{"id":53483,"date":"2018-03-15T20:28:00","date_gmt":"2018-03-15T23:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cebb.org.br\/?p=53483"},"modified":"2018-03-15T20:28:00","modified_gmt":"2018-03-15T23:28:00","slug":"ensinamentos-durante-o-retiro-de-verao-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cebb.org.br\/fr\/ensinamentos-durante-o-retiro-de-verao-2018\/","title":{"rendered":"Trechos de ensinamentos durante o Retiro de Ver\u00e3o 2018"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>V\u00eddeo #1<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">ORIGEM DEPENDENTE E NATUREZA PRIMORDIAL<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cO Buda mesmo compreendeu que a origem dependente \u00e9 insepar\u00e1vel da natureza primordial e produz essa vis\u00e3o expansiva e cont\u00ednua de constru\u00e7\u00f5es sucessivas. A partir de bases j\u00e1 previamente constru\u00eddas, n\u00f3s reconstru\u00edmos adiante. Isso \u00e9 muito parecido com a descri\u00e7\u00e3o tradicional do V\u00e9u de Maya, como \u00e9 descrito na tradi\u00e7\u00e3o v\u00e9dica. A partir de uma la\u00e7ada j\u00e1 existente produzimos uma nova. E assim vamos indo. Se voc\u00eas olharem as nossas vidas, \u00e9 assim: de alguma coisa j\u00e1 existente constru\u00edmos outras la\u00e7adas e, a partir dessas outras n\u00f3s constru\u00edmos outras, e das outras constru\u00edmos outras&#8230;<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A a\u00e7\u00e3o da nossa mente \u00e9 de modo incessante e cont\u00ednuo. N\u00f3s fazemos novas la\u00e7adas e aquilo parece o brilho da nossa intelig\u00eancia, parece nossa energia. O nosso brilho se manifesta nessa expans\u00e3o incessante. Essa expans\u00e3o n\u00e3o se d\u00e1 num n\u00edvel concreto, ainda que pare\u00e7a se dar por coisas concretas. Como as coisas s\u00e3o constru\u00eddas, s\u00f3 parecem concretas. Na verdade, a subst\u00e2ncia interna real das coisas \u00e9 o significado que atribu\u00edmos \u00e0quilo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ent\u00e3o, damos uma la\u00e7ada e atribu\u00edmos um significado a ela. Assim, terminamos construindo uma teia e, em qualquer dire\u00e7\u00e3o que olharmos, as coisas t\u00eam significados espec\u00edficos que brotam do que t\u00ednhamos na mente e na energia quando produzimos aquele movimento, aquela la\u00e7ada espec\u00edfica. Assim, vamos construindo a realidade inteira, o mundo inteiro, eles se constituem disso.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Como os seres s\u00e3o diferentes, tamb\u00e9m veem as teias de um modo particular. As realidades v\u00e3o se desenhando desse modo. Elas tamb\u00e9m mudam porque, na medida em que os nossos olhos mudam, os significados que atribu\u00edmos \u00e0s coisas tamb\u00e9m mudam e as coisas v\u00e3o se sucedendo. Como operamos com desejo e apego, a transforma\u00e7\u00e3o das apar\u00eancias pode produzir em n\u00f3s afli\u00e7\u00f5es e sofrimentos. O Buda compreendeu isso totalmente, o aspecto al\u00e9m de vida e morte das nossas exist\u00eancias, que \u00e9 um tema crucial.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">VIDA HUMANA PRECIOSA<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;Entre todos os seres do samsara, os humanos encontram uma chave para entender o que est\u00e1 acontecendo. Os outros seres podem ser muito espertos, muito r\u00e1pidos, muito h\u00e1beis em muitas diferentes coisas, mais do que os seres humanos. No entanto, eles n\u00e3o t\u00eam uma linguagem, n\u00e3o t\u00eam um ensinamento, uma possibilidade de entender esses aspectos profundos da exist\u00eancia.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ent\u00e3o, se diz que o Buda veio em corpo humano. Eu sempre acho isso um pouco injusto. Acho que deveria ter vindo tamb\u00e9m budas em outros corpos que pudessem ajudar os outros seres em outros \u00e2mbitos. Eu, \u00e0s vezes, desconfio que existem budas em outros corpos, em outros seres, n\u00e3o apenas nos humanos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mas nos ensinamentos budistas se diz que a vida humana preciosa \u00e9 justo por isso, porque s\u00f3 os seres humanos realmente acessam essa vis\u00e3o. N\u00f3s temos uma natureza humana preciosa, isso \u00e9 muito extraordin\u00e1rio. N\u00e3o precisar\u00edamos viver de um modo obscuro, fechado, incapaz de reconhecer a amplid\u00e3o de tudo. N\u00f3s poder\u00edamos viver na consci\u00eancia da realidade como ela \u00e9. N\u00e3o precisar\u00edamos ficar presos a uma vida comum.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Esse aspecto da vida comum \u00e9 muito interessante. N\u00f3s repetimos, ano ap\u00f3s ano, as coisas comuns, esperando n\u00e3o envelhecer, mas vamos envelhecendo. E as coisas comuns apenas se repetem, pois elas s\u00e3o coisas comuns.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Eu acompanhei v\u00e1rias pessoas, algumas pr\u00f3ximas, se aproximando da morte no per\u00edodo final. Vi que elas tinham impulsos e vis\u00f5es comuns. Ao se aproximarem da morte \u00e9 tudo igual. Lembro de um amigo que tinha um grande cora\u00e7\u00e3o, uma compreens\u00e3o de ecologia, de fontes alternativas de energia, uma pessoa super h\u00e1bil. Usou a vida dele de uma forma criativa, interessante. E ele se aproximou da morte assim tamb\u00e9m, tinha ideias comuns. Foi um dos primeiros que criou uma planta industrial para processamento por biodigest\u00e3o para gerar energia, metano, e, a partir disso, tocar uma ind\u00fastria. Ele fez um projeto bel\u00edssimo. Ent\u00e3o, ele tinha essa mente.