita\u00e7\u00f5es. A no\u00e7\u00e3o de objeto pressup\u00f5e a separa\u00e7\u00e3o entre sujeito e objeto e a id\u00e9ia de que as propriedades pertencem apenas a um e n\u00e3o ao outro.Examinemos os objetos que nos rodeiam e examinemos a forma pela qual eles nos surgem como objetos com realidade permanente e separada. Quando vemos um objeto, abstrato ou concreto, como tomamos consci\u00eancia de sua exist\u00eancia? Como sua exist\u00eancia surge aos nossos olhos? Sua exist\u00eancia se d\u00e1 a partir de suas caracter\u00edsticas. Um objeto destitu\u00eddo de caracter\u00edsticas \u00e9 justamente o que chamamos de um objeto &#8220;inexistente&#8221;. <\/p>\n<p>Esta acep\u00e7\u00e3o aqui atribu\u00edda ao termo &#8220;inexistente&#8221; aplica-se n\u00e3o apenas a objetos concretos, mas aos abstratos tamb\u00e9m, e as caracter\u00edsticas n\u00e3o precisam ser objetiv\u00e1veis e universalmente aceitas, mas meramente existentes, mesmo que isso valha apenas para uma pessoa. Em qualquer desses casos, considera-se que caracter\u00edsticas existem: concretas, abstratas ou at\u00e9 mesmo delirantes. Sendo assim, est\u00e1 presente esta terceira forma de contamina\u00e7\u00e3o do processo cognitivo. Quando se fala em &#8220;caracter\u00edsticas&#8221;, assume-se implicitamente que o objeto em foco \u00e9 o possuidor dessas &#8220;caracter\u00edsticas&#8221;; este ponto \u00e9 muito importante e por isso vamos examin\u00e1-lo em maior detalhe. <\/p>\n<p>Batemos uma m\u00e3o contra outra. Sendo as m\u00e3os iguais, a qual delas pertence o som? Oque significam as &#8220;caracter\u00edsticas&#8221; de um objeto? Para tentar responder aesta pergunta, vamos examinar um pequeno exemplo onde atribu\u00edmos caracter\u00edsticas a objetos concretos: vamos examinar v\u00e1rios objetos quanto ao seu SOM. Vamos bater com a m\u00e3o espalmada sobre uma mesa que esteja pr\u00f3xima, depois sobre um livro, ap\u00f3s em uma parede, e em uma cadeira, etc. Um ap\u00f3s o outro, os objetos produzem sons diferentes que os caracterizam. Podemos repetir este processo algumas vezes, se n<br \/>\necess\u00e1rio, at\u00e9 que, mesmo com os olhos fechados, ao ouvir o som possamos identificar perfeitamente o objeto que o produz. Mesmo crian\u00e7as podem fazer isso com facilidade, at\u00e9 mesmo animais como c\u00e3es e gatos podem ser treinados assim, assenhorando-se dessa aptid\u00e3o, a ponto de n\u00e3o errarem as identifica\u00e7\u00f5es. Quando interpretamos isso, reconhecemos os v\u00e1rios sons como, de forma inequ\u00edvoca, efetivamente pertencentes aos v\u00e1rios objetos; e essa interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tica, f\u00e1cil, natural, n\u00e3o deixa d\u00favidas. Vamos agora repetir. Batemos na mesa, no livro, na parede, na cadeira, ete., cada objeto mostra novamente o seu som, e assim vamos trocando de objeto e obtendo as v\u00e1rias respostas, at\u00e9 que batemos uma m\u00e3o espalmada contra a outra. Neste momento surge ent\u00e3o a pergunta, sendo as m\u00e3os iguais: a qual delas pertence o som? Esta pergunta \u00e9 reveladora. \u00c9 uma pergunta que n\u00e3o pode ser respondida. Na verdade, \u00e9 um convite ao exame mais detalhado dos pressupostos que atribuem sentido e tangibilidade \u00e0s caracter\u00edsticas dos objetos.