{"id":111,"date":"2008-12-31T03:00:00","date_gmt":"2008-12-31T03:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cebb.org.br\/novo\/?p=111"},"modified":"2008-12-31T03:00:00","modified_gmt":"2008-12-31T03:00:00","slug":"vida-de-meditante-superando-os-obstaculos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cebb.org.br\/fr\/vida-de-meditante-superando-os-obstaculos\/","title":{"rendered":"Vida de meditante: superando os obst\u00e1culos"},"content":{"rendered":"<h3>A quest\u00e3o da estabilidade da mente<\/h3>\n<p>Quando n\u00f3s examinamos o ensinamento do Buda, percebemos que ele fala sobre paz, paci\u00eancia, serenidade, a kshanti paramita. <!--more-->Quando examinamos a estrutura do pensamento do Buda, percebemos que esse passo diz respeito a liberar o praticante do dom\u00ednio da cobra e do galo. A cobra \u00e9 a raiva, a avers\u00e3o, o \u00f3dio, o medo, e o galo \u00e9 a intranq\u00fcilidade, a agita\u00e7\u00e3o, a atividade incessante, a afli\u00e7\u00e3o. Estes s\u00e3o os dois elementos que perturbam a serenidade do praticante. Se estes elementos simbolizados pela cobra e pelo galo estiverem presentes, inevitavelmente a paz estar\u00e1 perdida e a pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o formal ser\u00e1 in\u00f3cua. <\/p>\n<p>Quando perdemos a serenidade isso n\u00e3o se mostra apenas no cotidiano. Mesmo que sentemos para praticar medita\u00e7\u00e3o nossa mente vai girar. Experimentaremos afli\u00e7\u00e3o ainda que sentados na postura formal e em sil\u00eancio. Sem a serenidade, imagens surgem em nossa mente, temos impulsos de a\u00e7\u00e3o, surgem muitos diferentes pensamentos e prioridades. <\/p>\n<p>Surgindo estas prioridades, o praticante pode cogitar que lhe falta algum ensinamento especial para que seja capaz de \u201ccontrolar\u201d sua mente. Com essa expectativa o praticante pode at\u00e9 desanimar, imaginar que sua pr\u00e1tica, sem falar na vida cotidiana, est\u00e3o perdidas e que nunca vencer\u00e1 esse obst\u00e1culo. H\u00e1 praticantes que sustentam seu esfor\u00e7o por longos anos, sem progresso vis\u00edvel, obstaculizados que est\u00e3o por fatores sutis.<\/p>\n<p>Outros praticantes podem substituir a agita\u00e7\u00e3o e a raiva pela sonol\u00eancia e indol\u00eancia. Em lugar da agita\u00e7\u00e3o, surge outro estado que tamb\u00e9m \u00e9 simbolizado pela a\u00e7\u00e3o do galo, mas que nesse caso conecta-se com a qualidade da obtusidade mental. Dominados pela raiva, pela agita\u00e7\u00e3o, ou ainda pela depress\u00e3o, os praticantes podem desenvolver esperan\u00e7a numa dire\u00e7\u00e3o errada \u2014 podem realmente imaginar que falta alguma t\u00e9cnica espec\u00edfica em sua medita\u00e7\u00e3o. Podem vir a ansiar por alguma habilidade especial que aparentemente ainda n\u00e3o esteja presente e que seja capaz de dissipar estes obst\u00e1culos durante a pr\u00f3pria pr\u00e1tica formal. <\/p>\n<h3>Serenidade e medita\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio desenvolver uma perspectiva abrangente dos ensinamentos. Quando Buda d\u00e1 instru\u00e7\u00f5es sobre medita\u00e7\u00e3o formal, em geral estes ensinamentos correspondem\u00a0\u00e0 sexta etapa do nobre caminho \u00f3ctuplo. Esta etapa \u00e9 precedida pelos ensinamentos que dizem respeito \u00e0 pr\u00e1tica da serenidade e da paci\u00eancia, que por si s\u00f3 s\u00e3o parte das instru\u00e7\u00f5es do Buda com rela\u00e7\u00e3o a forma de viver e praticar durante a pr\u00f3pria vida cotidiana, a quinta etapa. Se n\u00e3o houver uma compreens\u00e3o adequada deste item de serenidade e paci\u00eancia, ser\u00e1 muito dif\u00edcil progredir na medita\u00e7\u00e3o formal sentada. Portanto, segundo o ensinamento do Buda, fica claro que esta etapa, a que nos capacita a vencer a agita\u00e7\u00e3o da mente durante a medita\u00e7\u00e3o \u00e9, na verdade, uma atitude b\u00e1sica. \u00c9 para ser praticada na pr\u00f3pria vida cotidiana, antes mesmo de sentar na nobre postura silenciosa de sete pontos ensinada pelo Buda. Em verdade \u00e9 um pr\u00e9-requisito para ela.<\/p>\n<p>Quando o Buda fala sobre esta etapa da paci\u00eancia e da serenidade no \u201cSutra do Diamante\u201d, ele enfoca o assunto n\u00e3o no sentido de como a paci\u00eancia \u00e9 gerada, mas no reconhecimento de que nossa condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e9 de paci\u00eancia e serenidade. Ou seja a serenidade e a paci\u00eancia s\u00e3o vistas como atributos naturais da mente e n\u00e3o algo constru\u00eddo por h\u00e1bito, atrav\u00e9s de um treinamento, por exemplo.<\/p>\n<p>Esta condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e9 perdida pela a\u00e7\u00e3o dos dois animais, a cobra e o galo, que, por sua vez, s\u00e3o potencializados por um terceiro animal, o javali. Este simboliza nossas fixa\u00e7\u00f5es, nosso auto-interesse. <\/p>\n<p>Portanto, quando procuramos a serenidade devemos pensar em como remover estas fixa\u00e7\u00f5es, este \u00e9 o ponto importante. A mente oscilando durante a pr\u00e1tica \u00e9 um obst\u00e1culo b\u00e1sico que est\u00e1 ligado a a\u00e7\u00e3o do javali e, por conseq\u00fc\u00eancia, dos outros dois animais. Ele se mostra como nossas fixa\u00e7\u00f5es, e dessa forma surge dentro de nossa medita\u00e7\u00e3o como flutua\u00e7\u00e3o da mente, das energias e emo\u00e7\u00f5es na forma do galo e da cobra. <\/p>\n<p>Operando segundo fixa\u00e7\u00f5es, o javali se estrutura na forma de guardi\u00f5es de nossas atividades cotidianas. Devido a estas fixa\u00e7\u00f5es surgem ganhos e perdas potenciais. Ent\u00e3o criamos em nossa pr\u00f3pria