{"id":84693,"date":"2021-06-11T17:38:59","date_gmt":"2021-06-11T20:38:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cebb.org.br\/?p=84693"},"modified":"2021-06-11T17:38:59","modified_gmt":"2021-06-11T20:38:59","slug":"transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\/","title":{"rendered":"Transcri\u00e7\u00e3o da palestra &quot;Sa\u00fade mental e emocional&quot;"},"content":{"rendered":"<p><em>Abaixo a transcri\u00e7\u00e3o da palestra <strong>\u201cSa\u00fade Mental e Emocional: o estabelecimento do adoecimento mental e emocional e a amplia\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o atrav\u00e9s das Seis Perfei\u00e7\u00f5es\u201d<\/strong> oferecida por Lama Padma Samten no dia 3 de abril de 2021, organizada pelo CEBB de Florian\u00f3polis.\u00a0\u00a0<!--more--><\/em><\/p>\n<h3>Contemplando os aspectos grosseiro, sutil e secreto<\/h3>\n<p>Este tema da sa\u00fade mental e emocional \u00e9 interessante pelo momento que estamos vivendo, com essa epidemia galopante. Naturalmente n\u00f3s podemos, no budismo, analisar as coisas dentro das perspectivas grosseira, sutil e secreta. O aspecto secreto parece mais extraordin\u00e1rio, mais profundo, e de fato o \u00e9. Por\u00e9m, como estamos envolvidos em um conjunto de realidades flutuantes que invadem a nossa mente e nos obrigam a v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es diretas e causais, o aspecto grosseiro \u00e9 crucial para n\u00f3s. \u00c9 interessante como cada um desses n\u00edveis termina gerando a necessidade de entendermos tudo a partir do n\u00edvel subsequente. N\u00f3s temos as nossas vidas e at\u00e9 agora, as pessoas, entendendo ou n\u00e3o o Darma do Buda, vivem e funcionam no mundo. V\u00e3o se educando e sendo educadas atrav\u00e9s de um processo de experimenta\u00e7\u00e3o e erro, um processo de constru\u00e7\u00e3o, e v\u00e3o operando.<\/p>\n<h3>O aspecto grosseiro<\/h3>\n<p>A maioria das pessoas n\u00e3o tem nenhum tipo de percep\u00e7\u00e3o mais ampla de como efetivamente surgiram, de como as coisas se desenham, mas mesmo um beb\u00ea j\u00e1 sabe como funcionar. Sabe como fazer para a sua vida se preservar, para ir avan\u00e7ando. Fico muitas vezes admirado ao ver as crian\u00e7as e sua resili\u00eancia, especialmente em per\u00edodos de grandes problemas, como guerras: elas presenciam viol\u00eancias, o mundo delas termina e \u00e9 profundamente transformado, mas aparentemente elas se mant\u00eam equilibradas, n\u00e3o se desesperam. Elas n\u00e3o t\u00eam uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica, vivem o dia, o momento.<br \/>\nAo olharmos o que acontece com cada um, vemos que a pessoa vive o momento e, mesmo que tenha grandes dificuldades estruturais, eventualmente n\u00e3o o percebe. Segue vivendo como \u00e9 poss\u00edvel dentro de uma vis\u00e3o que n\u00e3o precisa incluir muitos dias ou muitos anos, e onde tudo vai mais ou menos fluindo.<br \/>\nSe olharmos os animais, tamb\u00e9m encontramos esse comportamento. Eles n\u00e3o t\u00eam uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica, n\u00e3o compreendem como a vida se estabelece e se mant\u00e9m, e como aquilo vai funcionando. Isso possibilita que andem e tenham mecanismos de prote\u00e7\u00e3o pr\u00f3prios. Tamb\u00e9m t\u00eam m\u00e9ritos, o que \u00e9 um ponto muito importante, pois os m\u00e9ritos estabelecem uma resili\u00eancia de grupo. Por exemplo, se vemos crian\u00e7as em dificuldades, nossa tend\u00eancia clara \u00e9 de proteg\u00ea-las. Se vemos algu\u00e9m em dificuldades, ficamos comovidos, buscamos proteger. Isso \u00e9 o que podemos chamar de m\u00e9ritos. Todas as pessoas t\u00eam m\u00e9ritos; por vezes se comportam mal, mas ainda assim ficamos procurando um jeito de poder proteg\u00ea-las e possibilitar que se aprumem e andem melhor.<\/p>\n<h3>Carmas e m\u00e9ritos no aspecto grosseiro<\/h3>\n<p>Quando andamos pelo mundo n\u00e3o estamos sozinhos de fato. Andamos dentro de uma teia de rela\u00e7\u00f5es que n\u00e3o precisa estar estabelecida previamente, no sentido convencional; mas j\u00e1 vivemos dentro de um processo em que os seres humanos se ajudam, se protegem. Podemos chamar esse aspecto de m\u00e9ritos, que foram estabelecidos em um tempo anterior. A pr\u00f3pria exist\u00eancia do ser humano est\u00e1 na depend\u00eancia desse fato. N\u00e3o vivemos sozinhos, e nos relacionamos desse modo, atrav\u00e9s de m\u00e9ritos. Tamb\u00e9m nos relacionamos atrav\u00e9s de carmas. Os seres humanos t\u00eam essa contradi\u00e7\u00e3o: eles se protegem, mas s\u00e3o, ao mesmo tempo, predadores uns dos outros, em v\u00e1rios n\u00edveis. Esse \u00e9 um ponto comovente. Especialmente, neste tempo de agora, os seres humanos s\u00e3o talvez o maior perigo para os pr\u00f3prios seres humanos. A import\u00e2ncia dos outros predadores foi se reduzindo, e os seres humanos se tornam a grande amea\u00e7a aos pr\u00f3prios seres humanos.<br \/>\nEssas s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es que temos a partir de carmas e m\u00e9ritos. Por\u00e9m, de modo geral, n\u00e3o vemos isso \u2013 vivemos sem nos dar bem conta desses aspectos. Mesmo as express\u00f5es \u201ccarmas\u201d e \u201cm\u00e9ritos\u201d pertencem ao budismo e \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es hindus, e foram importadas pelo Ocidente com uma compreens\u00e3o ainda limitada. Esses aspectos de carma e m\u00e9rito s\u00e3o os que regem o que chamar\u00edamos de n\u00edvel grosseiro. Em um certo momento come\u00e7amos a vislumbrar algo em n\u00f3s de forma um pouco mais profunda, e esse vislumbre mais profundo vem justamente desta conex\u00e3o com m\u00e9ritos e carmas, que s\u00e3o uma interface com o aspecto sutil.<\/p>\n<h3>O aspecto grosseiro no \u00e2mbito individual<\/h3>\n<p>Temos uma exist\u00eancia no mundo que parece ser a nossa exist\u00eancia, o nosso jeito de andar. Se quisermos nos descrever, tiramos uma foto e dizemos: \u201ceu.\u201d Isso, na perspectiva budista, \u00e9 um n\u00edvel muito grosseiro. Se a pessoa for falar de si, vai falar de seus impulsos, suas vis\u00f5es, desejos e apegos; das coisas que j\u00e1 obteve a partir de desejos e apegos; das satisfa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 teve no n\u00edvel de desejo e apego; dos lugares que visitou; do que v\u00ea como correto, como vis\u00e3o, como sabedoria. Quando a pessoa descreve esses aspectos, na perspectiva budista est\u00e1 descrevendo os seus carmas, os seus m\u00e9ritos, as estruturas dos doze elos e os processos de como sua pr\u00f3pria mente est\u00e1 operando. N\u00e3o est\u00e1 descrevendo realidades; est\u00e1 descrevendo constru\u00e7\u00f5es: op\u00e7\u00f5es que n\u00e3o percebe como op\u00e7\u00f5es; ela pensa que aquilo \u00e9 mesmo o que ela \u00e9.<br \/>\nO aspecto grosseiro inclui essa incompreens\u00e3o da nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia. Inclui a vida enquanto a busca de preservar os impulsos c\u00e1rmicos, e realizar tais impulsos c\u00e1rmicos. N\u00e3o entendendo bem o que \u00e9 carma e o que \u00e9 m\u00e9rito, tentar preservar a sua pr\u00f3pria vida, seu pr\u00f3prio impulso, e considerar que liberdade \u00e9, efetivamente, poder realizar o impulso que vier \u00e0 mente.<\/p>\n<h3>O aspecto grosseiro no \u00e2mbito social<\/h3>\n<p>Socialmente, isso por vezes surge como uma doutrina que brota, como o liberalismo, onde as pessoas aspiram a essa individualidade exacerbada e completa, com a qual deveriam poder fazer o que lhes surge \u00e0 mente. E essa liberdade de fazer o que surge \u00e0 mente \u00e9 uma das qualidades de um tipo de organiza\u00e7\u00e3o social, que \u00e9 proposta como se fosse a melhor. Isso termina se refletindo sobre a organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, e parece que o funcionamento econ\u00f4mico coletivo vai funcionar melhor, como resultado de um impulso variado em todas as dire\u00e7\u00f5es que as pessoas possam ter. Esse funcionamento econ\u00f4mico termina surgindo como o referencial essencial e primeiro para verificarmos se h\u00e1 sa\u00fade social, se h\u00e1 sa\u00fade daquele pa\u00eds, se h\u00e1 um progresso efetivo ou n\u00e3o. Tudo isso \u00e9 considerado uma abordagem no n\u00edvel grosseiro.Tais abordagens t\u00eam, naturalmente, consequ\u00eancias, que chamar\u00edamos de c\u00e1rmicas, ou seja, decidimos coisas com vis\u00f5es estreitas, que produzem resultados c\u00e1rmicos em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es.