<\/p>\n<p>Sendo as m\u00e3os iguais, a qual delas pertence o som quando batemos palmas? Quando bat\u00edamos sobre a mesa, o som era da mesa, o mesmo com a parede, com a cadeira, com o livro, cada um revelando seu som. Quando batemos uma m\u00e3o contra a outra, percebemos que em cada caso o som foi sempre produzido tanto pela m\u00e3o quanto pelo objeto tocado. \u00c9 imposs\u00edvel separar. Mas nossa interpreta\u00e7\u00e3o foi sempre a de que o som pertencia ao objeto tocado, era uma caracter\u00edstica dele.<\/p>\n<h3>A Teoria Qu\u00e2ntica \u00e9 hoje um tema central de estudos para f\u00edsicos e fil\u00f3sofos<\/h3>\n<p>Esta \u00e9 a forma mais sutil de contamina\u00e7\u00e3o mental do processo cognitivo, a que, implicitamente, atribui realidade separada a objetos e observador. Todas as caracter\u00edsticas que podem ser encontradas em objetos, nomeadas, classificadas, etc., todas s\u00e3o o resultado deste tipo de simplifica\u00e7\u00e3o, aque admite que o objeto pode, enfim, revelar caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, e em nenhum momento considera que qualquer caracter\u00edstica \u00e9 apenas uma esp\u00e9cie de interpreta\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica do fen\u00f4meno ocorrido em um processo de rela\u00e7\u00e3o. Esta forma de contamina\u00e7\u00e3o mental est\u00e1 presente sempre em nosso racioc\u00ednio e em nossas verbaliza\u00e7\u00f5es. Apr\u00f3pria linguagem \u00e9 estruturada em fun\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas de objetos separados, e tudo \u00e9 assim descrito.Na \u00e1rea da f\u00edsica, Niels Bohr, especialmente, foi quem conseguiu introduzir corre\u00e7\u00f5es a esta forma de pensar e de se expressar, e conseguiu n\u00e3o apenas distanciar-se desta forma de &#8220;ideologia autom\u00e1tica&#8221; como chegou a formular um sistema filos\u00f3fico que escapava destes problemas sem ficarlimitado ao imobilismo. Seu sucesso foi t\u00e3o grande que a Teoria Ou\u00e2ntica \u00e9 hoje um tema central de estudo tanto para f\u00edsicos como para fil\u00f3sofos, sendo a base para a importante evolu\u00e7\u00e3o cient\u00edficae tecnol\u00f3gica ocorrida em meados deste s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Sua vis\u00e3o filos\u00f3fica,a &#8220;complementariedade&#8221;, pode ser vista como uma forma avan\u00e7ada de estruturar o conhecimento convencional, sem deixar-se limitar pelos pressupostos e paradoxos que decorrem dos equ\u00edvocos das interpreta\u00e7\u00f5es condicionadas.<\/p>\n<p>Na forma de estruturar o conhecimento, como desenvolvido por Bohr, apalavra &#8220;objeto&#8221; inclui agora n\u00e3o apenas o que convencionalmente \u00e9 entendido como o &#8220;objeto&#8221; experimental, mas tamb\u00e9m o equipamento experimental de laborat\u00f3rio usado nas medidas e as teorias que geraram as perguntas.<\/p>\n<h3>Seria in\u00f3cuo preciosismo filos\u00f3fico afirmar que objetos s\u00e3o insepar\u00e1veis do observador?<\/h3>\n<p>Podemos ent\u00e3o resumir o que foi at\u00e9 aqui examinado, lembrando que os pontos principais at\u00e9 agora expostos foram a exist\u00eancia de condicionamentos autom\u00e1ticos em nossa opera\u00e7\u00e3o mental. Estes condicionamentos s\u00e3o respons\u00e1veis pelo surgimento, emnossa mente, de id\u00e9ias, interpreta\u00e7\u00f5es e mesmo vis\u00f5es claras, que se revelam \u00fateis emmuitos sentidos, por\u00e9m equivocadas em outros, e pass\u00edveis de gerarem paradoxos insuper\u00e1veis dentro de sua forma de opera\u00e7\u00e3o e atribui\u00e7\u00e3o de significado. Por raz\u00f5es did\u00e1ticas, eles foram apresentados emtr\u00eas n\u00edveis diferentes: os condicionamentos provenientes da experimenta\u00e7\u00e3o com os sentidos f\u00edsicos, os provenientes da experi\u00eancia abstrata, e, finalmente, os automaticamente existentes por for\u00e7a da utiliza\u00e7\u00e3o ing\u00eanua do processo cognitivo e linguagem condicionados, tomados emsentido absoluto.