{"id":28564,"date":"2016-02-28T10:19:04","date_gmt":"2016-02-28T13:19:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cebb.org.br\/?p=28564"},"modified":"2016-02-28T10:19:04","modified_gmt":"2016-02-28T13:19:04","slug":"gestao-por-mandalas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cebb.org.br\/fr\/gestao-por-mandalas\/","title":{"rendered":"Gest\u00e3o por mandalas &#124; Lama Padma Samten"},"content":{"rendered":"<p><em>Transcri\u00e7\u00e3o de uma conversa da sanga do CEBB Florian\u00f3polis com Lama Padma Samten em junho de 2013<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nTivemos uma conversa anterior e surgiu a necessidade de uma reuni\u00e3o para ver como internamente surgem os funcionamentos gerais. Aqui em Florian\u00f3polis n\u00e3o tenho propriamente uma inser\u00e7\u00e3o no cotidiano do CEBB. Voc\u00eas t\u00eam mais conhecimento do que eu e j\u00e1 sabem o que \u00e9 necess\u00e1rio para o CEBB Floripa. Ent\u00e3o, quero abordar a quest\u00e3o das mandalas de forma mais ampla, no sentido de entender como funcionam.<br \/>\nA opera\u00e7\u00e3o das mandalas \u00e9 um processo aberto em que \u00e9 poss\u00edvel receber ajuda das v\u00e1rias pessoas na medida do interesse, sem aprisionar ningu\u00e9m dentro de abordagens espec\u00edficas. N\u00e3o \u00e9 um processo de compromisso, mas um processo por dentro do qual a gente consegue fluir, em que \u00e9 poss\u00edvel acolher diferentes graus de conex\u00e3o das pessoas. N\u00e3o \u00e9 preciso que os envolvidos tenham um grau fixo de conex\u00e3o; eles podem exercer um grau de conex\u00e3o vari\u00e1vel.<br \/>\nTrata-se de um processo de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho n\u00e3o autorit\u00e1rio. Pois \u00e9 poss\u00edvel haver uma oscila\u00e7\u00e3o entre dois extremos: de um lado, um processo totalmente livre que se torna ca\u00f3tico e, de outro, um processo organizado que se torna autorit\u00e1rio. A quest\u00e3o \u00e9: como preservar a alegria, a felicidade, a iniciativa das pessoas, manter a abertura de pensamento sobre as coisas sem que seja ca\u00f3tico nem tenha um jugo autorit\u00e1rio?<br \/>\nEsse \u00e9 um ponto delicado. Trato desse tema de uma forma mais extensa no livro <em>Mandala do L\u00f3tus<\/em> (2006). Como chegar numa comunidade totalmente desorganizada e conseguir se organizar, atrav\u00e9s de uma auto organiza\u00e7\u00e3o, sem utilizar o processo repressivo nem estabelecer o processo ca\u00f3tico? \u00c9 o tema geral da quest\u00e3o das mandalas. Vou explicar aplicando \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do CEBB.<br \/>\nNo CEBB Canelinha, por exemplo, \u00e9 necess\u00e1rio uma mandala que pense a utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea, a disposi\u00e7\u00e3o dos terrenos. Por outro lado, sempre chegam pessoas novas, trazendo ideias novas, e temas que j\u00e1 foram abordados muitas vezes t\u00eam de ser abordados de novo. Come\u00e7a a surgir uma sensa\u00e7\u00e3o de perda de tempo. Quando estamos prestes a tomar uma decis\u00e3o, chega algu\u00e9m e diz: \u201cSer\u00e1 que n\u00e3o tinha de ser assim? Ser\u00e1 que n\u00e3o tinha de ser assado?\u201d. \u00c9 bem dif\u00edcil.<br \/>\nAconteceu uma coisa semelhante na comunidade em Rodeio Bonito. Os assuntos eram tratados em roda, como estamos fazendo aqui. Mesmo que trat\u00e1ssemos dos assuntos num circuito em que todas as pessoas tinham interesse, era comum que houvesse pessoas passando, algumas davam ideias e depois iam embora. Por exemplo, n\u00f3s inici\u00e1vamos um movimento de cultivar uma ro\u00e7a muito maior do que precis\u00e1vamos a princ\u00edpio, porque as pessoas que chegavam tinham tais ideias. Acab\u00e1vamos semeando muito mais do que precis\u00e1vamos. Ent\u00e3o, quando come\u00e7avam as tarefas mais trabalhosas, que eram capinar, ro\u00e7ar, as pessoas j\u00e1 tinham ido embora. No per\u00edodo de colher, ent\u00e3o, que \u00e9 um trabalho pesado \u2014 tem de estocar, organizar \u2014 j\u00e1 havia pouca gente, as pessoas n\u00e3o estavam mais l\u00e1.<br \/>\nA intelig\u00eancia de um empreendimento tem que ter um n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o a gente se perde. Por outro lado, n\u00e3o se pode barrar as pessoas e dizer que elas n\u00e3o v\u00e3o colaborar. Como fazer isso funcionar?