{"id":79061,"date":"2020-07-28T11:44:46","date_gmt":"2020-07-28T14:44:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cebb.org.br\/?p=79061"},"modified":"2020-07-28T11:44:46","modified_gmt":"2020-07-28T14:44:46","slug":"como-me-livrar-do-apego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/como-me-livrar-do-apego\/","title":{"rendered":"Como me livrar do apego?"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Pergunta:<\/strong> Me sinto bastante perdida nessa quest\u00e3o do gostar, n\u00e3o gostar e ser indiferente. N\u00e3o consigo evitar essa categoriza\u00e7\u00e3o, desejar ter mais do que gosto e menos do que n\u00e3o gosto. <!--more-->Me parece que tudo ficaria muito sem gra\u00e7a sem gostar das coisas, sem se alegrar em ver e sentir coisas que me agradam, e a ideia de ilumina\u00e7\u00e3o fica cada vez mais distante para mim nesse contexto. Al\u00e9m disso, tem coisas que gostamos de fazer, que n\u00e3o prejudicam e podem at\u00e9 beneficiar os outros e a n\u00f3s mesmos. A\u00ed fico confusa e me culpando por gostar tanto de uma coisa. Por exemplo, se eu estiver gostando de estudar o budismo, desenhar, praticar algum esporte ou de fazer algum trabalho volunt\u00e1rio, se isso me deixa alegre e motivada, inclusive para fazer outras coisas, e talvez ainda possa ajudar algu\u00e9m, por que eu n\u00e3o devo incentivar isso? <\/em><br \/>\n<strong>Resposta:<\/strong> Essencialmente, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de gostar e n\u00e3o gostar. \u00c9 a quest\u00e3o que est\u00e1 ligada ao apego. Ent\u00e3o, se a gente estiver operando com gostar ou n\u00e3o gostar, mas tiver uma liberdade com rela\u00e7\u00e3o ao gostar e n\u00e3o gostar, a gente pode sorrir at\u00e9 mesmo para esse gostar e n\u00e3o gostar. Ent\u00e3o, o gostar e o n\u00e3o gostar s\u00e3o o foco da mente. A quest\u00e3o toda \u00e9 a base da mente, o que que n\u00f3s temos na base. Se, na base, tivermos os 12 elos, ent\u00e3o gostamos e temos o apego correspondente. O Buda n\u00e3o \u00e9 contra isso. Ele est\u00e1 aqui nos ajudando, porque se n\u00f3s tivermos o apego correspondente, n\u00f3s teremos o sofrimento correspondente. \u00c9 isso que o Buda est\u00e1 olhando.<br \/>\nO apego corresponde \u00e0 no\u00e7\u00e3o de ref\u00fagio. N\u00f3s temos alguma coisa que gostamos, se a gente se prender \u00e0quilo e transformar aquilo no nosso ref\u00fagio, na nossa seguran\u00e7a, n\u00f3s estamos realmente numa posi\u00e7\u00e3o muito fr\u00e1gil, porque essas circunst\u00e2ncias s\u00e3o sempre transit\u00f3rias. Ent\u00e3o, quando o Buda olha a raz\u00e3o pela qual o sofrimento existe, ele vai encontrar esse sofrimento em desejo e apego, mas quando a buscamos ultrapassar o sofrimento, se imaginamos que ultrapassar o sofrimento \u00e9 retirar as circunst\u00e2ncias que produzem o sofrimento, isso n\u00e3o vai adiantar. O sofrimento surge de desejo e apego, propriamente. A gente precisaria mudar essa perspectiva da mente.