{"id":124,"date":"2002-07-02T00:23:31","date_gmt":"2002-07-02T03:23:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cebb.org.br\/novo\/?p=124"},"modified":"2002-07-02T00:23:31","modified_gmt":"2002-07-02T03:23:31","slug":"o-proposito-da-educacao-no-budismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cebb.org.br\/fr\/o-proposito-da-educacao-no-budismo\/","title":{"rendered":"O prop\u00f3sito da educa\u00e7\u00e3o no budismo"},"content":{"rendered":"<p>por Lama Padma Samten<!--more--><br \/>\nComo usualmente a educa\u00e7\u00e3o se limita a uma perspectiva cognitiva, \u00e9 muito raro chegarmos a um n\u00edvel emocional; acaba tratando-se apenas de uma quest\u00e3o de mudan\u00e7a de opini\u00e3o. Muito mais raro ainda seria ir al\u00e9m dos padr\u00f5es habituais da percep\u00e7\u00e3o sensorial em si, chegando ao n\u00edvel c\u00e1rmico e sua transcend\u00eancia.<br \/>\nA abordagem cognitiva n\u00e3o toca sequer nesse segundo n\u00edvel, o emocional. Pensemos nos argentinos, que recentemente perderam um jogo de futebol para os brasileiros. Ainda que encontrem justificativas discursivas, o sentimento de dor segue. Outro exemplo: para uma pessoa que \u00e9 demitida do trabalho, eventuais justificativas n\u00e3o consolam seu lado emocional. Ou ainda podemos ter uma namorada e perd\u00ea-la, e em nosso sofrimento n\u00e3o somos capazes de ver toda uma diversidade de outros seres maravilhosos ao nosso redor. Por outro lado, podemos saber que estamos com a mulher da nossa vida, mas, curiosamente, outros seres seguem tocando o nosso cora\u00e7\u00e3o. No n\u00edvel emocional a pessoa sabe que deve pedir um aumento a seu chefe. Os amigos dizem: &#8220;Sim, v\u00e1 l\u00e1 e pe\u00e7a o aumento.&#8221; Mas quando chega o momento, ela n\u00e3o consegue bater na porta ou perde a voz, ou age de maneira brusca e irrita o chefe.<br \/>\nAl\u00e9m deste aspecto emocional invasivo que limita nossa vida e determina nossa experi\u00eancia e forma de viver, existe um aspecto mais sutil, os carmas que nem percebemos que est\u00e3o presentes, como os que definem nossa experi\u00eancia sensorial \u2014 nossa vis\u00e3o, por exemplo. Uma pessoa pode operar com seus sentidos completamente atrelados a uma percep\u00e7\u00e3o c\u00e1rmica. O exemplo cl\u00e1ssico: ver uma cobra onde h\u00e1 uma corda enrolada.<br \/>\nA opera\u00e7\u00e3o mental legitima aquilo que cognitiva, emocional ou carmicamente percebemos. Estamos presos a este automatismo, e, atrav\u00e9s disto, os sentidos f\u00edsicos nos introduzem em realidades virtuais. Se n\u00e3o fosse assim, os filmes no cinema n\u00e3o funcionariam, acontece que a emo\u00e7\u00e3o passa atrav\u00e9s dos sentidos f\u00edsicos e viajamos mentalmente devido aos automatismos c\u00e1rmicos de resposta. Cada vez que vemos o filme, secretamente desejamos que o Titanic n\u00e3o afunde e conduzimos nossas emo\u00e7\u00f5es de acordo com os eventos na tela, mesmo que j\u00e1 saibamos o final do filme.<br \/>\nToda a educa\u00e7\u00e3o no budismo est\u00e1 baseada em recuperar a liberdade. O objetivo da educa\u00e7\u00e3o budista n\u00e3o \u00e9 adaptar o ser \u00e0 experi\u00eancia convencional de um mundo circundante, pr\u00e9-existente e independente. Nossa experi\u00eancia convencional \u00e9 de que, se desaparecemos, o mundo continua. Convencionalmente vemos um mundo que nos acolhe, mas que \u00e9 separado de n\u00f3s. Esta \u00e9 a experi\u00eancia de samsara. No sentido budista, quando olhamos esta situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o seguimos esta perspectiva. Os Budas olham esta situa\u00e7\u00e3o de outra maneira, eles foram al\u00e9m dos diversos processos ilus\u00f3rios da mente.