<br \/>\nO processo social do liberalismo n\u00e3o \u00e9 algo recente; \u00e9 simplesmente a sensa\u00e7\u00e3o de uma doutrina social que brota do ego\u00edsmo natural dos seres, que aspiram \u00e0 sua felicidade pessoal e a superar os seus pr\u00f3prios sofrimentos atrav\u00e9s dos impulsos como eles lhes v\u00eam. \u00c9 natural que, em tempos anteriores, isso tenha originado o processo predat\u00f3rio dos seres humanos sobre os pr\u00f3prios seres humanos \u2013 o que n\u00e3o \u00e9 algo de agora, mas que se derrama pela hist\u00f3ria da humanidade. Os pr\u00f3prios arque\u00f3logos e antrop\u00f3logos localizaram esse ponto, e viram que alguns seres humanos tinham ossos grandes, e outros eram raqu\u00edticos, associando isso justamente ao in\u00edcio das povoa\u00e7\u00f5es e grupos, quando surgiu um certo n\u00edvel de escravatura. Os seres humanos come\u00e7aram a escravizar uns aos outros. O processo de urbaniza\u00e7\u00e3o produziu o surgimento do raquitismo: levou ao fato de haver pessoas com privil\u00e9gios e outras que eram, de algum modo, exploradas .<br \/>\nA hist\u00f3ria da escraviza\u00e7\u00e3o dos seres humanos pelos seres humanos \u00e9 muito antiga, e aparentemente, na perspectiva da estrutura dos povos, quase imposs\u00edvel de evitar. A escravatura \u00e9, por vezes, considerada um ato de compaix\u00e3o, no sentido de que os grupos guerreavam e poderiam se matar at\u00e9 o fim; mas em vez de matar, escravizavam os outros. N\u00e3o podiam considerar que os outros eram cidad\u00e3os daquela regi\u00e3o, ou iguais. Quando os grupos humanos come\u00e7am a estabelecer esse tipo de vis\u00e3o, todo o processo de explora\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o se torna algo aparentemente normal. Mesmo sociedades que consideramos muito desenvolvidas, como os pr\u00f3prios gregos \u2013 que desenvolveram o conceito de democracia \u2013 funcionavam \u00e0 base da escravid\u00e3o de outros povos, e eles mesmos eram escravizados por outros. Essa domina\u00e7\u00e3o desenfreada de povos sobre outros era uma pr\u00e1tica normal naquele tempo.<br \/>\nO que estou descrevendo \u00e9 o aspecto grosseiro, na perspectiva grosseira. Poderia descrever o aspecto grosseiro na perspectiva sutil ou secreta. Mas estou descrevendo o aspecto grosseiro na perspectiva grosseira, ou seja, seres humanos com essa mente olhando o que fazer dentro desse mundo que parece ser o mundo. A primeira perspectiva que temos \u00e9 de que isso, aparentemente, n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o, \u00e9 constru\u00eddo assim. Mas, espantosamente, percebemos que os seres \u2013 mesmo sem entender o aspecto sutil ou secreto, mesmo nesse mundo aparentemente sem solu\u00e7\u00e3o \u2013 ainda acham que certas coisas s\u00e3o melhores, e outras piores. Estabelecem processos de educa\u00e7\u00e3o e hierarquia, estabelecem funcionamentos que s\u00e3o, supostamente, inteligentes e s\u00f3lidos. Podemos dizer que, ainda que o conhecimento sobre os aspectos sutil e secreto tenha avan\u00e7ado e esteja presente e acess\u00edvel, ele n\u00e3o \u00e9 essencialmente utilizado, sen\u00e3o aqui e ali, porque a perspectiva grosseira parece suficiente.<br \/>\nQuando estamos envolvidos nos aspectos grosseiros, parece que aquilo est\u00e1 bem, \u00e9 assim mesmo. Um sintoma disso \u00e9 o fato de formarmos as gera\u00e7\u00f5es subsequentes, e estabelecermos os processos das escolas e de ensino tomando por base quase totalmente os aspectos grosseiros. Mas os aspectos grosseiros trazem alguns desafios que v\u00e3o conduzindo ao aspecto sutil. \u00c9 como se estiv\u00e9ssemos, dentro da nossa linguagem, tratando de bloco menos um e bloco zero (que s\u00e3o essencialmente os aspectos grosseiros vistos da perspectiva grosseira) e agora come\u00e7\u00e1ssemos a migrar para o bloco um \u2013 come\u00e7amos a olhar de uma forma um pouco mais ampla tudo o que acontece no n\u00edvel grosseiro.<\/p>\n<h3>O aspecto sutil<\/h3>\n<p>Podemos come\u00e7ar a nos perguntar de onde viemos e por que todo mundo, enfim, vive e morre. De onde vem esse tipo de situa\u00e7\u00e3o? Algumas coisas s\u00e3o um pouco perturbadoras, porque as pessoas t\u00eam o seu cotidiano, e acham que aquilo \u00e9 tudo; mas se olharem para o c\u00e9u noturno, ver\u00e3o que est\u00e3o dentro de algo muito grande. Se tomarem um telesc\u00f3pio ou um bin\u00f3culo e come\u00e7arem a olhar, ir\u00e3o se surpreender, porque estamos envoltos e fazendo parte de uma coisa muito extraordin\u00e1ria. As pessoas que come\u00e7aram a pensar sobre isso sempre se defrontaram com vis\u00f5es que eram muito mais amplas do que as vis\u00f5es do cotidiano. No budismo, se olharmos o conjunto de enganos que vivemos \u2013 essa realidade grosseira que vivemos agora e que parece totalmente abrangente \u2013 sob o aspecto sutil e secreto, \u00e9 super limitado. Ele termina sendo internalizado como a nossa pr\u00f3pria identidade.<br \/>\nA nossa identidade brota aos nossos olhos como uma sabedoria interna que responde, de modo natural, \u00e0s apar\u00eancias. Essa sensa\u00e7\u00e3o de resposta \u00e0s apar\u00eancias d\u00e1 uma base para apontarmos nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia, porque se h\u00e1 esses impulsos correspondentes \u00e0s coisas, isso \u00e9 a pr\u00f3pria realidade das coisas \u2013 e ent\u00e3o esses impulsos s\u00e3o a nossa exist\u00eancia. Terminamos por nos descrever a partir dos impulsos que brotam. Quando olhados das perspectivas sutil e secreta, dentro das tradi\u00e7\u00f5es v\u00e9dicas ou budistas, eles s\u00e3o vistos como a pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia, simbolizada pelo javali ou pelo animal que olha para baixo, cavoca a terra e pensa que isso \u00e9 tudo. Esconde-se em buracos e pensa que, desse modo, lida com toda a realidade: tem impulsos, agress\u00e3o, acumula\u00e7\u00e3o. O javali \u00e9 o s\u00edmbolo do aspecto que se refere \u00e0 nossa pr\u00f3pria identidade que est\u00e1 obscurecida. \u00c9 como se o javali nunca contemplasse o c\u00e9u noturno e nunca pensasse: \u201cAfinal, onde \u00e9 que n\u00f3s estamos?\u201d Essa no\u00e7\u00e3o de vida e morte, de origem e destino, e de que somos muito pequenos face ao c\u00e9u gigantesco, \u00e9 o que come\u00e7a a nos remeter \u00e0quilo que chamar\u00edamos de bloco um, o lugar onde come\u00e7amos a perceber que a vis\u00e3o limitada do javali n\u00e3o d\u00e1 conta de tudo. Existem coisas muito mais amplas.<br \/>\n\u00c9 o lugar de onde surgem as tradi\u00e7\u00f5es espirituais e o ocultismo, que vai dar origem \u00e0 ci\u00eancia. Mas o ocultismo n\u00e3o \u00e9 propriamente substitu\u00eddo pela ci\u00eancia, ele passa a viver na forma da pr\u00f3pria ci\u00eancia. Quando os cientistas olham as apar\u00eancias comuns, n\u00e3o as v\u00eaem apenas como comuns. A perspectiva do ocultismo sucede \u00e0 Idade M\u00e9dia e vai dar origem ao iluminismo, \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es subsequentes. Vai dar origem \u00e0 no\u00e7\u00e3o de que todos os seres humanos s\u00e3o iguais, e \u00e0 no\u00e7\u00e3o de igualdade, fraternidade e justi\u00e7a. Isso vem da vis\u00e3o extraordin\u00e1ria que brota a partir do ocultismo e do iluminismo. Essa vis\u00e3o \u00e9 o in\u00edcio ou o transbordar do bloco um nos tempos da nossa cultura, pois enquanto viv\u00edamos a Idade M\u00e9dia de uma forma muito grosseira no Ocidente, no Oriente t\u00ednhamos o mestre Dogen, por exemplo, falando da \u201csutileza da sutileza\u201d da vacuidade.