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">E ele foi envelhecendo, eu o vi assim, com incontin\u00eancia urin\u00e1ria, andava sempre com recipiente para colher a urina. Viveu quase dez anos assim, eu acho. E a felicidade dele era ir a um restaurante comer alguma coisa. Nos \u00faltimos anos, n\u00e3o falava mais. Ele quase morreu, retornou, passou mais uns quatro meses vendo televis\u00e3o assim. E, ent\u00e3o, morreu aos oitenta e seis anos, mais ou menos. A vida dele passou. Isso \u00e9 um pouco in\u00fatil.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A vis\u00e3o comum se repete, n\u00f3s usamos as mesmas coisas de novo, de novo e de novo. At\u00e9 que o nosso corpo est\u00e1 desgastado. E n\u00f3s fazemos como podemos o que sempre fizemos, at\u00e9 n\u00e3o poder mais&#8230; E morremos. N\u00e3o \u00e9 uma coisa muito extraordin\u00e1ria. Em outros tempos se dizia: os velhos t\u00eam sabedoria. Agora a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 ficando assim, eles t\u00eam uma sabedoria de que as coisas passam, mas isso n\u00e3o \u00e9 propriamente uma sabedoria. Isso \u00e9 um jeito de perder tempo. Na vida comum n\u00f3s perdemos tempo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os ensinamentos, especialmente os tibetanos, dizem: n\u00f3s temos uma vida preciosa, n\u00e3o dever\u00edamos perder tempo; dever\u00edamos usar essa vida humana preciosa e direcionar a nossa vida de uma forma apropriada. No m\u00ednimo, n\u00e3o embarcar no carnaval e fazer um retiro, uma coisa direita [risos]. Isso \u00e9 um bom sinal!<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os ensinamentos tibetanos dizem nos Quatro Pensamentos que Transformam a Mente: voc\u00ea tem uma vida humana preciosa, mas ela \u00e9 impermanente. Todas as condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis dessa vida humana preciosa, como sa\u00fade e lucidez, repentinamente podem desaparecer.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Chagdud Tulku Rinpoche tamb\u00e9m dizia assim: olha, n\u00e3o tem uma fila por idade. N\u00e3o quero preocupar voc\u00eas, mas a fila n\u00e3o \u00e9 por idade. Ele mesmo viu muitos alunos bem mais jovens do que ele morrer. Esse \u00e9 o ponto. Chagdud dizia: n\u00f3s morremos por carma&#8230; O carma conduz o processo e define a dura\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na vis\u00e3o tibetana, se n\u00f3s salvamos vidas, a nossa vida se prolonga. Chatral Rinpoche foi um exemplo disso. O ensinamento e a pr\u00e1tica dele, por muito tempo, foram salvar a vida dos seres. E ele teve uma longa vida. Muito extraordin\u00e1rio. Mas, ainda assim, l\u00e1 pelos cem anos todo mundo morre. Se n\u00e3o for nos oitenta, noventa, setenta, sessenta&#8230; As pessoas v\u00e3o morrer, num certo momento morrem.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ent\u00e3o, entendemos aquilo que \u00e9 vantajoso, que nos permite fazer pr\u00e1ticas, dedicar a nossa energia, focar a mente, sentar reto e estudar, olhar numa certa dire\u00e7\u00e3o, tentar obter resultados e avan\u00e7ar. Essa energia vital se esgota. Tem um momento em que n\u00f3s estamos com dificuldade de fazer isso. \u00c9 importante n\u00f3s aproveitarmos a vitalidade que temos e seguir.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>V\u00eddeo #2<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;Em qualquer lugar do samsara em que se esteja, o ponto da pr\u00e1tica \u00e9 guru ioga.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>V\u00eddeo #3<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">A REALIDADE \u00c9 COEMERGENTE<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;O sofrimento \u00e9 coemergente. As realidades s\u00e3o coemergentes, todas coemergem. N\u00f3s encontramos v\u00e1rios exemplos disso. Se come\u00e7armos a compreender que a arte \u00e9 mais pr\u00f3xima da realidade do que a ci\u00eancia, n\u00f3s estamos andando numa dire\u00e7\u00e3o interessante. Porque a realidade, como voc\u00eas veem, vai mudando. O passado muda. Como \u00e9 que o passado muda? Se o olhar muda, o passado muda. O futuro n\u00e3o precisa acontecer, ele existe no presente, \u00e9 uma vis\u00e3o. Assim, a vis\u00e3o que eu tenho do futuro tamb\u00e9m muda. A coemerg\u00eancia vai produzindo isso.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na medida em que n\u00f3s percebemos a subst\u00e2ncia da realidade se aproximando mais da arte do que da ci\u00eancia &#8211; enquanto busca de uma realidade objetiva externa e fixa -, percebemos que o mundo \u00e9 muito mais complexo. Ele \u00e9 muito mais colorido, muito mais variado. H\u00e1 uma maleabilidade, uma possibilidade. Existe uma possibilidade de mudan\u00e7a e transforma\u00e7\u00e3o das coisas. Isso \u00e9 interessante.