<\/p>\n<p>O exame desse \u00faltimo ponto completa-se com o exame das &#8220;tr\u00eas formas condicionadas de tocar em um objeto no processo de determina\u00e7\u00e3o de suas caracter\u00edsticas&#8221;. Esta express\u00e3o, evidentemente, s\u00f3 tem sentido condicionado, e ela mesma ser\u00e1, a seguir, cuidadosamente examinada quanto a sua consist\u00eancia e amplitude.<\/p>\n<h3>As quatro formas de rela\u00e7\u00e3o com um objeto<\/h3>\n<p>O objetivo desta parte \u00e9 examinar os limites de validade do conceito de &#8220;objeto&#8221; nas pr\u00f3prias experi\u00eancias em que estes objetos se afirmam como tal, ou seja, nos processos de rela\u00e7\u00e3o. \u00c9 tamb\u00e9m objetivo desta parte explicitar o fato de que os objetos podem ser &#8220;perturbados&#8221; e &#8220;tocados&#8221; de forma mais ampla do que estas palavras aparentemente significam. Quando aqui se fala em objeto, estamos usando esta palavra no sentido de &#8220;objeto concreto&#8221; como convencionalmente este objeto \u00e9 pensado, ou seja, existente por si mesmo e situado no espa\u00e7o e no tempo. A primeira forma condicionada de rela\u00e7\u00e3o com um objeto \u00e9 toc\u00e1-lo, senti-lo pelo tato de forma palp\u00e1vel e concreta. Quando tocamos um objeto dessa forma, sentimos sua presen\u00e7a de um modo objetivo e inequ\u00edvoco. O objeto tem toda a concretitude e realidade que pode ter. Podemos ainda cheir\u00e1-lo, bat\u00ea-lo de encontro a outros objetos, bater contra ele de modo a extrair som dele, assim como experiment\u00e1-lo quanto ao sentido gustativo. Examinando-o desta forma completa, chegamos a uma vis\u00e3o abrangente desse objeto. <\/p>\n<p>Que limites podem haver para a sua realidade? O objeto \u00e9 obviamente existente, e mesmo que dele n\u00e3o se possa tomar conhecimento, em algum lugar estar\u00e1. Caso seja deixado em algum lugar, l\u00e1 estar\u00e1 mesmo que n\u00e3o esteja sendo visto, e a qualquer momento pode-se chegar l\u00e1 e tornar-se a v\u00ea-lo. Qual \u00e9 ent\u00e3o o sentido de afirmar que este objeto, assim como os objetos em geral, \u00e9 dependente do observador, \u00e9 insepar\u00e1vel do observador, constitui um &#8220;todo&#8221; com o observador? N\u00e3o seria isto um in\u00f3cuo e irritante preciosismo filos\u00f3fico? <\/p>\n<p>Com paci\u00eancia toma o oleiro uma bolota de barro. Mistura um pouco mais de \u00e1gua e amassa-a. P\u00f5e a bolota na mesa rotativa e alisa-a enquanto gira. A bolota segue girando, e o oleiro, com a m\u00e3o, come\u00e7a a mold\u00e1-la. Em que momento a bolota deixa de ser bolota e passa a ser um vaso? O que \u00e9 necess\u00e1rio para que isso ocorra? Este \u00e9 um ponto importante que precisa ser bem compreendido. Qual \u00e9 a ess\u00eancia da transforma\u00e7\u00e3o bolota-vaso? Qual \u00e9 a ess\u00eancia do surgimento do vaso? O que significa dizer que o vaso ent\u00e3o surgiu, que o vaso passou a existir? O vaso est\u00e1 sobre a m\u00e3o. Podemos apalp\u00e1-lo, cheir\u00e1-lo, sentir seu gosto, sentir seu som, podemos captar sua forma e desenh\u00e1-la sobre uma folha de papel. Mostrando este desenho a outros, estes reconhecer\u00e3o tratar-se do vaso. Qualquer pessoa reconhecer\u00e1, no vaso, um vaso.Mas e a bolota? Onde est\u00e1? Seria correto chamar o vaso de bolota? N\u00e3o! O bom senso nos diria que obviamente abolota n\u00e3o mais existe, a bolota de barro \u00e9 a base que originou o vaso. No momento mesmo emque o vaso passou a existir, a bolota desapareceu.