<br \/>\nTendemos a considerar que a cultura ocidental \u00e9 tudo, mas, realmente, n\u00e3o \u00e9. Estamos vivendo um dos momentos mais importantes da cultura ocidental, que se derrama sobre o planeta inteiro, e \u00e9 uma trag\u00e9dia! A cultura ocidental est\u00e1 trazendo a destrui\u00e7\u00e3o do ambiente, coisa que nunca aconteceu em nenhuma outra cultura, em nenhuma outra \u00e9poca. A cultura ocidental trouxe tamb\u00e9m um processo de colonialismo totalmente predador, que transforma o Imp\u00e9rio Romano numa coisa maravilhosa, ainda que este tenha sido um processo superagressivo. Mas, enquanto os romanos estabeleceram culturas locais, que progrediam, o colonialismo moderno drena a energia vital de cada um dos povos a que se conecta.<\/p>\n<h3>Carmas e m\u00e9ritos no aspecto sutil<\/h3>\n<p>Neste momento, o Brasil \u00e9 o pa\u00eds onde est\u00e1 morrendo muito mais gente do que em qualquer outro. Isso n\u00e3o vem da fragilidade do ser humano brasileiro, mas da mente que est\u00e1 operando aqui. S\u00e3o aspectos muito interessantes, porque remetem ao aspecto sutil. Esse \u00e9 o carma social dos brasileiros. Por outro lado, o que \u00e9 o carma? Olhamos para dentro de n\u00f3s e vemos: ser\u00e1 que eu tenho carma, tenho m\u00e9rito? Essa \u00e9 a leitura grosseira de carma e m\u00e9rito.<br \/>\nA leitura sutil \u00e9 de que o carma \u00e9 algo m\u00f3vel, e que o m\u00e9rito \u00e9 algo m\u00f3vel. N\u00e3o \u00e9 uma lei que desaba sobre mim. Quando pensamos que o carma \u00e9 uma lei que desaba sobre n\u00f3s, \u00e9 porque n\u00e3o temos a capacidade de liberdade da nossa mente diante dos impulsos e das vis\u00f5es limitadas. Se eu tiver mais liberdade, posso substituir os carmas por m\u00e9ritos, e consigo andar. Nesse momento em que descobrimos que os carmas n\u00e3o s\u00e3o leis externas fixas e que os m\u00e9ritos tamb\u00e9m n\u00e3o o s\u00e3o, e que \u00e9 poss\u00edvel operarmos dentro disso, descobrimos que podem brotar a\u00e7\u00f5es melhores e piores. Encontramos referenciais melhores ou piores. Esses referenciais, na vis\u00e3o budista, s\u00e3o as Quatro Qualidades Incomensur\u00e1veis e as Seis Perfei\u00e7\u00f5es, atuando no aspecto grosseiro, sutil e amplo de vis\u00e3o da realidade. Se temos capacidade de agir nesse n\u00edvel sutil, nossa vida melhora muito no n\u00edvel grosseiro.<\/p>\n<h3>O aspecto secreto<\/h3>\n<p>O aspecto secreto come\u00e7a a surgir quando olhamos os v\u00e1rios aspectos sutis e pensamos: isso brota de onde? De onde v\u00eam compaix\u00e3o, alegria, amor, equanimidade, generosidade, moralidade, paz, energia constante, concentra\u00e7\u00e3o, sabedoria? De onde v\u00eam as Quatro Qualidades Incomensur\u00e1veis e as Seis Perfei\u00e7\u00f5es? De onde vem essa tend\u00eancia a olhar as coisas de um certo jeito?<br \/>\nA\u00ed brota a no\u00e7\u00e3o da vacuidade, nessa interface do aspecto sutil com o aspecto secreto. Ou seja, aquilo que estou experimentando e vendo desse modo, \u00e9 insepar\u00e1vel da base da minha pr\u00f3pria mente \u2013 surge de modo luminoso e, ainda que n\u00e3o seja totalmente real, se torna real, e operativo. Mas n\u00e3o preciso ficar preso: posso redefinir isso e operar de outro jeito, sem ficar preso a tais realidades. Essa \u00e9 a ess\u00eancia do aspecto sutil. Estou descrevendo o aspecto sutil dentro de uma liberdade maior do que o pr\u00f3prio aspecto sutil. Eu o estou descrevendo dentro da perspectiva da vacuidade, que \u00e9 o in\u00edcio do aspecto secreto.<br \/>\nV\u00e3o surgir as no\u00e7\u00f5es de complexidade e de complementaridade, que s\u00e3o no\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas. A complementaridade, junto com a complexidade \u2013 s\u00e3o muito parecidas \u2013 tratam do fato de que as diferentes realidades em que estamos operando n\u00e3o s\u00e3o excludentes: s\u00e3o verdades que enriquecem as vis\u00f5es mais amplas. Por exemplo, os seres humanos t\u00eam uma vis\u00e3o sobre a natureza, os cachorros t\u00eam outra, os p\u00e1ssaros e os peixes t\u00eam outras. Vemos que cada um est\u00e1 operando de um certo jeito, mas os cachorros, os p\u00e1ssaros e os peixes n\u00e3o est\u00e3o errados. Operam dentro de realidades que funcionam adequadamente na vis\u00e3o deles.<br \/>\nA compreens\u00e3o de como o mundo funciona fica mais f\u00e1cil e muito mais ampla se eu for capaz de visitar as v\u00e1rias realidades dos diferentes seres que est\u00e3o operando ali dentro, em vez de simplesmente olhar pela perspectiva humana, muito limitada. \u00c9 como se eu olhasse pela perspectiva dos golfinhos ou das baleias, ou dos cachorros ou gatos. Se eu tomar s\u00f3 uma, \u00e9 muito limitado. Mas as m\u00faltiplas vis\u00f5es se interconectam numa vis\u00e3o muito complexa, que inclui as vis\u00f5es parciais dos diversos seres, em seus ambientes. Essa perspectiva \u00e9 muito interessante. A complexidade \u00e9 essencial nos estudos antropol\u00f3gicos, por exemplo. Entre os seres humanos vamos encontrar muitas vis\u00f5es diferentes \u2013 diversas formas de olhar a pr\u00f3pria realidade e jeitos de se comportar.<br \/>\nNa \u00e9poca atual, as gera\u00e7\u00f5es subsequentes j\u00e1 n\u00e3o copiam os pais. Houve um tempo em que os filhos aprendiam com os pais, copiavam-nos e preservavam sua forma de viver. Hoje os filhos nascem em um mundo muito diferente do mundo em que nasceram seus pais e, eventualmente, diferente tamb\u00e9m do mundo em que os pais viveram ou mesmo vivem. Ent\u00e3o, os filhos n\u00e3o reconhecem o mundo em que os pais vivem como se fosse vi\u00e1vel, adequado ou correto, e geram mundos pr\u00f3prios. Quando entendemos isso, podemos entender a complementaridade como algo importante: os pais t\u00eam os seus mundos, os filhos t\u00eam os seus mundos, e podemos olh\u00e1-los, cada um dentro de suas pr\u00f3prias perspectivas, e entender como aquilo pode operar e funcionar, para o bem ou para o mal. Como cada um est\u00e1 preso na sua pr\u00f3pria vis\u00e3o \u2013 que tem uma interface, uma interconex\u00e3o, mas n\u00e3o s\u00e3o os mesmos mundos. A complementaridade nos ajuda a estabelecer di\u00e1logos com os v\u00e1rios ambientes.<br \/>\nA ci\u00eancia, associada \u00e0 filosofia natural, tende a encontrar leis que regem todos os seres. No \u00e2mbito da ci\u00eancia, a complementaridade ultrapassa isso, porque ela observa que as pr\u00f3prias leis n\u00e3o precisam ser universais. Dentro dos v\u00e1rios sistemas temos leis que regem aquilo e aparentemente produzem aquela realidade. Mas tais leis n\u00e3o s\u00e3o separ\u00e1veis das estruturas usadas para pensar as realidades. Est\u00e3o submetidas aos pressupostos em que estamos operando e \u00e0s vis\u00f5es sutis de mundo usadas para pensar sobre as realidades. Esse ponto possibilita a migra\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia associada \u00e0 filosofia natural \u2013 que busca uma \u00fanica vis\u00e3o para todas as coisas \u2013 para a ci\u00eancia associada ao pensamento complementar, que \u00e9 muito mais ampla. Na vis\u00e3o da ci\u00eancia operando a partir da vis\u00e3o complementar as realidades podem ser distintas umas das outras, sem uma sensa\u00e7\u00e3o de perda de realidade de umas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras.<br \/>\nIsso significa que estamos olhando as realidades sutis \u2013 que, por sua vez, geram a experi\u00eancia das realidades grosseiras \u2013 como a\u00e7\u00e3o de uma realidade secreta, de um aspecto cuja base \u00e9 a vacuidade e luminosidade, que possibilitam o surgimento dos aspectos sutis. Os aspectos sutis se originam nessa regi\u00e3o de liberdade.