mente como que servos, guardas, assessores: partes nossas que colocamos a vigiar todas estas atividades e fixa\u00e7\u00f5es que temos. Nossa mente permanece operando sob condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e fornecendo impulsos de a\u00e7\u00e3o, acionando campainhas de alarme quando certos eventos ou desequil\u00edbrios ocorrem. Quando eventos amea\u00e7adores s\u00e3o localizados, \u00e9 como se j\u00e1 existisse uma autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para esses assessores invadirem nosso sil\u00eancio e nos fornecerem relat\u00f3rios constantes. <\/p>\n<p>Quando temos a mente agitada em meio a medita\u00e7\u00e3o, podemos observar que nenhum dos conte\u00fados da agita\u00e7\u00e3o mental \u00e9 realmente sup\u00e9rfluo sob o ponto de vista dos valores o objetivos de nossa vida cotidiana. Eles dizem respeito a atividades nossas, \u00e1reas que visitamos regularmente, seja atrav\u00e9s de pensamentos, emo\u00e7\u00f5es ou identidades que surgem em meio a condi\u00e7\u00f5es. Por isto \u00e9 essencial purificarmos nossas motiva\u00e7\u00f5es usuais da vida, reintroduzindo o sentido profundo da moralidade.<\/p>\n<h3>O primeiro passo do nobre caminho<\/h3>\n<p>O primeiro passo do nobre caminho \u00e9 realmente b\u00e1sico, nenhum praticante que deseje sucesso pode passar por cima disso. Ele diz respeito a motiva\u00e7\u00e3o correta frente \u00e0 vida e ao caminho espiritual, ou seja, o correto prop\u00f3sito. Ele pode ser melhor entendido atrav\u00e9s da explica\u00e7\u00e3o de Sua Santidade o Dalai Lama sobre a motiva\u00e7\u00e3o b\u00e1sica dos seres sencientes em geral, que \u00e9 a libera\u00e7\u00e3o do sofrimento e a experi\u00eancia de felicidade. Sua Santidade explica de uma maneira muito simples e poderosa: \u201cse voc\u00ea obt\u00e9m felicidade na depend\u00eancia de fatores inst\u00e1veis, impermanentes, se busca sua libera\u00e7\u00e3o do sofrimento atrav\u00e9s de fatores flutuantes, a agita\u00e7\u00e3o certamente nunca cessar\u00e1.\u201d Com ref\u00fagios fr\u00e1geis, teremos que nos manter incessantemente em movimento, como um equilibrista que n\u00e3o pode parar um minuto de mover-se compensando os desequil\u00edbrios. <\/p>\n<p>O verdadeiro ref\u00fagio n\u00e3o \u00e9 algo que surge externamente, separado de nossa natureza \u00faltima. Tamb\u00e9m o correto prop\u00f3sito n\u00e3o \u00e9 um movimento que surja como uma recomenda\u00e7\u00e3o ou ordem de algum \u201cser superior\u201d. A princ\u00edpio pode nos parecer que surgir\u00e1 algu\u00e9m que fornecer\u00e1 um c\u00f3digo a que teremos que nos adequar, mas uma das peculiaridades do pensamento budista \u00e9 exatamente a reintrodu\u00e7\u00e3o da moral e da \u00e9tica como uma forma de liberdade nossa, n\u00e3o por uma adapta\u00e7\u00e3o a uma ordem externa. Em nossa cultura tradicional sentimos freq\u00fcentemente a \u00e9tica e a moral como se fossem imposi\u00e7\u00f5es externas sobre n\u00f3s, e muitas vezes surge um desconforto nesse processo. Portanto devemos observar esse aspecto precioso do Darma, o fato de que realmente n\u00e3o imp\u00f5e uma moral ou \u00e9tica externas. <\/p>\n<p>A moral e a \u00e9tica ressurgem devido ao nosso objetivo fundamental que \u00e9 a liberdade e o afastamento do sofrimento. Se desejamos esse resultado, temos um referencial segundo o qual podemos raciocinar. A conclus\u00e3o desse racioc\u00ednio nos indica a necessidade de repousarmos sob fontes seguras de ref\u00fagio. Essas fontes seguras de ref\u00fagio, no caso do budismo, se traduzem como a natureza da liberdade, a natureza da criatividade e a natureza da compaix\u00e3o. S\u00e3o como que tr\u00eas dimens\u00f5es que representam a natureza \u00faltima da mente, a natureza final n\u00e3o-constru\u00edda, al\u00e9m de espa\u00e7o-tempo, nome e forma, vida e morte. Essas tr\u00eas palavras parecem ter um sentido convencional, mas isso \u00e9 um problema da nossa linguagem. Os meditantes, na medida que aprofundam sua compreens\u00e3o, reconhecem o aspecto ilimitado presente nessas tr\u00eas palavras, e percebem sua unidade inerente.<\/p>\n<p>Dessa forma, se nos fixamos em fatores transit\u00f3rios, inevitavelmente vamos oscilar em meio a condi\u00e7\u00f5es flutuan<br \/>\ntes. Por outro lado, se atrav\u00e9s de um prop\u00f3sito claro de suas mentes, repousarmos sob aquilo que n\u00e3o se move, sob a natureza \u00faltima, ent\u00e3o repousaremos sob a liberdade correspondente. E com isso atingiremos a realiza\u00e7\u00e3o do primeiro passo do nobre caminho. <\/p>\n<h3>Evitando as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o-virtuosas<\/h3>\n<p>Atingindo essa realiza\u00e7\u00e3o, os tr\u00eas outros seguir\u00e3o de forma natural. Em corpo, fala e mente n\u00e3o cometeremos a\u00e7\u00f5es de matar, ou a\u00e7\u00f5es de roubar, ou conduta sexual que venha a trazer sofrimento a n\u00f3s e outros seres, tampouco mentiremos, ou agrediremos verbalmente, ou promoveremos disc\u00f3rdia, ou ainda falaremos inutilmente. Tampouco daremos ensinamentos her\u00e9ticos, ou nos vincularemos a um processo de car\u00eancia, ou desenvolveremos avers\u00e3o, raiva, \u00f3dio e medo. Assim contamos dez \u201ca\u00e7\u00f5es n\u00e3o-virtuosas\u201d que os praticantes evitam. Eles as evitam de forma natural, espont\u00e2nea, ancorados pelo correto prop\u00f3sito desenvolvido no primeiro dos oito passos do nobre caminho. Esta \u00e9 uma pr\u00e1tica sem esfor\u00e7o, estes tr\u00eas passos adicionais surgem como controle de qualidade de nossa motiva\u00e7\u00e3o, ou seja, do nosso correto prop\u00f3sito. <\/p>\n<p>Observando