<br \/>\nNuma ocasi\u00e3o, em Rodeio Bonito, eu estava colhendo mel, quando uma pessoa abriu a caixa de abelhas e depois foi embora sem fechar a tampa da caixa, deixando as abelhas escaparem. Havia pessoas passeando por l\u00e1, sem avisar, e a situa\u00e7\u00e3o ficou perigosa. Assim, tive de parar o que estava fazendo e sair correndo para ajudar. Ent\u00e3o, uma pessoa est\u00e1 fazendo pacientemente uma tarefa e algu\u00e9m acha que pode fazer qualquer coisa espontaneamente. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica, em que, ao mesmo tempo em que desejamos acolher a boa vontade das pessoas, temos de ajudar a organizar as coisas. N\u00e3o \u00e9 uma coisa muito f\u00e1cil.<br \/>\nAs mandalas surgem para organizar este movimento coletivo. L\u00e1 no Rodeio Bonito, por exemplo, n\u00f3s introduzimos o coordenador, um focalizador. Ningu\u00e9m faz nada naquela \u00e1rea sem falar antes com o focalizador. N\u00e3o se trata de ter uma autoridade repressora, mas, quando algu\u00e9m vai entrar numa \u00e1rea, \u00e9 bom que pergunte o que j\u00e1 andava sendo feito ali, de tal maneira que o movimento de todos seja harm\u00f4nico. Surge este conceito de mandalas e de um focalizador; se n\u00e3o tiver um focalizador, provavelmente n\u00e3o vai funcionar.<br \/>\nComo gerir e fazer funcionar uma mandala? Por que \u00e0s vezes a mandala est\u00e1 andando e depois vai perdendo a for\u00e7a? Como \u00e9 manter tudo fluindo? Quero explicar para voc\u00eas como \u00e9 que se faz: \u00e9 necess\u00e1rio o nosso lung e tamb\u00e9m o lung das pessoas. O lung \u00e9 um processo sutil. Por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel entender que uma coisa deve e precisa ser feita, mas n\u00e3o haver o lung correspondente. Posso explicar para uma pessoa, ela entender, mas n\u00e3o ter o lung de fazer e tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel ter o lung de fazer de outro jeito e n\u00e3o como foi combinado.<br \/>\nTamb\u00e9m define o n\u00edvel de audi\u00e7\u00e3o que a gente tem das coisas. De acordo com nossa disposi\u00e7\u00e3o c\u00e1rmica de lung, a gente ouve as coisas segundo um vi\u00e9s. Interpreta aquilo de um certo modo e faz de maneira que n\u00e3o considera os detalhes. Os trabalhos pr\u00e1ticos s\u00e3o uma forma muito h\u00e1bil de trabalhar com nossa mente. As mandalas n\u00e3o s\u00e3o simplesmente o lugar onde vamos fazer as coisas. S\u00e3o o lugar onde treinamos nossa mente, nossa energia, nosso foco, nossas rela\u00e7\u00f5es.<br \/>\nQuando as rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o andam bem, n\u00e3o existe foco, \u00e9 porque estamos sob o dom\u00ednio de estruturas de carma que est\u00e3o aflorando. Quando surge a desarmonia, n\u00e3o dever\u00edamos eliminar, \u00e9 uma coisa que deve ser aproveitada. Ou seja, o surgimento da desarmonia indica certas estruturas que precisamos reconhecer e entender e trabalhar. Isso significa tomar a mente como caminho, ou a realidade como nosso caminho. \u00c9 super importante a gente poder aproveitar as coisas boas e ruins quando surgem.<br \/>\nA manuten\u00e7\u00e3o da \u00e1rea do Caminho do Meio \u00e9 um bom exemplo de uma mandala: as pessoas que est\u00e3o trabalhando ali dentro t\u00eam um dom espec\u00edfico para executar certas coisas. A mandala deveria funcionar assim. Cria-se um grupo com pessoas que gostam de obra, de planejamento, de plantar \u00e1rvore, de administrar as contas de \u00e1gua e de luz, cuidar da ilumina\u00e7\u00e3o da \u00e1rea, abrir valo, tapar buraco etc. Agora, por exemplo, vimos que havia uma discrep\u00e2ncia da \u00e1gua que estava sendo vendida para n\u00f3s e a que estava sendo vendida para o uso interno das pessoas que vivem l\u00e1. Foi detectado que havia problemas com os medidores e com os filtros. Ent\u00e3o, foi necess\u00e1rio fazer a limpeza dos filtros um por um para corrigir isto.<br \/>\nAssim, as pessoas prestam contas, falam com o contador. As taxas de condom\u00ednio da \u00e1rea v\u00e3o para essa associa\u00e7\u00e3o, que tem um fundo de caixa que eles v\u00e3o gerindo. Quando h\u00e1 uma sobra de caixa, contribuem com a escola ou outras coisas.