<\/p>\n<h3>Sa\u00fade mental e emocional na perspectiva budista<\/h3>\n<p>Quando vamos falar sobre sa\u00fade mental e emocional precisamos desse quadro, caso contr\u00e1rio n\u00e3o conseguimos trabalhar isso na perspectiva budista. Temos que entender que as pessoas, operando nos seus mundos na perspectiva grosseira, com suas identidades e seus impulsos, o fazem por carmas e m\u00e9ritos que n\u00e3o percebem. Esses carmas e m\u00e9ritos v\u00eam de vis\u00f5es de mundo \u2013 que elas tamb\u00e9m n\u00e3o percebem \u2013 a partir dos doze elos da origina\u00e7\u00e3o dependente, que, junto com a estrutura de carmas e m\u00e9ritos, tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o fixos, e brotam a partir da liberdade natural da vis\u00e3o secreta. Esse aspecto natural produz a sustenta\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o.<br \/>\nOs seres n\u00e3o encontrar\u00e3o nenhuma solu\u00e7\u00e3o final na perspectiva grosseira, nem na sutil. A supera\u00e7\u00e3o dos obst\u00e1culos verdadeiros s\u00f3 vir\u00e1 na perspectiva secreta, especialmente se desenvolverem a habilidade de Zangtal, que \u00e9 a abertura que penetra todas as coisas. A abertura de ver as realidades operando nos v\u00e1rios modos, integr\u00e1-las e aceit\u00e1-las. V\u00ea-las na sua limita\u00e7\u00e3o e no seu m\u00e9rito, na sua capacidade de atribuir realidade, e daquela realidade operar de modo objetivo.Essa \u00e9 a vis\u00e3o budista da realidade onde estamos operando.<\/p>\n<h3>A vis\u00e3o dos tr\u00eas aspectos para poder ajudar os seres<\/h3>\n<p>Quem \u00e9 praticante budista e tem a motiva\u00e7\u00e3o de reduzir o sofrimento dos seres humanos precisaria desenvolver a vis\u00e3o dos aspectos grosseiro, sutil e secreto, e dessa base olhar para as v\u00e1rias circunst\u00e2ncias em que vai focar. Os seres est\u00e3o operando dentro de aspectos limitados, aspectos que n\u00e3o s\u00e3o sempre os mesmos; cada ser opera dentro de uma limita\u00e7\u00e3o e de uma abrang\u00eancia. Precisamos entender onde se est\u00e1 e ajud\u00e1-los a ampliar a vis\u00e3o e, progressivamente, estabelecer liberdade diante dessas limita\u00e7\u00f5es. Assim vamos entender o que os mestres desde sempre fizeram: est\u00e3o sempre operando dentro dessa perspectiva. O Buda fez isso, todos os budas e bodisatvas fazem isso, n\u00e3o \u00e9 outra coisa.<br \/>\nDe acordo com o caminho e a busca de beneficiar, de algum modo, os seres, terminamos privilegiando certos ensinamentos em uma \u00e9poca, outros em outra \u00e9poca, e vamos andando. Temos estabelecido a \u00eanfase no Prajnaparamita, que \u00e9 uma interface do mundo grosseiro com o mundo sutil \u2013 entendendo o aspecto grosseiro a partir do aspecto sutil, e entendendo o aspecto sutil na conex\u00e3o com o aspecto secreto. O Prajnaparamita abre Zangtal desde a perspectiva da vacuidade.<\/p>\n<h3>Zangtal e Prajnaparamita<\/h3>\n<p>\u00c9 interessante entendermos que existe uma diferen\u00e7a entre Zangtal e Prajnaparamita. O Prajnaparamita, em princ\u00edpio, abre a vis\u00e3o desde a perspectiva grosseira e sutil, porque vai falar de forma, sensa\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o mental e consci\u00eancia. Come\u00e7a pelas apar\u00eancias \u2013 vai falar de olhos, ouvidos, nariz, l\u00edngua e tato \u2013 focando aspectos grosseiros e sutis; transforma isso numa vis\u00e3o sutil, e transforma a vis\u00e3o sutil na vis\u00e3o secreta.<br \/>\nO Prajnaparamita come\u00e7a pelo aspecto grosseiro das apar\u00eancias. J\u00e1 quando olhamos os ensinamentos da Ilumina\u00e7\u00e3o da Sabedoria Primordial desenvolvemos vis\u00e3o, nos estabelecemos sobre a grande vacuidade, e da grande vacuidade olhamos todas as coisas. J\u00e1 o Zangtal come\u00e7a da grande abertura. \u00c9 como se estiv\u00e9ssemos explicando e focando nas mesmas coisas, por\u00e9m desde essa grande abertura.<br \/>\nO Prajnaparamita tamb\u00e9m est\u00e1 operando desde Zangtal \u2013 ele \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o da grande abertura \u2013 mas n\u00e3o foca na grande abertura, e sim nas apar\u00eancias: forma, sensa\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o mental e consci\u00eancia; olhos, ouvidos, nariz, l\u00edngua, tato e mente; na ignor\u00e2ncia e nos elos subsequentes at\u00e9 velhice e morte; extin\u00e7\u00e3o da velhice e morte. Est\u00e1 olhando apar\u00eancias relativamente comuns. Mas o verdadeiro ensinamento do Prajnaparamita \u00e9 Zangtal, a grande abertura, quando vai descrever, em uma pequena parte, que os bodisatvas mahasattvas repousam na confian\u00e7a nessa abertura. Ele d\u00e1 essa dica.<br \/>\nO Prajnaparamita faz essa interface, atravessa de uma margem a outra. Come\u00e7amos na margem do sofrimento, onde aquilo parece real, e vamos para a outra margem. S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel fazer essa transi\u00e7\u00e3o se estivermos dentro da grande abertura. Mas no Prajnaparamita o objeto do foco n\u00e3o \u00e9 a grande abertura, e sim a transi\u00e7\u00e3o entre as apar\u00eancias comuns e a grande vacuidade. Tudo isso pertence ao mesmo fluxo de lucidez, sem separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>O adoecimento mental e emocional a partir dos Doze Elos<\/h3>\n<p>Precisamos ter essa vis\u00e3o para poder penetrar no mundo do adoecimento e sofrimento dos seres, no n\u00edvel grosseiro. Precisamos olhar o adoecimento mental e emocional na perspectiva budista, como algo que surge dos doze elos, porque a nossa opera\u00e7\u00e3o mental est\u00e1 ligada aos doze elos. Se formos olhar o nosso funcionamento a partir dos \u00f3rg\u00e3os dos sentidos, \u00e9 como se a gente pegasse os doze elos j\u00e1 no quinto elo. Quando temos os \u00f3rg\u00e3os do sentidos, a ignor\u00e2ncia vai se estabelecer de um modo muito claro, como uma sala cheia de janelas. Temos a impress\u00e3o de que as paredes impedem a vis\u00e3o, mas, atrav\u00e9s das janelas, n\u00f3s vemos.<br \/>\nO quinto elo, Shadayatana, \u00e9 descrito assim porque n\u00e3o precisamos dos olhos para observar os aspectos grosseiro, sutil e secreto na sua profundidade completa; mas se eu quiser estabelecer rela\u00e7\u00f5es causais comuns, preciso de olhos, ouvidos, nariz, l\u00edngua, e tato, e da mente associada a olhos, ouvidos, nariz, l\u00edngua e tato. Por isso tenho a sensa\u00e7\u00e3o de que quando olho pela janela eu vejo, porque o que estou vendo se refere aos aspectos grosseiros. Se eu n\u00e3o tiver a opera\u00e7\u00e3o dos sentidos f\u00edsicos, n\u00e3o consigo ver os aspectos grosseiros, que s\u00e3o a ess\u00eancia das vis\u00f5es c\u00e1rmicas associadas \u00e0 minha identidade.<br \/>\nQuando olho pelas janelas vejo a n\u00e9voa da minha mente; mas penso que \u00e9 a vis\u00e3o: \u201cOh, eu vejo!\u201d A vis\u00e3o que surge desse modo \u00e9 a pr\u00f3pria descri\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia. Porque vejo desse modo, ele me satisfaz e parece suficiente: \u201cEst\u00e1 tudo OK, posso ter os impulsos que tiver, tenho certeza, eu sei como \u00e9 que \u00e9!\u201d Fa\u00e7o minhas a\u00e7\u00f5es, trucido tudo, n\u00e3o consigo ter vis\u00f5es mais complexas e vamos seguindo. O resultado disso \u00e9 a crise ecol\u00f3gica, vamos destruindo as coisas em todas as dire\u00e7\u00f5es.<br \/>\nNa sequ\u00eancia, essa limita\u00e7\u00e3o vai ser descrita como o sexto elo, Sparsha, a sensa\u00e7\u00e3o de realidade que brota da opera\u00e7\u00e3o dos sentidos f\u00edsicos. Todos os seres t\u00eam essa sensa\u00e7\u00e3o. Da\u00ed surge o s\u00e9timo elo, Vedana: gostamos de algumas coisas e n\u00e3o gostamos de outras. Isso parece ser uma superintelig\u00eancia, os pais a ensinam aos filhos e v\u00e3o filtrando tudo por gostar ou n\u00e3o gostar. Isso \u00e9 Vedana. Uma vez que eles gostam, v\u00eam desejo, apego e rejei\u00e7\u00e3o \u2013 surge Trishna, o oitavo elo. Todos os seres operam desse modo: abrem os olhos e \u00e9 natural, veem tudo como se fosse verdadeiro; ent\u00e3o experimentam e da\u00ed gostam ou n\u00e3o gostam. Do que gostam, querem e do que n\u00e3o gostam, n\u00e3o querem. Nossos filhos levam muito tempo para poder ultrapassar os limites do gostar e o n\u00e3o gostar de coisas muito simples.