{"id":87596,"date":"2022-01-25T11:10:29","date_gmt":"2022-01-25T14:10:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cebb.org.br\/?p=87596"},"modified":"2022-01-25T11:10:29","modified_gmt":"2022-01-25T14:10:29","slug":"a-grande-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cebb.org.br\/fr\/a-grande-vida\/","title":{"rendered":"A Grande Vida"},"content":{"rendered":"<p><em>Trecho final do ensinamento &#8220;Desconstruindo o medo&#8221;, oferecido por Lama Padma Samten na manh\u00e3 do dia 5 de junho de 2021.<\/em><br \/>\n<!--more--><\/p>\n<blockquote>\n<h3><strong>Quando a nossa vida se amplia e se v\u00ea como ela j\u00e1 \u00e9, ent\u00e3o os medos correspondentes \u00e0s vidas estreitas cessam.<\/strong><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>Existem algumas coisas que surgem e cessam, surgem e cessam. Mas tem aquilo que n\u00e3o surge e nem cessa, que est\u00e1 incessantemente operando. Este ponto \u00e9 o ponto central no budismo: aquilo que est\u00e1 incessantemente operando e que a gente n\u00e3o pode nem mesmo dizer que \u00e9 uma propriedade nossa.\u00a0<strong>A natureza b\u00fadica n\u00e3o pertence ao mundo, o mundo pertence \u00e0 natureza b\u00fadica. <\/strong> Os mundos s\u00e3o express\u00f5es da natureza b\u00fadica, e n\u00e3o a natureza b\u00fadica \u00e9 express\u00e3o do mundo onde n\u00f3s estamos, que \u00e9 a express\u00e3o mais intuitiva para n\u00f3s. Ou seja, n\u00f3s estamos dentro do mundo, o mundo est\u00e1 aqui, n\u00f3s estamos fazendo pr\u00e1ticas, e a gente espera que dentro da nossa mente surja a ilumina\u00e7\u00e3o. A\u00ed aquilo \u00e9 um departamento dentro do mundo. Dentro do mundo existem os seres, e, casualmente, um dos seres sou eu mesmo. Agora dentro de mim existe a mente, e dentro da mente pode aparecer a ilumina\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, a ilumina\u00e7\u00e3o parece ser um caso particular do mundo, mas, na perspectiva budista, o mundo inteiro surge como uma express\u00e3o da pr\u00f3pria mente que \u00e9 ampla. A mente n\u00e3o est\u00e1 limitada \u00e0 nossa exist\u00eancia, ela \u00e9 muito mais ampla.<\/p>\n<h3>A cessa\u00e7\u00e3o do medo<\/h3>\n<p>\u00c9 nesse sentido amplo que os 12 elos s\u00e3o iluminados, os seis reinos s\u00e3o iluminados e o mundo ganha uma nova fei\u00e7\u00e3o. A libera\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel e a cessa\u00e7\u00e3o do medo se d\u00e1.\u00a0 \u00c9 como se o av\u00f4 estivesse jogando bola com o neto, ou seja, para o neto aquele jogo \u00e9 crucial; o av\u00f4 sorri. Ele entende a vida como alguma coisa muito mais ampla, ele n\u00e3o tem aquela limita\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, esse \u00e9 o ponto. Ainda que possa acontecer o contr\u00e1rio: o av\u00f4 vermelho querendo ganhar do neto, e o neto com uma vis\u00e3o ampla, serena, al\u00e9m de todos os jogos: \u201cEu estou aqui jogando com o meu av\u00f4, porque ele precisa fazer um pouco de exerc\u00edcio, ele est\u00e1 meio deprimido, meio sozinho, ent\u00e3o, eu venho aqui e jogo com ele. Mas este \u00e9 um caso particular, porque a minha mente \u00e9 muito mais ampla.