isso percebemos o efeito poderoso desses quatro primeiros passos. Eles s\u00e3o os respons\u00e1veis pela estabilidade que venha a surgir em nossa mente durante a pr\u00e1tica formal. Se temos um reto prop\u00f3sito, naturalmente evitaremos as dez n\u00e3o-virtudes, e praticaremos as dez virtudes correspondentes, e rapidamente apresentaremos um comportamento sereno tanto na vida cotidiana quanto ao sentar para a pr\u00e1tica formal. E n\u00e3o h\u00e1 nisso nenhum tipo de repress\u00e3o ou imposi\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Apesar disso, quando os praticantes percebem isto, v\u00eaem que mesmo que o objetivo inicial seja perseguido, ou seja, que busquem efetivamente o correto prop\u00f3sito e que evitem as dez a\u00e7\u00f5es n\u00e3o-virtuosas, ainda assim, inexplicavelmente, surgem eventualmente os impulsos dessas a\u00e7\u00f5es, em corpo, fala e mente. A mente, mesmo que entenda qu\u00e3o impr\u00f3prio seria agir dessa ou daquela maneira, ainda segue manifestando impulsos indesej\u00e1veis, e a sua pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o \u00e9 invadida pela agita\u00e7\u00e3o. Dessa forma s\u00e3o necess\u00e1rios ensinamentos adicionais. <\/p>\n<p>Estes ensinamentos correspondem a uma transi\u00e7\u00e3o important\u00edssima. At\u00e9 esse momento, ao evitar as dez a\u00e7\u00f5es n\u00e3o-virtuosas e praticar as dez a\u00e7\u00f5es virtuosas, e ao manifestar o corrreto prop\u00f3sito, estes ensinamentos, por\u00e9m, ainda dizem respeito a um certo auto-interesse. Ainda h\u00e1 algu\u00e9m que ouve o ensinamento com um desejo pessoal de libera\u00e7\u00e3o do sofrimento. Mesmo que exista grande m\u00e9rito, curiosamente, o ser que segue esse ensinamento \u00e9 de fato um javali, tem ainda a motiva\u00e7\u00e3o limitada. Este ser pode estar sentado com as pernas cruzadas como um Buda, mas \u00e9 necess\u00e1rio que a motiva\u00e7\u00e3o de auto-interesse seja transcendida. <\/p>\n<h3>A quinta etapa<\/h3>\n<p>Pela compaix\u00e3o dos Budas e Bodisatvas, surge, ent\u00e3o, o ensinamento correspondente\u00a0\u00e0 quinta etapa do nobre caminho do Buda, cuja descri\u00e7\u00e3o \u00e9 o cerne deste texto. No zen isto \u00e9 simbolizado pela afirma\u00e7\u00e3o de mestre Dogen &#8220;quando sentamos em medita\u00e7\u00e3o, praticamos insepar\u00e1veis de todos os seres&#8221;. Isso soa como um koan: os seres parecem separados, enquanto estamos sentados na sala de medita\u00e7\u00e3o eles est\u00e3o fazendo v\u00e1rias coisas por todos os lados, ent\u00e3o o que significa essa inseparatividade? Como solucionar isto?<\/p>\n<p>Os grandes mestres tamb\u00e9m afirmam que se nossa pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma de lucidez diferente da lucidez do per\u00edodo que a precede e do per\u00edodo que a sucede, isto \u00e9 um problema&#8230; A pr\u00e1tica n\u00e3o pode ser dividida em tr\u00eas per\u00edodos de tempo. Devemos entender que antes, durante e depois da pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o nossa mente \u00e9 insepar\u00e1vel da mente de todos os seres. Enfim, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre os estados de medita\u00e7\u00e3o formal e os estados mentais de lucidez da vida cotidiana.<\/p>\n<p>Erroneamente muitos praticantes apenas mant\u00e9m a apar\u00eancia externa da pr\u00e1tica no per\u00edodo que a sucede. Levantam e caminham em sil\u00eancio com o olho parado sem piscar, com uma cara \u201cde praticante\u201d. E assim fica \u00f3bvio que durante a pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o eles tamb\u00e9m n\u00e3o estiveram em contato com todos os seres. Quando levantam e caminham, a pr\u00e1tica parece resumir-se na experi\u00eancia de n\u00e3o-contato com os seres. Esta seria a pr\u00e1tica de um javali espec\u00edfico, mas n\u00e3o a verdadeira pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O quinto passo no nobre caminho \u00e9 o ant\u00eddoto efetivo para os dois problemas citados no princ\u00edpio: dificuldades econ\u00f4micas, a inadapta\u00e7\u00e3o que muitos praticantes sentem com rela\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e0 vida cotidiana e a conseq\u00fcente agita\u00e7\u00e3o durante a medita\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Essa experi\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 simbolizada pela express\u00e3o \u201cabandonar corpo e mente\u201d. Com isso queremos dizer que abandonamos todo o auto-interesse. Esta \u00e9 a grande morte, a morte do javali, o renascimento da liberdade. Ainda assim essas express\u00f5es seguem como desafios, como koans. No quinto passo no nobre caminho podemos tentar penetrar nessa pr\u00e1tica. <\/p>\n<p>Considero algo extremamente revelador podermos nos associar energeticamente com os outros seres, ter uma experi\u00eancia de brilho, n\u00e3o apenas motivados por um auto-interesse, mas motivados por uma a\u00e7\u00e3o mental que \u00e9 mais ampla e inclui a compreens\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o dos outros no pr\u00f3prio contexto em que se encontram. Talvez a palavra \u201ccompreens\u00e3o\u201d n\u00e3o seja muito exata. Se existe algu\u00e9m que compreende algo, ainda existe um objeto da mente. Me refiro de fato \u00e0 circunst\u00e2ncia na qual a pessoa faz sua mente operar sob as condi\u00e7\u00f5es a que outro ser est\u00e1 submetido. A pessoa desenvolve um fluxo mental e energ\u00e9tico, e consequentemente um fluxo de emo\u00e7\u00f5es, na inseparatividade com o outro. <\/p>\n<h3>Compaix\u00e3o<\/h3>\n<p>Isto pode parecer muito complicado, mas esta