&#8221;<\/p>\n<p dir=\"ltr\">ESTADO MEDITATIVO E LUCIDEZ<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cVoc\u00eas v\u00e3o encontrar os textos, ensinamentos de grandes mestres, m\u00faltiplos mestres&#8230; Voc\u00eas v\u00e3o ver que estamos indo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 lucidez, n\u00f3s n\u00e3o estamos indo em dire\u00e7\u00e3o ao estado meditativo. Os estados meditativos s\u00e3o considerados meios de passagem, como condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, mas n\u00e3o substituem a lucidez. A lucidez n\u00e3o \u00e9 um estado meditativo. Ela \u00e9 uma clareza. Isso \u00e9 chamado de vis\u00e3o. Lucidez \u00e9 vis\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ent\u00e3o, n\u00f3s precisamos de vis\u00e3o. A vis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um processo cognitivo, n\u00e3o \u00e9 um grande livro que a gente decorou e decodificou tudo. A vis\u00e3o se torna natural. Isso \u00e9 objeto de ensinamentos longos, de um esfor\u00e7o cont\u00ednuo dos budas e dos mestres para nos introduzirem no que seria vis\u00e3o. A base da vis\u00e3o \u00e9 guru ioga. Estamos andando nesse movimento.&#8221;<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cO aspecto comum da vida \u00e9 m\u00e1gico, extraordin\u00e1rio. \u00c9 melhor viver o aspecto comum da vida reconhecendo esse aspecto m\u00e1gico.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>V\u00eddeo #4<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">MOTIVA\u00c7\u00c3O E A\u00c7\u00c3O NO MUNDO<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cQuando nos deslocamos pelo samsara, n\u00e3o h\u00e1 alguma coisa que voc\u00ea fa\u00e7a que n\u00e3o tenha aspectos positivos e tamb\u00e9m algumas dificuldades. N\u00e3o h\u00e1 como evitar isso. A nossa demanda \u00e9 realmente transformar qualquer coisa em caminho. Por exemplo, se enquanto voc\u00ea trabalha aquilo \u00e9 caminho, ent\u00e3o isso \u00e9 caminho. Se quando voc\u00ea trabalha voc\u00ea tem a sensa\u00e7\u00e3o de que aquilo \u00e9 apenas uma agita\u00e7\u00e3o, n\u00e3o seria o caso. Do mesmo modo, se voc\u00ea est\u00e1 fazendo pr\u00e1tica, eventualmente ela te ocupa ou \u00e9 algo que tem a motiva\u00e7\u00e3o menor. Assim pode n\u00e3o ser vantajoso tamb\u00e9m. \u00c9 importante a motiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Se voc\u00ea tem a motiva\u00e7\u00e3o adequada, a a\u00e7\u00e3o no mundo, trazer benef\u00edcios aos seres, \u00e9 uma forma de praticar. A vacuidade est\u00e1 diretamente ligada a isso. Quando utilizamos vis\u00e3o e a associamos \u00e0 a\u00e7\u00e3o, quando voc\u00ea se movimenta no mundo, naturalmente v\u00ea que as coisas n\u00e3o s\u00e3o fixas. Elas n\u00e3o s\u00e3o nem boas nem ruins, n\u00e3o precisam ser classificadas desse modo. N\u00f3s n\u00e3o precisamos ficar presos \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de que a coisa \u00e9 favor\u00e1vel ou desfavor\u00e1vel, ao gosto ou n\u00e3o-gosto. A pessoa treina diretamente isso, a estabilidade da energia. Enquanto ela faz isso, est\u00e1 vendo a energia brotando de uma regi\u00e3o livre da mente. Esse \u00e9 um ponto importante.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Atrav\u00e9s de uma pr\u00e1tica que n\u00e3o \u00e9 cognitiva ela v\u00ea a energia, mobiliza a energia de forma aut\u00f4noma, independente das apar\u00eancias das coisas ao redor. Isso \u00e9 uma pr\u00e1tica. \u00c9 uma pr\u00e1tica diretamente de guru ioga. Se a pessoa tem a sensa\u00e7\u00e3o de que est\u00e1 ocupada, demandada por coisas causais e est\u00e1 perdendo tempo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua pr\u00f3pria pr\u00e1tica, ent\u00e3o ela est\u00e1 perdendo tempo mesmo. Seria o caso de ela observar isso e melhorar a motiva\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">TR\u00caS J\u00d3IAS<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cO Buda, olhando de um ponto de vista mais profundo, \u00e9 o pr\u00f3prio buda primordial, \u00e9 o aspecto do espa\u00e7o que produz a manifesta\u00e7\u00e3o da luminosidade da lucidez em n\u00f3s. Ent\u00e3o, o Buda se manifesta desse modo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Junto com o Buda nasce o Darma, a capacidade de reconhecer lucidamente as v\u00e1rias experi\u00eancias. E a Sanga, inicialmente, surge como os mestres iluminados que t\u00eam o Darma de uma forma espont\u00e2nea e natural. Mais adiante, vamos entender a Sanga como a manifesta\u00e7\u00e3o dos seres que praticam de algum modo, mas n\u00f3s vamos estendendo, estendendo, estendendo&#8230; No fim, a biosfera inteira faz parte da Sanga porque, de alguma maneira, a biosfera mant\u00e9m a nossa vida, que \u00e9 o que nos permite praticar. Enfim, a Sanga se funde com todos os seres. E desse modo, Buda, Darma e Sanga tamb\u00e9m se fundem com todos os seres.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>V\u00eddeo #5<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">O BODISATVA EM TEMPOS DE DEGENERESC\u00caNCIA<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cO bodisatva \u00e9 aquele que vai acolher e trazer benef\u00edcios onde os seres estiverem. Vejo isso tamb\u00e9m quando Sua Santidade o XIV Dalai Lama usa esta express\u00e3o: todos os seres aspiram \u00e0 felicidade e a se livrar do sofrimento. Eu acho isso sempre um pouco comovente. O caminho Mahayana \u00e9 voc\u00ea desenvolver a habilidade de encontrar os seres onde estiverem e dar uma la\u00e7ada, ajudar a pessoa a encontrar lucidez a partir daquele ponto e seguir.