<br \/>\nA partir de gostar e n\u00e3o gostar vem Upadana, o nono elo. No budismo, especialmente na tradi\u00e7\u00e3o p\u00e1li, Upadana \u00e9 considerado um dos graves problemas, porque corresponde \u00e0s a\u00e7\u00f5es volitivas. Ou seja, tendo todas essas tend\u00eancias, vou fazer a\u00e7\u00f5es de um certo tipo, a\u00e7\u00f5es que s\u00e3o infind\u00e1veis. Estarei sempre acumulando coisas em uma dire\u00e7\u00e3o e evitando outras, e isso d\u00e1 um sentido de realidade para a vida. A pessoa est\u00e1 ali dentro.<br \/>\nMas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o que a pessoa est\u00e1 fazendo. Ela est\u00e1 dentro de um quadro de desenho de realidade, como se fosse verdadeiro, real, e se move desse modo. Quando tem \u00eaxito no meio disso, tem uma sensa\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia: olha em volta, v\u00ea o mundo de um certo modo e sente-se algu\u00e9m que realmente entende as coisas como s\u00e3o. J\u00e1 est\u00e1 no d\u00e9cimo elo, Bhava, o surgimento da identidade. Tamb\u00e9m est\u00e1 no d\u00e9cimo-primeiro elo, Jeti, sua opera\u00e7\u00e3o em meio ao mundo. \u00c9 como um jovem que p\u00f4s a mochila nas costas, deu tchau para os pais e foi para o mundo. A pessoa filtra a realidade a partir de gostar ou n\u00e3o gostar, a partir das suas vis\u00f5es, e vai indo. Esse \u00e9 o d\u00e9cimo primeiro elo.<br \/>\nEste elo \u00e9 sucedido pelo d\u00e9cimo segundo, ou seja, a pessoa nunca d\u00e1 certo. Esse processo nunca termina: a pessoa vai ajustando, trocando e trocando, vai se desenergizando, envelhecendo e adivinha: \u201cComo o pessoal aqui j\u00e1 morreu, acho que a minha hora tamb\u00e9m vai chegar.\u201d A pessoa entende que isso \u00e9 real, e morre. Esse \u00e9 o d\u00e9cimo segundo elo, Jana Marana.<br \/>\n\u00c9 mais dif\u00edcil para a pessoa entender que a morte n\u00e3o \u00e9 o fim, pois n\u00e3o tendo uma compreens\u00e3o sutil e secreta, v\u00ea apenas o aspecto grosseiro. N\u00e3o entende o que sustentou aquele corpo grosseiro durante todo o tempo. O mist\u00e9rio da morte se estabelece, o fato de que a vida desapareceu do corpo, e o corpo vai se degradar. No entanto, os \u00f3rg\u00e3os est\u00e3o vivos \u2013 podem ser retirados e levados para outro corpo, funcionam num outro corpo. O que faz um \u00f3rg\u00e3o de um corpo morto, que vai apodrecer, ser levado para outro ser e ali seguir vivo, quando aquilo n\u00e3o era mais poss\u00edvel no ser original ? Qual \u00e9 a diferen\u00e7a, o que h\u00e1 ali? Ent\u00e3o vamos descobrir que a vida n\u00e3o \u00e9 aquelas c\u00e9lulas, a vida \u00e9 outra coisa que pulsa no meio daquilo. Vamos entender que essa vida est\u00e1 ligada ao fluxo da energia, outra coisa sutil que n\u00e3o t\u00ednhamos considerado ainda.<br \/>\nNa perspectiva budista, o aspecto dos doze elos \u00e9 crucial para entender o nosso funcionamento. Algumas pessoas est\u00e3o focando o elo em que est\u00e3o \u2013 por exemplo, est\u00e3o no d\u00e9cimo primeiro elo, focando as suas a\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o entendem nada dos elos anteriores; muito menos o primeiro elo, que \u00e9 a ignor\u00e2ncia. N\u00e3o t\u00eam a compreens\u00e3o do aspecto sutil de suas pr\u00f3prias vidas. Operam atrav\u00e9s dos v\u00e1rios impulsos e funcionam assim. Na perspectiva budista, isso j\u00e1 \u00e9 adoecimento mental, ainda que a pessoa esteja fazendo tudo certinho. Esse adoecimento mental vai levar ao des\u00e2nimo, \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de tristeza e depress\u00e3o que surgem no d\u00e9cimo-primeiro elo e se intensificam no d\u00e9cimo segundo elo, quando a morte se aproxima.<\/p>\n<h3>\u00a0Vis\u00e3o ampla ao ajudar as pessoas<\/h3>\n<p>Mas enquanto a pessoa vive isso no aspecto grosseiro \u2013 ou seja, a maioria dos seres \u2013 n\u00e3o v\u00ea a realidade mais profunda da situa\u00e7\u00e3o. V\u00ea s\u00f3 o aspecto ilus\u00f3rio e, n\u00e3o entendendo, descreve tudo em primeira pessoa: \u201cEstou desanimado, n\u00e3o vejo sa\u00edda, n\u00e3o estou gostando.\u201d Descreve tudo em primeira pessoa, onde a linguagem do impulso parece fazer sentido. A pessoa n\u00e3o olha de forma mais ampla. Faz tudo convergir para uma experi\u00eancia como se fosse individual, da pr\u00f3pria identidade. Eventualmente, vai sentir-se em adoecimento mental, emocional e f\u00edsico e vai pedir ajuda, dizer: \u201cEu isso, eu aquilo\u2026\u201d S\u00e3o os impulsos, as pr\u00f3prias vis\u00f5es limitadas que a pessoa ouve de si mesma. Se pretendemos ajudar as pessoas, precisamos ajud\u00e1-las a partir do que s\u00e3o capazes de ver, a partir daquele ponto, mas n\u00e3o dever\u00edamos perder a vis\u00e3o mais ampla.<br \/>\nAqui, se quisermos aprofundar um pouco a pr\u00f3pria experi\u00eancia da pessoa, precisamos entender que quando est\u00e1 descrevendo suas coisas, est\u00e1 dentro de bolhas de realidade que pode n\u00e3o perceber e, de modo geral, n\u00e3o percebe. Est\u00e1 dentro de um tipo de bolha que d\u00e1 origem ao movimento da pr\u00f3pria energia, ao movimento da compreens\u00e3o das realidades e que d\u00e1 tamb\u00e9m realidade \u00e0 pr\u00f3pria estrutura c\u00e1rmica. Por exemplo, uma bolha f\u00e1cil de reconhecer \u00e9 quando a pessoa est\u00e1 presa a campeonatos de futebol, e pensa que isso \u00e9 muito importante. Tal import\u00e2ncia corresponde \u00e0 bolha. Vamos vendo m\u00faltiplas bolhas em todas as dire\u00e7\u00f5es, e ainda que possam ser muitas, sempre operamos a partir de bolhas. Nos processos de adoecimento mental e emocional, por vezes come\u00e7amos a manifestar sofrimento vindo das pr\u00f3prias bolhas, e n\u00e3o percebemos.<\/p>\n<h3>O sofrimento mental enquanto flutua\u00e7\u00f5es das identidades em meio \u00e0s bolhas<\/h3>\n<p>Neste tempo em que estamos vivendo agora, as bolhas est\u00e3o em processo de fragmenta\u00e7\u00e3o. J\u00e1 faz um ano que n\u00e3o sabemos como resultar\u00e1 a pandemia, como ser\u00e1 a nossa vida p\u00f3s-pandemia. H\u00e1 pessoas pensando de formas muito diferentes. Tem gente dizendo que ser\u00e1 como a gripe, que teremos que tomar uma vacina por ano. Que se tornar\u00e1 uma doen\u00e7a permanente: estaremos sempre lidando com o Covid e vamos gerar um processo de funcionamento. Outras pessoas olham de forma muito ampla, pensando em fazer a refunda\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es planet\u00e1rias. Prepara-se o F\u00f3rum Social Mundial olhando esse aspecto: eles v\u00e3o propor uma esp\u00e9cie de refunda\u00e7\u00e3o, como se fosse uma reprograma\u00e7\u00e3o do sistema, considerando que agora precisamos proteger a natureza, proteger de fato os seres humanos, criar um desenvolvimento que n\u00e3o seja predat\u00f3rio. Vamos aproveitar o fato desse problema grave, que parou tudo, para reiniciar de uma forma melhor, onde se consiga trabalhar com estruturas pol\u00edtica e econ\u00f4mica protetoras, etc.<br \/>\nOutras pessoas est\u00e3o pensando em ir viajar, ir ao restaurante, ao shopping, querem a normalidade. Sendo que, na vis\u00e3o de Pierre Weil, a normalidade \u00e9 a normose: uma doen\u00e7a em que seguimos, numa aparente normalidade, em dire\u00e7\u00e3o a um grave problema. N\u00f3s j\u00e1 estamos vivendo os sintomas graves da pr\u00f3pria normose.<br \/>\nAqui estou convergindo a linguagem para a no\u00e7\u00e3o das bolhas. Operamos a partir de bolhas e podemos gerar v\u00e1rias bolhas. Que bolha vamos fazer e tornar respeit\u00e1vel ao final da pandemia? Teremos que fundar uma bolha, um tipo de realidade, a partir da qual as coisas se organizam. Se n\u00e3o tivermos uma boa bolha, as coisas v\u00e3o andar setorizadas, flutuando.<br \/>\nPor outro lado, as pessoas n\u00e3o sabem por quanto tempo ir\u00e3o viver, porque os parentes est\u00e3o morrendo, pessoas conhecidas est\u00e3o morrendo. \u00c9 o que se v\u00ea todo dia na nossa pr\u00e1tica. As bolhas, que dariam alguma seguran\u00e7a para n\u00f3s, est\u00e3o se fragmentando. Isso est\u00e1 produzindo, por exemplo, os \u00f3rf\u00e3os da pandemia, crian\u00e7as que est\u00e3o tendo que morar com outros adultos porque os pais se foram. Isso \u00e9 super grave, triste, aflitivo. \u00c9 natural que haja flutua\u00e7\u00e3o da base das bolhas e uma mescla entre bolhas. As pessoas olham um tipo de realidade e misturam com outro tipo, e constroem bolhas flutuantes, de curto alcance, e se comportam por dentro disso, um pouco aflitas.