<br \/>\nGuru Rinpoche, especialmente, vai trazer essa no\u00e7\u00e3o de que n\u00f3s podemos viver as experi\u00eancias. Mas o ponto \u00e9 que dever\u00edamos reconhecer o aspecto secreto sempre, n\u00f3s dever\u00edamos estar repousando na natureza livre da mente. Ent\u00e3o, quando surgem as v\u00e1rias circunst\u00e2ncias, podemos viver essas v\u00e1rias circunst\u00e2ncias, mas a gente n\u00e3o se perde dentro delas porque o nosso ref\u00fagio \u00e9 a natureza livre da mente, e n\u00e3o a natureza apegada, fixada a essas v\u00e1rias coisas. Os mestres que atingem a realiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o denominados Herukas. Eles se movimentam bem no samsara e no nirvana. Eles n\u00e3o t\u00eam nenhum problema com o samsara. Por que eles n\u00e3o t\u00eam problema com o samsara? Porque eles n\u00e3o t\u00eam fixa\u00e7\u00e3o. Se eles tiverem a fixa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o eles n\u00e3o t\u00eam a compreens\u00e3o, eles n\u00e3o t\u00eam o ref\u00fagio, eles est\u00e3o refugiados em coisas transit\u00f3rias. Esse \u00e9 o problema.<br \/>\nMinha sugest\u00e3o \u00e9 que tu tenhas essa experi\u00eancia de felicidade, das causas da felicidade, e que tu guardes tamb\u00e9m o ref\u00fagio na natureza livre da mente, e n\u00e3o nas circunst\u00e2ncias que aparentemente produzem a felicidade e, desse modo tamb\u00e9m, com rela\u00e7\u00e3o ao sofrimento, que tu consigas te livrar das circunst\u00e2ncias do sofrimento. Mas, quando elas surgirem, tu entendas que a natureza livre da mente n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7\u00e1vel propriamente pelo sofrimento. O sofrimento se exerce sobre as circunst\u00e2ncias constru\u00eddas, sobre as apar\u00eancias constru\u00eddas, sobre as nossas escolhas.<br \/>\nEnt\u00e3o, o caminho seria o caminho de viver de um modo natural, de um modo livre, assim, mas com a profundidade da experi\u00eancia de ref\u00fagio, o ref\u00fagio na natureza livre da mente.<br \/>\n<strong>Resposta do Lama Padma Samten no retiro de inverno de 2020 (<a href=\"https:\/\/youtu.be\/6Ya8ss3ikz8?t=4793\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">v\u00eddeo aqui<\/a>).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">* * *<\/p>\n<p><em><strong>Pergunta:<\/strong> Pelo que entendi, o principal problema de gostar de algo \u00e9 o apego que ele gera sobre aquela coisa, seja pessoa, objeto ou atividade. Ent\u00e3o, ser\u00e1 que o lama poderia falar um pouco mais sobre como podemos administrar o nosso apego pelos nossos familiares ou amigos pr\u00f3ximos mais amados? Pela minha pouca experi\u00eancia, acho que meditar e contemplar a imperman\u00eancia ajudam, mas ainda n\u00e3o tive acesso a muitos ensinamentos, e os que tive talvez n\u00e3o tenha compreendido bem. Ent\u00e3o, ainda n\u00e3o sei como fazer isso direito mas, gostaria de descobrir logo. Muito obrigada pela oportunidade de te ouvir e interagir contigo! Me enxeu de energia, curiosidade e alegria com a possibilidade, mesmo que remota, de talvez um dia sair da ignor\u00e2ncia.<\/em><br \/>\n<strong>Resposta:<\/strong> Para benef\u00edcio de todos os seres!<br \/>\nO ponto do apego, n\u00e9? Esse \u00e9 um ponto interessante. \u00c9 um ponto recorrente. Eu acho que o melhor \u00e9 a gente seguir essa instru\u00e7\u00e3o do Buda no Satipatana, por exemplo. O Buda n\u00e3o diz \u201cbandone o corpo\u201d, ele diz \u201colhe o corpo como o corpo\u201d. Ele n\u00e3o diz \u201cabandone as sensa\u00e7\u00f5es\u201d, ele diz \u201colhe as sensa\u00e7\u00f5es como sensa\u00e7\u00f5es\u201d.<br \/>\nEnt\u00e3o, a minha sugest\u00e3o \u00e9 que ela olhe o apego como apego. Porque se a gente olhar o apego profundamente, isso vai produzir a libera\u00e7\u00e3o do apego. Essa \u00e9 a minha sugest\u00e3o. Quando ela olhar e entender bem como \u00e9 a mec\u00e2nica do apego, como \u00e9 que o apego est\u00e1 operando, ela n\u00e3o precisa nem abandonar o apego, porque a clarifica\u00e7\u00e3o com respeito ao apego j\u00e1 produz a libera\u00e7\u00e3o do apego. Como o Buda indicando no Satipatana: \u201cVoc\u00ea contemple o corpo como corpo.