\u201d<br \/>\nEnt\u00e3o, n\u00f3s temos essa quest\u00e3o da mente que se reduz e da mente ampla. Ent\u00e3o, a mente que reconhece este aspecto secreto, ela n\u00e3o flutua por dentro dos casos, das constru\u00e7\u00f5es e das situa\u00e7\u00f5es particulares. Assim, n\u00f3s podemos tomar o medo como o propulsor do nosso pr\u00f3prio caminho. Num certo sentido os tibetanos at\u00e9 usam isso. Eles n\u00e3o usam assim como n\u00f3s dissemos &#8220;o medo como caminho&#8221;, mas at\u00e9 poderiam. Mas eles sempre lembram: \u201ca morte existe\u201d. Da\u00ed a gente pensa: \u201cOps!\u201d A morte existe. N\u00f3s estamos felizes andando por aqui e por ali, e olha, a imperman\u00eancia e a morte existem.<br \/>\nEssencialmente tem essa perspectiva. A gente vive a vida, mas tem a perspectiva da morte junto, da imperman\u00eancia, da ilus\u00e3o daquele ambiente todo. Ent\u00e3o, neste sentido, <strong>o medo pode se transformar em caminho. E a gente diz: como eu ultrapasso isso? Como \u00e9 que a gente pode ultrapassar esta experi\u00eancia de vida e morte? Como \u00e9 que \u00e9 isso? \u00c9 poss\u00edvel isso?<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, este ponto \u00e9 o que nos remete \u00e0 consci\u00eancia do aspecto secreto. Porque o aspecto secreto tem esta caracter\u00edstica, em tibetano isto vai se chamar <em>lhundrup<\/em>. Ent\u00e3o, este aspecto da liberdade natural \u00e9 chamado em tibetano de <em>kadag<\/em>, que \u00e9 a grande vacuidade. Ou seja, essa manifesta\u00e7\u00e3o incessante da mente livre e aberta, que s\u00f3 pode ser chamada de livre e aberta porque tem tamb\u00e9m incessantemente o aspecto luminoso, tem <em>tzal<\/em>, o aspecto luminoso, ou seja, n\u00f3s podemos construir coisas. Ent\u00e3o, a liberdade incessante de construir coisas e outras coisas, e tamb\u00e9m n\u00e3o construir, essa liberdade \u00e9 <em>kadag<\/em>. Mas <em>kadag<\/em> \u00e9 insepar\u00e1vel das constru\u00e7\u00f5es, porque justamente o que d\u00e1 sentido \u00e0 pris\u00e3o e liberdade \u00e9 fato de que tem constru\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEnt\u00e3o, uma vez que tem constru\u00e7\u00f5es, e n\u00f3s seguimos as constru\u00e7\u00f5es, as pris\u00f5es passam a existir. <strong>A pris\u00e3o \u00e9 muito simples: \u00e9 apenas tomar as constru\u00e7\u00f5es como base para novas constru\u00e7\u00f5es e as novas constru\u00e7\u00f5es de base para as constru\u00e7\u00f5es subsequentes e n\u00e3o ver esse processo acontecendo.<\/strong> Quando voc\u00eas est\u00e3o meditando, voc\u00eas v\u00e3o perceber exatamente isso. Porque, ainda que voc\u00eas sejam praticantes experientes, \u00e9 prov\u00e1vel que tenha um fluxo mental a\u00ed dentro.\u00a0 E o que \u00e9 esse fluxo mental? Voc\u00eas olhem: surge uma ideia e essa ideia serve de base para outra. Voc\u00eas n\u00e3o interrompam o fluxo. Voc\u00eas apare\u00e7am como aquele que contempla esse fluxo. \u00c9 assim: surge uma ideia, eu uso aquela ideia como base para outra, e aquela outra como base para a subsequente, e assim vai indo. Ent\u00e3o, esta cadeia de imagens \u00e9 a a\u00e7\u00e3o luminosa da mente. Ent\u00e3o, algo \u00e9 luminoso e dependente, ent\u00e3o a gente chama isso de origina\u00e7\u00e3o dependente. Mas, ainda que eu construa uma pilha dessas manifesta\u00e7\u00f5es, de