{"id":52299,"date":"2018-02-20T09:45:34","date_gmt":"2018-02-20T12:45:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cebb.org.br\/?p=52299"},"modified":"2018-02-20T09:45:34","modified_gmt":"2018-02-20T12:45:34","slug":"chaves-para-a-meditacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cebb.org.br\/fr\/chaves-para-a-meditacao\/","title":{"rendered":"Chaves para a medita\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Ensinamento oferecido por Lama Padma Samten no retiro de inverno de 2014, no CEBB Caminho do Meio, na tarde do dia 24\/07.<!--more--><\/em><\/p>\n<h3>Motiva\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Nesse ponto, estamos fazendo uma abordagem do bloco 2. Consideramos que a motiva\u00e7\u00e3o se completou. Dentro do bloco 1, a gente amadureceu as rela\u00e7\u00f5es com o samsara at\u00e9 o ponto de sentir que o aspecto principal realmente \u00e9 a abordagem do darma que a gente precisa estabilizar, romper a liga\u00e7\u00e3o com os processos de mortes e renascimentos, que essencialmente a gente pode entender como as experi\u00eancias de bolhas, sucedidas por outras experi\u00eancias de bolhas e assim por diante. Dentro de cada bolha a gente surge com uma vis\u00e3o de mundo, ou seja, com uma identidade operando. A partir da\u00ed n\u00f3s temos esses ciclos infind\u00e1veis. Se olharmos para tr\u00e1s no tempo, isso \u00e9 s\u00f3 o que a gente fez. Isso \u00e9 tudo que a nossa mem\u00f3ria pode alcan\u00e7ar. A gente s\u00f3 fez isso. Isso \u00e9 a ess\u00eancia do samsara: esses ciclos de entradas em bolhas de realidade que sucedem outras. Na terminologia budista, isso corresponde aos ciclos de mortes e renascimentos, como o Buda descreve. Quando n\u00f3s temos um olhar para os aspectos grosseiros e estamos presos a eles, os ciclos de mortes e renascimentos parecem ser as nossas mortes f\u00edsicas e renascimentos f\u00edsicos. Se n\u00f3s entendemos o aspecto sutil, n\u00f3s entendemos que as mortes e renascimentos s\u00e3o as bolhas que v\u00eam se sucedendo. E n\u00f3s percebemos que n\u00f3s estamos completamente fixados a isso.<br \/>\nEnt\u00e3o, quando n\u00f3s entramos no bloco 2, a gente j\u00e1 tem essa compreens\u00e3o, que exige uma certa vis\u00e3o de faixa 3. Se n\u00e3o tivermos essa vis\u00e3o, n\u00e3o conseguimos entender assim. Se estamos em faixa 2, podemos pensar que o treinamento \u00e9 manter alguma disciplina progressiva, atrav\u00e9s da qual eu vou desenvolvendo aptid\u00f5es e com o tempo eu vou chegar em algum lugar. \u00c9 muito comum essa abordagem. A gente acha que precisa de um condicionamento positivo. A gente fica treinando, repetindo coisas, para obter um condicionamento positivo. Mas, em faixa 3, n\u00f3s j\u00e1 estamos um pouco distanciados olhando o mundo interno e como as apar\u00eancias surgem. A gente j\u00e1 est\u00e1 vendo como que as apar\u00eancias dependem das perspectivas internas. Recuamos um pouco e come\u00e7amos a entender isso. Nesse ponto, conseguimos entender melhor faixa 1 e faixa 2 e come\u00e7amos a entender melhor como o darma funciona e como a ilus\u00e3o das bolhas se d\u00e1. N\u00f3s podemos entrar nesse processo tanto praticando vipassana como shamata. N\u00f3s vamos entrar pelos dois, cultivando um e outro.<\/p>\n<h3>Amadurecimento da motiva\u00e7\u00e3o e in\u00edcio do treinamento<\/h3>\n<p>Nesse ponto, eu queria dar uma chave para voc\u00eas com respeito ao pr\u00f3prio progresso da medita\u00e7\u00e3o e a como a gente pode escapar dos obst\u00e1culos que surgirem na medita\u00e7\u00e3o. \u00c9 um referencial \u00fatil durante todo o processo do bloco 2, ou seja, durante todo o processo de treinamento. Pe\u00e7o para voc\u00eas anotarem, porque n\u00e3o \u00e9 muito comum, de modo geral, n\u00e3o falo disso.