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Um dos obst\u00e1culos que podemos localizar facilmente \u00e9 que os tempos de degeneresc\u00eancia est\u00e3o se ampliando. Cada gera\u00e7\u00e3o sempre tem essa sensa\u00e7\u00e3o. Os bodisatvas come\u00e7am a perder a capacidade de serem bodisatvas se eles perderem a capacidade de entrar nesse mundo virtual (telas, celulares, etc). Os bodisatvas entram em qualquer mundo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Esse desafio \u00e9 interessante. Se n\u00f3s temos um amargor pelas apar\u00eancias que as coisas t\u00eam, estamos com algum problema, porque o bodisatva n\u00e3o tem amargor. Ele olha, v\u00ea o aspecto ilus\u00f3rio e luminoso que constr\u00f3i aquela realidade. \u201cUau, que interessante essa pris\u00e3o em que as pessoas est\u00e3o\u201d!<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Quando eu olho as pris\u00f5es de hoje, sempre acho mais d\u00e9beis do que as de outro tempo. A pris\u00e3o virtual \u00e9 muito mais d\u00e9bil do que uma vida estruturada. Se voc\u00ea n\u00e3o trabalhar todo dia, plantando, cortando, semeando, cuidando dos animais, voc\u00ea n\u00e3o vai ter o que comer daqui a alguns dias. Nos dias de hoje \u00e9 muito mais f\u00e1cil: a emo\u00e7\u00e3o vem da tela ou de voc\u00ea? J\u00e1 estamos num aspecto virtual que n\u00e3o se pretende concreto.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A vida como viv\u00edamos h\u00e1 dez anos ou mais era mais concreta. Hoje, a vida \u00e9 totalmente abstrata. Assim, \u00e9 muito mais f\u00e1cil voc\u00ea olhar os elementos e ver que s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es. \u00c9 mais simples introduzir o papel da mente nas constru\u00e7\u00f5es da realidade. \u00c9 mais f\u00e1cil trabalhar com as emo\u00e7\u00f5es, porque elas s\u00e3o todas artificialmente constru\u00eddas por gr\u00e1ficos que v\u00e3o aparecendo. A pessoa consegue trabalhar melhor esses aspectos internos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Olhando sob a perspectiva dos bodisatvas, o mundo \u00e9 o surgimento das bolhas de realidade como chamas num fogo, as labaredas v\u00eam e cessam. As realidades v\u00eam e cessam, mas o fogo segue. Ent\u00e3o, o samsara \u00e9 um fogo. O mundo todo s\u00e3o labaredas que surgem e cessam. N\u00e3o tem um significado maior ali dentro, em nenhuma delas, mas surgem. E n\u00e3o tem uma rigidez nisso, tem uma imperman\u00eancia natural nesse surgimento.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">De fato, o que existe incessantemente presente nisso \u00e9 o espa\u00e7o onde tudo isso surge. Podemos imaginar esse espa\u00e7o como se fosse f\u00edsico. Esse \u00e9 um dos exemplos que se usa no budismo tibetano, como o espa\u00e7o mesmo. Chagdud Tulku Rinpoche dizia: os p\u00e1ssaros passam, cruzam os c\u00e9us e n\u00e3o deixam rastros. Essa \u00e9 uma forma de falar sobre isso que estou chamando de labaredas. Aquilo vem e se dissolve, mas existe um lugar onde aquilo acontece. Esse lugar \u00e9 o espa\u00e7o que n\u00e3o \u00e9 marcado, ele segue livre.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>V\u00eddeo #7<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">ESTADOS PARTICULARES E LUCIDEZ<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;Na medida em que n\u00f3s sentamos em medita\u00e7\u00e3o, Dudjom Rinpoche oferece v\u00e1rias possibilidades. Ele apresenta, de um certo modo, como n\u00f3s direcionamos nossa aten\u00e7\u00e3o e energia na altura do cora\u00e7\u00e3o. O resultado disso \u00e9 que percebemos nossas afli\u00e7\u00f5es mentais. Todas as coisas de que n\u00f3s temos medo, apego, s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es da mente.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na medida em que vamos mantendo essa condi\u00e7\u00e3o meditativa, vemos que os fantasmas, as coisas negativas e positivas, o que nos arrasta em todas as dire\u00e7\u00f5es, tudo surge e cessa. Lentamente, percebemos que h\u00e1 uma condi\u00e7\u00e3o livre em que as coisas surgem e cessam. Isso \u00e9 um ponto super importante que vai dar origem progressivamente \u00e0 vis\u00e3o prajna. Quando prajna surge, na sequ\u00eancia, surge o que se chama sabedoria primordial, que \u00e9 a lucidez que brota desse lugar n\u00e3o condicionado.