<br \/>\nQuando superamos estes tr\u00eas automatismos \u2014 o cognitivo, o emocional e o c\u00e1rmico (sutil) \u2014, o mundo se transforma completamente. A forma de reconhecer nossa situa\u00e7\u00e3o se transforma completamente. Uma vez que isto se altera, surge o ideal de libera\u00e7\u00e3o daquilo que nos produz uma experi\u00eancia limitada. Assim, ao inv\u00e9s de tentar nos adaptar a este mundo, tentamos nos liberar dos automatismos que produzem as experi\u00eancias limitadas. Esta \u00e9 a perspectiva mais profunda de educa\u00e7\u00e3o no budismo. De fato, este \u00e9 tamb\u00e9m o sentido de libera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nIsto n\u00e3o pode ser percebido pela maioria das pessoas; portanto, existem ensinamentos extensos, nos quais focamos os elementos de condicionamento etapa por etapa e utilizamos as ferramentas para liber\u00e1-los.<\/p>\n<h3>Ouvindo ensinamentos<\/h3>\n<p>Num sistema de educa\u00e7\u00e3o budista \u00e9 muito dif\u00edcil acreditar que algu\u00e9m possa avan\u00e7ar sem um guia. N\u00e3o \u00e9 m\u00e1-vontade, \u00e9 que as ilus\u00f5es s\u00e3o muito profundas, e al\u00e9m do mais temos intranq\u00fcilidades pr\u00f3prias, internas. Ainda que estejamos escutando instru\u00e7\u00f5es, nossa mente divaga. Outras vezes come\u00e7amos a refletir sobre o que ouvimos e perdemos o ensinamento seguinte.<br \/>\nPor isto no ensinamento budista come\u00e7amos ouvindo sobre como ouvir. Come\u00e7amos tentando desenraizar os obst\u00e1culos mais evidentes. O ouvir tem obst\u00e1culos imediatos. Precisamos desenraizar o que chamamos de tr\u00eas defeitos do pote. \u00c9 f\u00e1cil ver que diferentes seres t\u00eam diferentes tend\u00eancias, e que \u00e9 muito raro o pote ser realmente perfeito, ou seja, receptivo.<br \/>\nO primeiro defeito \u00e9 o pote emborcado, no qual n\u00e3o se pode depositar nada. A pessoa chega para ouvir, mas n\u00e3o apreende nada. H\u00e1 ensinamentos sobre como um pote fica emborcado. O segundo obst\u00e1culo \u00e9 o do pote rachado virado para cima. O ensinamento entra no pote, mas n\u00e3o se mant\u00e9m l\u00e1. O progresso \u00e9 muito lento. A pessoa acredita que aprendeu, mas logo em seguida tudo se foi, e ela n\u00e3o sabe o que aconteceu. H\u00e1 o pote envenenado, que \u00e9 o caso mais grave. Nem sempre os ensinamentos podem ser dados, pois o pote pode estar contaminado, corrompendo tudo o que nele \u00e9 depositado.<br \/>\n\u00c9 importante que os ouvintes sejam bons potes. Pode acontecer de ouvirem e gerarem amargor, oposi\u00e7\u00e3o ou misturarem os ensinamentos com suas pr\u00f3prias teorias, continuando a operar dentro de seus contextos limitados. Isto significa utilizar os ensinamentos para gerar habilidades capazes de produzir vit\u00f3rias transit\u00f3rias, ou seja, vit\u00f3rias com todos os obst\u00e1culos inerentes \u00e0 roda da vida.<\/p>\n<h3>A motiva\u00e7\u00e3o delimita os resultados<\/h3>\n<p>A primeira coisa de que precisamos \u00e9 sabedoria do ouvir. Ent\u00e3o surge a segunda parte dos ensinamentos: motiva\u00e7\u00e3o e resultado. Este ensinamento \u00e9 muito importante para organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-religiosas, pois a maioria de seus objetivos s\u00e3o impermanentes. Vivemos num tempo em que os objetivos est\u00e1veis s\u00e3o praticamente desconhecidos.<br \/>\nSe tiv\u00e9ssemos a l\u00e2mpada de Aladim e fiz\u00e9ssemos os tr\u00eas pedidos, pedir\u00edamos comida, uma esposa e um pal\u00e1cio. Isto pode n\u00e3o ser uma boa forma de utilizar o poder extraordin\u00e1rio da l\u00e2mpada. E se o g\u00eanio dissesse: &#8220;Vou lhes dar uma quarta coisa, uma coisa que a imperman\u00eancia n\u00e3o destrua&#8221;, ent\u00e3o talvez diss\u00e9ssemos: &#8220;Quero uma riqueza ilimitada.&#8221; Mas mesmo as coisas muito grandes dentro da vis\u00e3o separativa s\u00e3o limitadas, entre elas a riqueza, seja do tamanho que for. Para n\u00f3s \u00e9 muito dif\u00edcil avaliar uma coisa que n\u00e3o esteja nesta categoria de imperman\u00eancia.