<\/p>\n<p>Voltemos, no entanto, \u00e0 quest\u00e3o. Existe alguma diferen\u00e7a estrutural, existe algum componente no vaso que n\u00e3o existisse anteriormente na bolota? Se vamos examinar sob o ponto de vista da base material constituinte, a resposta \u00e9 n\u00e3o. Onde est\u00e1 ent\u00e3o a diferen\u00e7a? <\/p>\n<p>Sem a proje\u00e7\u00e3o mental n\u00e3o h\u00e1 a discrimina\u00e7\u00e3o de objetos. Voc\u00ea consegue compreender que o vaso \u00e9 em tudo semelhante ao cubo desenhado no quadro da sala de aula? E este cubo como \u00e9 que surgiu? Est\u00e1 no quadro-negro da parede? Se estiver no quadro-negro, como pode ter tr\u00eas dimens\u00f5es se o quadro-negro s\u00f3 te<br \/>\nm duas? Se n\u00e3o est\u00e1 no quadro-negro, como, ao apagar o quadro-negro, desaparece tamb\u00e9m o cubo? Estaria a ess\u00eancia do vaso sobre o barro? Se estiver sobre o vaso, porque a pr\u00f3pria bolota j\u00e1 n\u00e3o mostrava o vaso? Se n\u00e3o est\u00e1 sobre o barro, porque n\u00e3o surge nenhum vaso na aus\u00eancia de barro? Todas estas indaga\u00e7\u00f5es e exemplos s\u00e3o para que se possa vivenciar a compreens\u00e3o de que a mente participa do ato de cria\u00e7\u00e3o dos objetos vistos. Sem a proje\u00e7\u00e3o mental n\u00e3o h\u00e1 a discrimina\u00e7\u00e3o de objetos.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre o cubo desenhado no quadro-negro e um cubo constru\u00eddo em arame? Certamente existem diferen\u00e7as objetivas, mas (sob o ponto de vista da discrimina\u00e7\u00e3o ambos ocupam a mesma classifica\u00e7\u00e3o, ambos utilizam a mesma forma mental pr\u00e9-existente, o mesmo &#8220;arqu\u00e9tipo&#8221;, o cubo. N\u00e3o havendo o cubo de arame e nem o cubo do quadro-negro, n\u00e3o haveria cubo a ser discriminado e assim n\u00e3o haveriam cubos, mas havendo estes cubos e n\u00e3o havendo a proje\u00e7\u00e3o mental, nenhum cubo haveria do mesmo modo. Compreendendo-se isso, pode-se compreender o sentido da afirma\u00e7\u00e3o de que, desaparecendo a humanidade, o universo inteiro desaparece, ou a afirma\u00e7\u00e3o ainda mais extraordin\u00e1ria de que o universo surge e desaparece a cada instante, a cada pensamento, ou ainda a afirma\u00e7\u00e3ode que at\u00e9 mesmo o passado e o futuro passam por mudan\u00e7as incessantes [uma vez que \u00e9 no presente que tomam forma, atrav\u00e9s da mente dos que pensam]. <\/p>\n<p>Qual a diferen\u00e7a entre uma pedra e uma flor? Sem d\u00favida, poder\u00edamos encontrar muitas, mas, olhando do contexto mais sutil, poder\u00edamos tamb\u00e9m dizer que s\u00e3o o mesmo, pois a ess\u00eancia de ambas \u00e9 a mesma, ambas s\u00e3o discrimina\u00e7\u00f5es, proje\u00e7\u00f5es mentais. A palavra contexto descortina aqui este aspecto crucial da compreens\u00e3o budista: as verdades relativas s\u00e3o todas elas contextuais, ou seja, s\u00e3o v\u00e1lidas, inequ\u00edvocas, \u00fateis, corretas, verific\u00e1veis experimentalmente, mas sempre dentro de limites de validade, sob a \u00e9gide dos pressupostos que lhe d\u00e3o este sentido de verdade palp\u00e1vel.