repente, num estalar de dedos, \u00a0aquilo cessa, pelo poder de <em>kadag<\/em> \u2013 porque k<em>adag<\/em>, a liberdade natural da mente, est\u00e1 l\u00e1. Eu posso andar para qualquer lado e tamb\u00e9m posso n\u00e3o ficar andando para lado nenhum. Ent\u00e3o, isso \u00e9 <em>kadag<\/em>. Mas <em>kadag<\/em> fica vis\u00edvel em contraste com\u00a0<em>tzal<\/em>, com a constru\u00e7\u00e3o luminosa das realidades, das apar\u00eancias, seja do jeito que for, mesmo que seja s\u00f3 energia, n\u00e3o tem nada vis\u00edvel, tang\u00edvel, mas tem o movimento da energia. \u00c9 assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Ent\u00e3o, quando n\u00f3s percebemos que toda manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o luminosa, e essa manifesta\u00e7\u00e3o luminosa \u00e9 totalmente insepar\u00e1vel do aspecto de <em>kadag,\u00a0<\/em>ent\u00e3o quando a gente tiver esta familiaridade com <em>kadag<\/em>, <em>lhundrup<\/em>, e <em>tzal &#8211;<\/em>\u00a0<em>lhundrup<\/em> \u00e9 o aspecto incessantemente presente de <em>kadag<\/em> e de <em>tzal &#8211;<\/em>\u00a0aquilo est\u00e1 incessantemente presente.\u00a0<strong>Quando n\u00f3s olharmos isso como se fosse a pr\u00f3pria vida, isso \u00e9 a vida, isso \u00e9 viver, \u00e9 isso.\u00a0<\/strong>\u00c9 <em>kadag<\/em>, <em>tzal<\/em> e <em>lung<\/em>, que \u00e9 energia. E junto com isso tem o qu\u00ea? Tem a capacidade de reconhecer a pr\u00f3pria opera\u00e7\u00e3o disso, que \u00e9 <em>rigpa<\/em>, que \u00e9 a lucidez da mente. Ent\u00e3o, n\u00f3s temos sempre operando: a liberdade, a manifesta\u00e7\u00e3o luminosa, ou o potencial de manifesta\u00e7\u00e3o luminosa, a energia que acompanha este potencial de manifesta\u00e7\u00e3o luminosa e a capacidade l\u00facida de reconhecer isso tudo funcionando. Isto est\u00e1 incessantemente presente e dispon\u00edvel, n\u00e3o importa se a gente est\u00e1 nos infernos, se a gente est\u00e1 nos reinos dos deuses, se a gente est\u00e1 sendo enforcado ou tenha o fiscal do imposto de renda na nossa frente, seja o que for, se a gente tem o assaltante na nossa frente, se tem qualquer coisa deste tipo, se tem coisas de grande injusti\u00e7a ou coisas muito maravilhosas na nossa frente, seja o que for, aquilo a gente v\u00ea que \u00e9 luminosidade, porque aquilo surge e cessa. Como \u00e9 que cessa? Cessa por <em>kadag<\/em>, pela liberdade. Ent\u00e3o estes aspectos tem a caracter\u00edstica de <em>lhundrup<\/em>, ou seja, eles est\u00e3o incessantemente presentes. A gente vai trocando de uma configura\u00e7\u00e3o para outra, mas cada configura\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre uma configura\u00e7\u00e3o deste conjunto.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Sorrir para os medos<\/h3>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Ent\u00e3o, <strong>quando a gente sentir isso e tiver essa clareza completa, quando a gente n\u00e3o perder essa clareza, o medo cessa.<\/strong> <strong>Por qu\u00ea? Porque n\u00e3o estamos mais presos \u00e0quele jogo. N\u00e3o somos mais o personagem daquele jogo. A gente n\u00e3o se confunde. Somos <em>kadag<\/em>, <em>lhundrup<\/em>, <em>tzal, lung, rigpa<\/em>, \u00e9 isso. N\u00f3s estamos ali o tempo todo. Mas quando n\u00f3s nos tornamos seres particulares, a gente n\u00e3o perde este aspecto amplo, mas a gente deixa de v\u00ea-lo. N\u00f3s ficamos focados nos aspectos estreitos. Ent\u00e3o, faz parte do jogo estreito ganhar e perder, e ter medos, da\u00ed a gente sorri para os medos.