<br \/>\nEnt\u00e3o existe esta classe de ensinamentos sobre que \u00e9 permanente e o que \u00e9 impermanente. N\u00e3o importa o que obtenhamos no mundo da exist\u00eancia c\u00edclica. Neste mundo vamos estar sempre operando como equilibristas, \u00e0s voltas com urg\u00eancias, prioridades e ansiedades. Todos os seres ali dentro est\u00e3o presos a uma atitude cont\u00ednua e urgente. Assim, nesta primeira categoria de ensinamentos, somos levados a gerar uma motiva\u00e7\u00e3o para ir al\u00e9m da imperman\u00eancia, somos levados a desenvolver uma motiva\u00e7\u00e3o para o que est\u00e1 al\u00e9m do espa\u00e7o e do tempo, al\u00e9m do que chamamos de roda da vida.<\/p>\n<h3>Uma a\u00e7\u00e3o positiva<\/h3>\n<p>Logo em seguida recebemos os ensinamentos que explicitam a amplid\u00e3o da nossa natureza e o aspecto de inseparatividade. N\u00e3o se trata de fugir da roda da vida, o que buscamos de fato \u00e9 um interesse muito maior pelos seres. Esta experi\u00eancia \u00e9 completamente diferente da experi\u00eancia-raiz da roda da vida. A experi\u00eancia da roda da vida est\u00e1 ligada a prazer e dor, desejo e avers\u00e3o. Esta segunda experi\u00eancia est\u00e1 baseada na capacidade de compreender e atuar de forma muito mais ampla que a pr\u00f3pria identidade. A comprova\u00e7\u00e3o desta amplid\u00e3o \u00e9 a capacidade de se alegrar com experi\u00eancias cada vez mais altru\u00edstas.<br \/>\nA primeira vis\u00e3o de transcend\u00eancia \u00e9 quando percebemos que nossa experi\u00eancia de ser transcende nossa identidade. Ou seja, do ponto de vista de nossa experi\u00eancia, nos alegramos de fazer certas a\u00e7\u00f5es em detrimento daquilo que consideramos lucros individuais. Este fato \u00e9 muito importante.<br \/>\nQuando os Budas, os grandes seres, observam esta natureza, a percep\u00e7\u00e3o que t\u00eam \u00e9 de algo ilimitado. O aspecto ilimitado da natureza \u00e9 o que de fato chamamos Buda, que significa liberto das limita\u00e7\u00f5es. Todo processo de treinamento ou educa\u00e7\u00e3o segundo os valores budistas est\u00e1 centrado no treinamento dessa natureza, de modo que, em vez de focarmos nossa identidade estreita, reconhecemos nosso ser dentro dessa experi\u00eancia de amplid\u00e3o.<\/p>\n<h3>Educa\u00e7\u00e3o como remo\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos<\/h3>\n<p>Os grandes mestres que ensinam sobre isto dizem que nossa natureza parece estreita devido a uma constru\u00e7\u00e3o e chamam o processo de aprendizagem, a desconstru\u00e7\u00e3o, de remo\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos. Esta \u00e9 uma abordagem geral. No treinamento budista, quando este aspecto \u00e9 compreendido, quando \u00e9 vivenciado, mesmo que parcialmente, h\u00e1 uma decorr\u00eancia, um resultado. Este resultado \u00e9 confian\u00e7a, n\u00e3o propriamente cognitiva. Uma confian\u00e7a nessa natureza que ent\u00e3o se percebe est\u00e1 al\u00e9m de todas as hist\u00f3rias particulares que podem surgir para a identidade estreita constru\u00edda. Mas isto n\u00e3o \u00e9 teoria, \u00e9 um aspecto vivenciado sensorial, cognitiva e emocionalmente.<br \/>\nComo este tipo de perspectiva pode manifestar-se na pr\u00e1tica? Essencialmente, se isso tem valor, algum resultado pr\u00e1tico deve ocorrer. Qual o resultado pr\u00e1tico desta abordagem?<br \/>\nPodemos dizer que h\u00e1 uma vastid\u00e3o de resultados pr\u00e1ticos e precisar\u00edamos de tempo para analisar todos. Especificamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s comunidades humanas e ao benef\u00edcio que os seres podem receber individualmente a partir disso, surgem a liberdade e a amplid\u00e3o de vis\u00e3o que caracteriza esta liberdade. A liberdade manifesta-se atrav\u00e9s da amplitude de vis\u00e3o \u2014 coisas que os seres em geral v\u00eaem como obst\u00e1culos s\u00e3o vistas pelos grandes seres como situa\u00e7\u00f5es com grande potencial de benef\u00edcio.