<\/p>\n<p>Existindo verdades relativas, haveriam tamb\u00e9m as absolutas? No sentido budista, a verdade relativa sobre um vaso \u00e9, por exemplo, que caindo ao ch\u00e3o, quebrar\u00e1, ou que se pode colocar plantas dentro, ou ainda que \u00e9 feito de barro. J\u00e1 a verdade absoluta sobre um vaso \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 um vaso em si mesmo, independentemente. Este \u00e9 o sentido de verdade absoluta no budismo. No budismo, o sentido de verdade absoluta refere-se, portanto, aos aspectos cognitivos, e n\u00e3o aos aspectos relacionais.<\/p>\n<h3>Na f\u00edsica qu\u00e2ntica, tocar significa perturbar, e perturbar significa interagir<\/h3>\n<p>Em resumo, nessa primeira parte vimos como sobre um objeto completamente palp\u00e1vel podem haver duas verdades, uma relativa, relacional, na qual o objeto surge e tem exist\u00eancia, colocando-se dentro de um contexto com fun\u00e7\u00f5es e propriedades definidas, ainda que n\u00e3o permanentes, e onde a caracter\u00edstica fundamental desta exist\u00eancia relativa ou relacional \u00e9 justamente a imperman\u00eancia. E vimos como sobre ele ainda h\u00e1 uma segunda forma de verdade, esta absoluta, a verdade de que sua exist\u00eancia relativa n\u00e3o \u00e9 independente ou auto-sustentada, mas dependente da opera\u00e7\u00e3o abstrata de uma mente que o discrimine. Denominamos o senti-lo sensorialmente como &#8220;a primeira forma condicionada de rela\u00e7\u00e3o com um objeto&#8221;. A segunda forma condicionada de rela\u00e7\u00e3o com um objeto \u00e9 toc\u00e1-lo de forma indireta, ou seja, \u00e9 delimit\u00e1-lo, por exemplo, atrav\u00e9s da luz que \u00e9 feita incidir sobre ele, ou atrav\u00e9s de outros agentes como outros tipos de radia\u00e7\u00e3o. Poder\u00edamos resumir isto pela palavra &#8220;interagir&#8221;. As palavras &#8220;interagir&#8221; e &#8220;tocar&#8221; t\u00eam, neste contexto, sentido id\u00eantico a &#8220;perturbar&#8221;. \u00c9 exatamente o sentido que a elas \u00e9 atribu\u00eddo na f\u00edsica qu\u00e2ntica, e na interpreta\u00e7\u00e3o complementar de Niels Bohr. Na f\u00edsica qu\u00e2ntica &#8220;tocar&#8221; significa &#8220;perturbar&#8221;, e perturbar significa interagir e determinar novos valores para as caracter\u00edsticas do &#8220;objeto&#8221; em foco. No sentido qu\u00e2ntico, &#8220;medir&#8221; um objeto \u00e9 toc\u00e1-lo, \u00e9 perturb\u00e1-lo, \u00e9 faz\u00ea-lo perder as caracter\u00edsticas que anteriormente poderiam ser atribu\u00eddas a ele. [na f\u00edsica nuclear]\n<p>Ao fitar com os olhos um objeto, ao examin\u00e1-lo pela vis\u00e3o, parece que n\u00e3o se est\u00e1 interagindo com ele, parece que o objeto \u00e9 independente, existe por si s\u00f3 e \u00e9 ent\u00e3o fitado sem que isso acarrete qualquer perturba\u00e7\u00e3o. Os olhos, de fato, n\u00e3o perturbam fisicamente o objeto, mas o fato de o verem significa que o objeto foi atingido por luz ou por outro agente e, sendo assim, foi perturbado. O que se v\u00ea do objeto nessas circunst\u00e2ncias \u00e9 o fen\u00f4meno de intera\u00e7\u00e3o, o resultado da rela\u00e7\u00e3o entre ele mesmo e a radia\u00e7\u00e3o luminosa que o atinge. Quando aqui usamos as palavras &#8220;ele mesmo&#8221; e &#8220;radia\u00e7\u00e3o luminosa que oatinge&#8221;, isto n\u00e3o significa que estejamos atribuindo realidade \u00faltima separada ao objeto e \u00e0 radia\u00e7\u00e3o luminosa, o que seria praticar uma forma de eternalismo, mas estamos usando estas palavras dentro do contexto limitado em que fazem sentido.