<br \/>\nEsses processos est\u00e3o acrescidos da cria\u00e7\u00e3o de referenciais artificiais de curta dura\u00e7\u00e3o, realidades fake espantosas, porque est\u00e3o movimentando pessoas eventualmente educadas, com recursos. Elas come\u00e7am a ter comportamentos aleat\u00f3rios, surgem vis\u00f5es apocal\u00edpticas, mundos paralelos, vozes internas, imagens messi\u00e2nicas, sensa\u00e7\u00f5es de persegui\u00e7\u00e3o ou de grandes oportunidades. As pessoas ficam perturbadas e isso produz flutua\u00e7\u00f5es de base que t\u00eam, imediatamente, um reflexo emocional sobre o comportamento. Vemos as pessoas se matando, ou fazendo coisas muito aflitivas. A viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 um exemplo disso.<br \/>\nAqui, temos o sofrimento mental enquanto flutua\u00e7\u00f5es das identidades em meio \u00e0s bolhas, porque quando as bolhas mudam, os impulsos mudam. Os p\u00e9s das identidades est\u00e3o nas bolhas e de l\u00e1 eles pulam, de l\u00e1 surge esse movimento. \u00c9 natural que, nesse tempo, haja sofrimento f\u00edsico e mental, sofrimento das identidades. Um n\u00famero muito grande de pessoas est\u00e1 passando pela situa\u00e7\u00e3o de ver os entes queridos n\u00e3o poderem ser atendidos nos hospitais e, eventualmente, morrerem. H\u00e1 muitas pessoas se queixando, doloridas de n\u00e3o poderem nem se despedir ou fazer uma cerim\u00f4nia f\u00fanebre para os entes queridos.<\/p>\n<h3>Recuperando o equil\u00edbrio no aspecto grosseiro<\/h3>\n<p>Como o Darma do Buda pode ajudar nessas circunst\u00e2ncias? Em uma perspectiva, ajudar\u00edamos as pessoas a recuperar o equil\u00edbrio no n\u00edvel grosseiro, sutil e secreto. No n\u00edvel grosseiro, o conselho geral cl\u00e1ssico do Buda, para qualquer tempo e em qualquer circunst\u00e2ncia, \u00e9 gerar m\u00e9ritos e evitar gerar carmas. Esse conselho dirige-se aos praticantes, que entendem essa linguagem. Se estamos feridos e atingidos pelas coisas, entendemos que muitos seres tamb\u00e9m foram atingidos. Uma vez que n\u00e3o conseguimos proteger os nossos queridos porque j\u00e1 foram atingidos, podemos talvez proteger outros, que ainda n\u00e3o foram atingidos. Podemos canalizar nossa energia de forma positiva, ajudando os outros seres que est\u00e3o fragilizados. Isso \u00e9 muito importante. Por exemplo, ajudar a UNICEF, M\u00e9dicos Sem Fronteiras&#8230; Acho comovente o esfor\u00e7o deles de ajudar pessoas nos v\u00e1rios ambientes. Est\u00e3o em campanhas permanentes de buscar ajuda. Essa \u00e9 uma forma de n\u00f3s, de algum modo, nos engajarmos. Quem puder fazer isso, ser\u00e1 uma boa coisa.<br \/>\n\u00c9 importante, tamb\u00e9m, disponibilizar alimentos, cestas b\u00e1sicas para as pessoas. V\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o fazendo distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas, porque as pessoas est\u00e3o se defrontando com a fome; a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica foi afetada e n\u00e3o h\u00e1 uma perspectiva r\u00e1pida para resolver isso. Podemos gerar m\u00e9ritos nesse n\u00edvel grosseiro.<br \/>\nEvitar carmas significa evitar a\u00e7\u00f5es negativas, entristecimento, depress\u00e3o, des\u00e2nimo, a n\u00edvel pessoal. No n\u00edvel mais amplo, evitar estabelecer rela\u00e7\u00f5es negativas em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es, evitar o discurso de \u00f3dio e agress\u00f5es. \u00c9 importante substituir isso pela gera\u00e7\u00e3o de m\u00e9ritos.<\/p>\n<h3>Recuperando o equil\u00edbrio no aspecto sutil<\/h3>\n<p>No aspecto sutil, por base, o que vai possibilitar gerar m\u00e9rito e evitar carmas? Transitar das seis emo\u00e7\u00f5es perturbadoras (orgulho, inveja, desejo\/apego, des\u00e2nimo\/desinteresse, car\u00eancia e raiva\/rancor\/\u00f3dio) para atuar a partir das Quatro Qualidades Incomensur\u00e1veis e das Seis Perfei\u00e7\u00f5es (compaix\u00e3o, amor, alegria, equanimidade, generosidade, moralidade, paz, energia constante, concentra\u00e7\u00e3o e sabedoria). Substitu\u00edmos um tipo de a\u00e7\u00e3o por outra. \u00c9 evidente que, se formos explicar isso para a maior parte das pessoas, n\u00e3o vai funcionar. Precisamos de meios h\u00e1beis para explicar e ajudar com exemplos, ensinando pelas costas. As Quatro Qualidades Incomensur\u00e1veis e as Seis Perfei\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma base para que se possa gerar m\u00e9rito e evitar carmas. Se estamos movidos pelas Quatro Qualidades Incomensur\u00e1veis, vamos gerar m\u00e9ritos naturalmente, proteger as pessoas e evitar carmas. Isso \u00e9 muito importante.<\/p>\n<h3>O equil\u00edbrio no aspecto secreto<\/h3>\n<p>O aspecto sutil substitui as bolhas, e serve de base para gerarmos a\u00e7\u00f5es merit\u00f3rias efetivas no n\u00edvel grosseiro. J\u00e1 as a\u00e7\u00f5es no n\u00edvel sutil brotam da natural liberdade. A compreens\u00e3o da natural liberdade \u00e9 o aspecto secreto, que vai nos permitir entender a vacuidade das apar\u00eancias e de todos os referenciais. Entendendo o aspecto luminoso, entendemos que, se estamos fazendo a\u00e7\u00f5es negativas ou positivas, o aspecto luminoso est\u00e1 presente.<br \/>\nMesmo que as pessoas estejam fazendo a\u00e7\u00f5es muito negativas, elas t\u00eam a natureza luminosa dentro delas, vivem al\u00e9m das vidas que est\u00e3o manifestando, t\u00eam a natureza b\u00fadica e podem ser alcan\u00e7adas. Se no tempo presente n\u00e3o for poss\u00edvel, em um tempo futuro elas inevitavelmente podem ser alcan\u00e7adas pelos budas e bodisatvas, de tal modo que entendam a natureza delas, que est\u00e1 al\u00e9m de vida e morte. Mesmo que as pessoas n\u00e3o entendam isso agora, j\u00e1 est\u00e3o al\u00e9m de vida e morte. A compreens\u00e3o do aspecto secreto nos d\u00e1 serenidade diante da vida e diante da morte, nos d\u00e1 a capacidade de ajudar os seres mesmo que eles estejam desesperados e pensem que n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o. Entendemos que a vida deles pulsa al\u00e9m de vida e morte, e \u00e9 algo muito mais profundo. Essa compreens\u00e3o calma vem justamente do aspecto secreto, da natural perfei\u00e7\u00e3o de todas as apar\u00eancias.<br \/>\nSe quisermos ajudar as pessoas a desenvolver qualidades melhores, podemos induzir a calma de suas mentes atrav\u00e9s da pr\u00f3pria medita\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito importante que as pessoas possam ser introduzidas aos ensinamentos do Satipatthana Sutra, de algum modo, mesmo que n\u00e3o precisem ouvir a palavra Satipatthana. Podem ser convidadas a inspirar e a expirar calmamente, de forma natural, e entender quando se est\u00e1 inspirando mais longo e mais curto, e observar isso. Esse processo \u00e9 crucial, porque produz um distanciamento entre a lucidez e nossa opera\u00e7\u00e3o aflitiva. Come\u00e7amos a nos tornar independentes e a gerar uma lucidez independente dos processos aflitivos.<br \/>\nTodos os processos aflitivos oscilam com a respira\u00e7\u00e3o. N\u00f3s contemplamos isso e vemos que existe uma regi\u00e3o calma, capaz de nos ver aflitos e de nos ver bem. Existe essa regi\u00e3o calma a partir da qual podemos contemplar a respira\u00e7\u00e3o, as emo\u00e7\u00f5es, o corpo, as v\u00e1rias partes do corpo, e vamos ganhando esse progressivo distanciamento entre a regi\u00e3o l\u00facida e os fen\u00f4menos grosseiros que flutuam. A calma da mente vem disso, da capacidade de distanciamento, e gera uma a\u00e7\u00e3o mental de estabilidade sem produzir nenhuma tens\u00e3o na busca de uma estabilidade tensa. Calmamente, ganhamos a estabilidade por esse distanciamento.