<\/strong><\/p>\n<p>Ent\u00e3o, este \u00e9 o sentido de quando o samsara e o nirvana s\u00e3o o mesmo. Por qu\u00ea? Porque o samsara n\u00e3o rouba o nirvana. O samsara \u00e9 um exemplo do nirvana. \u00c9 assim. O samsara \u00e9 um exemplo dessa clareza. Essa clareza seria o nirvana. Essa identidade seria o nirvana. O nirvana \u00e9 o fim dos medos.<br \/>\nEnt\u00e3o, <strong>a gente precisa viver a vida estreita dentro da clareza da vida ampla. Elas n\u00e3o se excluem.<\/strong> <strong>Nem a estreita exclui a ampla, nem a ampla exclui a estreita. A estreita \u00e9 o melhor exemplo da ampla, e a ampla se manifesta incessantemente atrav\u00e9s da multiplicidade de apar\u00eancias que surgem o tempo todo.<\/strong><\/p>\n<h3>Ondas no mar<\/h3>\n<p>Este exemplo das ondas e do mar, eu acho muito bom sabe. Todos os exemplos t\u00eam uma limita\u00e7\u00e3o, mas quando a onda surge, ela \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o do mar, ainda que a onda possa ter ideias pr\u00f3prias. Toda onda tem uma certa crista: ela vai l\u00e1 e vai andando daquele jeito. E a crista da onda uma certa hora murcha, n\u00e3o tem crista de onda que n\u00e3o murcha, e n\u00e3o tem onda poderosa que n\u00e3o se dissolva depois. Elas n\u00e3o se dissolvem, \u00a0porque elas j\u00e1 s\u00e3o o pr\u00f3prio mar. Esta coisa de dissolver \u00e9 quando a gente gera uma imagem de que aquilo n\u00e3o \u00e9 o mar, aquilo \u00e9 onda. Ent\u00e3o, n\u00f3s tamb\u00e9m, nos levantamos da terra, n\u00f3s somos uma onda da terra: a gente se levanta, uma onda de carbono e \u00e1gua, com uma crista sempre, e a crista vai branqueando e aquilo afunda l\u00e1 pelas tantas.\u00a0 N\u00e3o tem orgulho, n\u00e3o tem crista que dure mais do que um tempo. Eu acho interessante, olha para o galo, para aquela crista vermelha do galo, onde que aquilo vai parar? Vai virar salsicha de frango, pessoal. \u00c9 uma desgra\u00e7a isso. Ent\u00e3o, \u00e9 assim. \u00c9 muito curioso. Ent\u00e3o, \u00a0quando a gente v\u00ea os seres muito topetudos, a gente espera um pouco, porque a onda vai seguindo.<br \/>\nEu acho que a imperman\u00eancia tem um risinho, sabe? Ela leva a onda at\u00e9 o fim! Ela poderia dizer: \u201cBom, agora vamos cortar esta onda neste momento de gl\u00f3ria!\u201d N\u00e3o, primeiro ela destr\u00f3i a onda, a crista se dissolve, ela vira uma onda redondinha, aquilo vai sumindo, uma vergonha.<br \/>\n<strong>Ent\u00e3o, os seres todos, n\u00e3o importa o que for, se eles se levantam da terra, eles terminam voltando para a terra, como as ondas surgem da \u00e1gua e s\u00e3o a \u00e1gua e voltam para a \u00e1gua.<\/strong> Melhor pensarmos que n\u00f3s somos esta grande terra. Qual \u00e9 a grande terra? A \u00fanica terra &#8211; que n\u00f3s temos que explicar para os taurinos &#8211; qual \u00e9 a terra, terra? \u201cTaurinos, olhem bem, o que \u00e9 a terra? \u00c9 <em>kadag<\/em>, <em>lhundrup<\/em>&#8230;\u201d, \u00a0\u201cn\u00e3o, n\u00e3o<em>, Lama, kadag<\/em> n\u00e3o pode ser a terra, k<em>adag<\/em> n\u00e3o!