<br \/>\nPor exemplo, n\u00f3s vamos iniciar o bloco 2 fazendo shamata. Ent\u00e3o, a gente desenvolveu motiva\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a culmin\u00e2ncia do bloco 1. A gente tem agora a motiva\u00e7\u00e3o clara de seguir o caminho. Dentro desse termo motiva\u00e7\u00e3o, a gente pode ter cultivado muitas diferentes qualidades e ter feito v\u00e1rias pr\u00e1ticas, por exemplo, a gente pode ter feito a pr\u00e1tica de ngondro, contemplado os Quatro Pensamentos que Transformam a Mente, as Quatro Nobres Verdades, o Nobre Caminho de Oito Passos, tudo isso est\u00e1 dentro desse aspecto de motiva\u00e7\u00e3o. A gente estudou tamb\u00e9m os 5 potenciais como descritos por Milarepa e Gampopa. A gente pode ter entendido, enfim, num certo momento, que essa compreens\u00e3o toda culmina na no\u00e7\u00e3o de bodicita, na no\u00e7\u00e3o do potencial mahayana, em que nos movemos para benef\u00edcio dos seres. Ent\u00e3o, tem uma s\u00e9rie de ensinamentos e classes de ensinamentos que nos ajudam a atingir esse ponto.<br \/>\nEu at\u00e9 arriscaria dizer que a maior parte dos mestres que nos visitam d\u00e3o ensinamentos nessa \u00e1rea. D\u00e3o ensinamentos at\u00e9 o ponto da gera\u00e7\u00e3o de motiva\u00e7\u00e3o. A maior parte das palestras abertas dizem respeito a isso.<br \/>\nA\u00ed tem um momento que n\u00f3s estamos convencidos. Esse momento \u00e9 interessante, porque dentro do bloco 1 a gente gosta de ouvir muitas diferentes coisas. Um dos sintomas que n\u00f3s estamos entrando em bloco 2 \u00e9 que a gente n\u00e3o est\u00e1 mais disposto a ficar ouvindo, come\u00e7a a surgir um certo inc\u00f4modo. Enquanto n\u00f3s estamos ouvindo, ficamos com a sensa\u00e7\u00e3o de que dever\u00edamos estar praticando. Por qu\u00ea? Porque estamos ouvindo de novo uma coisa da qual n\u00f3s j\u00e1 estamos convencidos. A gente come\u00e7a a ter uma sensa\u00e7\u00e3o de \u201cisso \u00e9 realmente assim, eu tenho que praticar, eu tenho que andar e esse \u00e9 o meu movimento\u201d. A gente ouve v\u00e1rias descri\u00e7\u00f5es sobre o darma e a gente pensa que aquilo \u00e9 realmente assim, j\u00e1 entendeu que aquilo \u00e9 assim e agora n\u00e3o adianta a gente ouvir de novo e de novo, porque o que \u00e9 preciso mesmo \u00e9 fazer pr\u00e1tica. Esse \u00e9 um ponto interessante. Por exemplo, quando a gente ouve diferentes mestres falando a gente sempre gera uma confian\u00e7a e uma vontade de seguir. Mas quando estamos entrando em bloco 2 esse efeito come\u00e7a a se reduzir. A gente ouve aquilo mas tem a sensa\u00e7\u00e3o de que j\u00e1 est\u00e1 convencido daquilo. A energia brota mais como uma lembran\u00e7a do que como alguma coisa que a gente esteja recebendo ali, porque aquilo j\u00e1 est\u00e1 dentro de n\u00f3s. N\u00f3s j\u00e1 sabemos aquilo. Ent\u00e3o, esse \u00e9 o momento em que \u00e9 natural as pessoas preferirem estar em retiro a ouvir o Lama.<br \/>\nOu ent\u00e3o voc\u00eas abrem um livro e pensam: isso aqui eu n\u00e3o vou olhar de novo, isso eu j\u00e1 sei, agora preciso praticar. A\u00ed voc\u00eas param em sil\u00eancio e meditam. D\u00e1 uma felicidade que vem da pr\u00f3pria pr\u00e1tica. Nesse ponto, voc\u00eas est\u00e3o entrando em bloco 2. Ent\u00e3o, o bloco 2 n\u00e3o \u00e9 uma coisa que eu compreendo, \u00e9 uma coisa que eu mudo. \u00c9 alguma coisa que acontece dentro. N\u00e3o \u00e9 uma coisa assim: \u201cagora eu sou super inteligente, eu entendi o bloco 2 e estou no bloco 2\u201d. A gente precisa estar no bloco 2 mesmo e existem sintomas de bloco 2.