<br \/>\n\u00c9 uma vis\u00e3o m\u00faltipla, \u00e9 como se houvesse mais dimens\u00f5es. Dito assim parece esot\u00e9rico, m\u00edstico. Estes aspectos podem estar inclu\u00eddos, mas n\u00e3o necessariamente. Se nos defrontamos diretamente com um advers\u00e1rio ou inimigo no local de trabalho, as alternativas n\u00e3o s\u00e3o boas para nenhum dos dois. De acordo com estes ensinamentos, tudo que surge externamente \u00e9 insepar\u00e1vel do que parece ser o mundo interno. Se percebemos apenas o exterior, estamos presos dentro de paredes concretas e constantes. Por outro lado, se percebemos a conex\u00e3o entre os dois n\u00edveis, ganhamos liberdades inesperadas pelas mudan\u00e7as externas ou internas. Podemos transformar os inimigos unilateralmente.<br \/>\nExiste uma classe de ensinamento que explica como transformar obst\u00e1culos em vantagens. N\u00e3o se trata de usar uma vis\u00e3o idealista, mas de termos o poder de transformar unilateralmente as coisas que s\u00e3o obst\u00e1culos para n\u00f3s e para os outros seres. Existe uma vastid\u00e3o de conseq\u00fc\u00eancias relacionadas com essa percep\u00e7\u00e3o da inseparatividade de um mundo externo e um interno. Perdemos muito quando congelamos um mundo externo em rela\u00e7\u00e3o ao qual podemos apenas manobrar.<br \/>\nTodas as situa\u00e7\u00f5es c\u00e1rmicas s\u00e3o impermanentes. Um exemplo disto \u00e9 a diferen\u00e7a entre o reino dos deuses e o reino dos infernos. Vejamos uma situa\u00e7\u00e3o em que os seres dos infernos estejam em uma mesa cheia de comida, mas seus bra\u00e7os sejam grandes demais e n\u00e3o possam ser dobrados. A mesma situa\u00e7\u00e3o se repete no reino dos deuses, mas eles t\u00eam o discernimento de se alimentarem uns aos outros. Eis um exemplo t\u00edpico de mudan\u00e7a de perspectiva. No inferno a comida est\u00e1 ali, a mesa est\u00e1 ali, a fome est\u00e1 ali, e o bra\u00e7o realmente n\u00e3o alcan\u00e7a a boca. Se aqueles seres pudessem apenas ampliar suas percep\u00e7\u00f5es e pensar nos outros e usufruir de sua liberdade, estariam saciados. \u00c9 assim mesmo: quando usufru\u00edmos dessa liberdade, aparecem seres por todos os lados querendo ajudar. O deus se vangloria: &#8220;Que lugar maravilhoso, estou oferecendo comida a um, e 99 me oferecem comida!&#8221; No inferno o ser tamb\u00e9m est\u00e1 objetivamente certo: &#8220;Somos cem seres miser\u00e1veis.&#8221;<br \/>\nTodos os problemas est\u00e3o nesta categoria. Ou seja, temos graus de liberdade adicionais, mas ser\u00e1 necess\u00e1rio nos transferirmos para outras paisagens mentais, ampliar nossas perspectivas, antes de que possamos usufruir de nossas liberdades.<br \/>\nA educa\u00e7\u00e3o no budismo est\u00e1 voltada a oferecer liberdades que n\u00e3o percebemos usualmente. Liberdades em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que chamamos de roda da vida. Estas liberdades s\u00f3 podem ser acessadas removendo-se os obst\u00e1culos constru\u00eddos.<\/p>\n<h3>O papel do professor<\/h3>\n<p>O professor representa o ensinamento do Buda. Curiosamente, os ensinamentos do Buda n\u00e3o s\u00e3o budistas, apenas proporcionam a libera\u00e7\u00e3o dos j\u00e1 mencionados condicionamentos autom\u00e1ticos. Estes ensinamentos s\u00e3o importantes para todos os seres, independentemente de sua confiss\u00e3o de f\u00e9. No sistema budista n\u00e3o h\u00e1 qualquer \u00eanfase em converter as pessoas, o que importa \u00e9 ajud\u00e1-las a perceber mais profundamente as realidades e liberdades em cada situa\u00e7\u00e3o que vivam e em cada papel com que se identifiquem. O ensinamento busca produzir a experi\u00eancia de transcend\u00eancia, ou seja, a liberdade de criar e estabelecer universos mentais, e tamb\u00e9m liberdade frente ao criado.