<br \/>\nSe pudermos fazer isso, est\u00e1 bem. Se n\u00e3o pudermos, podemos utilizar o pr\u00f3prio corpo como base dessa pr\u00e1tica; atrav\u00e9s de exerc\u00edcios e relaxamento podemos ganhar alguma liberdade e estabilidade da mente, sem tens\u00e3o.<br \/>\nOutra possibilidade adicional \u2013 se poss\u00edvel, a praticar junto com as outras &#8211; \u00e9 acalmar o entorno onde estamos, a pr\u00f3pria bolha. Como as pessoas n\u00e3o entendem que o entorno \u00e9 a bolha, n\u00e3o precisamos quebrar a sensa\u00e7\u00e3o de bolha. Podemos ajud\u00e1-las a praticar Metabavana em rela\u00e7\u00e3o a todos os seres que pertencem ao seu mundo, porque o mundo mental onde operamos est\u00e1 povoado de seres, coemergentes com nossa pr\u00f3pria mente. Se pudermos, devemos olhar os seres e incluir o c\u00e9u e as montanhas, e tamb\u00e9m olhar o mundo humano, os nossos filhos, pais, marido, esposa, as pessoas que encontramos nos v\u00e1rios lugares. Que possamos entender que est\u00e3o em dificuldades, e aspirar que superem o sofrimento, encontrem a felicidade e as causas da felicidade, se livrem das causas do sofrimento. Entendemos que, como n\u00f3s, eles tamb\u00e9m est\u00e3o armadilhados, e acalmamos o entorno. Se essa vis\u00e3o se estabelece, j\u00e1 gera m\u00e9ritos e evita carmas, nos induz a boas a\u00e7\u00f5es e a n\u00e3o criar sofrimento, e melhora muito nossas vidas.<\/p>\n<h3>Grande Compaix\u00e3o<\/h3>\n<p>Podemos, tamb\u00e9m, reconhecer a situa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica dos seres e desenvolver a compaix\u00e3o em uma vis\u00e3o mais ampla, que seria a Grande Compaix\u00e3o. Entender que os seres est\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel, vivendo a imperman\u00eancia, a fragilidade, a aus\u00eancia de dire\u00e7\u00e3o, se iludem facilmente com felicidade e sofrimento, est\u00e3o presos a dukkha e acreditam que t\u00eam estruturas de identidades reais. Se dissermos essas palavras para eles, s\u00f3 complicaremos, mas precisamos ter isso em mente, de alguma maneira, para ajud\u00e1-los a entender de forma mais ampla. Quando operamos desse modo, aliviamos o ambiente ao redor, e isso vai promover uma melhoria no que diz respeito ao sofrimento e adoecimento, no n\u00edvel emocional e f\u00edsico.<br \/>\nQuando o n\u00edvel emocional se perturba, inevitavelmente h\u00e1 o adoecimento f\u00edsico, porque o n\u00edvel emocional est\u00e1 diretamente relacionado com o funcionamento da energia por dentro do corpo. Ele comanda a respira\u00e7\u00e3o e v\u00e1rios fluxos de gotas \u2013 como se diz no budismo \u2013 secre\u00e7\u00f5es glandulares que operam por dentro do corpo. Tudo opera ligado \u00e0s emo\u00e7\u00f5es, \u00e0s vis\u00f5es de mundo, \u00e0s bolhas. A sensa\u00e7\u00e3o das bolhas produz imediatamente altera\u00e7\u00f5es no corpo. Percep\u00e7\u00f5es aflitivas de um certo tipo constantes, que se estabelecem como bolhas de realidade, v\u00e3o produzir configura\u00e7\u00f5es no corpo \u2013 inicialmente na energia e depois na pr\u00f3pria manifesta\u00e7\u00e3o f\u00edsica do corpo. Na vis\u00e3o budista, o nosso pr\u00f3prio corpo \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o c\u00e1rmica. Foi justamente a perturba\u00e7\u00e3o da mente e da energia que desenvolveu o corpo desse modo. A manifesta\u00e7\u00e3o f\u00edsica \u00e9 a express\u00e3o direta do carma sutil no n\u00edvel grosseiro, e \u00e9 sustentada pela energia vital, que \u00e9 insepar\u00e1vel do aspecto secreto. Quando a energia vital, insepar\u00e1vel do aspecto secreto, sucumbe, o pr\u00f3prio corpo c\u00e1rmico se desfaz. \u00c9 importante que entendamos isso. Essa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o de todos os seres. Esse processo \u00e9 t\u00e3o \u00edntimo quanto isso.<br \/>\nO Buda nos convida a movimentar a nossa energia de um modo que n\u00e3o seja c\u00e1rmico, que venha diretamente da energia primordial. A energia c\u00e1rmica passa pelos v\u00e1rios condicionantes, surge por dentro dos condicionantes. Dizemos: \u201cChocolate!\u201d e os olhos de todos brilham. Isso \u00e9 a energia c\u00e1rmica. Mas esse brilho n\u00e3o precisa vir pelo chocolate, ele \u00e9 o brilho \u2013 pode vir direto da natureza primordial. Se voc\u00eas se sentarem em medita\u00e7\u00e3o e ampliarem esse brilho, como o Buda vai explicar, ficar\u00e3o imunes \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es c\u00e1rmicas, aos movimentos de energia que v\u00eam por dentro dos condicionantes ligados ao corpo e aos aspectos sutis. Esse movimento de energia por dentro dos condicionantes \u00e9 muito menos intenso do que a energia que possa brotar direto da sabedoria primordial.<br \/>\nNo sentido \u00faltimo de sa\u00fade de corpo e mente, estamos operando a partir do aspecto secreto juntamente com a pr\u00f3pria energia, que \u00e9 aut\u00f4noma e brota do pr\u00f3prio aspecto secreto.<br \/>\n<em>Transcri\u00e7\u00e3o: Clarissa Gleich<\/em><br \/>\n<em> Edi\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o: Joana Braga, Cl\u00e1udia Laux, Stela Santin<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abaixo a transcri\u00e7\u00e3o da palestra \u201cSa\u00fade Mental e Emocional: o estabelecimento do adoecimento mental e emocional e a amplia\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o atrav\u00e9s das Seis Perfei\u00e7\u00f5es\u201d oferecida por Lama Padma Samten no dia 3 de abril de 2021, organizada pelo CEBB de Florian\u00f3polis.\u00a0\u00a0<\/p>","protected":false},"author":119,"featured_media":85346,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[417,364],"tags":[],"class_list":["post-84693","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ensinamentos","category-treinamento"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.6 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Transcri\u00e7\u00e3o da palestra &quot;Sa\u00fade mental e emocional&quot; - Centro de Estudos Budistas Bodisatva<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/cebb.org.br\/es\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Transcri\u00e7\u00e3o da palestra &quot;Sa\u00fade mental e emocional&quot; - Centro de Estudos Budistas Bodisatva\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Abaixo a transcri\u00e7\u00e3o da palestra \u201cSa\u00fade Mental e Emocional: o estabelecimento do adoecimento mental e emocional e a amplia\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o atrav\u00e9s das Seis Perfei\u00e7\u00f5es\u201d oferecida por Lama Padma Samten no dia 3 de abril de 2021, organizada pelo CEBB de Florian\u00f3polis.\u00a0\u00a0\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/cebb.org.br\/es\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Centro de Estudos Budistas Bodisatva\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/pt-br.facebook.com\/cebb108\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-06-11T20:38:59+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/cebb.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/50113953562_82cd9c76e7_c2.