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ent\u00e3o, como voc\u00eas veem, o objetivo n\u00e3o \u00e9 fixar um estado particular, nem tampouco fixar uma condi\u00e7\u00e3o em que nada surja na mente. O objetivo \u00e9 ter lucidez frente ao que surge. Esse aspecto de lucidez \u00e9 obtido n\u00e3o por um estado particular ou por um conjunto de referenciais particulares que n\u00f3s utilizamos para olhar. Isso seria uma posi\u00e7\u00e3o religiosa, em que postulamos um conjunto de elementos de uma posi\u00e7\u00e3o religiosa que torna aquilo verdadeiro em contraposi\u00e7\u00e3o a outras condi\u00e7\u00f5es que v\u00e3o definir outras tradi\u00e7\u00f5es ou algo parecido. Assim, aquilo se torna uma coisa sect\u00e1ria. Sempre que houver um conjunto de referenciais escolhidos, temos algum problema. Com o tempo, especialmente esse conjunto de referenciais se revela falho, ele n\u00e3o pode dialogar \u00a0e trazer elementos que efetivamente ajudem. Esse \u00e9 o problema das tradi\u00e7\u00f5es religiosas reveladas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Est\u00e1 certo que essas tradi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m podem passar por um processo de interpreta\u00e7\u00e3o positiva e aquilo vai mudando. Mas os processos de interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o un\u00e2nimes, \u00e9 natural que v\u00e1 surgir uma fragmenta\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o, porque v\u00e3o surgir diferentes l\u00edderes da mesma tradi\u00e7\u00e3o que interpretam de modo diferente. Eles v\u00e3o tomando outros referenciais e olhando as pr\u00f3prias palavras da revela\u00e7\u00e3o como significados espec\u00edficos, h\u00e1 outros que interpretam de outros jeitos&#8230; Ent\u00e3o, v\u00e3o surgindo fac\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios tipos que podem se abrir mais adiante. Isso \u00e9 complexo. \u00c9 assim: o que \u00e9 constru\u00eddo envelhece, n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o. O budismo n\u00e3o vai operar dentro disso.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Nesse sentido, o budismo ultrapassa a no\u00e7\u00e3o religiosa, se dilui enquanto uma tradi\u00e7\u00e3o religiosa, porque n\u00e3o vai adotar uma posi\u00e7\u00e3o constru\u00edda, revelada, que vai ser imantada na imagem do Buda; n\u00f3s n\u00e3o vamos ser algu\u00e9m que vai repetir algum tipo de condicionamento mental di\u00e1rio.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na medida em que avan\u00e7amos na pr\u00e1tica, vamos compreendendo esse aspecto. Por exemplo, a medita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 para encontrar alguma coisa budista e se fixar em algum lugar, mas \u00e9 para elucidar o processo pelo qual as coisas surgem, sendo e n\u00e3o sendo reais. Ainda que eu diga que elas s\u00e3o reais e n\u00e3o s\u00e3o, isso n\u00e3o \u00e9 completamente verdadeiro, porque elas s\u00e3o o que t\u00eam que ser, intersubjetivamente verdadeiras, elas funcionam. Mas isso n\u00e3o \u00e9 absoluto, n\u00e3o \u00e9 final, \u00e9 pass\u00edvel de uma mudan\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;Essa teoria de \u201cdescobrir quem voc\u00ea \u00e9\u201d (para decidir o que fazer da vida), para o budismo, \u00e9 uma teoria estranha, porque se a pessoa descobre, ela atinge a ilumina\u00e7\u00e3o, a\u00ed estragou tudo, a\u00ed sim que a pessoa n\u00e3o vai fazer vestibular. Quando a pessoa descobre quem ela \u00e9, no sentido comum, \u00e9 um engano&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A gente pode imaginar um futuro que nunca vai existir. De modo geral, todos os nossos futuros nunca v\u00e3o existir. As nossas vis\u00f5es assim \u201co Brasil isso\u2026 a nossa vida isso ou aquilo\u2026\u201d, melhor relaxar, pessoal. Pensem se aquilo que voc\u00eas est\u00e3o vivendo hoje foi planejado ou visto antes. N\u00e3o foi! Melhor relaxar!\u00a0<strong>Melhor manter a motiva\u00e7\u00e3o e tentar fazer o melhor em cada momento.<\/strong>\u00a0A\u00ed voc\u00eas v\u00e3o ver que a gente vai muito mais longe do que qualquer perspectiva de longo alcance que a gente teve em outros tempos. A gente vai muito mais longe. \u00c9 assim.&#8221;<br \/>\n&#8220;De novo eu penso sobre a situa\u00e7\u00e3o dos persas e dos gregos. Os persas sabiam que iam perder. Mas ent\u00e3o por que eles seguem? Por que eles n\u00e3o se mandam? Por que eles n\u00e3o mudam tudo? Mas eles n\u00e3o mudam. Ent\u00e3o n\u00f3s, que sabemos que a sociedade como est\u00e1 organizada n\u00e3o resiste, por que a gente n\u00e3o vira tudo? Por que a gente n\u00e3o sai e transforma tudo? A gente n\u00e3o transforma. A gente vai at\u00e9 o fim e aquilo vai explodindo. Como \u00e9 que \u00e9 isso? A gente poderia dizer que tem uma maldi\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o \u00e9 uma maldi\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma intersubjetividade, uma vis\u00e3o de mundo. N\u00f3s, individualmente, n\u00e3o conseguimos surgir dentro desse contexto de um outro jeito a n\u00e3o ser como n\u00f3s andamos. A gente n\u00e3o sabe como fazer. Isso voc\u00eas podem olhar em v\u00e1rios setores. Tem pessoas no mundo pol\u00edtico que querem fazer diferente, mas est\u00e3o com dificuldade&#8221;.