<br \/>\nAssim, a manuten\u00e7\u00e3o de \u00e1rea \u00e9 uma tarefa que n\u00e3o corresponde \u00e0 diretoria do CEBB. Eu n\u00e3o preciso mais me envolver com isso. Houve um tempo em que me envolvia diretamente, mas hoje eu passo ao largo, bem feliz de n\u00e3o precisar me envolver com essas coisas. Com um grupo desses, n\u00f3s conseguimos ter uma pol\u00edtica de longo prazo, segundo uma certa maturidade. At\u00e9 mesmo porque as coordena\u00e7\u00f5es s\u00e3o flutuantes; assim, \u00e9 poss\u00edvel haver uma continuidade.<br \/>\nAgora estou aspirando fazer uma mandala associada \u00e0 sa\u00fade no Caminho do Meio, assim como aqui em Canelinha. Em dezembro de 2011, fizemos um evento muito bom na \u00e1rea de sa\u00fade, foi muito concorrido, muitas pessoas diferentes participaram. Aspir\u00e1vamos que, na sequ\u00eancia, se constitu\u00edsse um local onde diferentes terapeutas pudessem trabalhar e ajudar as pessoas da regi\u00e3o e as nossas tamb\u00e9m, mas n\u00e3o funcionou. N\u00e3o demos sequ\u00eancia. Era preciso gerar os recursos, construir pr\u00e9dios, mas faltou focalizador. Estamos retomando esta ideia.<br \/>\nEnt\u00e3o como \u00e9 que eu fiz? Vou tomar o exemplo pr\u00e1tico da mandala da sa\u00fade para a gente poder entender como as coisas s\u00e3o feitas. Eu mesmo comecei a olhar para isto no papel de focalizador, que \u00e9 dar a partida. Olhei: faz sentido a gente ter alguma coisa ligada \u00e0 sa\u00fade? Por uma s\u00e9rie de raz\u00f5es faz sentido e cada CEBB deveria ter alguma coisa desse tipo.<br \/>\nO primeiro foco, para mim, \u00e9 observar que, quando estou andando por diferentes partes do pa\u00eds, encontro pessoas com doen\u00e7as que v\u00eam me dizer coisas do tipo: \u201cLama, estou com um problema de sa\u00fade, estou com um c\u00e2ncer, estou com um tumor, com uma fragilidade n\u00e3o sei bem do qu\u00ea&#8230; como \u00e9 que eu resolvo isso?\u201d A pessoa imagina corretamente que existem fatores sutis que est\u00e3o afetando a sua sa\u00fade e entende que precisa ser socorrida.<br \/>\nVejo que a pessoa n\u00e3o est\u00e1 com um \u00fanico problema de sa\u00fade, mas com uma s\u00e9rie de problemas de sa\u00fade que est\u00e3o eclodindo na forma de um sintoma principal. Ela est\u00e1 comendo mal, se exercitando mal, est\u00e1 com uma vida tensa, est\u00e1 brigando com todo mundo, j\u00e1 tem defici\u00eancias de algumas coisas, tem uma s\u00e9rie de problemas. Eventualmente, essa pessoa vai fazer um tratamento agressivo para aquele sintoma, sem lidar com o quadro todo, e n\u00e3o vai curar aquilo que \u00e9 o pano de fundo do problema. Ent\u00e3o me brota compaix\u00e3o. Fico com a aspira\u00e7\u00e3o de que Canelinha se torne um local para receber essa pessoa uma semana, um m\u00eas, para que possa se desintoxicar, fazer exerc\u00edcio, acalmar a mente.<br \/>\n\u00c9 uma porta de entrada. A pessoa foi atropelada pelo samsara e o sintoma principal eclodiu no campo da sa\u00fade; n\u00e3o foi propriamente no campo das rela\u00e7\u00f5es nem no campo econ\u00f4mico. Se a gente acolhe, as pessoas se beneficiam: v\u00e3o melhorando, se pacificam, se tornam mais conscientes e v\u00e3o mudando. Essas pessoas terminam por encontrar o darma.<br \/>\nTenho visto pessoas com perturba\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas variadas, depressivas, com s\u00edndrome de p\u00e2nico, crises psic\u00f3ticas. H\u00e1 coisas aparentemente leves, moderadas, mas que s\u00e3o desse mesmo n\u00edvel: pessoas que brigam com todo mundo no local do trabalho, n\u00e3o se d\u00e3o bem com os filhos, se relacionam mal em todos os n\u00edveis, come\u00e7am a acusar os outros, falam mal de todos: \u201cmeu marido \u00e9 horr\u00edvel\u201d, \u201cminha mulher \u00e9 horr\u00edvel\u201d, \u201cmeus vizinhos s\u00e3o horr\u00edveis\u201d. Ela poderia dizer: \u201cestou me relacionando mal, estou passando por uma fase ruim\u201d. Mas ela n\u00e3o v\u00ea assim, ela acusa os outros: \u201cmeu chefe \u00e9 horr\u00edvel, n\u00e3o consigo trabalhar direito\u201d, \u201cas pessoas olham para mim sempre criticando\u201d.<br \/>\nA pessoa est\u00e1 presa numa armadilha e n\u00e3o sabe como fazer para sair. Ela tem uma sensa\u00e7\u00e3o de que aquilo est\u00e1 acontecendo de fato, de que existe todo um entorno negativo ao redor. \u00c9 desse modo que ela avalia o mundo que a cerca. Podemos dizer: \u201cobserve como voc\u00ea est\u00e1 olhando para os outros\u201d, mas n\u00e3o adianta. A pessoa responde: \u201cn\u00e3o, ele est\u00e1 realmente fazendo isso pra mim\u201d.