capacidade todos temos. Um exemplo \u00e9 o que acontece quando vamos ao cinema. Ainda que os personagens sejam fict\u00edcios, muitas vezes operamos nossa mente sob as condi\u00e7\u00f5es que esses personagens aparentemente operam. Assim nossa mente produz emo\u00e7\u00f5es e pensamentos ligados a circunst\u00e2ncias que n\u00e3o s\u00e3o nossas, mas de entidades virtuais que povoam a tela do cinema. Quando observamos de forma mais profunda, vemos que a nossa natureza, a natureza luminosa, criativa, de energia, \u00e9 exatamente a que produz a apar\u00eancia da realidade e inclusive a identidade que vive sob essa realidade aparente. Isso ao mesmo tempo que demonstra a energia de nossa mente, espelha tamb\u00e9m sua liberdade de sua manifesta\u00e7\u00e3o. Quando essa energia e essa liberdade de manifesta\u00e7\u00e3o se colocam sob as condi\u00e7\u00f5es de um outro ser, a compaix\u00e3o pode de fato surgir. <\/p>\n<p>A compaix\u00e3o se traduz como o interesse do praticante em que o outro ser se liberte das circunst\u00e2ncias aflitivas sob as quais est\u00e1 operando. De uma forma mais completa, essa dimens\u00e3o da compaix\u00e3o deveria incluir ainda a experi\u00eancia clara de que o sofrimento que o outro manifesta \u00e9 completamente desnecess\u00e1rio, que surge por causas, e que essas causas podem ser removidas. <\/p>\n<p>Como o sofrimento surge por causas, a remo\u00e7\u00e3o dessas causas \u00e9 essencialmente voltar a reconhecer a natureza ilimitada como a identidade b\u00e1sica de todos os seres. Devemos observar ainda que este reconhecimento, esta forma de descrever a compaix\u00e3o, pode ser intencionalmente praticada. Podemos fazer isso tanto na vida cotidiana quanto na pr\u00e1tica formal. <\/p>\n<p>Suponhamos que nossa atividade \u00e9 a de um m\u00e9dico ou advogado. Quando recebemos um cliente podemos desenvolver essa compreens\u00e3o profunda da dificuldade que o outro est\u00e1 vivendo, e a compreens\u00e3o profunda de que ela n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria. E assim pode ser que em nossa mente brote um interesse genu\u00edno, um impulso de a\u00e7\u00e3o para remover a dificuldade que o outro est\u00e1 vivendo. Por outro lado pode ocorrer que nossa a\u00e7\u00e3o seja motivada por um auto-interesse, podemos estar agindo por orgulho, por inveja, por desejo e apego, ou dominados por uma esp\u00e9cie de cansa\u00e7o ou pregui\u00e7a, ou dominados por uma sensa\u00e7\u00e3o de afli\u00e7\u00e3o ou car\u00eancia, ou ainda por raiva, avers\u00e3o, medo. Um praticante consegu<br \/>\ne distinguir perfeitamente se est\u00e1 atuando a partir destas seis emo\u00e7\u00f5es perturbadoras, ou se est\u00e1 atuando efetivamente para benef\u00edcio de outro ser, al\u00e9m da motiva\u00e7\u00e3o de auto-interesse. <\/p>\n<p>Um bom praticante nessa etapa reconhece perfeitamente a transi\u00e7\u00e3o de uma opera\u00e7\u00e3o mental em dire\u00e7\u00e3o a outra mais abrangente e livre. Sendo um praticante de muita qualidade, ele vai reconhecer tamb\u00e9m tanto a fixa\u00e7\u00e3o em si mesmo como a pr\u00f3pria compaix\u00e3o, ambas como a\u00e7\u00f5es livres da pr\u00f3pria mente original. Assim ele tamb\u00e9m transcender\u00e1 a no\u00e7\u00e3o de culpa, ou de falha. <\/p>\n<h3>Amor<\/h3>\n<p>Ap\u00f3s a compaix\u00e3o temos a segunda das dez etapas do quinto passo. Essa qualidade \u00e9 traduzida como &#8220;amor&#8221;. Sem reconhecer a liberdade natural da nossa mente com respeito\u00a0\u00e0 nossa pr\u00f3pria identidade, podemos eventualmente olhar para um outro ser a partir do auto-interesse, e dessa forma brotam as seis emo\u00e7\u00f5es perturbadoras. Destas surgem os impulsos de atra\u00e7\u00e3o, avers\u00e3o ou indiferen\u00e7a. Mas podemos de fato olhar os outros seres e, em lugar de observ\u00e1-los como objetos de ganho ou perda, amea\u00e7a ou prote\u00e7\u00e3o, podemos reconhecer suas qualidades inerentes, suas qualidades latentes ainda n\u00e3o manifestas. Podemos focar suas qualidades naturais que podem lev\u00e1-los\u00a0\u00e0 felicidade e\u00a0\u00e0 liberdade, que podem se manifestar como suas pr\u00f3prias habilidades de trazer benef\u00edcio a outros seres. Quando h\u00e1 este reconhecimento das qualidades no outro, e temos o impulso de trabalhar para que estas qualidades aflorem, a este impulso chamamos \u201camor\u201d.<\/p>\n<h3>Alegria, equanimidade, seis paramitas e vacuidade<\/h3>\n<p>Havendo amor e compaix\u00e3o, n\u00f3s naturalmente manifestamos a terceira qualidade do quinto passo, que \u00e9 alegria. Essa n\u00e3o \u00e9 uma alegria comum, \u00e9 uma alegria que se manifesta como uma energia interna incessantemente fluindo na inseparatividade com os outros seres, na depend\u00eancia das qualidades de compaix\u00e3o e amor. <\/p>\n<p>Havendo a qualidade dessa energia incessante, surge a quarta qualidade do quinto passo, que \u00e9 equanimidade. Quando ela surge, isso \u00e9 sin\u00f4nimo de estabilidade, \u00e9 o fim da crise existencial. E a pessoa nesse momento sabe como manifestar sua energia vital da melhor forma durante sua vida. A pessoa que pratica essas quatro qualidades j\u00e1 apresenta uma serenidade natural que lhe permite a pr\u00e1tica da sexta etapa do nobre caminho, ou seja, a medita\u00e7\u00e3o formal. <\/p>\n<p>As seis qualidades seguintes s\u00e3o os seis paramitas. Sendo o primeiro generosidade, o segundo moralidade, o terceiro paci\u00eancia propriamente dita, o quarto energia constante, o quinto concentra\u00e7\u00e3o, e o sexto sabedoria. Essas seis qualidades s\u00e3o transcendentes, ou seja, s\u00e3o qualidades que, \u00e0 