\u201d Este \u00e9 o fim dos taurinos.<br \/>\nA terra<em> <\/em>mesmo \u00e9 o c\u00e9u. Isso \u00e9 quando touro se encontra com peixes, com aqu\u00e1rio. O maior pesadelo dos taurinos \u00e9 descobrir que a terra mesmo \u00e9 o c\u00e9u. Isso n\u00e3o daria certo, mas \u00e9 isso, pessoal. <strong>A terra \u00e9 o c\u00e9u. O que \u00e9 permanente?\u00a0 O c\u00e9u! Ent\u00e3o, o que \u00e9 est\u00e1vel? O que \u00e9 est\u00e1vel \u00e9 justamente a manifesta\u00e7\u00e3o de <em>kadag<\/em>.<\/strong> Isso que \u00e9 <em>lhundrub<\/em>. <em>Kadag<\/em>, incessantemente presente. Junto com a manifesta\u00e7\u00e3o de <em>kadag<\/em> n\u00f3s temos <em>tzal<\/em>, a luminosidade que constr\u00f3i, temos <em>lung<\/em> que \u00e9 a subst\u00e2ncia do que \u00e9 constru\u00eddo, e n\u00f3s temos a lucidez com respeito a isso. Por que a gente pode falar sobre isso? Porque tem <em>rigpa<\/em>, \u00e9 a mente que v\u00ea a mente: a mente faz, e a mente v\u00ea, \u00e9 consciente do que ela faz, \u00e9 <em>Prajnaparamita<\/em>. \u00c9 assim.<br \/>\n<strong>Ent\u00e3o, isso \u00e9 a vida! Isso \u00e9 viver. Esse \u00e9 o ponto! N\u00e3o \u00e9 assim: \u201cEu tenho minha vida e agora eu entendi alguma coisa.\u201d N\u00e3o, isso \u00e9 que \u00e9 a vida. E as coisas que a gente vive como se fossem a vida s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es luminosas, maravilhosas desses aspectos que s\u00e3o incessantes. \u00c9 assim.<\/strong><br \/>\n<strong>Ent\u00e3o, pessoal, n\u00e3o tem problema nenhum da gente viver as v\u00e1rias circunst\u00e2ncias. A gente abandona o medo de se perder, porque n\u00f3s vamos nos perder como?<\/strong> A\u00ed a nossa forcinha \u00e9 capaz de derrubar <em>lhundrup<\/em>, derrubar <em>kadag<\/em>, derrubar <em>tzal, lung<\/em>? N\u00e3o tem chance nenhuma. Zero de chance. N\u00e3o tem como. \u00c9 como se a gente imaginasse que o mar poderia se assustar com a grande onda que ent\u00e3o surge. O que \u00e9 isso? <strong>Qual \u00e9 a onda que vai assustar o mar? Pense! Qual \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o luminosa ilus\u00f3ria que vai afetar o espa\u00e7o?<\/strong> Pode surgir a nave que quiser a\u00ed, n\u00e3o tem problema. N\u00e3o tem uma nave que vai sugar o espa\u00e7o e o espa\u00e7o vai dizer: \u201cN\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o!\u201d E a nave puxa o espa\u00e7o todo. N\u00e3o tem isso, pessoal. N\u00e3o tem como. Ou a onda que vai drenar o mar e pronto. Isso n\u00e3o vai acontecer. <strong>Ent\u00e3o, o medo cessa. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 que a nossa vida est\u00e1 afetada. Quando a nossa vida se amplia e se v\u00ea como ela j\u00e1 \u00e9, ent\u00e3o os medos correspondentes \u00e0s vidas estreitas cessam.<\/strong><\/p>\n<h3>A grande vida e os bardos<\/h3>\n<p>Se a gente n\u00e3o tiver esta clareza, enquanto crian\u00e7as temos medo que os pais morram, quando a gente avan\u00e7a um pouco mais, a gente tem medo do vestibular, a gente tem medo dos amores, medo das profiss\u00f5es, medo dos trabalhos, e a gente faz for\u00e7a e obt\u00e9m resultados. Mais adiante n\u00f3s vamos ter uma sensa\u00e7\u00e3o de que a vida talvez n\u00e3o tenha muito sentido. \u00a0\u201cSer\u00e1 que a vida \u00e9 isso mesmo? \u00c9 s\u00f3 isso? E agora?