<br \/>\nA gente precisa ajudar essas pessoas. Eu acho que os CEBBs rurais t\u00eam essa voca\u00e7\u00e3o natural. As pessoas buscam os CEBBs rurais como cachorros feridos procurando um lugar para ficar. Querem ser protegidas, descansar, se alimentar, se aliviar. Os CEBBs rurais s\u00e3o locais em que essas pessoas podem ser acolhidas.<br \/>\nH\u00e1 muitos outros exemplos de pessoas que t\u00eam perturba\u00e7\u00f5es ou que est\u00e3o saindo de drogadi\u00e7\u00e3o e que aspiram chegar nestes lugares e receber acolhimento. N\u00f3s precisamos acolher as pessoas. N\u00e3o dever\u00edamos pensar: esta pessoa est\u00e1 doente. Dever\u00edamos pensar: \u201cesta pessoa foi atropelada pelo samsara\u201d. O samsara \u00e9 um grande fator de adoecimento. Por isso, esta \u00e1rea de sa\u00fade \u00e9 super importante.<br \/>\nEnt\u00e3o, eu raciocinei isso e pensei que \u00e9 uma boa coisa poder acolher e ajudar essas pessoas. Agora que a escola est\u00e1 andando melhor, podemos focar nisto tamb\u00e9m.<br \/>\nE como se come\u00e7a? N\u00e3o \u00e9 com um projeto da cl\u00ednica. Come\u00e7a pelo pensamento do acolhimento. Pois se a cl\u00ednica surgir, vem pelo funcionamento do acolhimento e n\u00e3o pela ideia da cl\u00ednica. Assim, o processo de acolhimento inicia com um tutor do darma para falar com a pessoa, pois ela n\u00e3o pode chegar de uma forma ca\u00f3tica. Ao chegar, precisa encontrar uma pessoa que tenha uma vis\u00e3o do darma; precisa encontrar um m\u00e9dico que fa\u00e7a contato com o seu pr\u00f3prio m\u00e9dico e com sua fam\u00edlia; vai precisar de um alopata que fa\u00e7a a leitura daquilo atrav\u00e9s da vis\u00e3o tradicional da medicina.<br \/>\nO tratamento come\u00e7a com as pr\u00e1ticas de remo\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos e melhoria das rela\u00e7\u00f5es. Os tutores j\u00e1 sabem qual \u00e9 esse processo: vamos trabalhar essencialmente com os quadros dos 240 itens e dos 200 itens.<br \/>\nO foco inicial \u00e9 aliviar a situa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica da pessoa. N\u00f3s vamos precisar de algu\u00e9m que fa\u00e7a o diagn\u00f3stico da \u00edris, de um naturopata que possa prescrever uma alimenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, de um educador f\u00edsico. A pessoa que chega vai precisar de uma atividade f\u00edsica para recompor m\u00fasculo, articula\u00e7\u00e3o, precisa de exerc\u00edcio aer\u00f3bico. Na sequ\u00eancia, a partir da naturopatia ou das v\u00e1rias abordagens espec\u00edficas com rela\u00e7\u00e3o a alimento, de acordo com a disposi\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria pessoa, ela poder\u00e1 seguir por v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es: alimenta\u00e7\u00e3o viva, macrobi\u00f3tica, etc. Precisamos dessas v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es.<br \/>\nO papel do tutor \u00e9 olhar para as pessoas, ver os obst\u00e1culos e ver os m\u00e9ritos. Ele vai ajudar a treinar os m\u00e9ritos, faz\u00ea-los se expandirem e reduzir os obst\u00e1culos. No final de um per\u00edodo de 2 semanas, quando a pessoa est\u00e1 num ambiente mais tranquilo, ouvindo os ensinamentos, participando de um grupo de estudos, est\u00e1 caminhando, fazendo exerc\u00edcio, ela deve ter melhorado bastante. Ent\u00e3o os sintomas &#8211; aquilo que est\u00e1 de fundo mais agudo &#8211; v\u00e3o aparecer. S\u00e3o esses os sintomas que vamos tratar, pois removemos os fatores de adoecimento mais intenso.<br \/>\nEnt\u00e3o, pensando nessa aspira\u00e7\u00e3o, como vou fazer isso acontecer? Qual \u00e9 o racioc\u00ednio? Chamei a coordena\u00e7\u00e3o do CEBB local, fizemos uma reuni\u00e3o e perguntei a eles: \u201cO que voc\u00eas acham? Eu acho que \u00e9 uma boa coisa. Como \u00e9 que a gente faz isto acontecer?\u201d<br \/>\nPor que vou perguntar para eles? Porque eu tenho uma vis\u00e3o. N\u00e3o vou chegar nas pessoas e dizer: \u201cOlha, decidi fazer uma cl\u00ednica, voc\u00eas limpem isso, pintem aquilo, vamos botar uma placa e vamos divulgar\u201d. N\u00e3o vou fazer isso porque n\u00e3o vai funcionar. Exponho as ideias na reuni\u00e3o e eles dizem o que acham, d\u00e3o opini\u00f5es, prop\u00f5em mudan\u00e7as. Quando as pessoas d\u00e3o opini\u00f5es, quando prop\u00f5em mudan\u00e7as, j\u00e1 est\u00e3o dentro da mandala. Trata-se de um processo sutil: as pessoas come\u00e7am a pensar sobre aquilo e a raciocinar. \u00c9 diferente de dizer: \u201cpreciso de soldados para executar a minha ideia\u201d. Dessa forma n\u00e3o \u00e9 uma mandala, pois h\u00e1 uma estrutura repressiva.