semelhan\u00e7a das quatro anteriores, se manifestam pela capacidade natural da nossa mente em operar sob as condi\u00e7\u00f5es a que outros seres est\u00e3o submetidos, ou seja, a capacidade natural da mente de n\u00e3o estar presa a identidades. <\/p>\n<p>Essa qualidade da mente de n\u00e3o estar presa a identidades, de se manifestar livremente no espa\u00e7o e no tempo, al\u00e9m de nome e forma, espelha a natureza b\u00e1sica da vacuidade e luminosidade. Assim, a compaix\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria pr\u00e1tica da liberdade original, a pr\u00e1tica da mente naturalmente liberta, nesse caso manifestando-se atrav\u00e9s do interesse pelos outros seres. Assim compreendemos como a compaix\u00e3o \u00e9 completamente insepar\u00e1vel da vacuidade. N\u00e3o houvesse a vacuidade, nossa natureza estaria presa a nossa identidade e a estados mentais particulares. A liberdade original natural sendo a pr\u00f3pria express\u00e3o da vacuidade \u00e9 o que permite a manifesta\u00e7\u00e3o da compaix\u00e3o. A mobilidade natural da mente espelha essa liberdade original, e assim as dez qualidades do quinto passo s\u00e3o poss\u00edveis. Se as dez qualidades do quinto passo s\u00e3o praticadas, cumprimos o pr\u00e9-requisito natural para a pr\u00e1tica da concentra\u00e7\u00e3o da mente. Tendo abandonado corpo e mente, estamos sentados junto com todos os seres. E n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre antes, durante e depois da medita\u00e7\u00e3o formal. <\/p>\n<h3>A quest\u00e3o material da vida do praticante<\/h3>\n<p>Surgem dificuldades para os praticantes quando eles aumentam a intensidade da pr\u00e1tica. Pensam que v\u00e3o morrer de fome ou terminar na mis\u00e9ria e priva\u00e7\u00e3o extrema&#8230; Aparentemente h\u00e1 uma competi\u00e7\u00e3o entre a vida espiritual e a vida no mundo, um conflito b\u00e1sico entre a dedica\u00e7\u00e3o espiritual e o processo convencional da pr\u00f3pria vida. Atrav\u00e9s de h\u00e1bitos arraigados pensamos que a vida espiritual deva ser completamente diferente do processo de rela\u00e7\u00e3o com os outros seres e do pr\u00f3prio processo econ\u00f4mico. Este tipo de ansiedade pode trazer dificuldades tanto para indiv\u00edduos como para os grupos. Para analisar este aspecto, come\u00e7arei lembrando a forma como o pr\u00f3prio Buda vivia. \u00c0s vezes sou convidado por empres\u00e1rios para algum encontro. Geralmente come\u00e7o falando da forma de vida do Buda e digo: observem o budismo, est\u00e1 ativo\u00a0h\u00e1 vinte e seis s\u00e9culos, nenhuma empresa jamais durou tanto tempo&#8230; Sustentando o Budismo n\u00e3o h\u00e1 bancos, empresas, nenhum tipo de organiza\u00e7\u00e3o piramidal, mas ainda assim este movimento se mant\u00e9m puro, fiel e \u00fatil gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o. Por que? <\/p>\n<p>Isso ocorre devido\u00a0\u00e0 pureza de seus ensinamentos e a sua unidade de prop\u00f3sitos. Existem outras tradi\u00e7\u00f5es em que os professores espirituais s\u00e3o apoiados pela institui\u00e7\u00e3o, recebem at\u00e9 mesmo aposentadoria, como em qualquer outra profiss\u00e3o. No budismo n\u00e3o \u00e9 assim, pelo contr\u00e1rio, em geral os professores \u00e9 que ajudam as institui\u00e7\u00f5es a se estabelecerem e se sustentarem. Como isso \u00e9 poss\u00edvel?<\/p>\n<p>Quando o Buda atingiu a ilumina\u00e7\u00e3o, demorou muito para voltar a visitar seus pais. Seu pai enviou muitos emiss\u00e1rios para visit\u00e1-lo, com o prop\u00f3sito de lhe convidarem para uma visita. Ap\u00f3s muitas tentativas, Buda concordou em retornar. O pal\u00e1cio foi avisado e prepararam uma grande festa para o pr\u00edncipe, mas ele chegou a p\u00e9, enrolado num manto. &#8220;Meu filho, como voc\u00ea chega aqui assim nesse estado?&#8221;, diz o rei. <\/p>\n<p>Pela manh\u00e3 seguinte Buda vai mendigar sua comida na cidade. \u201cVoc\u00ea \u00e9 um pr\u00edncipe, filho do rei! Como pode sair assim para mendigar na cidade?\u201d Desesperou-se seu pai &#8211; uma grande desgra\u00e7a na fam\u00edlia. Mas Buda respondeu: \u201cSe eu n\u00e3o mendigar, a sanga desaparecer\u00e1\u201d. Esse \u00e9 um ponto muito importante que devemos realmente entender. A mendic\u00e2ncia do Buda curiosamente n\u00e3o \u00e9 um processo no qual ele esteja pedindo alguma coisa. Quando o Buda mendiga ele est\u00e1 na verdade \u00e9 oferecendo uma esp\u00e9cie de benef\u00edcio para as pessoas. Uma das regras desse processo, por exemplo, \u00e9 de que os mendicantes nunca devem fazer distin\u00e7\u00e3o entre os ricos e os pobres. Ali\u00e1s considera-se quando os pobres efetivamente manifestam generosidade, seu m\u00e9rito \u00e9 mesmo maior do que quando pessoas de recursos doam a comida. <\/p>\n<p>Quando o Buda chega na frente de algu\u00e9m oferecendo a tigela, a pr\u00f3pria presen\u00e7a do Buda inspira o cora\u00e7\u00e3o do outro atrav\u00e9s de sua dignidade. \u00c9 como se volt\u00e1ssemos ao momento em que o pr\u00f3prio Buda fez seus votos de bodisatva para Buda Dipankara. Ele oferece aos seres a mesma oportunidade que Buda Dipankara lhe ofereceu. Ap\u00f3s a generosidade ao Buda Dipankara, durante incont\u00e1veis vidas, com a mesma experi\u00eancia no cora\u00e7\u00e3o, ele produziu benef\u00edcios incessantes aos seres at\u00e9 atingir a ilumina\u00e7\u00e3o completa e final na forma de Buda Sakiamuni. <\/p>\n<p>Quando Buda oferece a tigela, sua mera presen\u00e7a retira as pessoas dos reinos de sofrimento em que est\u00e3o imersas. As pessoas imersas no reino dos dem\u00f4nios famintos, por exemplo, s\u00e3o imediatamente deslocadas para um reino superior ou para a libera\u00e7\u00e3o. No momento em que o Buda surge, os cora\u00e7\u00f5es dos dem\u00f4nios famintos se abrem, e eles se tornam generosos. Sendo generosos n\u00e3o permanecem naquele reino espec\u00edfico, um universo virtual de seres carentes. No momento em que alegra pelo benef\u00edcio que traz ao outro, o ser &#8220;carente&#8221; descobre-se capaz da generosidade, sai das fixa\u00e7\u00f5es que\u00a0o prendem naquele mundo. Saem diretamente da roda da vida para um estado de terra pura, isso acontece em um instante m\u00e1gico e transformador.