<\/p>\n<h3>Toca-se em um objeto pela predisposi\u00e7\u00e3o consciente ou inconsciente de encontr\u00e1-lo<\/h3>\n<p>Usando a linguagem da f\u00edsica, poder\u00edamos dizer que o corpo f\u00edsico de um ser humano est\u00e1 a uma temperatura de aproximadamente 37\u00b0C; em temperatura absoluta na escala Kelvin, estes 37\u00b0C corresponderiam a aproximadamente 310 graus. Caso o ambiente n\u00e3o emitisse radia\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica sobre os humanos, estes rapidamente congelariam e perderiam a vida. Ou seja, constantemente nos mantemos vivos justamente por receber radia\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica do ambiente, mas quando olhamos o ambiente ao nosso redor ou fitamoso nosso corpo, n\u00e3o percebemos o grau de correla\u00e7\u00e3o \u00edntima que h\u00e1 entre ele e o ambiente.N\u00e3o percebemos como a exist\u00eancia deste corpo humano \u00e9 constantemente constru\u00edda tamb\u00e9m pela energia t\u00e9rmica recebida do exterior na forma de radia\u00e7\u00e3o. Nossa tend\u00eancia \u00e9 ver nossos corpos como objetos independentes e auto-suficientes, interagindo com o ambiente quando muito atrav\u00e9s do alimento e do ar. Da mesma forma nos \u00e9 dif\u00edcil perceber como os objetos que vemos ao redor s\u00e3o constru\u00eddos emsua apar\u00eancia pelos est\u00edmulos sensoriais que nosso corpo recebe a partir da incid\u00eancia, sobre estes objetos, de luz vis\u00edvel, por exemplo. Nossa mente os v\u00ea como objetos com caracter\u00edsticas definidas, independentes de qualquer rela\u00e7\u00e3o externa. Chama-se isto de &#8220;a segunda forma de rela\u00e7\u00e3o com um objeto&#8221;, a que se d\u00e1 atrav\u00e9s de um mecanismo f\u00edsico que ficaoculto \u00e0 vis\u00e3o e \u00e0 linguagem convencionais.<\/p>\n<p>A terceira forma condicionada de rela\u00e7\u00e3o com um objeto \u00e9 ainda mais sutil; toca-se em um objeto pela pr\u00f3pria\u00a0 predisposi\u00e7\u00e3o mental consciente ou inconsciente em encontr\u00e1-lo. Toca-se em um objeto pela pr\u00f3pria predisposi\u00e7\u00e3o mental que se tem. Esta forma de predisposi\u00e7\u00e3o mental manifesta-se tamb\u00e9m como as teorias f\u00edsicas, como as certezas pr\u00e9vias, como as perguntas, e especialmente como o contexto cognitivo reservado mentalmente para o objeto ocupar.<\/p>\n<h3>A escolariza\u00e7\u00e3o enriquece, mas retira ao mesmo tempo a capacidade de ver o novo<\/h3>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es mentais que s\u00e3o realizadas de forma inteiramente autom\u00e1tica e oculta \u00e0 opera\u00e7\u00e3o mental consciente, e que d\u00e3o forma e realidade a tudo o que \u00e9 &#8220;visto&#8221;, operam a partir de quadros referenciais complexos onde o &#8220;ver&#8221; se resume, na maior parte das vezes, em classificar apenas. Estes &#8220;quadros referenciais&#8221;, que aqui estamos chamando tamb\u00e9m de &#8220;contexto cognitivo do objeto&#8221; \u00e9 que s\u00e3o, de fato, a imagem inconsciente que temos de cada objeto e que surge de acordo com as circunst\u00e2ncias. A maior parte da atividade mental \u00e9 classificat\u00f3ria, \u00e9 incluir o objeto em alguma das possibilidades de defini\u00e7\u00e3o