<br \/>\nNa mandala, eu escolho as pessoas com quem vou conversar e convido para raciocinar juntos. \u00c9 um processo sutil. Se elas n\u00e3o manifestarem o lung, a mandala n\u00e3o os inclui, porque a mandala pressup\u00f5e o lung.<br \/>\nEnt\u00e3o, temos um n\u00facleo de pessoas que est\u00e1 entendendo e achando que vale a pena. A etapa seguinte \u00e9 a escolha de um coordenador, um focalizador dessa mandala. Eu n\u00e3o sou focalizador da mandala do aspecto de sa\u00fade; sou focalizador dos v\u00e1rios CEBBs, sou aquele que estimula o surgimento daquilo. Por exemplo, estimulei e dei a partida na escola, mas agora que a mandala da escola est\u00e1 robusta, estou saindo, estou me liberando para fazer outras coisas.<br \/>\nOutros tamb\u00e9m poderiam fazer o mesmo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mandala de sa\u00fade, eu teria apoiado, mas n\u00e3o aconteceu e n\u00e3o demos sequ\u00eancia. Ent\u00e3o estou ajudando. Estou envergonhado, pois fizemos um grande evento e n\u00e3o demos sequ\u00eancia. Estamos preparando um evento grande para novembro.<br \/>\nComo \u00e9 que vamos fazer o evento? Estou ajudando a pensar sobre isto. Esse n\u00e3o \u00e9 um evento propriamente, \u00e9 algo que nos ajude a estabelecer este n\u00edvel.<br \/>\nPrecisaremos convidar pessoas que s\u00e3o boas nas v\u00e1rias \u00e1reas em que vamos atuar. Essas pessoas v\u00e3o nos ajudar a raciocinar, mesmo que n\u00e3o sigam depois. A ideia do evento \u00e9 reunir as pessoas e gerar informa\u00e7\u00e3o. Precisamos de informa\u00e7\u00e3o para manter aquilo funcionando bem. Ent\u00e3o j\u00e1 temos um eixo para a cria\u00e7\u00e3o do evento que est\u00e1 associado ao pr\u00f3prio funcionamento posterior do centro.<br \/>\nCom rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mandala do aspecto de sa\u00fade, agora estamos nesta etapa: faremos uma reuni\u00e3o grande com todas as pessoas que poder\u00e3o ajudar, com as v\u00e1rias pessoas de quem lembramos. Vamos perguntar a elas: voc\u00eas acham que isto est\u00e1 bem? Ser\u00e1 que esta casa vai funcionar? Vou dando \u201cpalpites furados\u201d que posso facilmente abandonar. Sem apego. Acho que precisamos de um tipo de academia, esteira, pilates, atividade f\u00edsica. Precisamos de um psiquiatra, de um alopata, tutores, medita\u00e7\u00f5es, os v\u00e1rios processos para integrar tudo&#8230;<br \/>\nO racioc\u00ednio \u00e9 esse: vamos falar com as pessoas. Se o olho brilhar e surgir a motiva\u00e7\u00e3o de atuar nisso, se tiverem interesse de participar, disposi\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o a mandala est\u00e1 formada. A mandala funciona pelo sonho coletivo, pelo nascimento de cada um dentro daquela opera\u00e7\u00e3o, pela continuidade daquele di\u00e1logo.<br \/>\nNaturalmente j\u00e1 prevemos dentro desta mandala a necessidade de gest\u00e3o econ\u00f4mica; tem de fazer um fluxograma, tem que pagar as contas e fazer aquilo funcionar. Como \u00e9 que vai haver o fluxo econ\u00f4mico para sustentar as pessoas que est\u00e3o morando ali? Vai haver porque estamos nos abrindo e oferecendo benef\u00edcio para as pessoas: s\u00e3o m\u00e9ritos.<br \/>\nA mandala se sustenta por um sonho, pelo benef\u00edcio que traz, por um fluxo econ\u00f4mico, pelo processo administrativo e um lung que vai tocar cada um, mas sem uma estrutura repressiva. Ent\u00e3o uma mandala \u00e9 isso.<br \/>\nSurge uma quest\u00e3o: parece que talvez as mandalas sejam mais f\u00e1ceis de abrir do que sustentar. Parece que n\u00e3o se consegue manter o lung; \u00e0s vezes nem o focalizador tem o lung de sustentar a mandala. Come\u00e7a a haver um esvaziamento da mandala.<br \/>\nQuando isso acontece, a gente pode entender que a mandala n\u00e3o tem m\u00e9rito. Se n\u00e3o aparece lung \u00e9 melhor parar. Por outro lado, pode estar faltando habilidade, porque o papel principal do focalizador \u00e9 conversar com as pessoas e ouvi-las sobre as v\u00e1rias coisas. O focalizador n\u00e3o deve determinar o que as pessoas t\u00eam de fazer. Quando a mandala come\u00e7a a virar um processo em que as pessoas se juntam para ouvir o que precisa ser feito, a energia vai baixar.