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>V\u00eddeo #8<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">LUCIDEZ N\u00c3O TEM CONTRA-INDICA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;O maior benef\u00edcio que podemos trazer est\u00e1 em qualquer \u00e1rea. Lucidez n\u00e3o tem contra-indica\u00e7\u00e3o. A vis\u00e3o mais ampla \u00e9 melhor. Se n\u00f3s tomarmos esse ponto por objetivo, vamos desenvolver uma vis\u00e3o mais ampla. Isso seria uma boa coisa. Essa \u00e9 a primeira prioridade. O conhecimento num sentido f\u00edsico \u00e9 bem menos importante. O mais importante \u00e9 a atitude, porque conhecimento \u00e9 f\u00e1cil, aprendemos r\u00e1pido. &#8220;<\/p>\n<p>\u00a0&#8220;Essencialmente, n\u00f3s temos a capacidade de aprender, de estudar, de fazer o olho brilhar, de se interessar pelas coisas e avan\u00e7ar. Esse \u00e9 o processo usado no budismo. Mas eventualmente as pessoas, dentro da est\u00e9tica do mundo, elas buscariam ser algu\u00e9m dentro de uma estrutura, alguma coisa assim. Essa est\u00e9tica n\u00e3o funciona bem dentro do budismo, n\u00e3o funciona. N\u00e3o funciona assim. Isso \u00e9 meio complicado. Porque o ponto \u00e9 atingir a libera\u00e7\u00e3o, atingir a lucidez. Eu acho efetivamente que se as pessoas relaxarem essa tens\u00e3o e buscarem trazer benef\u00edcio aos outros e ampliarem a sua vis\u00e3o, elas v\u00e3o gerando uma capacidade de andar super bem dentro do mundo condicionado, dentro do samsara&#8221;.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>V\u00eddeo #10<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">BUDISMO E CI\u00caNCIA<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201c\u00c9 assim: se n\u00f3s dependermos das sinapses, d\u00e1 problema. Por exemplo, voc\u00ea observa, primeiro fazemos uma opera\u00e7\u00e3o. E tal opera\u00e7\u00e3o \u00e9 livre de uma opera\u00e7\u00e3o pr\u00e9-existente, n\u00e3o \u00e9 verdade? A sinapse vai ocorrer na sequ\u00eancia. Ent\u00e3o, tem uma liberdade antes da sinapse. A sinapse \u00e9 um carma. Ou seja, eu vou estabelecer uma conex\u00e3o em um n\u00edvel grosseiro, ela aparece em um n\u00edvel grosseiro. Mas n\u00e3o come\u00e7ou em um n\u00edvel grosseiro. Come\u00e7ou em um n\u00edvel sutil, n\u00f3s repetimos cento e oito mil vezes, e depois aparece uma coisa no n\u00edvel grosseiro. Quem est\u00e1 operando e vendo coisas s\u00f3 no n\u00edvel grosseiro, vai dizer &#8220;\u00f3\u00f3\u00f3, \u00e9 a sinapse!&#8221;&#8230; Mas me parece uma coisa completamente \u00f3bvia, n\u00e3o precisa nem discutir.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Primeiro, eu fa\u00e7o uma opera\u00e7\u00e3o mental que vou repetir muitas vezes. Depois vai surgir uma sinapse. A sinapse \u00e9 a origem daquele funcionamento? N\u00e3o \u00e9. Mas, volta e meia, n\u00f3s ouvimos por a\u00ed: tudo \u00e9 o c\u00e9rebro.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Por exemplo, a pessoa vai parar numa academia, vai malhando e v\u00e3o surgindo m\u00fasculos. O que veio antes, a mente ou o m\u00fasculo? \u00c9 a mente que vai fazer aquilo. Aquele resultado \u00e9 grosseiro, mas vem de um aspecto sutil. Com esse aspecto sutil n\u00f3s podemos fazer opera\u00e7\u00f5es em sonho, n\u00e3o precisamos nem ter opera\u00e7\u00e3o do sentido f\u00edsico comum.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ignor\u00e2ncia &amp; Luminosidade<\/p>\n<p dir=\"ltr\">De qualquer maneira, essa quest\u00e3o remete a uma outra quest\u00e3o interessante, que \u00e9 assim: enfim, por que precisamos fazer pr\u00e1tica se aquilo j\u00e1 estava ali? Se \u00e9 uma coisa natural, que j\u00e1 estava l\u00e1, para que eu vou fazer pr\u00e1tica? Aquilo j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1, como se perde? Quem perde? N\u00f3s n\u00e3o deixamos de acessar porque a ilus\u00e3o toda \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o daquele jeito, j\u00e1 est\u00e1 operando. N\u00e3o tem como operar a ilus\u00e3o se n\u00e3o pelo aspecto luminoso, que \u00e9 livre, e pela energia que brota do aspecto primordial.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Agora, voc\u00eas vejam: n\u00f3s somos o referencial condicionado, autom\u00e1tico, e uma mente livre operando sob um conjunto de referenciais condicionados. Esse referencial apresenta um mundo circundante. Esse mundo circundante surge junto com o observador que o v\u00ea, como aquele exemplo do cubo. A rela\u00e7\u00e3o entre esse par \u00e9 baseada em referenciais constru\u00eddos. Eu poderia chamar isso de ignor\u00e2ncia ou de luminosidade.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na ignor\u00e2ncia, aquilo opera de um jeito, a partir do qual eu n\u00e3o tenho lucidez nenhuma, eu reajo \u00e0quilo. Mas, ainda que seja ignor\u00e2ncia, \u00e9 luminosidade. Na base, a \u00fanica subst\u00e2ncia que tem ali \u00e9 a luminosidade. Se eu for encontrar alguma outra subst\u00e2ncia para o cubo, eu vou me enganar.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Esse desenho do cubo \u00e9 interessante, tem duas dimens\u00f5es. Podemos perguntar: em qual dimens\u00e3o est\u00e1 a aresta? Est\u00e1 no papel, antes do papel ou atr\u00e1s do papel? Tem algum lado do cubo no papel? O cubo tem tr\u00eas dimens\u00f5es, eu n\u00e3o consigo ter todos os lados e todas as arestas no papel. Ent\u00e3o, o cubo come\u00e7a a ficar estranho. O que do cubo est\u00e1 no papel? O papel tamb\u00e9m perde o sentido quando eu olho o cubo no papel, ele n\u00e3o tem lugar para ser colocado. Ent\u00e3o, vamos construindo uma realidade luminosa. N\u00f3s constru\u00edmos as realidades, n\u00f3s surgimos junto com as realidades. A realidade \u00e9 luminosa.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A quest\u00e3o \u00e9 assim: quando n\u00e3o h\u00e1 estabilidade no aspecto primordial para olhar, olhamos desde o aspecto condicionado. \u00c9 a \u00fanica op\u00e7\u00e3o que temos. \u00c9 nessa circunst\u00e2ncia que o Darma faz sentido.