previamente existente para ele. A cria\u00e7\u00e3o mesma da estrutura do contexto cognitivo de um objeto \u00e9 uma atividade muito rara que podemos chamar de &#8220;atividadegenuinamente criativa&#8221;. Ao fitar o ambiente que temos ao redor, podemos perguntar: quais s\u00e3o as cores que vemos? A resposta ser\u00e1 invariavelmente amarelo, vermelho, azul, branco, etc. Qu<br \/>\ne outras respostas poderia haver? XYZTRW, ou SR300? O que significam estes s\u00edmbolos estranhos? Quem seria capaz de ver cor que j\u00e1 n\u00e3o fosse uma cor?<\/p>\n<p>No mundo psicol\u00f3gico isto \u00e9 muito f\u00e1cil de perceber. Um professor em sala de aula n\u00e3o v\u00ea pessoas, v\u00ea alunos; um vendedor v\u00ea clientes, uma m\u00e3e v\u00ea filhos, um marido v\u00ea a suamulher, um policial v\u00ea contraventores, um pivete v\u00ea oportunidades, e assim por diante. Todos est\u00e3o corretos, todos operam de maneira adequada em suas fun\u00e7\u00f5es, mas todos, ao operar assim, s\u00e3o incapazes de ver op\u00e7\u00f5es que estejam fora de seus &#8220;quadros referenciais&#8221;, fora dos contextos cognitivos previamente reservados de forma inconsciente e muitas vezes criados atrav\u00e9s de muito esfor\u00e7o, de muito estudo ou de um treinamento dif\u00edcil, mas em todos estes casos, por meio de pensamentos anteriores. Assim s\u00e3o constru\u00eddos os quadros referenciais, por pensamentos. Como os humanos se comunicam com base em quadros referenciais bastante complexos e sutis, necess\u00e1ria se torna a escolariza\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 este treinamento que permitir\u00e1 que a comunica\u00e7\u00e3o abstrata e simb\u00f3lica se d\u00ea de modo mais preciso e mais livre das naturais distor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3>Quando mencionamos um objeto, assumimos implicitamente sua exist\u00eancia separada<\/h3>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel, neste ponto, entender-se como \u00e9 um objeto &#8220;perturbado&#8221;, &#8220;tocado&#8221; por este processo inconsciente de escolha do quadro referencial? \u00c9 poss\u00edvel perceber que a escolha do quadro referencial automaticamente exclui todas as outras possibilidades de classifica\u00e7\u00e3o e elimina a necessidade de operar-se com a capacidade criativa de buscar novos quadros de refer\u00eancia? O processo de escolariza\u00e7\u00e3o enriquece a pessoa, sem d\u00favida, mas ao mesmo tempo retira dela a capacidade de ver o novo. Os quadros referenciais s\u00e3o como estradas f\u00e1ceis, planas e boas, sua exist\u00eancia \u00e9 \u00f3tima, mas tornam quase sem sentido a busca de outras alternativas. O objeto \u00e9 &#8220;tocado&#8221; pelo quadro referencial, \u00e9 &#8220;perturbado&#8221; pelo fato de que as faces que possa apresentar est\u00e3o j\u00e1 definidas. No formalismo da Teoria Qu\u00e2ntica isto \u00e9 bem vis\u00edvel, e seu grande m\u00e9rito \u00e9 permitir que este fato esteja claramente presente na pr\u00f3pria estrutura do formalismo. <\/p>\n<p>O outro m\u00e9rito inestim\u00e1vel deste formalismo \u00e9 prever um mecanismo de transi\u00e7\u00e3o entre as v\u00e1rias vis\u00f5es poss\u00edveis, reconhecendo que algumas delas s\u00e3o mutuamente excludentes. Estes fatos formais, quando vistos com olhos eternalistas, parecem incompreens\u00edveis, mas nada mais expressam do que arealidade cognitiva naqual amente humana opera. Os &#8220;saltos