<br \/>\nAs reuni\u00f5es de mandalas devem ser primeiro costuradas. Come\u00e7amos expondo: \u201cestou pensando em tais objetivos; tive essas ideias; o que voc\u00eas acham?\u201d Ent\u00e3o somos parceiros da gera\u00e7\u00e3o das ideias, das solu\u00e7\u00f5es. De modo geral, quando as pessoas s\u00e3o parceiras, elas est\u00e3o dentro de fato. Aparece o lung e a pessoa se sente beneficiada. Mas quando a pessoa tem tarefas para fazer, ela desanima. Voc\u00eas podem observar que quando v\u00e3o a um lugar e ningu\u00e9m pede a opini\u00e3o de voc\u00eas, s\u00f3 dizem que precisam que voc\u00eas fa\u00e7am isso ou aquilo, a energia baixa.<br \/>\nAl\u00e9m disso, quando se recebe ordens de outros tamb\u00e9m estamos sobrecarregando a pessoa que est\u00e1 dando ordens. Ela tem a sensa\u00e7\u00e3o de estar sozinha, de ser obrigada a pensar em tudo. A sensa\u00e7\u00e3o de sobrecarga vem acoplada com a ideia de que ela precisa de soldados. A mandala \u00e9 uma forma coletiva de pensar que alivia essa sensa\u00e7\u00e3o. A gente precisa de aliados, a gente tem de conversar com as pessoas. Apesar de levar tempo, vale a pena.<br \/>\nA ideia \u00e9 fazer parcerias, provocar o surgimento do lung. Em vez de dar ordens aos outros, vamos pensar coletivamente. Quando h\u00e1 uma reuni\u00e3o, muitas vezes j\u00e1 conversei com cada um e estamos de acordo. Mas seguimos fazendo perguntas para que a riqueza do outro possa aparecer, principalmente se vier com lung. A gente n\u00e3o pergunta por perguntar, pergunta mesmo. O que o outro disser, \u00e9 uma riqueza. N\u00f3s precisamos dessas ideias.<br \/>\nVejo que os nossos CEBBs podem gerar um funcionamento maravilhoso, criando escolas, \u00e1reas de sa\u00fade, beneficiando quem vai morar l\u00e1. Para prosperar como uma comunidade, devemos no m\u00ednimo dominar o processo de alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o sim, temos um sonho coletivo que \u00e9 prosperar como uma comunidade que vai andando. O melhor \u00e9 n\u00e3o depender dos processos de sa\u00fade ca\u00f3tico, com vis\u00f5es problem\u00e1ticas. A maior cr\u00edtica ao processo de sa\u00fade vigente \u00e9 que n\u00e3o empodera a pessoa da transforma\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria vida. N\u00e3o diagnostica os problemas da vida associados ao problema de sa\u00fade. O m\u00e9dico n\u00e3o diz: \u201cmude a sua vida, mude tais coisas\u201d. N\u00e3o tem nem tempo para tratar disso; ele vai trabalhar no sintoma.<br \/>\nA realidade \u00e9 que esses profissionais fizeram o curso de medicina, mas n\u00e3o fizeram alguma coisa para curar a si mesmos, para se equilibrarem. Sem essa prepara\u00e7\u00e3o, v\u00e3o trabalhar num lugar super demandante e lidar com o sofrimento dos outros sem ter uma compreens\u00e3o do aspecto da sa\u00fade mesmo. Tratam a doen\u00e7a, mas desconhecem outros aspectos, como a recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e a remo\u00e7\u00e3o dos fatores de adoecimento. Acredito que a pol\u00edtica est\u00e1 diretamente ligada \u00e0s quest\u00f5es de sa\u00fade. O modo pelo qual vivemos no mundo \u00e9 regido pelo processo das rela\u00e7\u00f5es, dos sonhos, de como \u00e9 que a gente vive. Assim, a maneira pela qual a cidade est\u00e1 estruturada pode ser fator de adoecimento.<br \/>\nEm nossa comunidade a transforma\u00e7\u00e3o interna faz parte do processo diretamente. A nossa educa\u00e7\u00e3o e a nossa medicina s\u00e3o diferentes. Nossa arquitetura tamb\u00e9m \u00e9 diferente, estamos construindo deste jeito agora, mas podemos construir de modo diferente depois. N\u00f3s estamos dispostos a mudar. Somos uma comunidade disposta a mudar. A gente vive a vida.<br \/>\nOutro exemplo: mandala de eventos. Eu come\u00e7aria deste ponto: na d\u00e9cada de 70, organizei muitos eventos atrav\u00e9s da universidade, da Assembleia legislativa, organizei a vinda de Sua Santidade o Dalai Lama a Porto Alegre, a Curitiba&#8230; De que modo conseguimos organizar coisas super complexas como, por exemplo, a Exposi\u00e7\u00e3o das Rel\u00edquias dos Budas, com muitas despesas e sem recorrer ao faturamento da lojinha nem \u00e0 coleta de doa\u00e7\u00f5es nem \u00e0 cobran\u00e7a de ingressos? Como cobrimos os gastos? N\u00e3o foi f\u00e1cil, mas conseguimos. Sempre pelo processo de mandala: olhar as coisas, planejar e fazer funcionar.