&#8221;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>V\u00eddeo #13<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;O sofrimento n\u00e3o \u00e9 real, ele \u00e9 uma experi\u00eancia que n\u00f3s temos.&#8221;<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00c9 MELHOR DESCOMPLICAR<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;O ponto mais importante \u00e9 justamente a pr\u00e1tica, porque ela desenvolve vis\u00e3o, andamos r\u00e1pido. E a partir do ponto em que estamos, desenvolvemos algum n\u00edvel de habilidade. Olhamos em volta e vemos outras coisas que foram propostas e faladas. E ent\u00e3o, temos muito mais r\u00e1pido condi\u00e7\u00e3o de acessar aquilo. \u00c9 muito mais r\u00e1pido desse modo, pois quando olhamos os ensinamentos, eles n\u00e3o s\u00e3o mais propriamente uma novidade, uma vez que n\u00f3s estamos praticando aquilo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Acredito que o tempo passa e eu considero que realmente esse eixo das Quatro Nobres Verdades, da Ilumina\u00e7\u00e3o da Sabedoria Primordial, que \u00e9 uma vers\u00e3o tibetana vajrayana, \u00e9 uma boa coisa. Voc\u00eas observem, Buda ensinou isto: as Quatro Nobres Verdades &#8211; sofrimento, as causas do sofrimento, supera\u00e7\u00e3o do sofrimento e os oito passos. Se voc\u00eas olharem os ensinamentos tradicionais em p\u00e1li, s\u00e3o curtos, n\u00e3o t\u00eam uma complexidade intelectual. Eles v\u00e3o dizer: \u00a0agora, pratique.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Eu acho melhor descomplicar. \u00c9 melhor ir direto. Quando digo descomplicar significaria assim: n\u00e3o se prender a uma enorme abund\u00e2ncia de possibilidades e instru\u00e7\u00f5es, mas focar na pr\u00e1tica. Focar, encontrar esse eixo e seguir, entendendo, por exemplo, que essa enorme abund\u00e2ncia pode ser colhida, mais adiante, desde que a gente v\u00e1 desenvolvendo algum n\u00edvel de realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 o processo pelo qual n\u00f3s terminamos colhendo esses outros aspectos. Depois de vencer certas etapas, voc\u00eas podem passar por outros lugares e, ent\u00e3o, colher for\u00e7as de novo. Mas, primeiro, ven\u00e7am as etapas.&#8221;<\/p>\n<p dir=\"ltr\">POSI\u00c7\u00c3O DE MEDITA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;V\u00e1rias posi\u00e7\u00f5es de medita\u00e7\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis, porque a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o, a quest\u00e3o \u00e9 n\u00e3o se mover. N\u00f3s vamos repousar em uma posi\u00e7\u00e3o para poder deixar a nossa mente livre.&#8221;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>V\u00eddeo #14<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;O avan\u00e7o na pr\u00e1tica de shamata se d\u00e1 pela continuidade, e n\u00e3o pela perfei\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>V\u00eddeo #15<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">A NATUREZA PRIMORDIAL SEGUE INTACTA<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;Eu acho importante entendermos que se n\u00f3s sentarmos perfeitamente, est\u00e1vel, e fizermos uma boa pr\u00e1tica, a natureza primordial n\u00e3o aumenta nem diminui. Se fizermos tudo errado, a natureza primordial n\u00e3o aumenta nem diminui. Acho isso essencial, porque nos d\u00e1 uma dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio m\u00e9todo. N\u00e3o ficamos dependentes do m\u00e9todo.&#8221;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>V\u00eddeo #17<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">O TREINAMENTO DA MENTE NA PERSPECTIVA DE MANDALA<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;Neste tempo, eu acho melhor n\u00f3s usarmos o processo de mandala. \u00c9 um super diferencial poder usar o m\u00e9todo da mandala, que introduz uma esp\u00e9cie de disciplina mais sutil. Ela envolve o n\u00edvel sutil junto, n\u00e3o apenas o grosseiro. N\u00e3o \u00e9 assim: eu vou s\u00f3 disciplinar a minha a\u00e7\u00e3o externa. Eu vou tamb\u00e9m ajustar o aspecto sutil da minha mente, incluindo as emo\u00e7\u00f5es, o foco, a capacidade de ouvir. Esse enriquecimento faz uma super diferen\u00e7a.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Isso \u00e9 essencialmente diferente entre as coisas darem certo e n\u00e3o darem. Quem n\u00e3o est\u00e1 operando dentro da perspectiva de mandala, depois das decis\u00f5es tomadas, sempre tem a sensa\u00e7\u00e3o de que tinha alguma coisa que deveria ter consultado, porque o ambiente era mais rico, tinha outros elementos que a pessoa n\u00e3o chegou a notar e perceber. Ent\u00e3o, a mandala tem mais intelig\u00eancia do que o processo piramidal, funciona melhor. Mas, mesmo dentro do processo de mandala, h\u00e1 o treinamento da mente.&#8221;<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O MUNDO INTEIRO PODE SER UMA OFERENDA DE LUCIDEZ<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;N\u00f3s podemos fazer uma oferenda como o Tsog, como fizemos ontem aqui. Eu posso dizer que, em vez de fazer uma pr\u00e1tica, posso fazer uma oferenda. A oferenda da lucidez: olhar para tudo em todas as dire\u00e7\u00f5es reconhecendo isso. Muitas vezes, isso \u00e9 usado dentro da express\u00e3o &#8220;nuvens infinitas de oferendas&#8221;. Nuvem vasta de oferendas. O mundo inteiro surge como uma oferenda de lucidez.