\u201d Ent\u00e3o, a gente tem afli\u00e7\u00f5es. A gente tem medos de abandonos, de desinteresses, de solid\u00e3o, e mais adiante quando a pessoa chegar na velhice&#8230; A melhor defini\u00e7\u00e3o de velhice que eu ouvi at\u00e9 hoje \u00e9 assim: os velhos come\u00e7am 20 anos depois da nossa idade. Ent\u00e3o, eu j\u00e1 estou dizendo assim: os velhos de 92, a\u00ed sim que vai come\u00e7ar o envelhecimento, doen\u00e7a, decrepitude e morte. Ent\u00e3o, isto \u00e9 <em>janamarana<\/em>, a gente olha e tem um calafrio: \u201cSer\u00e1 que eu vou ter que passar por isso?\u201d. Quando a gente diz: \u201cSer\u00e1 que eu vou ter que passar por isso?\u201d, somos n\u00f3s enquanto seres estreitos que v\u00e3o ter que passar por isso. Ent\u00e3o, n\u00f3s olhamos de novo o que \u00e9 esta grande vida incessantemente presente \u2013 <em>kadag, lhundrup, tzal, lung,<\/em> etc.<br \/>\nA gente olha isso e n\u00f3s entendemos os ensinamentos de Guru Rinponche sobre os 5 bardos, ou seja, como que a mente l\u00facida <em>rigpa<\/em> n\u00e3o \u00e9 afetada por bardo nenhum. Ent\u00e3o, n\u00f3s estamos no bardo da vida e <em>rigpa<\/em> v\u00ea a vida e \u00e9 l\u00facida sobre a vida. Quando n\u00f3s estamos no sonho, a gente v\u00ea o sonho e temos a lucidez quanto ao sonho. Quando a gente medita, n\u00f3s vemos a medita\u00e7\u00e3o e temos lucidez quanto \u00e0 medita\u00e7\u00e3o. E quando n\u00f3s estamos doentes, n\u00f3s temos o qu\u00ea? A lucidez quanto \u00e0 doen\u00e7a. Quando a gente est\u00e1 muito mal, a gente tem a lucidez sobre a condi\u00e7\u00e3o de estar muito mal, e assim por diante. Quando a gente afunda na \u00e1gua a gente abre o olho e v\u00ea como \u00e9 estar dentro da \u00e1gua, \u00a0pessoal. Ent\u00e3o, quando a gente afunda na morte, a gente abre o olho &#8211; melhor morrer com o olho interno aberto &#8211;\u00a0 e v\u00ea a morte, e depois a gente v\u00ea o renascimento, a gente v\u00ea o que est\u00e1 al\u00e9m da vida e da morte. Esse \u00e9 o ponto. Ent\u00e3o, existe esta grande vida. Esse \u00e9 o ponto.<br \/>\n<em>Transcri\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Ov\u00eddio (Santos-SP)<\/em><br \/>\n<em> Revis\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o do texto: Stela Santin (Viam\u00e3o-RS)\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Edi\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo: Gustavo Gitti e Jeanne Pilli (S\u00e3o Paulo-SP) <\/em><br \/>\n<iframe title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KqI3JpCcfqI\" frameborder=\"0\" width=\"620\" height=\"349\"><\/iframe><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trecho final do ensinamento &#8220;Desconstruindo o medo&#8221;, oferecido por Lama Padma Samten na manh\u00e3 do dia 5 de junho de 2021.<\/p>","protected":false},"author":119,"featured_media":87604,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[417],"tags":[],"class_list":["post-87596","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ensinamentos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.6 - 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