<br \/>\nPara ser professor, o indiv\u00edduo deve ter ouvido os ensinamentos correspondentes e desenvolvido uma certa clareza vivencial sobre os temas. Sem isto, n\u00e3o pode ensinar. Por outro lado, quando a experi\u00eancia estiver clara, e ele puder falar sobre a liberdade e vis\u00e3o de que j\u00e1 usufrui, reconhecer\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 uma sabedoria pessoal sua, mas uma caracter\u00edstica do pr\u00f3prio Buda. Neste sentido, a pessoa sente-se agora completamente insepar\u00e1vel do pr\u00f3prio Buda. Surge-lhe a compreens\u00e3o profunda de que a mente do Buda \u00e9 igual \u00e0 mente de todos os seres, e h\u00e1 seres que usufruem disto de forma consciente e outros n\u00e3o.<br \/>\nAssim, surge uma imagem c\u00f3smica do Buda como um impulso universal em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade e felicidade, e todos que usufruem disso e dedicam-se a facilitar o acesso dos outros a esta liberdade e felicidade s\u00e3o completamente insepar\u00e1veis do pr\u00f3prio Buda. N\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica ou posse pessoal, mas uma condi\u00e7\u00e3o de liberdade e felicidade. Desta experi\u00eancia surge a no\u00e7\u00e3o de bodisatva \u2014 sua vis\u00e3o \u00e9 ampla, e ele utiliza suas caracter\u00edsticas pessoais particulares como meio de espelhar a natureza de liberdade que \u00e9 inerente a todos. \u00c9 como um lago que, justamente por ser um lago particular no espa\u00e7o e tempo, reflete a natureza ilimitada da lua em sua superf\u00edcie.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"caption\" src=\"http:\/\/www.cebb.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/lama_educa.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/><span style=\"font-weight: normal\" class=\"Apple-style-span\">A No\u00e7\u00e3o Budista de Educa\u00e7\u00e3o como Libera\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p>Usualmente a palavra aprendizado diz respeito a cogni\u00e7\u00e3o, existe nela uma quest\u00e3o de acerto e erro. Ainda que no budismo tenhamos uma abordagem geral a respeito disso, que \u00e9 quando o Buda diz : &#8220;Testem o que eu digo&#8221;, ele n\u00e3o est\u00e1 se referindo apenas \u00e0s coisas pr\u00e1ticas, sejam elas racionais ou emocionais; refere-se \u00e0 f\u00e9 tamb\u00e9m. A f\u00e9 diz respeito \u00e0 vida como um todo, n\u00e3o pode ser facilmente testada. Ainda assim podemos considerar que exista o crit\u00e9rio de acerto e erro, mas muito al\u00e9m do sentido ordin\u00e1rio que se d\u00e1 para isso. Usualmente a quest\u00e3o da aprendizagem nas diferentes tradi\u00e7\u00f5es, inclusive no budismo, se coloca num sentido muito amplo, de transforma\u00e7\u00e3o interior. <\/p>","protected":false},"author":114,"featured_media":123,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[417],"tags":[],"class_list":["post-124","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ensinamentos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O prop\u00f3sito da educa\u00e7\u00e3o no budismo - Centro de Estudos Budistas Bodisatva<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/cebb.org.br\/fr\/o-proposito-da-educacao-no-budismo\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"fr_FR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O prop\u00f3sito da educa\u00e7\u00e3o no budismo - Centro de Estudos Budistas Bodisatva\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"A No\u00e7\u00e3o Budista de Educa\u00e7\u00e3o como Libera\u00e7\u00e3oUsualmente a palavra aprendizado diz respeito a cogni\u00e7\u00e3o, existe nela uma quest\u00e3o de acerto e erro. 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Ainda que no budismo tenhamos uma abordagem geral a respeito disso, que \u00e9 quando o Buda diz : \"Testem o que eu digo\", ele n\u00e3o est\u00e1 se referindo apenas \u00e0s coisas pr\u00e1ticas, sejam elas racionais ou emocionais; refere-se \u00e0 f\u00e9 tamb\u00e9m. A f\u00e9 diz respeito \u00e0 vida como um todo, n\u00e3o pode ser facilmente testada. Ainda assim podemos considerar que exista o crit\u00e9rio de acerto e erro, mas muito al\u00e9m do sentido ordin\u00e1rio que se d\u00e1 para isso. 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