\n <\/p>\n<p>Quando vemos os mestres que sucederam o Buda, vemos que gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o os mestres seguiram este conselho. Ainda hoje encontramos tradi\u00e7\u00f5es que mant\u00e9m os preceitos de mendic\u00e2ncia e praticam da mesma forma. Mas mesmo naqueles que n\u00e3o mendigam diretamente, vamos encontrar a mesma postura. Os praticantes simplesmente focam incessantemente como trazer benef\u00edcios aos outros. A ess\u00eancia do processo de sustenta\u00e7\u00e3o da sanga est\u00e1 apenas neste processo extraordin\u00e1rio de trazer benef\u00edcios aos outros. <\/p>\n<p>Ainda assim pode ocorrer que durante o caminho espiritual obst\u00e1culos nos levem numa dire\u00e7\u00e3o oposta. A fixa\u00e7\u00e3o no processo da medita\u00e7\u00e3o, uma fixa\u00e7\u00e3o que se traduz pela insensibilidade aos outros seres, cria a impossibilidade de inser\u00e7\u00e3o positiva ou compassiva no mundo, visto como perturbador e sem sentido. <\/p>\n<p>Quando os praticantes sentam para praticar medita\u00e7\u00e3o encontram os dois tipos de problemas que estou abordando. Podem gerar agita\u00e7\u00e3o mental, de forma que nenhum benef\u00edcio \u00e9 poss\u00edvel, e essa agita\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligada especificamente a uma falha com rela\u00e7\u00e3o aos quatro primeiros passos do nobre caminho. Essa pessoa, como j\u00e1 examinei, motivada por elementos da roda da vida e dominada pelos tr\u00eas animais, gera carma e n\u00e3o gera m\u00e9ritos. Ele ainda acredita que sua felicidade pode ser obtida de fontes externas, e no fim permanece como um equilibrista das muitas fontes de satisfa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o que finalmente n\u00e3o as usufrui, mas ter\u00e1 raivas peri\u00f3dicas, uma ansiedade permanente, buscando se manter numa dire\u00e7\u00e3o aparentemente favor\u00e1vel. A solu\u00e7\u00e3o, como examinei, \u00e9 retomar o correto prop\u00f3sito e naturalmente baseado nisso evitar as dez n\u00e3o-virtudes, cumprindo os quatro primeiros passos do Nobre Caminho de Oito Passos do Buda Sakiamuni.<\/p>\n<p>O quinto passo \u00e9 a moralidade baseada em uma f\u00e9 natural. Quando a pessoa se move para benef\u00edcio dos outros seres, ela tranq\u00fciliza sua mente e isto potencializa as qualidades que levam \u00e0 medita\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o sexto passo. <\/p>\n<p>Suponhamos que quando a pessoa come\u00e7a a meditar, pelo m\u00e9rito gerado atrav\u00e9s de pr\u00e1ticas em vidas anteriores, ela realmente consiga se concentrar. Se n\u00e3o foi por estes m\u00e9ritos, seu progresso pode ter vindo de um dur\u00edssimo treinamento nessa vida e, assim, focando suas pr\u00f3prias intranq\u00fcilidades atrav\u00e9s dos meses e anos e desenvolvido a pr\u00e1tica de bondade, tenha ficado progressivamente mais silenciosa e mais est\u00e1vel. <\/p>\n<p>A dificuldade neste ponto \u00e9 o materialismo espiritual. A pessoa praticando em sil\u00eancio, isolada, pode gerar uma outra classe de auto-interesse, um auto-interesse sutil, tamb\u00e9m ligada\u00a0\u00e0 roda da vida, uma fixa\u00e7\u00e3o em estados mentais particulares de felicidade interna. Dizemos que isto \u00e9 uma liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Roda da Vida atrav\u00e9s do reino dos deuses. <\/p>\n<p>Existem muitas diferentes condi\u00e7\u00f5es de medita\u00e7\u00e3o onde a pessoa desenvolve uma estabilidade que se manifesta como uma insensibilidade ao que acontece ao redor. A pessoa ao olhar para dentro de si mesma sente que consegue efetivamente alcan\u00e7ar o que os mestres descrevem, por\u00e9m de fato a pessoa se torna mais insens\u00edvel, menos conectada, menos apta para trazer benef\u00edcio aos outros. <\/p>\n<p>Por outro lado, quando os bodisatvas praticam, eles praticam \u2014 como o Buda praticava \u2014 insepar\u00e1veis de todos os seres. Eles n\u00e3o sentam sozinhos, mas reconhecem suas pr\u00f3prias dificuldades juntamente com as dificuldades de todos os seres. Reconhecem que muito poucos meditam. Reconhecem que a maioria das pessoas procura a sa\u00edda onde ela n\u00e3o pode ser encontrada. Eles sentam e sua forma de pr\u00e1tica pode efetivamente trazer benef\u00edcio para os outros. Com essa motiva\u00e7\u00e3o eles percebem que se eles n\u00e3o praticassem, n\u00e3o desenvolveriam habilidades para ajudar \u2014 portanto eles sentam com essa motiva\u00e7\u00e3o e sua medita\u00e7\u00e3o \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o de generosidade. Da mesma forma, se entram em retiro, entram em retiro para produzir beneficio para os seres. N\u00e3o \u00e9 um \u201cadeus mundo cruel\u201d, n\u00e3o \u00e9 um impulso de isolamento, a ida para o retiro representa o reconhecimento de que a pr\u00e1tica direta da sabedoria mais sutil produz genu\u00ednos benef\u00edcios aos outros seres. <\/p>\n<p>\u00c9 imprescind\u00edvel que o caminho do meditante tenha esta caracter\u00edstica, que seja efetivamente