\u201d Quando come\u00e7amos a contemplar o corpo desse modo, \u00e9 porque n\u00e3o estamos mais respondendo de modo automatizado \u00e0 pr\u00f3pria experi\u00eancia de corpo. A gente se coloca num lugar livre e come\u00e7a a olhar. E vai olhando, olhando&#8230; Estamos olhando desde um lugar livre.<br \/>\nDo mesmo modo, se come\u00e7armos a olhar o apego, vamos, na verdade, migrando em dire\u00e7\u00e3o ao lugar livre onde somos capazes de olhar o apego desse modo. Se o apego \u00e9 olhado desse modo, ele perde o poder, mesmo sem deixar de ser o apego, mas ele perde o poder. Porque o poder das coisas \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o da coisa com o lugar de onde n\u00f3s olhamos. Para o apego ter poder, n\u00f3s precisamos olh\u00e1-lo de dentro da bolha, n\u00f3s precisamos estar dentro da bolha, operando, a\u00ed o apego vira poderoso. Mas se n\u00f3s come\u00e7armos a olhar o apego, na verdade nos distanciamos do apego enquanto a gente olha. A\u00ed ele vira alguma coisa, e n\u00f3s descobrimos toda a opera\u00e7\u00e3o complexa da mente que produz e sustenta e manifesta essa experi\u00eancia. Mas, neste momento, n\u00f3s j\u00e1 n\u00e3o estamos mais presos. \u00c9 algo curioso porque olhamos profundamente e nos aproximamos do apego, mas quando a gente se aproxima do apego desde um lugar livre, o apego perde o poder, mas ele continua n\u00edtido.<br \/>\nEnt\u00e3o, a minha sugest\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o lute contra o apego, mas que tu olhes profundamente o apego dentro da experi\u00eancia de apego. Isso mais adiante no budismo vajrayana vai ser chamado de abordagem tantrayana. Ou seja, n\u00e3o tiramos aquilo da nossa frente, n\u00f3s olhamos aquilo mesmo. A experi\u00eancia mesma se torna o foco de elucida\u00e7\u00e3o, de clarifica\u00e7\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria experi\u00eancia. A experi\u00eancia mesmo. N\u00e3o \u00e9 pela nega\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia, mas pela experi\u00eancia mesmo que a gente v\u00ea isso.<br \/>\n<strong>Resposta do Lama Padma Samten no retiro de inverno de 2020 (<a href=\"https:\/\/youtu.be\/grzDgizFaS0?t=4251\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">v\u00eddeo aqui<\/a>).<\/strong><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pergunta: Me sinto bastante perdida nessa quest\u00e3o do gostar, n\u00e3o gostar e ser indiferente. N\u00e3o consigo evitar essa categoriza\u00e7\u00e3o, desejar ter mais do que gosto e menos do que n\u00e3o gosto.<\/p>","protected":false},"author":126,"featured_media":79062,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[417,352],"tags":[],"class_list":["post-79061","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ensinamentos","category-perguntas-respostas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79061","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/126"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79061"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79061\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79062"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79061"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79061"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79061"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}