<br \/>\nEssa perspectiva dos blocos \u00e9 super importante, pois em cada condi\u00e7\u00e3o ou posi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um treinamento, que \u00e9 o melhor para aquele momento. Isso \u00e9 Chenrezig. A gente n\u00e3o deveria usar um procedimento repressivo.<\/p>\n<h3>Como progredir na medita\u00e7\u00e3o e superar os obst\u00e1culos<\/h3>\n<p>Quando a gente come\u00e7a enfim a fazer a pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o, vem esse ponto que eu gostaria que fosse anotado.<br \/>\nQuando a gente senta em medita\u00e7\u00e3o, sentamos tranquilos, \u201capenas sentar\u201d, como diria o Mestre Dogen. Como n\u00f3s estamos com uma fixa\u00e7\u00e3o na dualidade objeto-observador, \u00e9 como se a nossa mente n\u00e3o conseguisse operar de outro jeito. Ela tem essa tend\u00eancia. Ela est\u00e1 em faixa 1, operando dentro da perspectiva objeto-observador. Ela est\u00e1 operando assim.<br \/>\nAinda que ela opere dentro da perspectiva objeto-observador, quando n\u00f3s sentamos em sil\u00eancio, a posi\u00e7\u00e3o do observador come\u00e7a a se deslocar e eu vou explicar por qu\u00ea. Os objetos que aparecem na medita\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam import\u00e2ncia nenhuma. No entanto, porque n\u00f3s estamos fixados na perspectiva de objeto e observador, a gente fica querendo que os objetos que apare\u00e7am, ou seja, que o estado da nossa mente, aquilo que a gente v\u00ea, tenha uma caracter\u00edstica ou outra, ou seja, a gente fica procurando no objeto o sinal de algum n\u00edvel de realiza\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o \u00e9 no objeto, esse \u00e9 o ponto. Isso \u00e9 uma super habilidade do Buda.<br \/>\nNingu\u00e9m consegue sentar se n\u00e3o houver uma mente supervisora do processo. Por exemplo, a gente pode estar com sensa\u00e7\u00f5es de corpo como frio ou calor, podemos estar vendo coisas, podemos estar querendo ver ou n\u00e3o querendo ver, a gente pode estar fixado ou n\u00e3o. Mas estamos minimamente naquele lugar e naquela posi\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, existe minimamente uma mente supervisora atr\u00e1s olhando, quer a gente veja isso ou n\u00e3o. Por exemplo, se a gente der para uma crian\u00e7a uma pedra e disser: \u201cagora fica assim, n\u00e3o mexe\u201d. O conte\u00fado n\u00e3o importa, ou seja, n\u00e3o importa se for uma pedra ou qualquer outra coisa, mas ela tem que ficar segurando aquilo. Tem que ter uma mente supervisora que d\u00e1 conta dessa posi\u00e7\u00e3o, caso contr\u00e1rio a pessoa vai se deslocar para um lado e para o outro, o que \u00e9 muito natural.<br \/>\nQuem tem um treinamento \u00e9 capaz de fazer outras coisas sem perder esse foco. A pessoa cria uma esp\u00e9cie de supervisor. Vamos supor que eu n\u00e3o estou com pedra nenhuma, eu estou com um mudra. Mudra \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio corpo, eu paro o corpo numa posi\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o tenho como me manter numa posi\u00e7\u00e3o se n\u00e3o houver uma consci\u00eancia que administra isso. Ent\u00e3o, para manter-se na posi\u00e7\u00e3o, em si mesmo, mesmo que eu n\u00e3o fique pensando nisso, eu tenho uma mente que sustenta uma posi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEnt\u00e3o, surge esse observador. Esse observador que sustenta a posi\u00e7\u00e3o \u00e9 o que vai atingir a ilumina\u00e7\u00e3o. A mente comum ser\u00e1 substitu\u00edda e abandonada. N\u00f3s estamos gerando a consci\u00eancia que vai atingir a ilumina\u00e7\u00e3o. A\u00ed a pessoa senta. Se ela disser \u201cagora eu estou gerando e estou fazendo isso e aquilo\u2026\u201d j\u00e1 atrapalhou, porque entrou o processo discursivo, ela j\u00e1 est\u00e1 vendo de forma dual, que \u00e9 um pouco o que eu estou fazendo aqui agora enquanto estou descortinando isso. Mesmo que eu fale sobre isso, se a gente simplesmente sentar, a gente inevitavelmente vai praticar isso, sem precisar pensar. Ent\u00e3o, a gente volta para a pr\u00e1tica e geramos essa consci\u00eancia.