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"799\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"532\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tiempo de lectura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"40 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/en\\\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/en\\\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"\",\"@id\":\"\"},\"headline\":\"Transcri\u00e7\u00e3o da palestra &quot;Sa\u00fade mental e emocional&quot;\",\"datePublished\":\"2021-06-11T20:38:59+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/en\\\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\\\/\"},\"wordCount\":7934,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/en\\\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/06\\\/50113953562_82cd9c76e7_c2.jpg\",\"articleSection\":[\"Ensinamentos\",\"Treinamento em vis\u00e3o e medita\u00e7\u00e3o\"],\"inLanguage\":\"es\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/en\\\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/en\\\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\\\/\",\"name\":\"Transcri\u00e7\u00e3o da palestra &quot;Sa\u00fade mental e emocional&quot; - Centro de Estudos Budistas Bodisatva\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/en\\\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/en\\\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/06\\\/50113953562_82cd9c76e7_c2.jpg\",\"datePublished\":\"2021-06-11T20:38:59+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/en\\\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"es\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/en\\\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"es\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/en\\\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/06\\\/50113953562_82cd9c76e7_c2.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/06\\\/50113953562_82cd9c76e7_c2.jpg\",\"width\":799,\"height\":532},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/en\\\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Transcri\u00e7\u00e3o da palestra &quot;Sa\u00fade mental e emocional&quot;\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/\",\"name\":\"Centro de Estudos Budistas Bodisatva\",\"description\":\"Budismo, medita\u00e7\u00e3o e cultura de paz | Lama Padma Samten\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"es\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/#organization\",\"name\":\"Centro de Estudos Budistas Bodisatva\",\"url\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"es\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"http:\\\/\\\/18.230.164.79\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2011\\\/03\\\/logosalvador-peq-e1660064979551.jpg\",\"contentUrl\":\"http:\\\/\\\/18.230.164.79\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2011\\\/03\\\/logosalvador-peq-e1660064979551.jpg\",\"width\":280,\"height\":231,\"caption\":\"Centro de Estudos Budistas Bodisatva\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/pt-br.facebook.com\\\/cebb108\",\"https:\\\/\\\/www.instagram.com\\\/cebbcaminhodomeio\\\/\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"\",\"url\":\"https:\\\/\\\/cebb.org.br\\\/es\\\/author\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Transcri\u00e7\u00e3o da palestra &quot;Sa\u00fade mental e emocional&quot; - Centro de Estudos Budistas Bodisatva","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\/","og_locale":"es_ES","og_type":"article","og_title":"Transcri\u00e7\u00e3o da palestra &quot;Sa\u00fade mental e emocional&quot; - Centro de Estudos Budistas Bodisatva","og_description":"Abaixo a transcri\u00e7\u00e3o da palestra \u201cSa\u00fade Mental e Emocional: o estabelecimento do adoecimento mental e emocional e a amplia\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o atrav\u00e9s das Seis Perfei\u00e7\u00f5es\u201d oferecida por Lama Padma Samten no dia 3 de abril de 2021, organizada pelo CEBB de Florian\u00f3polis.\u00a0\u00a0","og_url":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\/","og_site_name":"Centro de Estudos Budistas Bodisatva","article_publisher":"https:\/\/pt-br.facebook.com\/cebb108","article_published_time":"2021-06-11T20:38:59+00:00","og_image":[{"width":799,"height":532,"url":"https:\/\/cebb.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/50113953562_82cd9c76e7_c2.jpg","type":"image\/jpeg"}],"twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"","Tiempo de lectura":"40 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/cebb.org.br\/en\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/cebb.org.br\/en\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\/"},"author":{"name":"","@id":""},"headline":"Transcri\u00e7\u00e3o da palestra &quot;Sa\u00fade mental e emocional&quot;","datePublished":"2021-06-11T20:38:59+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/cebb.org.br\/en\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\/"},"wordCount":7934,"publisher":{"@id":"https:\/\/cebb.org.br\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/cebb.org.br\/en\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/cebb.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/50113953562_82cd9c76e7_c2.jpg","articleSection":["Ensinamentos","Treinamento em vis\u00e3o e medita\u00e7\u00e3o"],"inLanguage":"es"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/cebb.org.br\/en\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\/","url":"https:\/\/cebb.org.br\/en\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\/","name":"Transcri\u00e7\u00e3o da palestra &quot;Sa\u00fade mental e emocional&quot; - Centro de Estudos Budistas Bodisatva","isPartOf":{"@id":"https:\/\/cebb.org.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/cebb.org.br\/en\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/cebb.org.br\/en\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/cebb.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/50113953562_82cd9c76e7_c2.jpg","datePublished":"2021-06-11T20:38:59+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/cebb.org.br\/en\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\/#breadcrumb"},"inLanguage":"es","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/cebb.org.br\/en\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"es","@id":"https:\/\/cebb.org.br\/en\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\/#primaryimage","url":"https:\/\/cebb.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/50113953562_82cd9c76e7_c2.jpg","contentUrl":"https:\/\/cebb.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/50113953562_82cd9c76e7_c2.jpg","width":799,"height":532},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/cebb.org.br\/en\/transcricao-da-palestra-saude-mental-e-emocional\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/cebb.org.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Transcri\u00e7\u00e3o da palestra &quot;Sa\u00fade mental e emocional&quot;"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/cebb.org.br\/#website","url":"https:\/\/cebb.org.br\/","name":"Centro de Estudios Budistas Bodisatva","description":"Budismo, meditaci\u00f3n y cultura de paz | Lama Padma Samten","publisher":{"@id":"https:\/\/cebb.org.br\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/cebb.org.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"es"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/cebb.org.br\/#organization","name":"Centro de Estudios Budistas Bodisatva","url":"https:\/\/cebb.org.br\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"es","@id":"https:\/\/cebb.org.br\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"http:\/\/18.230.164.79\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/logosalvador-peq-e1660064979551.jpg","contentUrl":"http:\/\/18.230.164.79\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/logosalvador-peq-e1660064979551.jpg","width":280,"height":231,"caption":"Centro de Estudos Budistas Bodisatva"},"image":{"@id":"https:\/\/cebb.org.br\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/pt-br.facebook.com\/cebb108","https:\/\/www.instagram.com\/cebbcaminhodomeio\/"]},{"@type":"Person","@id":"","url":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/author\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84693","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/119"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84693"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84693\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85346"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84693"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84693"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cebb.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84693"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}