o caminho do bodisatva, o Caminho do Meio. Isto realmente significa a pr\u00f3pria inseparatividade de todas as coisas e seres, e um interesse efetivo de trazer benef\u00edcios a todos. <\/p>\n<p>\u00c9 nesse sentido que Sua Santidade o Dalai Lama reconecta nossa pr\u00e1tica di\u00e1ria e nossa vida cotidiana, com o caminho espiritual. Ele diz \u201ctodos os seres desejam a felicidade e buscam afastar-se do sofrimento\u201d. Assim nossa miss\u00e3o \u00e9 essencialmente ajudar os seres nesse sentido. Esta \u00e9 a motiva\u00e7\u00e3o de um bodisatva, sua energia n\u00e3o est\u00e1 presa\u00a0\u00e0 sua pr\u00f3pria identidade. <\/p>\n<p>Os animais s\u00e3o considerados inferiores aos humanos, mas muitas vezes carregam comida na boca para alimentar\u00a0outros animais. \u00c9 uma atividade extremamente sofisticada, \u00e9 a mente ultrapassando o pr\u00f3prio auto-interesse e trabalhando para levar benef\u00edcio para os outros. Mesmo um pequeno p\u00e1ssaro tem uma sabedoria t\u00e3o surpreendente. Ele poderia simplesmente comer, mas cuidadosamente pega o alimento com o bico para atender pequeninos seres irados que est\u00e3o esperando famintos no ninho. Ou outro caso surpreendente que vi \u00e9 o de uma porca amamentando filhotes de tigre&#8230; <\/p>\n<p>\u00c9 um processo surpreendente utilizado para aumentar a sobreviv\u00eancia de filhotes de tigres em cativeiro. As m\u00e3es tigresas s\u00e3o ansiosas no cativeiro e t\u00eam dificuldade de amamentar seus filhotes. Isso me parece uma enorme generosidade, compaix\u00e3o no sentido verdadeiro. Os seres humanos tamb\u00e9m agem assim, com rela\u00e7\u00e3o aos filhos e a outros seres.<\/p>\n<p>Esquecidos da compaix\u00e3o temos nossos pr\u00f3prios afazeres urgentes e prioridades inadi\u00e1veis. Assim o tempo passa. Quando os ciclos da vida se completam, tudo desaba, tudo perde o sentido e o que fica de bom tem um \u00fanico sabor: a generosidade, o amor e a compaix\u00e3o que praticamos para com os outros seres. Aquilo que fizemos auto-centradamente acaba realmente. O que fizemos carinhosamente, mesmo que, no plano material pare\u00e7a n\u00e3o mais existir, curiosamente porque fizemos para um outro, segue presente em uma dimens\u00e3o de satisfa\u00e7\u00e3o sutil. \u00c9 uma satisfa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o morre, \u00e9 uma satisfa\u00e7\u00e3o transcendente. Essa palavra \u201ctranscend\u00eancia\u201d \u00e9 muito correta. Essas a\u00e7\u00f5es ultrapassaram nossa identidade, nossa energia realmente n\u00e3o est\u00e1 presa em n\u00f3s mesmos, \u00e9 naturalmente transcendente. N\u00e3o h\u00e1 esfor\u00e7o nisso.<\/p>\n<p>Dito de forma mais futebol\u00edstica, se eu torcer pelo time de \u201ceu sozinho\u201d, minha chance \u00e9 m\u00ednima. Que chance temos ao &#8220;torcer&#8221; por n\u00f3s mesmos? Imagine que coloquemos nossa estabilidade em nossas vit\u00f3rias pessoais: nossa chance \u00e9 m\u00ednima. Mas por outro lado, nossa natureza n\u00e3o est\u00e1 presa a nossos auto-interesses. Nossa natureza \u00e9 naturalmente ampla. <\/p>\n<p>Esse \u00e9 o fato: quando manifestamos essa natureza ampla, estamos fazendo exatamente o que o Buda fez durante as quatro d\u00e9cadas finais de sua vida. Ele apenas se dedicou incessantemente a produzir benef\u00edcios para os seres. \u00c0 medida que isso ocorria, o Buda nunca precisou ter um pal\u00e1cio, nem uma simples cozinha ele tinha. Ele nunca precisou de prote\u00e7\u00e3o militar. Ele apenas organizou a vida da sanga de forma muito simples, e os seres ao redor ficavam felizes em poder ajudar. Assim vimos os v\u00e1rios reis protegendo o Buda, oferecendo instala\u00e7\u00f5es, pr\u00e9dios, pal\u00e1cios, jardins, onde o Buda deu seus ensinamentos. <\/p>\n<p>Por outro lado, curiosamente, durante seu desenvolvimento posterior, aparentemente o budismo se solidificou. Manifestou-se atrav\u00e9s de muitos pr\u00e9dios, mosteiros imensos. Especialmente o Mosteiro de Nalanda, na \u00cdndia, onde por algum tempo chegou a haver 10.000 pessoas mantendo o Darma vivo atrav\u00e9s de pr\u00e1ticas e estudos. Por\u00e9m, exatamente porque se estruturou dessa maneira, ele pode ser atacado e foi extinto na \u00cdndia. \u00c9 paradoxal. A estrutura produz vulnerabilidade.<\/p>\n<p>Quando algo se estrutura assim, se torna<br \/>\ns\u00f3lido e est\u00e1 sujeito ao desgaste e a ataques. Com dor no cora\u00e7\u00e3o contemplamos o relato dos \u00faltimos momentos da grande e sagrada Universidade de Nalanda na \u00cdndia, atacada militarmente que foi. Mais de uma vez ela foi destru\u00edda, mas ressurgia de alguma outra forma, at\u00e9 que finalmente desapareceu. <\/p>\n<p>A Stupa de Bodhigaya \u00e9 outro exemplo, na impossibilidade de ser destru\u00edda pelos atacantes, foi coberta de lixo. Como havia um pr\u00e9dio, esse pr\u00e9dio poderia ser atacado, profanado, \u00e9 o Darma expresso no espa\u00e7o e tempo. Ainda assim, a compreens\u00e3o mais profunda, aquilo que realmente traz benef\u00edcio, o Darma genu\u00edno, este nunca morreu. Este \u00e9 o verdadeiro ponto de solidez do budismo, instalado na fortaleza do cora\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>O Darma no Tibete \u00e9 outro exemplo. Observando os acontecimentos vemos que o vento da imperman\u00eancia soprou forte, e o que aconteceu? As sementes emplumadas voaram. Se elas t\u00eam qualidades, florescem. O terreno f\u00e9rtil \u00e9 onde h\u00e1 dor, confus\u00e3o, mat\u00e9ria podre. Da pr\u00f3pria dor surge a sustenta\u00e7\u00e3o da \u00e1rvore da cura. \u00c9 um processo extraordin\u00e1rio onde