<br \/>\nQuando eu me levantar, pode ser que eu leve junto esse observador. Enquanto eu me movo ele est\u00e1 me olhando tamb\u00e9m.<\/p>\n<h3>Progresso da medita\u00e7\u00e3o e a posi\u00e7\u00e3o do observador<\/h3>\n<p>Aqui n\u00f3s estamos em bloco 2. A gente senta. Esse observador no in\u00edcio est\u00e1 normalmente dentro do samsara. Mas eu vou come\u00e7ar a deslocar agora um segundo aspecto. Eu tenho o observador e tenho a posi\u00e7\u00e3o onde ele est\u00e1. O progresso da medita\u00e7\u00e3o se refere ao surgimento desse observador, que \u00e9 o praticante, e o deslocamento dele em dire\u00e7\u00e3o a regi\u00f5es mais sutis. Ele vai come\u00e7ar a se deslocar progressivamente. No in\u00edcio, ele est\u00e1 no samsara, depois ele vai se deslocando, ele vai reconhecer alayavijnana e depois vai atravessar e repousar na natureza primordial.<br \/>\nNo in\u00edcio, ele tem a vis\u00e3o de paisagens e bolhas, depois ele tem a vis\u00e3o da vacuidade, e depois ele vai desenvolver a vis\u00e3o da mandala. Ent\u00e3o, o aspecto interno, a posi\u00e7\u00e3o onde ele est\u00e1 define de modo coemergente a apar\u00eancia externa que ele v\u00ea. Quando ele estiver no final do bloco 2, ele continua sempre fazendo a mesma pr\u00e1tica, durante todo o bloco 2 ele est\u00e1 fazendo isso. Ent\u00e3o, se a gente quiser ver qual \u00e9 o progresso, \u00e9 esse deslocamento. O observador primeiro surge quando n\u00f3s sentamos, ele estabiliza e se desloca progressivamente para regi\u00f5es mais sutis, ele reconhece alayavijnana, a\u00ed ele est\u00e1 num ponto que n\u00e3o tem condicionantes. Quando ele est\u00e1 num ponto sem condicionantes surge a vis\u00e3o das mandalas. Isso corresponde ao final do prajnaparamita com 8 pontos. Ele est\u00e1 na vis\u00e3o da mandala vajra.<br \/>\nEnt\u00e3o, tem um treinamento razoavelmente trabalhoso, at\u00e9 que a vis\u00e3o comum de realidade, que s\u00e3o as bolhas de realidade do samsara, se converta nesse reconhecimento profundo do conte\u00fado das bolhas, a\u00ed n\u00f3s vamos para a vacuidade, a gente encontra vacuidade e luminosidade, e atravessa alayavijnana, reconhece que n\u00e3o h\u00e1 um obst\u00e1culo verdadeiro nas apar\u00eancias, no samsara. N\u00f3s n\u00e3o temos nem o que criticar de fato. N\u00f3s reconhecemos a natureza vajra e ent\u00e3o vem a pr\u00e1tica da presenca, em que n\u00f3s repousamos na natureza n\u00e3o elaborada, que corresponde ao aspecto primordial.<\/p>\n<h3>Vis\u00e3o ampla e a posi\u00e7\u00e3o do observador<\/h3>\n<p>Qual \u00e9 o ponto que eu estou trazendo? Quando voc\u00eas estiverem meditando, o que aparece aos olhos, o que aparece como objeto n\u00e3o importa, o ponto importante \u00e9 onde n\u00f3s estamos. Vamos perceber que, durante um tempo, vamos olhar para as coisas como se elas fossem de um certo tipo, mas, \u00e0 medida que recuamos, conseguimos contextualizar o que est\u00e1vamos olhando, conseguimos criticar e nos distanciarmos da experi\u00eancia anterior. Isto porque estamos mais longe da bolha onde aquilo estava situado, olhamos de forma mais geral. De repente, chegamos em alayavijnana. A\u00ed encontramos os condicionantes que produzem aquela apar\u00eancia. Trabalhamos nos v\u00e1rios condicionantes e nos deslocamos por eles, vemos as realidades se montarem a partir deles.