<br \/>\nNa d\u00e9cada de 70, tamb\u00e9m organizei eventos grandes, por exemplo, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 energia nuclear. A gente raciocina, sonha, amplia o c\u00edrculo, obt\u00e9m ajuda de v\u00e1rios lados e dali a pouco as coisas come\u00e7am a funcionar. Fazemos um grande evento de oposi\u00e7\u00e3o e convidamos representantes do governo. Eles n\u00e3o deixam de vir porque o evento \u00e9 grande. Ent\u00e3o podemos dizer as coisas e eles s\u00e3o obrigados a ouvir. Mas depois a gente sai dali e vai jantar juntos, continua conversando. Temos ideias opostas, mas mantemos boas rela\u00e7\u00f5es, somos amigos, somos seres humanos.<br \/>\nA mandala de eventos \u00e9 super importante. No nosso caso, significa mais do que organizar um acontecimento: estamos testando a nossa criatividade, a nossa energia constante, a nossa motiva\u00e7\u00e3o, a pureza da nossa aspira\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOs eventos s\u00e3o fundamentais para o CEBB. Vejam, o CEBB n\u00e3o tem mensalidade, n\u00e3o tem ficha de inscri\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sabemos o nome das pessoas nem de onde v\u00eam, \u00e9 uma escola aberta. As pessoas v\u00eam, ouvem os ensinamentos, fazem pr\u00e1ticas. Por si s\u00f3 os eventos representam os pulm\u00f5es de funcionamento do CEBB, pois \u00e9 nesse momento que mais pessoas se aproximam. Talvez no cotidiano nem viessem, mas nos eventos elas v\u00eam.<br \/>\nOutra quest\u00e3o: estou h\u00e1 anos tentando organizar uma coordena\u00e7\u00e3o nacional, mas ainda n\u00e3o conseguimos avan\u00e7ar, pois n\u00e3o est\u00e1 clara na minha mente nem na mente de ningu\u00e9m. Vou tomar esse outro exemplo de funcionamento da mandala: por que a gente precisa de uma coordena\u00e7\u00e3o nacional? Acho que \u00e9 muito \u00fatil porque posso fazer os tutores passarem pelas v\u00e1rias regi\u00f5es. Eu j\u00e1 n\u00e3o consigo mais passar nos v\u00e1rios CEBBs, nem mesmo uma vez por ano. Ent\u00e3o, estrategicamente, vou privilegiar os CEBBs rurais, que s\u00e3o regionais. Eles s\u00e3o muito importantes porque t\u00eam um sonho, n\u00e3o est\u00e3o tratando as coisas cognitivamente. As pessoas que v\u00e3o \u00e0quele local t\u00eam o benef\u00edcio do pr\u00f3prio local. Come\u00e7am a sonhar com aquilo e come\u00e7am a achar que suas vidas podem mudar. Surge um lung de que o mundo pode ser constru\u00eddo de modo diferente.<br \/>\nNa minha avalia\u00e7\u00e3o, o samsara est\u00e1 se desorganizando, por isso precisamos criar n\u00facleos de organiza\u00e7\u00e3o do samsara. Ainda n\u00e3o sabemos bem como esses n\u00facleos poder\u00e3o ser importantes para ajudar a acolher as pessoas. Isso \u00e9 muito importante em crise de emprego, de alimentos, todo tipo de crises. Num CEBB rural, temos uma coletividade que pode se juntar e trabalhar junto e resolver os problemas juntos. No m\u00ednimo a gente tem onde cair morto. Funciona como casa de m\u00e3e: tudo quebrado, mas a gente come, dorme, tem alojamento, as casas dos amigos, a gente est\u00e1 ali. Gera uma opera\u00e7\u00e3o e vai andando.<br \/>\nMuito fr\u00e1gil gerar todo esse movimento s\u00f3 com as cidades. Na medida em que a cidade gera problemas, vai desaparecer o darma, pois os praticantes desaparecem na medida em que precisam lidar com as afli\u00e7\u00f5es de suas pr\u00f3prias vidas. As pessoas se unem na sala de pr\u00e1tica, mas n\u00e3o t\u00eam o que fazer a n\u00e3o ser meditar. Aquilo n\u00e3o sustenta a vida da pessoa. J\u00e1 as \u00e1reas rurais s\u00e3o super preciosas.<br \/>\nEstou privilegiando os funcionamentos das \u00e1reas rurais e tamb\u00e9m os tutores, pois precisamos de gente experiente que possa passar o darma, ouvir os outros, acolher, facilitar. Estou estimulando os retiros. Precisamos em cada CEBB de \u00e1rea de retiro, \u00e1rea de alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e1rea de sa\u00fade, de educa\u00e7\u00e3o. Precisamos de \u00e1gua pr\u00f3pria, alimento, saber como curar as pessoas, alimentar as pessoas de forma simples mas de forma valiosa, precisamos conhecer as plantas, ter intimidade com as plantas, gostar das plantas.<br \/>\nOs tutores s\u00e3o muito importantes. \u00c9 importante que os tutores tenham uma mobilidade, que andem pelos v\u00e1rios CEBBs para que esses espa\u00e7os n\u00e3o fiquem abandonados, para que desenvolvam especialidades. Quem vai coordenar? Uma intelig\u00eancia nacional, algu\u00e9m que pense o conjunto.