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Isso \u00e9 a oferenda do bodisatva, ele vai esquecendo todo esse aspecto mais figurativo. Ou seja, n\u00f3s precisamos olhar o universo inteiro com lucidez. Se deixarmos algum peda\u00e7o do universo sem olhar, ali \u00e9 um canto da ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ent\u00e3o, \u00e9 melhor olhar tudo, n\u00e3o tem o que n\u00e3o olhar. N\u00f3s olhamos o aspecto grosseiro externo, o aspecto sutil externo; olhamos o aspecto grosseiro interno e o aspecto sutil interno. N\u00e3o vamos deixar nada sem olhar. Olhar, aqui, significa reconhecer a inseparatividade do aspecto secreto com os aspectos sutil e grosseiro, seja do que for, interno e externo.&#8221;<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;A Hist\u00f3ria \u00e9 sempre uma hist\u00f3ria da imperman\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>V\u00eddeo #18<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;Rigpa \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea da natureza de buda, espontaneamente presente, luminosa e l\u00facida.&#8221;<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;Todos os seres t\u00eam a natureza de rigpa.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>V\u00eddeo #19<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;A realidade n\u00e3o \u00e9 um fio, \u00e9 uma regi\u00e3o em que a gente se movimenta.&#8221;<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A PERFEI\u00c7\u00c3O DA GENEROSIDADE<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cA perfei\u00e7\u00e3o da generosidade \u00e9 assim: na medida em que obst\u00e1culos s\u00e3o superados em algum lugar, a pr\u00f3pria pessoa, a intelig\u00eancia que est\u00e1 manifestando, olha aquilo como se fosse um assunto insepar\u00e1vel dela mesma. Ela n\u00e3o olha aquilo como se fosse de um outro. O crit\u00e9rio de qualidade \u00e9 assim: n\u00e3o h\u00e1 um outro, n\u00e3o h\u00e1 um &#8220;eu &#8221; e n\u00e3o h\u00e1 alguma coisa sendo passada. N\u00e3o h\u00e1 uma dualidade. O outro n\u00e3o \u00e9 visto de forma dual. Isso \u00e9 a perfei\u00e7\u00e3o da generosidade.\u201d<\/p>\n<p>&#8220;A gente precisa reconhecer a vis\u00e3o mais ampla como uma riqueza. A gente n\u00e3o deveria ficar preso \u00e0 vis\u00e3o de identidade e nem imaginar que o darma vai nos abalar enquanto identidade. O darma vai ampliar a nossa vis\u00e3o. A identidade \u00e9 um ponto parcial e limitado de onde eu olho. A gente vai entender a supera\u00e7\u00e3o da identidade n\u00e3o como uma supera\u00e7\u00e3o de mim mesmo e como um sacrif\u00edcio, em que eu me jogo num fogo para ent\u00e3o virar outra coisa. N\u00e3o \u00e9 isso. Eu estou operando de forma estreita, ent\u00e3o eu vou ampliar&#8221;.<br \/>\n\u201cO sutra do Diamante trabalha o aspecto da supera\u00e7\u00e3o da identidade. Esse \u00e9 um dos obst\u00e1culos que a gente tem quando a gente segue o caminho da perfei\u00e7\u00e3o. O caminho da perfei\u00e7\u00e3o tem uma abordagem que, quase certamente, durante um bom tempo, estimula a vis\u00e3o desde uma identidade, ent\u00e3o, ele pode refor\u00e7ar a vis\u00e3o da identidade. Se a gente for entrar nos retiros com essa perspectiva, a gente vai ter problemas.&#8221;<br \/>\n&#8220;Por que as apar\u00eancias s\u00e3o falsas? N\u00e3o \u00e9 que elas sejam falsas, elas s\u00e3o o que s\u00e3o, elas se tornam falsas quando eu as assumo como verdadeiras. Se eu as assumo como verdadeiras aquele aspecto verdadeiro \u00e9 falso. Esse aspecto se torna s\u00f3lido e por isso eu vou chamar de falso, porque eu tomo aquilo como base para construir outras coisas, ent\u00e3o eu considero que aquilo \u00e9 seguro. Ent\u00e3o, a gente vai criticar: n\u00e3o, isso n\u00e3o \u00e9 seguro, isso \u00e9 falsamente seguro, isso n\u00e3o \u00e9, de fato. Ent\u00e3o, essas s\u00e3o as apar\u00eancias falsas&#8221;.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<em>Lama Padma Samten ofereceu esses ensinamentos durante o Retiro de Ver\u00e3o, de 9 a 18 de fevereiro de 2018, no CEBB Caminho do Meio, em Viam\u00e3o. A foto foi tirada durante o retiro.<\/em><br \/>\nTranscri\u00e7\u00e3o: Bruna Crespo<br \/>\nRevis\u00e3o: Stela Santin<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":119,"featured_media":53486,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[417,364],"tags":[],"class_list":["post-53483","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ensinamentos","category-treinamento"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Trechos de ensinamentos durante o Retiro de Ver\u00e3o 2018 - Centro de Estudos Budistas Bodisatva<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/cebb.org.br\/fr\/ensinamentos-durante-o-retiro-de-verao-2018\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"fr_FR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Trechos de ensinamentos durante o Retiro de Ver\u00e3o 2018 - 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