<br \/>\nNesse ponto, vemos de modo mais claro o que significa os ciclos de mortes e renascimentos: quando nos deslocarmos pelos diversos referenciais, as realidades v\u00e3o surgindo de um outro jeito. Quando estamos olhando dessa maneira ampla, j\u00e1 n\u00e3o estamos mais nas v\u00e1rias bolhas quando elas aparecem, elas aparecem mas n\u00e3o estamos nelas.<br \/>\nLogo, estamos num lugar atr\u00e1s, que \u00e9 o lugar que precisamos, o lugar onde vai haver a lucidez primordial. Sempre que estivermos num n\u00edvel de lucidez a partir de um referencial que n\u00e3o sabemos qual \u00e9, teremos a intelig\u00eancia correspondente \u00e0queles referenciais. Isto n\u00e3o \u00e9 nenhum problema, mas essa intelig\u00eancia s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 ampla, ela \u00e9 aquela intelig\u00eancia e n\u00e3o outra. \u00c9 por isso que no fim n\u00e3o conseguimos mais criticar, pois as m\u00faltiplas intelig\u00eancias s\u00e3o o que s\u00e3o. Apesar de serem intelig\u00eancias particulares, elas s\u00e3o \u00fateis. Elas operam junto destes mundos e surgem com estes mundos.<\/p>\n<h3>Aprecia\u00e7\u00e3o do aspecto luminoso: nada a criticar<\/h3>\n<p>Ent\u00e3o, quando estamos distanciados, come\u00e7amos a desenvolver uma aprecia\u00e7\u00e3o do aspecto m\u00e1gico, do aspecto luminoso, l\u00fadico, destas m\u00faltiplas realidades. Quando fazemos isto, n\u00e3o conseguimos mais criticar. \u00c9 esta a vis\u00e3o de Vajrasatva, da Grande Perfei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 como criticar. \u00c9 como uma crian\u00e7a que v\u00ea a coisa de um jeito, mas a coisa era de outro jeito. \u00c9 como quando rimos de uma pessoa que pensa que uma coisa \u00e9 para um lado, mas a coisa \u00e9 para o outro lado. N\u00f3s n\u00e3o estamos no engano, e sim vendo o engano. \u00c9 diferente! Quando estamos no engano, a gente n\u00e3o v\u00ea o engano! Mas agora n\u00f3s vemos o engano e n\u00e3o conseguimos mais chamar de engano. Olhamos aquilo ludicamente! A realidade inteira \u00e9 vista assim!<br \/>\nIsto tem uma conex\u00e3o com a linguagem da arte, do teatro, do cinema, da m\u00fasica. Todos os objetos sensoriais que a arte opera t\u00eam uma conex\u00e3o direta com isso. A arte opera com os 6 sentidos. Ela opera ludicamente com estes aspectos todos. A arte tem a vantagem de nos colocar mais facilmente como observadores distanciados da realidade. Elas nos introduz isso, enquanto que a realidade como ela est\u00e1 tem a tend\u00eancia de nos iludir. O progresso da medita\u00e7\u00e3o \u00e9 justamente o progresso deste observador.<br \/>\n<em>Transcri\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o: Stela Santin<\/em><br \/>\n&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ensinamento oferecido por Lama Padma Samten no retiro de inverno de 2014, no CEBB Caminho do Meio, na tarde do dia 24\/07.<\/p>","protected":false},"author":119,"featured_media":52302,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[417],"tags":[],"class_list":["post-52299","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ensinamentos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Chaves para a medita\u00e7\u00e3o - Centro de Estudos Budistas Bodisatva<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/cebb.org.br\/fr\/chaves-para-a-meditacao\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"fr_FR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Chaves para a medita\u00e7\u00e3o - 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