<br \/>\nOutro aspecto importante \u00e9 o deslocamento de pessoas de acordo com a necessidade. O CEBB nacional pode ajudar a resolver quem \u00e9 o tutor que vem para Canelinha para morar. Como \u00e9 que se organiza um fluxo?<br \/>\nAgora, por exemplo, a gente precisa trabalhar os esgotos. J\u00e1 temos uma solu\u00e7\u00e3o local que podemos generalizar e oferecer para outros CEBBs. Isso \u00e9 tipico de uma coordena\u00e7\u00e3o nacional. Nas obras daqui j\u00e1 fomos beneficiados. Recebemos um empr\u00e9stimo de Alto Para\u00edso. Assim, se h\u00e1 recursos em uma regi\u00e3o que n\u00e3o est\u00e3o sendo usados, podem ser deslocados para outra \u00e1rea; depois, retornam. Por outro lado, \u00e9 crucial que os v\u00e1rios CEBBs tenham CNPJ local, estatuto local, administra\u00e7\u00e3o local, porque s\u00e3o c\u00e9lulas. Se temos uma organiza\u00e7\u00e3o muito grande e dependente de uma \u00fanica diretoria, perdemos a capilaridade local. Al\u00e9m do mais, se houver uma fragmenta\u00e7\u00e3o dos CEBBs, cada um pode seguir como uma planta em que cada folha se enra\u00edza em si mesmo e segue. Mas o melhor seria termos tudo separado e ao mesmo tempo unido.<br \/>\nSeria bom ter no site do CEBB uma infoteca: esgoto, constru\u00e7\u00e3o, etc, v\u00e1rios links sobre diversos assuntos. Se cada CEBB fizer relat\u00f3rios mensais, semestrais e anuais, tipo um \u00e1lbum com fotos, das atividades que foram feitas, ser\u00e1 poss\u00edvel perceber que se alcan\u00e7ou muita coisa, que muita coisa foi realizada durante o ano. Em Viam\u00e3o estamos perdendo a mem\u00f3ria. Se conseguirem fazer isso aqui, ser\u00e1 muito rico. \u00c9 a hist\u00f3ria do budismo que est\u00e1 se constituindo. A Revista Bodisatva \u00e9 muito importante, pois apresenta registros de chegadas e ensinamentos de v\u00e1rios mestres que j\u00e1 morreram, da vinda de Sua Santidade o Dalai Lama. \u00c9 a hist\u00f3ria do budismo, apesar de n\u00e3o estar completa.<br \/>\nEstamos cheios de coisas boas para fazer. Diferentes pessoas podem trabalhar em diferentes coisas e as mandalas v\u00e3o se abrindo. Mas se n\u00f3s come\u00e7armos a pensar que precisamos de bra\u00e7os para fazer aquilo, as mandalas v\u00e3o perder a for\u00e7a.<br \/>\nNem sempre tudo funciona bem. As mandalas podem ficar feridas pela dificuldade de coordena\u00e7\u00e3o. As mandalas da cozinha no Caminho do Meio, por exemplo, t\u00eam problemas, est\u00e3o sempre trope\u00e7ando. \u00c0s vezes as pessoas est\u00e3o intrigadas, n\u00e3o est\u00e3o dialogando bem entre si e a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o flui. Come\u00e7am a surgir problemas, obst\u00e1culos internos que afetam a mandala. Para fluir, a mandala precisa ouvir as pessoas.<br \/>\nTem uma forma de di\u00e1logo apreciativo que \u00e9 muito importante. Como num evento deste, por exemplo: a gente faz uma reuni\u00e3o agora e v\u00ea quem quer participar na mandala dos eventos. Ent\u00e3o sentamos em grupos e cada um vai dizer o que viu funcionando bem e vai dando ideias para fazer aquilo funcionar ainda melhor. No pr\u00f3ximo evento, a pessoa que deu palpite vai se engajar de algum jeito. Aparece o lung porque se olhou as coisas favor\u00e1veis. Nasce uma chama, todo mundo se alegra.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Transcri\u00e7\u00e3o de uma conversa da sanga do CEBB Florian\u00f3polis com Lama Padma Samten em junho de 2013<\/p>","protected":false},"author":114,"featured_media":28565,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[417],"tags":[],"class_list":["post-28564","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ensinamentos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Gest\u00e3o por mandalas &#124; Lama Padma Samten - Centro de Estudos Budistas Bodisatva<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Transcri\u00e7\u00e3o de uma conversa da sanga do CEBB Florian\u00f3polis com o Lama Padma Samten em junho de 2013\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/cebb.org.br\/fr\/gestao-por-mandalas\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"fr_FR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Gest\u00e3o por mandalas &#124; 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