qu\u00e2nticos&#8221; e a opera\u00e7\u00e3o dos &#8220;projetores&#8221; s\u00e3o exemplos disso.Podemos dizer que, nesta terceira forma de rela\u00e7\u00e3o com os objetos, os objetos s\u00e3o mesmo &#8220;constru\u00eddos&#8221; em suas op\u00e7\u00f5es pela escolha inconsciente do quadro referencial. \u00c9 esta forma de intera\u00e7\u00e3o que est\u00e1 presente em uma &#8220;medida&#8221; qu\u00e2ntica e que determina as op\u00e7\u00f5es do objeto, fazendo-o &#8220;repentina e instantaneamente&#8221; dar um &#8220;salto qu\u00e2ntico&#8221; definindo-se quanto ao &#8220;estado qu\u00e2ntico&#8221; que ocupa.Esta terceira forma condicionada de rela\u00e7\u00e3o e &#8220;perturba\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 a mais intensa de todas as formas de &#8220;perturba\u00e7\u00e3o&#8221; de um objeto. A quarta forma condicionada de rela\u00e7\u00e3o com um objeto \u00e9 a &#8220;men\u00e7\u00e3o&#8221; a ele, \u00e9 cit\u00e1-lo, \u00e9 referir-se a ele por palavras. Quando fazemos isso, estamos assumindo implicitamente sua exist\u00eancia separada, estamos criando &#8220;objetos separados&#8221;.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria sintaxe das l\u00ednguas indo-arianas com seus verbos, sujeito, predicado, adjuntos, exige que tratemos de objetos &#8220;isolados&#8221;, e assim, apr\u00f3pria forma verbal estabelece um quadro referencial imposs\u00edvel de ser superado dentro dela mesma.<\/p>\n<h3>H\u00e1 uma boa raz\u00e3o para n\u00f3s, no Ocidente, examinarmos detidamente o budismo<\/h3>\n<p>Neste contexto \u00e9 interessante e oportuno um exame acurado da linguagem da teoria qu\u00e2ntica, pois que esta oferece um excelente exemplo de como superaras limita\u00e7\u00f5es da linguagem e de seu formalismo sem o abandono da racionalidade e com a manuten\u00e7\u00e3o do determinismo no n\u00edvel em que \u00e9 poss\u00edvel. Tamb\u00e9m parece importante examinar a contribui\u00e7\u00e3o cultural dos povos de longa tradi\u00e7\u00e3o com escrita ideogr\u00e1fica como, por exemplo, a cultura chinesa e, em um certo sentido, a japonesa. Para concluir, gostaria tamb\u00e9m de chamar aaten\u00e7\u00e3o para a cultura budista, independentemente da linhagem de transmiss\u00e3o ou de fatores culturais dos pa\u00edses onde se desenvolve. A cultura budista tem em sua base o reconhecimento de todos os aspectos cognitivos aqui assinalados, e sendo uma cultura milenar, sucessora, por sua vez, de culturas ainda bem mais antigas, traz muitos exemplos n\u00edtidos e vivos da inser\u00e7\u00e3o desta compreens\u00e3o mais sutil e poderosa em todos os aspectos da vida e, sem d\u00favida, tamb\u00e9m da morte. Esta \u00e9 uma boa raz\u00e3o para n\u00f3s, seres humanos no Ocidente, tamb\u00e9m examinarmos detidamente o budismo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em><img decoding=\"async\" class=\"caption\" src=\"http:\/\/www.cebb.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2008\/12\/lama-sorrindo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Ensinamento dado no\u00a0CEBB Porto Alegre<\/em><\/p>\n<p>A efetiva pr\u00e1tica da compreens\u00e3o cognitiva budista pode trazer ao ser humano uma vida mais descomplicada, mais clara, mais n\u00edtida, mais viva, mais real. Ao cientista, pode oferecer elementos para que se tome mais criativo e mais liberto da l\u00f3gica unidirecional limitada. 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