confus\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o e renascimento se misturam, n\u00e3o conseguimos distinguir o que \u00e9 bom ou mal. A imperman\u00eancia destr\u00f3i, porque destr\u00f3i propaga as sementes do Darma sagrado. De fato vemos que as boas sementes vingaram, mas aquelas que n\u00e3o tinham capacidade n\u00e3o vingaram. <\/p>\n<p>Enfim, se examinamos os praticantes que sentam buscando meramente estabilidade, vamos perceber que esses praticantes geram uma insensibilidade com rela\u00e7\u00e3o aos outros seres. \u00c9 uma simples fixa\u00e7\u00e3o em estados mentais externos. Na exata medida dos poucos m\u00e9ritos que eles proporcionam para os outros, eles recebem seu retorno, e devido a isto eles imaginam que o mundo n\u00e3o \u00e9 generoso, que n\u00e3o reconhece os grandes praticantes que eles imaginam ser. N\u00e3o entendem porque algumas manifesta\u00e7\u00f5es do Darma prosperam e outras n\u00e3o. Se n\u00f3s copiarmos a forma do Buda, vamos adiante. Essa \u00e9 uma receita comprovada\u00a0h\u00e1 vinte e seis s\u00e9culos. <\/p>\n<p>Sua Santidade o Dalai Lama tem uma qualidade extraordin\u00e1ria, porque ele traduz essa receita do Buda de acordo com as capacidades das pessoas, o que ali\u00e1s era o que o pr\u00f3prio Buda fazia. Ent\u00e3o vamos perceber pessoas que t\u00eam capacidade de ajudar os outros oferecendo coisas impermanentes, mas que os outros sentem como necess\u00e1rias. Um amigo, por exemplo, pode ajudar inclusive oferecendo algo que talvez n\u00e3o seja muito apropriado. No entanto, a outra pessoa imagina que aquilo \u00e9 bom e aceita, dessa forma surge m\u00e9rito. Os pais, por outro lado, j\u00e1 olham de uma forma mais ampla, eles buscam produzir benef\u00edcios mais permanentes, mais verdadeiros. <\/p>\n<p>Freq\u00fcentemente, s\u00e3o os pr\u00f3prios pais e m\u00e3es que ensinam a l\u00edngua para uma pessoa. Ela vai usar aquele idioma at\u00e9 o fim de seus dias, e vai aprender uma s\u00e9rie de atitudes que v\u00e3o ser \u00fateis durante toda sua vida. Por\u00e9m, muitas vezes eles n\u00e3o conseguem produzir grandes transi\u00e7\u00f5es na vida dos filhos. Ent\u00e3o h\u00e1 outros seres que disp\u00f5em de poder, capacidade, que convidam as pessoas e proporcionam processos de forma que ela salte patamares. Enfim encontramos seres que ajudam de uma forma ainda mais poderosa, os professores espirituais. Eles oferecem ensinamentos que n\u00e3o se dissolvem nem mesmo no processo da morte. Eles criam benef\u00edcios que se eternalizam e permanecem verdadeiros mesmo para outras vidas. Quando olhamos essas diversas formas de benef\u00edcios, percebemos que nossa pr\u00f3pria atividade de beneficiar os outros seres deve estar inclu\u00edda em alguma dessas formas mais ou menos amplas. <\/p>\n<p>Por outro lado, sempre que trazemos benef\u00edcios de alguma maneira, o universo retribui. Imagine voc\u00ea na cal\u00e7ada esmolando com uma latinha. Hoje em dia talvez o processo seja mais direto \u201cme d\u00e1 um real\u201d \u00e9 o que ouvimos&#8230;, mas imagine algum tempo no passado. N\u00f3s com este rosto que temos, n\u00e3o ir\u00edamos ficar nem meio dia parados ali. Logo vai passar algu\u00e9m e ver que estamos no lugar errado. Chega algu\u00e9m e, se come\u00e7amos a falar, essa pessoa j\u00e1 diz \u201cque tal voc\u00ea dar umas aulas para aquelas crian\u00e7as ali?\u201d Talvez voc\u00ea acabe tendo que contar sua vida, e vai ser desmascarado. Por outro lado se voc\u00ea v\u00ea uma pessoa do seu lado que est\u00e1 na mesma situa\u00e7\u00e3o, voc\u00ea logo ter\u00e1 o impulso de socorr\u00ea-la, voc\u00ea certamente n\u00e3o conseguir\u00e1 ficar parado frente ao sofrimento verdadeiro do outro. \u00c9 por isso que voc\u00ea nunca vai para a cal\u00e7ada. <\/p>\n<p>N\u00e3o temos este carma de ficar como pobres coitados incapazes de se conectar com os outros seres. Na medida que n\u00e3o temos esse carma, isso n\u00e3o vai acontecer conosco. Como temos a capacidade de nos interessar pelos outros, nossa vida segue. Por outro lado um meditante equivocado pode imaginar que o melhor benef\u00edcio \u00e9 ficar parado e insens\u00edvel ao mundo ao redor. Ele pensa que tudo est\u00e1 perdido, que tudo que ele tem para fazer \u00e9 adotar essa posi\u00e7\u00e3o e esquecer os seres. Qualquer pessoa que surge na frente, qualquer coisa do mundo, parece uma perturba\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Sua experi\u00eancia interna \u00e9 que quando est\u00e1 parado e consegue manter o isolamento, sente-se bem, quando ele se conecta com os outros, tudo anda mal. Assim ele pensa que sua pr\u00e1tica \u00e9 o isolamento. Por outro lado se compreendemos o caminho do bodisatva, reconhecemos que tudo que fazemos, seja pr\u00e1tica espiritual, conversar, interagir, tudo isso, s\u00e3o formas de trazer beneficio. Nesse caso se surgem dificuldades, as falhas de motiva\u00e7\u00e3o s\u00e3o a origem.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"caption\" src=\"http:\/\/www.cebb.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2008\/12\/caminho_bodisatva.jpg\" border=\"0\" title=\"O caminho do bodisatva\" align=\"left\" \/><em>Ensinamento concedido em setembro de 2000 no CEBB Caminho do Meio<\/em><\/p>\n<p>Neste texto, utilizando a estrutura dos oito passos do Nobre Caminho do Buda, abordarei obst\u00e1culos que surgem aos praticantes de medita\u00e7\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 os que se manifestam durante a pr\u00e1tica formal sentada, mas tamb\u00e9m os que surgem na vida cotidiana. 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